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Lyon, França – Parte 3

Em nossa segunda semana em Lyon, já nos sentíamos “em casa”. Após nossa viagem no primeiro final de semana para a Região do Beaujolais, voltamos à rotina de aulas de francês e comidinhas em casa, regadas a vinhos locais e cervejas especiais. Tudo mil maravilhas.

Cada dia a gente escolhia um lugar diferente para explorar no final do dia, já que as aulas acabavam por volta das 15h. Num desses dias fomos até o encontro dos Rios Saône e Rhône, chamado de “Confluence”. Um bairro interessante, bem moderno, com shopping e um Museu (Museu de La Confluence) ultra moderno. Não entramos, mas curtimos bastante o seu “design”.

“La Confluence”, onde os Rios Saône e Rhône se encontram (embaixo à direita, Museu de La Confluence)

De lá, voltamos caminhando pela Rue Victor Hugo toda de comércio (mais em conta que a Rue de La Republique) até a Place Bellecour, que aliás é importante saber que é a terceira maior praça da França e uma das maiores da Europa. Estava fazendo sol neste dia e ela estava deslumbrante. Perto dali, tem uma rua repleta de restaurantes, a “Rue des Marronniers” (Marronnier é o nome da árvore cujo fruto é a castanha-da-índia). Seguimos a indicação de um amigo de uma prima minha, que é lyonnais, e fomos ao “La Mère Jean“.

Rue Victor Hugo e Place Bellecour e vista da Basilique Notre Dame de Fourvière

A dica era experimentar um prato típico de Lyon, chamado “Quenelle“. Trata-se de uma massa em formato oval, tipo um nhoque gigante, feito de farinha, leite e ovos. O molho tradicional é de peixe (Lúcio, que se encontra ali no Rio Saône), mas alguns levam lagosta também. O nosso era assim, molho cremoso sabor lagosta. Gratinado. Demorou um pouco, mas avisaram antes que era feito na hora e tal, tínhamos que ter paciência… Pedi uma porção de pão pra enganar a forme e a garçonete disse que não ia trazer, acreditam??!! Disse que eu tinha que esperar pois o prato já era muito calórico, hahahaha. O vizinho da mesa ao lado ficou com pena de mim e me deu parte da porção de pão que estava em sua mesa. Rimos muito com isso.

Meu marido não gostou muito da tal da “Quenelle”. Eu que curto massa até que gostei. E gostei mais ainda do molho, bem saboroso. Um prato realmente calórico. E como se não bastasse ainda servem batatas fritas pra acompanhar, o que eu achei completamente desnecessário. Dividimos uma Quenelle para nós dois e foi mais que suficiente, rsrsrs.

Restaurante La Mère Jean e a “Quenelle”

A melhor parte foi a da sobremesa, também típica de Lyon: “Tarte aux Pralines”. Uma espécie de quiche doce. O recheio é feito com as “pralines roses” que são amêndoas cobertas de açúcar (caramelizadas), com algum corante “rosa-chock”, hahaha. Eu não estava levando fé nenhuma, mas como sou curiosa, resolvi experimentar. Gostei tanto que comi outras vezes depois, como por exemplo, na popular casa de chá e restaurante “Paul”, a mais saborosa “tarte aux pralines” que comi em Lyon. Dos deuses.

“Tarte aux Pralines” do La Mère Jean

“Tarte aux Pralines” do Paul

Noutro dia voltamos lá no “La Mère Jean” para experimentar mais uma das iguarias de Lyon: “les tripes” (tripas!). Aliás, tem muito prato típico à base de miúdos e tripas nos “Bouchons” (bistrôs típicos de Lyon). Esse prato era parecido com nossa dobradinha, porém, sem o feijão branco, ou seja, só mesmo o “bucho” cozido. Na Cidade do Porto comemos tripas muuuuuito mais saborosas que estas (vai ter post no futuro, aguardem!).

“Les tripes”

Outra especialidade lyonnaise servida nos Bouchons  é o “Tête de Veau” (cabeça de vitelo). No nosso último dia em Lyon, despedida da cidade, elegemos o “Bouchon Colette“, na popular Rue Mercière. Aliás, turistada toda vai lá porque é uma infinidade de restaurantes, um colado no outro, pra todos os gostos. Os moradores locais nem gostam muito de indicar restaurantes de lá, dizem que não são tão pitorescos, mas estávamos sem muito tempo pra pesquisar outro neste dia.

Cláudio, corajoso, enfrentou o “Tête de Veau”. Vieram uns pedaços de carne cozida da cabeça do vitelo, que deduzimos ser da bochecha, testa, língua… acompanhava batata cozida e um molho tipo tártaro. Eu pedi um outro prato também típico chamado “L’Andouillete“. Uma espécie de salsicha, recheada com carne de porco, tripas e outros miúdos,  cortada em pedaços e gratinada. Era meio esquisita… tinha um sabor bem marcante. Não estava ruim, mas também não adorei, rsrsrs. A cerveja estava excelente!

“Bouchon Colette” na Rue Mercière, 62

Penso que quando a gente viaja, tem que experimentar de tudo!! Tem coisas que você ama, outras nem tanto, mas como entender a cultura local sem conhecer o que as pessoas comem?!! E claro que não é só comida né, tem que procurar também saber um pouco da história da cidade, do país, suas raízes culturais (danças, músicas, roupas, hábitos, enfim…) senão será uma viagem incompleta.

No próximo post, contarei aqui nossa viagem à Grenoble, Annecy e outras surpresinhas mais!!! 😀

 

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Lyon – França – Parte 2

Cada dia em Lyon era uma nova descoberta. Íamos descortinando a cidade aos poucos, já que tínhamos 3 semanas inteiras para degustar. Cada dia uma rua diferente, um restaurante novo na hora do almoço, um mercado diferente para fazer compras. Assistíamos aula pela manhã e à tarde no Inflexyon, curso ao qual nos matriculamos e que oferecia um sistema de aulas de conversação bem interessante, permitindo uma intensa troca cultural. Em nossa turma, havia alunos oriundos dos quatro cantos do mundo (Finlândia, Taiwan, China, Japão, EUA, Colômbia, Omã, Brasil, entre outros). Era extremamente rico e divertido debater alguns assuntos polêmicos com todas aquelas pessoas!!!

Vista do rio Rhône do alto da Pont Morand, em Lyon

Ao final da aula, em nosso quarto dia na cidade, resolvemos dar uma esticada até o “Parc de La Tête d’Or” (Parque da Cabeça de Ouro), o maior parque urbano da França. Constitui uma área imensa (117 hectares) muito arborizada, com lagos cheios de patinhos, um zoo, estufas com plantas exóticas, velódromo, cafés, etc. Excelente para praticar esportes, com muitas alternativas de pistas, justamente o que queríamos para nossa corrida matinal 😀

Parc de la Tête d’Or – Lyon

Próximo ao nosso apartamento, na rua de trás (Rue du Sergent Blandan), havíamos descoberto por acaso um restaurante tailandês, o Bangkok Royal e fiquei com água na boca. Lembrei da minha viagem à Tailândia e os diversos pratos deliciosos que tive oportunidade de conhecer. Fiz vários posts aqui sobre essa viagem à Ásia, vocês podem dar uma explorada aqui.

Resolvemos jantar lá neste dia, ao sairmos do parque. Foi maravilhoso. Talvez a melhor comida que eu tenha comido em toda a minha estada em Lyon… por incrível que possa parecer. É até uma heresia. Mas enfim…

Cartão de visita do Restaurante Bangkok Royal

De entrada pedimos um camarão empanado, com massa super leve e crocante de arroz (Kung Tod). O molho que acompanhava era ótimo, com gengibre, visualmente parecido com um que aprendi a fazer em uma aula de gastronomia no Vietnã. Veja receita que postei aqui. Nosso prato principal foi um pato, cozido e grelhado, com molho apimentado (Ped Pad Nam) e folhas de manjericão. Muuuuito bom mesmo!! Pedimos uma taça de vinho tinto (servido em temperatura ambiente, achei que poderia estar mais resfriado). Pagamos felizes apenas 38 euros (mais ou menos R$ 183,00 hoje).

Restaurante Bangkok Royal em Lyon

No dia seguinte, depois das aulas, fomos visitar o “Les Halles de Lyon – Paul Bocuse“, do outro lado do Rio Rhône, mercado incrível de produtos frescos e artesanais da região. Há embutidos, pães, frutas e legumes, peixarias, açougues, temperos, vinhos, etc. É um mercado fino, fechado e climatizado. Há restaurantes e lanchonetes também. São ao todo 48 boxes. Qualquer pessoa que tenha interesse em gastronomia não deve deixar de visitá-lo. Lá você encontra tudo o que tem de melhor na região (pena que é tudo tão caro, rsrsrs).

Les Halles de Lyon – Paul Bocuse

Se quiserem uma dica de um bom restaurante em Lyon, já escrevi uma crítica aqui, vejam no link Brasserie Le Nord.

Em breve tem mais de Lyon!!

Paraty – RJ

Antes de começar a escrever esse post, estava aqui me perguntando se afinal eu deveria escrever Paraty ou Parati… Então consultei nosso velho amigo Google e obtive uma verdadeira aula sobre a grafia correta , vejam toda a história aqui. Agora escrevo Paraty sem medo 😉

A cidade foi fundada em 1667, mas já existia povoação ali há muito tempo. A partir do seu porto escoavam riquezas provenientes de Minas Gerais, principalmente ouro, direto para Portugal. No século XVIII, a vila perdeu um pouco da sua importância, mas recuperou depois com o Ciclo do Café, no século XIX. Com a Abolição da Escravatura em 1888, houve um grande êxodo na região e Paraty ficou bastante “esvaziada” e muito isolada. Para se chegar lá era complicado, só mesmo de barco ou por péssimas estradas. Felizmente, isto ajudou a preservar bastante a arquitetura colonial da vila. Depois da construção da BR101, o turismo começou a crescer vertiginosamente na região, graças ao seu potencial, tanto histórico, quanto paisagístico. Sem sombra de dúvida, uma cidade muito especial, pra se guardar pra sempre na memória. Quem a conhece não a esquece, e quer voltar. Eu já fui pelo menos umas 5 vezes. A última, foi neste final de semana passado, levando minha mãe e minha sogra, 87 e 83 anos respectivamente. Nenhuma das duas conhecia aquela joia arquitetônica.

 

Ficamos hospedados na Pousada Aconchego, muito mais por sua localização estratégica que por outro motivo, pois além de ter estacionamento privativo, ficava dentro do Centro Histórico, justo no limite em que carros ainda podiam circular. Chegamos na sexta-feira à tarde, mas como estava chovendo sem parar, o que nos deixou bastante apreensivos, resolvemos ficar no hotel mesmo. Ele não possui restaurante (a cozinha só funciona para o café da manhã), mas há um restaurante “colado”, parede com parede, com acesso pelo pátio de estacionamento do hotel, super providencial rsrsrs. Jantamos ali mesmo, um vinho, linguiças artesanais, sopinha leve de baroa…

Sábado amanheceu um belo dia, para surpresa de todos. Tomamos um café reforçado e lá fomos nós, para a parte mais difícil: enfrentar as pedras das ruas do centro histórico, com nossas mães. Meu marido de mãos dadas com minha sogra, e eu com a minha mãe, a tiracolo. De pouquinho em pouquinho fomos descortinando a cidade, que ainda estava com suas ruas vazias e com a maior parte das lojas e restaurantes fechados. Era cedo ainda.

Passamos na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, na Casa da Cultura (que estava fechada). Entramos numa lojinha de artesanato, compramos bijuterias indígenas. Continuamos nossa peregrinação pelas lindas ruas da cidade, com suas casas coloniais bem preservadas, com janelas e portas coloridas. Cruzamos a cidade e fomos até o Largo Santa Rita, onde está a Igreja de Santa Rita de Cássia, que aparece em todas as fotos de Paraty que são tiradas a partir do mar. Igrejinha linda que abriga o Museu de Arte Sacra.

Igreja de Santa Rita de Cássia

Depois demos uma passada na Rua do Comércio, compramos cachaça (Paratiana – Gabriela, Cravo e Canela) e molhos de pimenta, não tinha como não comprar! Passamos no Largo do Rosário e por fim, para abrilhantar ainda mais nosso dia de sol inesperado, fizemos reserva no “Banana da Terra” e lá fomos, finalmente.

Falei “finalmente” porque há anos sonhava conhecer esse restaurante. Conheci a Chef Ana Bueno há muito tempo atrás, durante um festival gastronômico de Recife, no antigo e maravilhoso restaurante Chez George (que na verdade ficava em Olinda). Na época ela me marcou bastante, achei-a simpática e muito talentosa! A Chef apresenta uma cozinha com raízes “caiçaras”, ou seja, oriundas de toda aquela região próxima a Paraty, da serra ao mar.

De cara, pedi uma caipirinha feita com limão e capim-santo (ou capim-limão). Estava ótima!

Pedimos também o couvert, que estava uma delícia, com seus pãezinhos saídos do forno na hora. E ainda: caldinho de batata baroa com queijo gorgonzola, um bolinho frito de camarão e um peixe marinado empanado com coco.

Por sugestão da garçonete que nos atendeu, escolhi um “Polvo com páprica, tomate seco da casa, cebola pérola, pesto de azeitonas pretas, sobre purê de batata doce, com pedaços de alho assado“. Estava excelente! Polvo macio. O pesto em contraste com o purê adocicado, o alho assado… tudo em perfeita harmonia.

Meu marido pediu um camarão que fiquei encantada e me deu vontade de tentar fazer igual em casa: “Camarões levementes picantes com curry vermelho, flambados na Cachaça Labareda, com arroz negro e salada de manga“. Espetáculo. Além de saboroso, parecia uma obra de arte.

Minha mãe e minha sogra apostaram no “Camarão ao creme fresco e vinho do Porto com arroz de castanha de caju“, também muito bom, porém de sabor mais suave.

O restaurante é um belo casarão, há um jardim interno, bonita decoração. Achei ruim o fato do banheiro ser no primeiro andar, e só vi acesso por uma escadaria. Não sei se há elevador, não perguntei, mas não vi. Como eu estava com duas pessoas idosas, agradeci a Deus elas não terem precisado ir ao banheiro…

Ah! A sobremesa ficou na conta da sorveteria do outro lado da rua! 😀

Saímos felizes e satisfeitos, mas à noite, eu e Cláudio fomos matar as saudades de uma verdadeira “galette” francesa (crepe de trigo sarraceno), no “Oui Paraty“, que recomendo muuuuito!! O Chef (Patrick Louis) é um amor e a galette, bem como as crepes, estavam muito boas. Pedimos a “Galette Délice“, com presunto de parma e queijo brie. Tomamos um vinho tinto “Côtes-du-Rhône“, combinou perfeitamente. Ao final ainda degustamos uma crepe de banana com nutella. Recomendo este pequeno recanto francês em Paraty, na Rua Santa Rita, 190.

“A cozinha é a base da verdadeira felicidade” (Auguste Escoffier) – “Um bom prato, uma boa galette, um crepe legal, uma taça de vinho, a felicidade está no Oui Paraty” (Patrick Louis)

 

 

 

Brasserie Le Nord – Lyon, França

OiêêêêÊ!!! De volta ao blog!! Desculpem a ausência, mas foi por um bom motivo. Estive na França e em Portugal, ao todo 5 semanas, sendo que 3 delas foram dedicadas ao estudo do francês. Eu e meu marido já havíamos feito alguns anos de Aliança Francesa e mais um tempo de aulas particulares, então achamos que estava na hora de fazermos um teste de sobrevivência “in loco”, ou seja, o plano seria passar um tempo na França, se possível entrar num curso de conversação e vivermos um pouco o dia-a-dia dos franceses, imergindo em sua cultura, língua, clima, etc. Foi o que fizemos 🙂 . E valeu muito a pena! Escolhi Lyon por esta cidade ter um viés gastronômico. Minha ideia era aproveitar minha estada lá e fazer algum curso de culinária e obviamente, aproveitar das infinitas opções de restaurantes maravilhosos da cidade. Foi a escolha certa, hehehe.

Este post de hoje é pra falar do restaurante “Brasserie Le Nord“, o único que conheci que pertencia ao grande Chef Paul Bocuse, considerado o “papa” da cozinha francesa, um dos criadores do movimento denominado “nouvelle cuisine“. Infelizmente, ele morreu em janeiro deste ano, aos 91, e não tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente 😦 . De qualquer forma, seria muito difícil conseguir ter acesso a ele. Seu restaurante mais tradicional e antigo é o “Auberge du Pont de Collonges” que ostenta 3 estrelas no Guia Michelin desde 1965. Não deu pra gente ir lá… além de muito caro era um pouco distante do centro da cidade. Por isso mesmo escolhi uma de suas Brasseries (são 4 no centro de Lyon, fora outros restaurantes) que possuem preços mais acessíveis. A Le Nord foi a primeira Brasserie aberta por Bocuse, em 1994. Seu cardápio é baseado em clássicos da gastronomia “lyonnaise”.

Fomos na hora do almoço, não estava lotado, chegamos relativamente cedo, dia de semana. Ambiente tradicionalíssimo de bistrô. Na entrada, um terraço charmoso, e dentro, um balcão belíssimo e mesas distribuídas por um salão não muito grande, mas elegante (um lindo vitral dava um colorido ao ambiente). Uma moça simpática veio nos atender, pedi uma cerveja imediatamente. Decidimos encarar o menu do dia (“menu du jour”) proposto por eles. Na verdade eles oferecem 2 ou mais opções diferentes e você escolhe entre elas a que mais lhe apetece. Pedimos um menu de 3 pratos (“formule 3 plats”): entrada (entrée), prato principal (plat du jour) e sobremesa (dessert).

Eu e meu marido optamos pela mesma entrada: “Saucisson chaud pistaché en brioche“, que é uma especialidade “lyonnaise”. Nada mais é que uma fatia grande de brioche (tipo de pão) recheado com uma espécie de salsichão que leva pistaches em sua composição. Acompanhado de uma salada verde simples. Não achamos nada demais. Meu marido até achou ruim. Eu não achei ruim, mas realmente foi um pouco frustrante, o prato é seco, diferente da ideia que temos de pratos franceses, sempre bem “molhados”, rsrs. Vinho da casa pra acompanhar…

Nossa escolha de prato principal também foi a mesma e dessa vez ambos adoramos: “Échine de cochon fermier rôtie à la broche“. Uma parte do lombo de porco (oriundo de fazenda) assado, acompanhado de purê de batatas e de “piperade de poivrons doux” uma espécie de “ratatouille” agridoce, feita com pimentões vermelhos. Achei delicioso!! O porco era inacreditavelmente macio, a consistência era bem diferente da que conhecemos dos porcos daqui, normalmente mais seca e fibrosa. A que comi lá parecia um filé mignon, mais macio ainda… incrível.

De sobremesa pedimos coisas diferentes, mas depois fiquei morrendo de inveja da dele, hahaha. Não que a minha estivesse ruim, mas a dele estava genial. A minha foi um “clafoutis aux cerises“, tipo um bolo baixinho, com cerejas (também especialidade da região). Cláudio pediu uma “délice de fromage blanc, compote e coulis de framboises“, tipo um pudim, ou flan, de queijo, com uma calda de framboesas, uma maravilha dos deuses!!!

Nossa conta total foi de 77 euros, condizente com a qualidade dos pratos, dos ingredientes, do atendimento super atencioso e do ambiente acolhedor. Uma foto do Bocuse e uma frase dele na parede me chamaram atenção na saída. Mesmo ele não estando mais ali, pude sentir através de suas palavras, o quão importante era para ele (e sei que é também para todos os franceses) o momento de sentar-se à mesa, com amigos, com família, para compartilhar uma boa refeição. Aaaahhh…. a França…. curto demais… perdoem-me os que torcem pelos croatas, mas não vou negar que estarei do lado dos “les bleus” no próximo domingo! \o/ \o/ \o/

“Na mesa com os amigos o tempo não conta” – Paul Bocuse

 

Restaurante Dona Irene – Teresópolis

A 75 km do Rio, encontra-se a cidade serrana de Teresópolis, situada a mais de 800m de altitude, o que faz dela a mais alta do Rio de Janeiro e, consequentemente, uma das mais frias. Ao final da subida da serra, que aliás é uma estrada belíssima, é obrigatória a parada no Mirante do Soberbo, com vista incrível do Dedo de Deus (formação rochosa que lembra mesmo uma mão cujo dedo indicador está apontando para o céu) e, quando o dia está limpo, dá pra ver a Baía de Guanabara… incrível, gente… Tava assim quando subimos no sábado passado.

Eu e minha mãe no Mirante do Soberbo, na entrada de Teresópolis

Éramos um time de futebol completo: 11 pessoas, hahaha. E mais o motorista da van, que contratamos para nos levar até a Vila St Gallen – a casa da cerveja Therezópolis. Um lugar bem legal, com três diferentes ambientes gastronômicos. Tem inclusive uma reconstituição de uma vila germânica (com mesinhas, igrejinha, lojas, café, etc), muito simpática. Você pode fazer degustação e harmonização das diversas cervejas puro malte que eles produzem, ou mesmo fazer a visita guiada para conhecer a história e descobrir como são fabricadas as cervejas Therezópolis. Programão não é?! Eu já fiz isto em outra oportunidade, inclusive, com direito a anotações minuciosas sobre as “notas” de amargor, doçura e acidez de cada uma delas. Mas desta vez, fomos apenas degustar alguns chopes deliciosos, uns 4 tipos diferentes, apenas pra fazer uma horinha… É que nosso objetivo neste dia era maior: almoçar no Restaurante Dona Irene.

Villa St Gallen em Teresópolis, visita obrigatória

Dona Irene é o nome do tradicionalíssimo e antigo (de 1964) restaurante russo que fica em Teresópolis. Os fundadores (um casal) eram siberianos, conhecidos pelos nomes de “Miguel e Irene”. Hoje o restaurante é tocado pelo casal José Hisbello Campos (primo meu de 4º ou 5º grau, hehehe!) e Dona Maria Emília. Eles fazem parte da história do restaurante, pois eram vizinhos dos russos, em Teresópolis. Desde o início, Emília ajudou Irene na cozinha, foram muito amigas, aprendeu tudo com ela, inclusive a fabricar a tão aclamada vodca da casa (Nazdaróvia), feita com frutas e cereais (e que ela não revela a receita de jeito nenhuuuuummmm!!!!). Com a morte de Irene, há uns 15 anos, Emília e Hisbello assumiram naturalmente a administração do restaurante.

Restaurante Dona Irene e detalhes decorativos

Mas vamos ao que interessa… chegamos lá por volta das 14h. Já nos esperavam os anfitriões, uns queridos. Nossa mesa redonda de 11 lugares estava reservada, em nome das “primas”: Miryan (minha mãe) e eu. As refeições seguem o ritual tradicional (da época dos czares na Rússia) desde que foi fundado até hoje. Sempre divididas em 4 etapas. Junto com a primeira etapa vem a vodca Nazdaróvia, em garrafa pequena e envolvida em grossa camada de gelo, para você se servir à vontade. Para quem é amante dessa bebida destilada vai achar uma maravilha. Segundo o costume russo, existem três regras básicas para o consumo da vodca: 1º – nunca beber sozinho; 2º – nunca beber sem comer alguma coisa logo em seguida; 3º – nunca tomá-la em pequenos goles ou misturada com gelo ou tônica, mas de uma vez só (nossa!!! Eu confesso que tomar pura e de uma vez só não é o meu forte…  dei uns goles pra conhecer, mas depois preferi me resguardar no vinho tinto!).

A vodca de cereais é a estrela da casa

Então… vamos à primeira etapa, que acompanha a vodca: os “Zakuskis“, que significa “pequenos bocados”. Na verdade, uma imensa variedade de “tapas”, entre elas, o caviar (delícia), arenque, ovos recheados, salmão, patês, beterraba (delícia também) e rabanetes em conserva, etc. Uma fartura, gente, cada coisa mais gostosa que a outra. E tome vodca!!! kkkk.

Os “Zakuskis”, todos deliciosos

Na segunda etapa é servida a famosa sopa “Borscht“, cujo principal ingrediente é a beterraba. Bem interessante, eu achei, meio exótica. Servida morna e acompanhada de bolinhos fritos ótimos, chamados “Pirozhkis“, recheados com carne. Em seguida, serviram-nos asas de frango fritas, super crocantes, uma maravilha. Não estão acreditando né?! Quem imaginaria que asas de frango fritas poderiam ser uma “maravilha”?! Eu mesma não acreditaria… mas era! Serviram também berinjelas e abobrinhas gratinadas, uma no molho de tomate, a outra em molho branco. E isto tudo foi só a segunda etapa…

Entradas quentes no Dona Irene

A terceira etapa é constituída dos pratos principais, que podem ser escolhidos quando você fizer a reserva. Para nós, foram servidos alguns dos pratos, escolhidos pelos nossos anfitriões:

1. Frango à Kiev, crocante e com direito à esguicho de manteiga ao ser cortado, hehehe.

2.Varênique, típico da Ucrânia, que consiste nuns pastéis recheados de batatas e ervas, acompanhados de filé mignon grelhado. Adorei!

3. Pojarski, preparado com frango moído, queijo gorgonzola, em forma de almôndegas, recobertas de croutons dourados.

4. Podjarka, feito com escalopinhos de frango e filé mignon, champignon, molho de ervas, batatas noisettes, flambado e gratinado.

5. Beef Strogonoff, o mais famoso dos pratos russos, nem precisa apresentação! E se quiserem prepará-lo em casa, que aliás é um ótima sugestão pra receber a família, é só seguirem a minha receita. Não é igual ao da Dona Irene, mas é sucesso garantido também!!!

Pratos principais deliciosos do Dona Irene

E a comilança não acaboooooou!!!

As sobremesas não são muitas, mas todas são apetitosas, incluindo a “charlotte russa” (criada por um chef francês, para os czares russos). Mas escolhi uma sobremesa criada pela casa atual, com suspiro, creme chantilly, amoras em calda. Não me arrependi, estava ótima!

Sobremesa com suspiro e calda de amoras

Ao final do excelente almoço, nosso anfitrião ainda nos contou muitas histórias do passado, de sua juventude, mostrou-nos fotos de sua família, filhos e netos. Dona Emília também nos cumprimentou, apesar da casa estar cheia. Enfim, foi um sábado para guardar na memória. Abaixo, o time quase completo (eu estou tirando a foto!):

 

Riba

riba

Uma paradinha nos meus relatos de viagem, para eu não esquecer o assunto… O Riba é um barzinho bem carioca messssmo. Numa esquina nobre (Dias Ferreira com General Urquiza, no Leblon) e com aquele ar de botequim sem frescura, que te convida para um bate-papo entre amigos, te oferece um bom tira-gosto e uma cerveja gelada .

riba

Eu e Cláudio costumamos aproveitar sábados ou domingos de tempo bom para nos exercitarmos na orla da Zona Sul. Saímos de nossa casa em Botafogo e vamos para Copacabana de ônibus. De lá a gente segue a pé até o Leblon, perfazendo um total de 6 ou 7km, dependendo da meta final. Ontem, escolhi o Riba como nosso ponto de chegada. Saímos do Copacabana Palace. Total foi de 6,9km até lá. Eu já estava com as pernas bambas de tanta sede!! Ou talvez fosse uma crise de abstinência alcoólica, haha.

Caminhada que fizemos de Copa até o Leblon

Caminhada que fizemos de Copa até o Leblon

Primeira coisa, depois de tirar uma foto do bar enquanto estava vazio, foi pedir um chopp Stella. Experimentei também o chopp da casa: Riba Pilsen. Bem saboroso. Servido em copo tipo americano, com colarinho na medida certa.

Chopps Stella Artois e Riba Pilsen

Chopps Stella Artois e Riba Pilsen

O cardápio merece uma boa estudada, não porque tenha opções demais. Mas porque todas as opções são muuuito atraentes. Os sanduíches dão água na boca só de ler a descrição,  além dos pratos típicos de boteco, cervejas artesanais e mesmo as sobremesas…

Cardápio de sanduíches, cervejas artesanais e sobremesas do Riba

Cardápio de sanduíches, cervejas artesanais e sobremesas do Riba

Escolhemos o vencedor do prêmio “Rio Show de Gastronomia 2016” na categoria “melhor sanduíche” : Costela – sanduíche de costela bovina com broto de agrião, tomate confit, servido no pão de malte integral. Aliás, esse pão é uma delícia. Massa mais pesada, levemente crocante… hummmmm…. E os molhos são da casa, ambos apimentados, porém, um é “agridoce e suave”, o outro “indescritível e picante”. Eu preferi o mais picante, Claudinho preferiu o agridoce, mas ambos combinam muito bem com o sanduíche, que chega na mesa divido ao meio. Ficamos profundamente arrependidos de não termos pedido dois sanduíches diferentes, assim trocaríamos nossa outra metade!

Sanduíche vencedor do prêmio Rio Show de Gastronomia 2016

Sanduíche vencedor do prêmio Rio Show de Gastronomia 2016

Já que eu tinha enfiado mesmo o pé na jaca comendo um sanduíche desses inteirinho, resolvi que deveríamos pedir uma sobremesa que havia me chamado a atenção. Porque no cardápio estava escrito “não é um Petit Gateu não é um Brownie: éff…”. Eu tinha que descobrir o que era “bolo éff” gente!!! E digo a vocês, valeu muito a pena experimentar! Ele é como um brownie só que mais cremoso, servido dentro do copo, com um delicioso merengue “brûlée”, ou seja, levemente maçaricado. Só esqueci de tirar a foto do “éff” por dentro… e ele é pequenininho tá?! Se você for uma formiguinha, não peça pra dividir!!

"Éff", do Riba, nem petit gateau, nem brownie...

“Éff”, do Riba, nem petit gateau, nem brownie…

Fiquei com vontade de voltar ao Riba. Pretendo experimentar alguns de seus outros sanduíches (vide o cardápio) e pratos que arrancavam suspiros na mesa ao lado… Além de degustar algumas cervejinhas especiais… que melhor motivação teria eu para sair de minha casa em Botafogo e caminhar 7km de Copa até o Leblon?!!

Angkor – Camboja (Parte 1)

Victory Gate - Angkor Thom

Victory Gate – Angkor Thom

O Império Khmer, como falei anteriormente, floresceu entre os séculos IX e XV no coração do Camboja, dominou grande parte do sudeste asiático (onde hoje está a Tailândia, Laos e o sul do Vietnã) e recebeu grande influência da cultura hindu e chinesa (mais tarde serviu ao budismo também). Eles conseguiram construir uma cidade gigantesca para os padrões da época, com 1.000 km², chamada Angkor. A maior do mundo até o século XIX.

Os templos erguidos lá são verdadeiros tesouros da humanidade, a exemplo de Angkor Wat, o templo principal (onde estima-se que viviam em torno de 20.000 pessoas), que é o maior monumento religioso já construído no mundo. Um espanto de tão belo. Desde 1992 foi declarado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.

Templo de Angkor Wat

Templo de Angkor Wat

Reservamos dois dias inteiros para explorar o complexo de Angkor. É o tempo mínimo se você quiser conhecer os templos mais importantes. Contratamos um guia (chamava-se “Vut”) da angkortourguides.com, com antecedência, por $165 os dois dias, para 3 pessoas ($55 por cabeça). Além disso, para entrar no complexo histórico de Angkor, são mais $40 por pessoa, que dá direito a 3 dias de acesso.

Nossa primeira expedição foi para Angkor Thom, que foi uma cidade fortificada, onde fica o Bayon, um dos templos mais importantes. Uma das entradas da cidade é pela Victory Gate (foto no topo do post). Belíssima por sinal. O Bayon impressiona com suas 54 torres, cada uma delas com 4 rostos esculpidos, imensos, perfazendo um total de 216 enigmáticos semblantes…

Bayon - Templo do século XII

Bayon – Templo do século XII – sua entrada principal (acima) uma de suas torres (à dir.) e relevos

Depois fomos caminhando até o Baphuon, outro belíssimo templo, construído no séc XI. É preciso fôlego para subir suas escadarias até o ponto mais alto, mas vale super a pena!

Baphuon

Baphuon – Templo do século XI

De lá, seguimos para o Phimeanakas, um templo-palácio, do século X, depois ampliado. Foi dedicado ao hinduísmo.

Caminhamos em seguida pela belíssima “Esplanada dos Elefantes“, com esculturas de elefantes entalhadas nas muralhas, praticamente em tamanho natural, muito bonito. E terminamos na “Esplanada do Rei Leproso“, inferior à dos Elefantes.

 

Phimeanakas (acima) e Esplanada dos Elefantes

Phimeanakas (acima) e Esplanada dos Elefantes

Então Vut nos levou até um restaurante típico, dentro mesmo do complexo, onde comi um prato sugerido por ele próprio: uma sopa com pedaços carne de porco e legumes, no leite de coco. Prato de tradição Khmer. Não era um curry, como na Tailândia. O tempero era bem mais “light”. Ainda bem, porque pra continuar andando pelos templos de Angkor depois do almoço, com estômago pesado, seria cruel… Cláudio pediu porco também, mas num preparo totalmente diferente, com um molho agridoce. E ao final, pedimos bananas empanadas (acompanhou um creme tipo “baba de moça).

Comida servida no restaurante dentro do complexo de Angkor

Comida servida no restaurante dentro do complexo de Angkor

Fomos então até o mais aguardado templo de todos, o Angkor Wat. Indescritível a sensação ao nos aproximarmos. Ele impressiona muito por sua arquitetura e porte. Subimos até o topo. É preciso visitá-lo sem pressa, há muitos detalhes, entalhes nas paredes, relevos absurdamente lindos, com figuras de tudo que se possa imaginar. Na parte externa, muitas “apsaras”, as famosas dançarinas com suas danças sensuais. Há lindos baixo-relevos também.

Entrada principal de Angkor Wat, "apsaras" e alto-relevos no interior do templo

Entrada principal de Angkor Wat, “apsaras” e alto-relevos no interior do templo

Por último, subimos até o templo Phnom Bakheng (século IX), situado no alto de uma colina. É preciso fazer uma boa caminhada até lá, de uns 30 minutos, e enfrentar uma fila absurda para entrar. Chegamos cedo (muito antes do por-do-sol) para fugir da multidão, mas depois de curtirmos o visual (dá pra avistar Angkor Wat), achamos que não valeria a pena esperar o sol se pôr (ainda faltava mais de uma hora) devido à neblina, e também porque nada iria se comparar aos que já havíamos assistido na Tailândia (em Railay Beach e Phuket).

Phom Bakheng

Phnom Bakheng – templo construído no século IX

Voltamos ao hotel, relaxamos um pouco na piscina, e à noite, saímos para comer algo. Um pouco cansada de comida “exótica”, terminei por comer uma pizza, num restaurante muito simpático, o Khmer Family. Minha irmã já saudosa da Tailândia pediu um “pad thai” e falou que estava maravilhoso.

Pad Thai no Khmer Family

Pad Thai no Khmer Family

Caminhamos de volta para o hotel e estava simplesmente linda uma das pontes da cidade de Siem Reap toda iluminada! Você já leu meu post sobre Siem Reap?! veja aqui!

Ponte próxima ao Night Market de Siem Reap

Ponte próxima ao Night Market de Siem Reap

Dia seguinte nosso guia iria nos buscar às 5:45h da madruga para assistirmos ao sol nascer em Angkor Wat. Uauuuu!!!!! Que espetáculo!!! Mas vai ficar para a próxima!!