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Napa Valley – Califórnia

Plantação de uvas em Napa Valley

Plantação de uvas em Napa Valley

Napa Valley é uma região vinícola situada ao norte da Califórnia, próxima a São Francisco. O clima e a geologia da região (cercada de montanhas) é propício para o plantio de uvas, principalmente dos tipos “chardonnay”, “pinot noir”, “cabernet sauvignon” e “zinfandel”, entre outras. Em 1976 a região ficou mundialmente conhecida devido ao famoso “Julgamento de Paris”. Na ocasião, um comerciante inglês, que possuía uma loja de vinhos em Paris, organizou uma degustação feita “às cegas”, entre vinhos franceses e californianos, escolhendo a dedo, para serem os jurados, os mais renomados degustadores de vinhos que havia na França. Escolheu também, para a competição, vinhos franceses de renome, como por exemplo o “Château Mouton-Rothschild”. Na competição, foram selecionados vinhos tintos e vinhos brancos,

"Tiger Prawns" - prato tailandês

“Tiger Prawns” – prato tailandês

julgados separadamente. Para a surpresa de todos, eis que os vinhos vencedores foram, em ambos os casos (tinto e branco), californianos!!! O branco vencedor foi o Chateau Montelena Chardonnay 1973, e o tinto foi o Stag’s Leap Wine Cellars Cabernet Sauvignon 1973. Este evento deu um grande impulso à indústria vinícola da região de Napa e abriu as portas para os vinhos do Novo Mundo.

Chegamos em Napa no final da tarde, fomos direto para nosso hotel (Blackbird Inn), que por sinal era muito simpático e aconchegante. Atendimento familiar. Dava para ir a pé até a rua dos restaurantes e hotéis (Main Street). Adivinhem para quem sobrou a tarefa de escolher um restaurante para jantarmos??!! Euzinha, rsrs. Escolhi um tailandês, porque adoro comida tailandesa, chamava-se “Mango on Main – Bangkok Street Food“. O simpático dono, que era natural de Bangkok, nos sugeriu os “tiger prawns”: camarões grandes com molho agridoce feito com chili (pimenta), curry, castanhas e alguns legumes. Estava excelente. Pedimos uma taça de vinho californiano “cabernet sauvignon” para acompanhar. De sobremesa, um excelente crème brûlée de gengibre, interessante não?!! 😛 Estava incrível. Custo: $66,00, já com a gorjeta!

Crème brûlée de gengibre

Crème brûlée de gengibre

Dia seguinte tiramos o dia inteiro para explorar as vinícolas do Napa Valley, cruzando diversas cidadezinhas, repletas de lojas de vinhos e bons restaurantes, tais como Yountville, Oakville, Santa Helena e Calistoga. Nossa primeira parada foi na vinícola Robert Mondavi, em Oakville.

Vinícola do Robert Mondavi em Oakville - Califórnia

Vinícola do Robert Mondavi em Oakville – Califórnia

Falar em Napa Valley é falar em Robert Mondavi, um dos mais importantes viticultores da região. Ele foi responsável pelas inovações que levaram os EUA a entrarem no mapa das grandes regiões vinícolas do mundo, elevando a qualidade dos vinhos produzidos ali. Fizemos o tour em sua vinícola para conhecermos de perto as suas instalações e achei muito instrutivo, bem organizado, e de muito boa a qualidade dos vinhos servidos. A lojinha deles, ao final do tour, é maravilhosa!

Barris de vinhos tintos da Robert Mondavi Winery e vinhos degustados no tour

Barris de vinhos tintos da Robert Mondavi Winery e vinhos degustados no tour

Depois visitamos a Château Montelena, a vinícola que produziu o chardonnay que venceu o julgamento de Paris, em 1976. Lá não havia tour, apenas degustação. Experimentamos uma sequência de 5 vinhos, todos maravilhosos, inclusive o Chardonnay. Mas o maior destaque ficou por conta do Cabernet Sauvignon Montelena State 2011. Só para se ter uma ideia, o preço da garrafa estava em $150… Só numa degustação dessas eu teria oportunidade de experimentar um vinho desse calibre, hehehe. Ah! Achei linda a fachada da vinícola!

Château Montelena e os vinhos que degustamos, o cabernet sauvignon

Château Montelena e alguns dos vinhos que degustamos

Passamos ainda por mais duas regiões próximas, a Russian River Valley e a Sonoma Valley, todas lindas e com excelentes vinícolas. Acreditem, mas ainda tivemos estômago para mais uma degustação na DeLoach Vineyards onde, de quebra, compramos um “pinot noir”. Ele está bem guardado em minha adega esperando por uma ocasião muito especial para ser aberto… 😉

Vinhos degustados na DeLoach Vineyards, Russian River Valley - Califórnia

Vinhos degustados na DeLoach Vineyards, Russian River Valley – Califórnia

Caso queiram ver o primeiro post que fiz sobre esta viagem à Califórnia, entrem no link abaixo:

Yosemite Park – Califórnia

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La Villa – um bistrô francês em Botafogo

Cartão com a logomarca do bistrô

Cartão com a logomarca do bistrô

Estive duas vezes neste lindo sobrado transformado num despojado e charmoso bistrô francês, justamente no primeiro e segundo turnos das eleições deste ano. Se depender do meu voto, já está eleito como um dos melhores franceses do Rio. Ele recebeu três garfinhos da Luciana Fróes em agosto passado (vejam a crítica completa aqui).

Eu tenho quedas naturais por restaurantes cujos cardápios são bem enxutos, e que variam de tempos em tempos. Você vai uma vez lá e na próxima já encontra outras alternativas. O que está em jogo é a criatividade do Chef (no caso, do Damien Montecer). E pelo jeito esta qualidade não falta a esse francês da região sul do país, segundo ele mesmo me disse, é proveniente de uma cidadezinha próxima à Saint-Tropez…

Tivemos um pouco de dificuldade para estacionar o carro, terminou ficando um pouco longe do restaurante, que fica na rua Álvaro Ramos, em Botafogo, uma rua bem escondida e discreta, cujo último trecho é sem saída. O sobrado ficou lindo com a reforma, com as portas e janelas turquesas. Na frente, ele criou um ambiente para o cliente aguardar sua mesa, com palets e almofadas azuis. O interior é moderno e rústico ao mesmo tempo, com paredes de tijolo aparente e um grande bar no salão principal.

Bar no interior do La Villa

Bar no interior do La Villa

Eu e o chef Damien Montecer em frente ao La Villa

Eu e o Chef Damien Montecer em frente ao La Villa

Cardápio do dia (domingo, 26/10) no La Villa

Cardápio do dia (domingo, 26/10) no La Villa

Não pedimos entradas, ao invés disso, tomamos uma taça de vinho enquanto aguardávamos os pratos. A princípio, ficamos em dúvida entre dois dos cinco pratos principais do cardápio do dia. Terminamos por fazer um sorteio: eu fiquei com o “Filet de Monsieur “Courvoisier” (esqueci de perguntar o significado do nome), que era um tornedor de mignon flambado, acompanhado de batatas “fondant”, cebola roxa assada no sal grosso e um caldo de carne no conhaque. Meu marido foi sorteado com o “Calamars à la provençale”, com lulas “persillade” (com salsa picada), risoto negro, confit de alho e pesto de manjericão. Ambos os pratos estavam deliciosos. O arroz negro estava macio, bem hidratado no azeite. A cebola roxa que acompanhava meu filet, estava muuuuuito saborosa. Ao final do almoço, quando comentei com o Chef sobre o quanto havia gostado da cebola, e que deveria ter mais no prato, ele achou graça, disse que ficava até feliz com meu comentário, pois segundo ele,  a maioria das pessoas deixa a cebola no prato. Que sacrilégio!!!!

Tornedor com batatas "fondant" e cebola roxa assada

Tornedor com batatas “fondant” e cebola roxa assada

 

 

Lulas "persillade" com arroz negro e pesto de manjericão

Lulas “persillade” com arroz negro e pesto de manjericão

Na hora da sobremesa, eu não tive dúvidas, pedi a mais tradicional de todas as sobremesas francesas: crème brulée.  Da primeira vez que estive lá, comemos uma torta de chocolate que estava muito boa, mas como não sou muito fã de chocolate (agora vocês que vão me acusar de cometer um sacrilégio, hehehe) pedi o famoso creme de baunilha com aquela crosta de açúcar queimado.

Crème brulée do Chef Damien

Crème brulée do Chef Damien

Saí de lá leve, leve… com duas taças de vinho nas idéias, de forma que quando fui votar, não é que havia esquecido o número do meu candidato a governador?!! Precisei da ajuda da mesária, que me entregou a tabela de candidatos, hahahaha.

Agora eu só desejo que o Brasil volte a crescer e se torne um país no qual todos tenhamos orgulho de viver!!

 

 

Restaurante estrelado em Baden-Baden

Charrete no centro de Baden-Baden

Charrete no centro de Baden-Baden

Quando faço viagens com foco na gastronomia, procuro pesquisar algumas opções recomendadas pelo Guia Michelin, Tripadvisor ou dicas em blogs de viagem. Certa vez, a dona de uma pousada (na cidade de Porto) em que eu havia feito uma reserva me escreveu, se colocando à disposição para fornecer dicas. Eu então solicitei uma sugestão de restaurante e ela me indicou um excelente, que até postei aqui, o ODE Wine House.

Durante esta minha última viagem fui a dois restaurantes com uma estrela Michelin. Um deles em Frankfurt, o “Français“, cujo experiência fantástica já contei aqui no blog. O outro foi em Baden-Baden, na Alemanha. Inicialmente, achei estranho ter restaurante estrelado por lá. Não que eu tenha algum preconceito com a gastronomia alemã, mas achei que os franceses pudessem ter, afinal o guia Michelin é francês. Mas depois entendi tudo, o restaurante se chamava “Le Jardin de France“!!!! Observem que os dois restaurantes estrelados que fomos na Alemanha eram franceses (coincidência?!!)…

Restaurante "Le Jardin de France" em Baden-Baden

Restaurante “Le Jardin de France” em Baden-Baden

Chegamos na cidade já praticamente na hora do almoço, o tempo estava bem esquisito. Antes mesmo de conhecermos o centro da cidade, nos diriginos ao Le Jardin. Estávamos comemorando o término de nossa primeira semana na Europa. O ambiente lembrava um jardim de inverno, teto de vidro, arborizado por fora, muito charmoso. Na verdade era situado no pátio interno de um grande prédio comercial.

Amuse-bouche e vinho riesling no Le Jardin de France

Amuse-bouche e vinho riesling no Le Jardin de France

Pedi um vinho da região (Baden-Württemberg), de uva riesling, muito bom. Nos trouxeram em seguida os tradicionais “amuse-bouches”. Um deles se tratava de um creme de agrião com espuma de maçã, com croutons. O outro era de berinjela com pimentões vermelhos. Ambos muito bons. Mas o melhor ainda estava por vir. Nossos pratos principais estavam um escândalo de gostosos. Comer fora do Brasil tem isto de bom, normalmente os pratos nos surpreendem por terem outra gama de ingredientes, com outras interpretações.

Lindo prato: Tilápia com risoto de aspargos frescos

Lindo prato: Tilápia com risotto de aspargos frescos

O meu prato foi o “peixe do dia”, que era o Saint Pierre (nossa tilápia) grelhado. Mas o que estava incrível mesmo era o risotto que o acompanhava, preparado com cogumelos do tipo “morille” e aspargos frescos. Fantástico. Meu marido preferiu um “ris de veau”, que traduzindo… trata-se do timo (órgão linfático que se localiza na caixa toráxica) e pâncreas (glândula do sistema digestivo) do veado. Chocados? Bizarro, não?!! Mas ele adorou! Também acompanhado de cogumelos “morilles”, aspargos e molho “bordelaise” (tradicional molho feito com vinho de Bordeaux).

"Ris de veau" ao molho bordelaise

“Ris de veau” ao molho bordelaise

Para fechar, pedimos um crème brulèe, tradicionalíssimo na França. Estava perfeito.

Mais alguns amuse-bouches doces, um café e a conta: 150 euros, já com a gorjeta (normalmente damos 10%, porque eles não estipulam o valor). Se me perguntarem se valeu a pena, respondo sem hesitação que sim! No Brasil, num restaurante deste nível, certamente pagaríamos mais.

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Depois fizemos a digestão caminhando pelo centro da cidade, fomos ao famoso cassino que funciona desde 1838, e que tinha Dostoiévski como seu frequentador. A construção (“Kurhaus”) é luxuosíssima e não passei do saguão, rsrsrs. Parece que a cidade toda gira em torno dessas roletas…

Termas Trinkhaklle próximas ao cassino de Baden-Baden

Termas Trinkhalle próximas ao cassino de Baden-Baden

Perto do cassino ficam as também famosas termas (“Trinkhalle”), construídas em 1842, com belos afrescos. Em seu interior há uma fonte de água mineral. Existem outras termas de luxo na cidade. Depois disso começou a chover, primeiro de leve, depois a coisa engrossou legal. Fomos forçados a voltar para o hotel. Nesta noite, dormi com fome, pois meu marido teve uma enxaqueca e precisei ficar em silêncio e bem quietinha até o dia seguinte! Ainda bem que foi apenas nesse dia. A partir daí, ele não tomou mais uma gota de vinho sequer! Ele. Não eu, rsrsrs.