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Mont Saint-Michel

Ir ao Mont Saint-Michel sempre foi um dos meus maiores sonhos, apesar de que se eu for listar todos os lugares que sonho em conhecer… seria uma lista interminável. Mas o Mont tinha um valor especial pra mim, pois sempre achei-o mágico, não só por sua posição geográfica, mas também por sua curiosa geometria, que, de longe, parece um cone gigantesco. Isto sem falar de sua história, pois sou fascinada por construções antigas, da era medieval, tais como catedrais, abadias, muralhas, torres e castelos. Enfim, topei fazer esta viagem desde o princípio só por causa dele, do Mont…

O imponente Mont Saint-Michel

Como já falei no primeiro post sobre essa viagem, o Mont Saint-Michel é uma ilhota, e um monte também claro, onde foi construída uma abadia e santuário em homenagem ao Arcanjo São Miguel.

Essa história começa lá em 708, quando um bispo francês (de Avranches) mandou construir um santuário em honra a São Miguel, após ter sonhado com ele 3 vezes. Depois, já no século 10, monges beneditinos se instalaram por lá e foi quando, aos poucos, uma vila foi se formando na base do monte. Muitos peregrinos iam até lá, em busca de espiritualidade. No século 13 foi construída a muralha, que fortifica todo o monte. Resistiu a muitas guerras e tentativas de destruição. Depois da Revolução Francesa virou um presídio, até 1863. Hoje em dia é Patrimônio Mundial da Unesco (desde 1979). Imagine então, quanta história já se desenrolou dentro de suas muralhas…

Vistas das suas muralhas

Outra coisa interessantíssima em relação ao Mont é que ele era uma ilha conectada ao continente por um istmo, acessível apenas nas marés baixas. Com o tempo, as imensas planícies que ficavam alagadas em seu entorno, foram sendo transformadas em grandes pastagens e por isso hoje o Mont está mais próximo do continente. O rio que passa ali também foi canalizado de forma que diminuiu bastante a quantidade de água em torno da ilha. Hoje em dia há um passarela construída por sobre o seu istmo que permite que as águas passem por baixo e possibilitando acessar o Mont a qualquer hora do dia, mesmo nas marés altas. Ele recebe em torno de 3,5 milhões de visitantes por ano. Incrível não?! Há grandes estacionamentos e ônibus que levam os turistas até a porta do Mont. Quem quiser pode ir caminhando a partir do estacionamento (são 3km), ou de charrete.

Passarela que liga o Mont Saint-Michel ao continente e charrete que leva turistas

Enfim, saímos de Saint-Malo bem cedo para chegarmos cedo ao Mont Saint-Michel, queríamos aproveitar ao máximo. Levamos apenas 1 hora de carro. Adentramos suas muralhas ainda com relativamente poucos turistas, dava pra caminhar com facilidade pela vilinha que fica a seus pés. Fomos caminhando bem devagar, curtindo o momento, olhando as lojinhas e subindo, subindo, subindo…

Vila aos pés da Abadia do Mont Saint-Michel

Chegamos enfim aos pés da Abadia, onde há uma grande escadaria. Você então é levado a um grande salão de recepção, onde compramos ingressos (10 euros por pessoa). Há opção de aluguel de audio-guia. Veja todas as informações turísticas aqui.

Então continua-se subindo até o ponto mais alto, onde está a igreja, que fica no topo. Confesso que achei que a subida era mais “pesada”, achei tranquilíssima. No terraço em frente à igreja tem-se uma bela vista do entorno do Mont. Curioso observar grupos que caminhavam juntos nas areias ao redor da ilha (a maré estava vazia nesta hora, claro). Acredito que eram grupos guiados, pois pelo que soube, há trechos em que a areia é movediça…

Estava acontecendo uma missa na Igreja, assisti por alguns instantes, um coro de vozes belíssimo. Depois fomos descendo e conhecendo os salões da Abadia por dentro. O Claustro estava em reforma, infelizmente, pois pelo que vi em fotos na internet ele é bem bonito.

Depois do tour, estávamos todos famintos. Tentamos o La Mère Poulard, famoso restaurante em que são servidas omeletes do tipo “soufflée“, bem aeradas. Os ovos são batidos por muito tempo, até chegar no ponto certo. Diz-se que os comensais podem observar os cozinheiros batendo os ovos e que é interessante o barulho que eles fazem. Mas enfim, encontramos um outro restaurante, o La Vieille Auberge, que também servia omeletes (que segundo eles, era igualzinha a do La Mère), além de várias outras opções no cardápio. Ficamos num terraço externo e sofri um pouco com o frio, estava ventando. Mesmo assim pedi cerveja :).

Então, claro, que optei pela omelete soufflée, eu não ia deixar o Mont sem conhecê-la. Cláudio apostou nos “moules” (mexilhões) com fritas, já que estávamos à beira-mar. Achei minha omelete meio decepcionante… Ela era bem feitinha e tal, fofinha, por dentro o ovo não fica totalmente cozido, (sim, fica um pouco de ovo cru), mas não tem recheio nenhum, nem queijo, nem nada. Ou seja, é uma espuma macia e frita, com gosto de ovo, :|. Os mexilhões também não estavam fantásticos, já comemos melhores, mas tava melhor que minha omelete. Mas pelo menos as batatas fritas estavam saborosas!! E a cerveja super gelada!! Temos que ser justos, rsrsrs.

“Omelette soufflée” e “moules frites”

Depois voltamos a Saint-Malo e mais tarde, rodamos o centro histórico em busca de um restaurante. Encontramos uma “crêperie”, estávamos com frio e fome, resolvemos entrar logo para não perdermos tanto tempo rodando. Pedimos “galettes” (crepes feitos com trigo sarraceno) e mais uma vez, fiquei um pouco decepcionada… A de Paris estava infinitamente melhor. Esta estava engordurada demais (não sei porque tantas batatas de acompanhamento) a massa não estava tão crocante, a cebola crua e ácida… Enfim, achei-a grosseira. De qualquer forma curti o momento, tomamos vinho, relaxamos e voltamos felizes para o hotel.

Em falar em hotel, recomendo este de Saint-Malo! O La Villefromoy, a 2,5km do centro histórico, quarto muito confortável, café da manhã é pago por fora, você pode pedir no quarto, como fizemos, mas pode-se optar pelo buffet. O hotel fica a uma quadra da beira-mar (onde aproveitamos para dar uma corridinha, hehe).

Hotel Villefromoy em Saint Malo e beira-mar uma quadra adiante

No próximo post: Honfleur! Se você não está acompanhando a viagem desde o início, então acesse os posts: Férias à vista!, Paris, Château de BlavouDinan e Saint Malo.

E uma novidade!!! Estou viajando com meu marido pelo Canadá!! Ficaremos até dia 18/06, portanto até lá não farei publicações. Mas quando voltar, terei muitas dicas!! Aguardem!! Abaixo, mais uma foto do grupo com o Mont…

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Dinan e Saint-Malo

Você já ouviu falar em Dinan?! Eu nunca tinha ouvido falar, até fazer esta viagem para a França. Depois do Château de Blavou, por sugestão de uma amiga francesa de meu primo, fomos conhecer Dinan, uma pequena cidade medieval, já nas proximidades de Saint-Malo, na região da Bretanha. Seria lá em Saint-malo, cidade beira-mar, que iríamos dormir duas noites.

Começamos nossa visita pelo Château de Dinan, na entrada sul da cidade, construído no final do século 16. Parte de sua muralha está bem preservada. Do terraço, no alto da torre, podemos tirar boas fotos da cidade.

Château de Dinan e vistas de sua muralha

Depois caminhamos pelo seu centrinho histórico, com casas antigas, algumas em estilo “enxaimel” (técnica de construção que utiliza hastes de madeira em posições variadas, e entre elas o espaço é preenchido por tijolos, pedras, etc). Fomos até o outro lado da cidade, onde mais uma parte da muralha que a rodeia está intacta. Fizemos lanche rápido na cidade, do tipo sanduíches de queijo, mas nem registrei…

Centro Histórico de Dinan, na Bretanha

Seguimos então para Saint-Malo, direto para nosso hotel onde deixamos nossas malas. Ele ficava a 2,5km do centro histórico, daí pegamos o carro outra vez e fomos apressados pra lá, antes que o sol desaparecesse. Subimos pela muralha e demos quase uma volta completa nela. Vistas lindas pro mar. Tem até umas prainhas convidativas, mas eu só conseguiria encarar se estivesse uns 30 graus a mais, hehehe.

Saint-Malo, centro histórico. Fotos tiradas de suas muralhas.

O centro histórico é bem legal, seus prédios são na maior parte lojas e restaurantes. No hotel haviam nos dado algumas sugestões de onde comer. Escolhemos um dos recomendados (o L’Absinthe) e fomos até lá. Já gostei da plaquinha em cima da porta com uma frase (que eu concordo plenamente!) do Alexandre Dumas:”Le vin est la partie intellectuelle d’un repas. Les viandes et les légumes n’en sont que la partie matérielle“. Tradução: “O vinho é a parte intelectual de uma refeição. As carnes e legumes são apenas a parte material”. 😉

Fachada do restaurante L’Absinthe

Entramos e curti, logo na entrada, o bar e a cozinha aberta. Descemos para o subsolo, para um salão não muito grande, mas bem aconchegante. A atendente era muito simpática (Lena, parisiense) e até conversamos um pouco. Ela nutre sonhos de vir ao Brasil qualquer dia, disse que me escreveria para obter dicas.

Alguns escolheram o menu completo que termina saindo mais em conta. Você escolhe a entrada, prato principal e sobremesa dentre algumas opções do cardápio, mas eu preferi pedir por fora, apenas uma entrada e um prato principal. Sobremesa nunca foi o meu forte… mas claro que dou uma bicadinha na do meu marido que ninguém é de ferro né?!!!

De cortesia nos serviram primeiramente, como “amuse-bouche” (diversão para as bocas, rsrs), um creme de tomate com mexilhões, bem gostoso.

Depois chegaram as entradas. A que Claudio havia pedido era uma salada fria com “crab” (tipo de caranguejo). Experimentei também, gostamos. Minha entrada de camarão eu nem toquei, rsrsrs. Troquei com meu primo, pois ele não gostou da “cara” do dele, com ostras frescas, camarões cozidos (com casca) e alguns “búzios”, rsrs. Era algum tipo de molusco do mar, ou caramujo, sei lá, preparados com nada, apenas cozidos, e você que se virasse para tirar a “lesma” lá de dentro com o garfo, rsrsrs. Vinha com um molhinho pra vc passar no bicho. No fim até que curti! As ostras estavam ótimas. Não gostei tanto dos moluscos… achei meio sem graça. Nem se comparam com os escargots que comi em Colmar!

Entradas do L’Absinthe

Vai uma lesminha aí?! rsrs

A partir desse ponto a coisa começou a complicar, rsrsrs. O peixe (que a princípio era linguado) que era o prato principal de meu marido, veio completamente cheio de espinhas, de forma que ele nem conseguiu degustá-lo direito (dá até pra perceber na foto abaixo). Estava horrível. Isto porque este prato, sozinho, não era nem um pouco barato (32 euros!).

O meu peixe estava muito bom, pois era uma parte do lombo (sem espinhas), grelhado, com linguiça defumada (isso mesmo!) e repolho. A combinação inusitada deu certo!

A sobremesa estava muito bonita e super saborosa, chamada “passion chocolatée“, uma mousse de chocolate branco, com creme de chocolate ao leite, calda de chocolate amargo e pimenta madagascar. Acompanhada de sorvete de maracujá. Show demais não?!

Passion chocolatée, de se apaixonar mesmo

No dia seguinte visitamos o Mont Saint-Michel, mas detalhes ficarão para o próximo post!! Se você ainda não leu os posts anteriores, acesse: Paris (o início da viagem) e o Château de Blavou.

Château de Blavou

Como você imagina que seria se hospedar em um castelo “de verdade”?! Nós mulheres temos um pouco desse sonho glamouroso de vivermos um dia como “rainhas”, rsrsrs. Quando topei fazer esta viagem para conhecer o Mont Saint-Michel eu não sabia que já estava definido no roteiro, duas noites no Château de Blavou, um pequeno castelo no interiorzão da França, num Parque Natural (Parc Naturel Régional du Perche). Dentro do parque há algumas vilas bem pequenas e algumas pequenas fazendas de criação de gado e caprinos. Ou seja, o castelo ficava no meio do “nada”. Fiquei empolgadíssima com essa ideia quando soube.

Jardins do Château de Blavou e arredores


Nós seis, companheiros de viagem, próximo ao Château de Blavou

O castelinho fica a 160km de Paris. Sábado de manhã partimos para o aeroporto Charles de Gaule, para recebermos o terceiro casal que viajaria conosco, e aproveitamos para pegar o carro (imenso! para até 8 pessoas) alugado na Europcar. Pegamos então a estrada e nos mandamos para o Château. Só demos uma paradinha no caminho para comermos algo, estávamos famintos. Num posto de gasolina comum, com loja de conveniência. Algumas comidinhas prontas pra vender resolveram nossa situação. Comi um sanduíche misto simples. Morri de rir com uma plaquinha em cima da porta da lanchonete (que não estava em funcionamento neste dia): “Les boissons alcoolisées ne seront servies qu’avec un plat chaud et garni…” Tradução: “Bebidas alcoólicas só serão servidas com um prato quente e guarnecido”. Achei isso original, hahahaha.

Chegamos ao Château e fomos imediatamente recebidos por Pascal, figuraça, dono e Chef de cozinha do castelo (trabalhou em restaurantes renomados em Paris e ele mesmo antigo proprietário de 2 restaurantes parisienses, além de ser professor de gastronomia). Antes mesmo de se apresentar, já foi logo contando a história do Château, sua construção (que começou no séc XV), acréscimos feitos (séc. XIX), reformas realizadas e em seguida, foi nos levando pra conhecer os cômodos todos. Dois lindos cães labradores, um branco e um preto, também nos receberam alegres. Sua esposa, Isabela, o ajuda em todos os afazeres. Eles criam ainda 3 lindos cavalos, de raça típica da região chamada “percheron”, normalmente usados para tração.

Chef Pascal com seus “Pecherons” e seus labradores

O castelo não é muuuito grande e a meu ver não está completamente “pronto” para receber hóspedes… Falando de maneira franca, a impressão que deu é que ele – o proprietário Pascal – fez uma “reforma básica” que permitisse tocar o negócio. Deve estar neste primeiro momento juntando uma grana para terminar todas as obras necessárias. O porão está vazio, há planos de se construir uma adega… as salas de estar e jantar, no andar térreo até que estão bem arrumadas (tem até piano!). A cozinha, no mesmo piso, está bem simpática também. É onde ele passa a maior parte do tempo. Aliás, nessa hora dava pra sentir o aroma maravilhoso que vinha de lá, pois ele já estava preparando o nosso jantar…

Em sentido horário: salão estar principal, porão, sala de jantar/café e cozinha

No segundo piso, ficam 5 quartos e um outro grande salão de estar com piano e poucos móveis. Os quartos são bem grandes, mas acho que deixaram um pouco a desejar em relação ao conforto. Achei minha cama pequena para tanto espaço. O edredom era curto, tive que disputar por um pedacinho dele, durante a noite, com meu marido… humpf… Ao menos nosso banheiro era legal, o banho bom. Mas no quarto de um dos casais que estava conosco, apesar do banheiro enorme, não havia cortinas nem vidro de proteção na banheira, e nem mesmo um lugar para prender a ducha. Ou seja, a pessoa tinha que necessariamente tomar banho deitado. E com relação à calefação do ambiente, aí foi mais complicado… O quarto estava sempre gelado. Enquanto lá fora fazia 5 graus, dentro deveria estar uns 10 graus! O aquecedor era daqueles antigos, tubulares, por onde passa água quente, mas nunca passava… 😐

Minha cama, minha janela, salão de estar 2º piso

Mas ele, o Chef, aaaahhhh, iria nos recompensar…  Depois de conhecermos as redondezas (passamos em Le Pin-La-Garenne, vilinha próxima com menos de 1.000 habitantes, rsrs), comprarmos uns queijos locais, um embutido tipo salame feito com nozes, vinhos rosés e baguetes. Um doce tipo “mil folhas” recheado de creme, maravilhoso. Lanchamos no salão do 1º andar do Château, no final da tarde. E mais tarde, Pascal nos serviu um jantar de primeiríssima.

E foi assim. Pontualmente, às 20h, conforme combinado, estávamos todos sentados à linda mesa. Ele nos trouxe uma cidra (bebida fermentada de suco de maçã) de aperitivo. Depois nos serviu um pão feito na casa (ele é especialista em pães) e um vinho tinto (Bordeaux) que nos acompanharia todo o jantar.

De entrada, um prato delicioso. Para mim, o melhor de todos. Uma espécie de pastel folhado, de forno, recheado com queijo (pont l’éveque, local), bacon e maçãs. Saladinha pra acompanhar, de rúcula fresca. De-li-ci-o-so.

Nosso prato principal também estava muito bom, mas não tinha a genialidade do primeiro. Um filé mignon, com um molho reduzido muito saboroso com um tempero especial: alecrim fresquinho da horta. Eles chamam alecrim de “romarin”. Acompanhado de risoto de açafrão.

Sobremesa: um “crème pâtissière” (creme de confeiteiro) com morangos, base de biscoito. Muito saborosa também! E delicadíssima.

Durante a noite passei frio, não consegui dormir muito bem. E acordamos (eu e Cláudio) cedinho, para correr 12 km (nossa mais nova mania, hehe). Fazia 3 graus! O sol estava nascendo e havia uma bruma branca por cima do gramado, onde estavam os cavalos brincando. Uma imagem linda, parecia um sonho. Pena não termos tirado fotos. Reunimos coragem, saímos e cumprimos a nossa meta. Nos divertimos com as vaquinhas que, ao longo do caminho, nos olhavam espantadas. Acho que nunca tinham visto “bicho homem” aquela hora da manhã, muito menos correndo pela estrada deserta, hahahaha.

E para coroar nossa vitória, um maravilhoso café da manhã, com pãezinhos especiais feitos pelo Chef Pascal, geleias de frutas caseiras, queijos da região, suco de maçã, chocolate quente…. ai…. este sim foi um sonho realizado…

No próximo post, você vai conhecer uma linda cidade medieval, chamada Dinan, na região da Bretanha. E em seguida, Saint-Malo, na beira-mar, cujo centro histórico é rodeado por uma linda muralha medieval bem preservada.

 

Paris – O início da viagem

Já havia ido à Paris 3 vezes, em ocasiões bem diversas. A primeira vez foi em 1993, com apenas 23 anos. Meu coração foi arrebatado por aquela cidade. Impossível não se apaixonar por ela. Não sei a realidade de quem vive lá, principalmente nos dias atuais, onde uma grande onda de imigrantes invade o país e a Europa. A situação dessas pessoas é de cortar o coração…

Mas afora os problemas que toda grande cidade tem, eu diria que Paris é uma cidade “unânime” no que diz respeito aos turistas, pois não há quem não goste dela e não há quem não se sinta absolutamente feliz ao andar por suas ruas, ou à beira do Rio Sena. Ela é um museu a céu aberto. Seus prédios históricos, grandiosos, seu rio imponente, caudaloso, transeuntes bem vestidos, charmosos, seus bistrôs em cada esquina, cadeirinhas nas calçadas… todas essas imagens marcam sua alma pra sempre.

Nossa viagem se iniciou aqui, onde encontramos nossos companheiros de aventura, dois casais queridíssimos. Mas antes de partirmos de carro até nosso destino principal (Mont Saint-Michel), tivemos um dia inteiro para curtir a cidade. Como já havíamos feito turismo a relativamente pouco tempo por lá (há uns 5 anos atrás), resolvemos tirar o dia para fazer umas compras básicas, já pensando em nossa próxima viagem para o Canadá, que já será dia 21 desse mês!!!

Mas antes das compras, havia algo mais importante a fazer: correr!!! É a nossa mania atual, :). Foi de leve: 4 km. Difícil foi aturar o frio nos pulmões: 4 graus. :|. Lado bom: ver o prédio do Louvre livre dos turistas, tirar fotos ao lado da pirâmide sem ninguém pra atrapalhar, assistir ao sol iluminando a cidade aos poucos…

Depois da corridinha, tomamos um café maravilhoso, com “coisinhas” francesas, no apartamento de meus primos, regado a croissants e queijinhos locais. Só então saímos para bater perna. Compramos umas roupas especiais, tipo 2ª pele (de lã, pra suportarmos o frio), luvas, mochilas, meias e casaco (Uniqlo). Passamos “por acaso” na frente da Prefeitura da cidade, da Notre-Dame, do Centro Georges Pompidou.

E andando tanto assim, claro que tínhamos que dar uma paradinha para repor as energias. Um almocinho leve…

Escolhi uma “crêperie”, pois na França se faz crepe como em nenhum outro lugar! Adoro as “galettes” que nada mais são do que crepes salgados (“crêpes salées”) feitos com trigo sarraceno (ou trigo-mourisco). Essas “galettes de sarrasin” têm uma textura diferenciada, mais crocante. É típica da cozinha bretã, mas você encontra em toda a França. Até no Rio tem, e boa! A “Le Blé Noir”, em Copacabana. Não tirei fotos do ambiente do restaurante, peguei na internet, vejam só as referências ao filme Star Wars… Você parece estar em uma nave espacial, rsrsrs. Nada a ver com galettes, mas enfim…

No “formule midi” (cardápio de almoço) do dia, ao preço de 12,90 euros, tinham duas opções de galettes à escolha do freguês, além de uma bebida e duas opções de crepes doces (crêpes sucrées). Minha bebida foi a tradicional para acompanhar a galette: uma deliciosa cidra (você escolhe entre a “sec” e a “demi-sec”). Optei pela galette “Polyphème” com os queijos Emmental, Chèvre (cabra) e Coulommiers (primo do Brie), acrescido de nozes e salada à parte. Estava muito boa, super bem feita e de um tamanho ótimo para uma pessoa. Minha sobremesa foi um crepe com geleia de morango (neste caso, do crepe doce, a massa é com trigo tradicional). Pensei que seriam com morangos frescos, daí fiquei um pouco frustrada… mas valeu :). A de Cláudio foi com nutella. As outras disponíveis não estavam no “formule midi”, eram de muitos sabores diferentes, algumas bem apetitosas, com chocolate derretido, biscoitos, frutas, sorvetes… Vejam o cardápio completo no site do Odyssey.

No final do dia, voltamos para nosso hotel, que por sinal era muito bem localizado, próximo ao Louvre. Indico, pois apesar de ter um quarto pequeno, ele é bem moderno, equipado, organizado e como já falei, super bem localizado. Vocês não vão acreditar, mas chamava-se Odyssey hahahaha. Juro que foi coincidência!!! Não sei se são do mesmo proprietário, mas com certeza, ambos são apaixonados pelo filme Star Wars. No quarto, você também se sente em uma nave espacial, kkkk, confiram as fotos no site do hotel.

À noite saímos pra “balada”. Mentira, rsrs… Na verdade saímos para um “botequim” muito legal, com piano, música ao vivo, sem palco, do tipo bem informal, com uma pessoa ao piano e outra cantando por entre as mesas do pequeno salão. É um bar já bem conhecido dos meus primos, ele mesmo (meu primo) dá uma canjinha ao piano de vez em quando. Chama-se “Aux Trois Mailletz“. Adorei a noite, pois havia uma cantora ucraniana (Alexsandra), cantando óperas, em italiano e francês, inclusive “Carmem”, de Bizet, que amo de paixão. A voz dela era maravilhosa. Tomamos vinho branco e pedimos uma tábua de queijos, além de uma porção de “moules” (mexilhões), que estava, pro meu paladar, um pouquinho salgada…

Ah, no caminho pra lá passando pela “Pont Neuf” próxima a Notre-Dame, flagramos o sol se pondo, imenso e vermelho, no horizonte em cima do Rio Sena, um verdadeiro espetáculo…

No próximo post, vocês vão conhecer o Château de Blavou, lugar onde passamos duas noites, situado dentro de um parque natural, na região da Normandia, a 165 km de Paris. “Très intérresant”!!

 

Férias à vista!!!

Meu último post foi do dia 06/04, estou em falta com vocês, mas estou no clima dos últimos preparativos para uma viagem de férias que começa hoje à noite, para minha grande felicidade \o/. Nada é melhor do que viajar, concordam?!! É para mim uma experiência tão rica, tão fantástica, tão revolucionária eu diria, que nada, nada, pode se comparar. Todas que fiz até hoje, operaram alguma mudança dentro de mim. Volto diferente cada vez que me ausento de casa, da rotina, do trabalho, do dia-a-dia. E o melhor: é irreversível. Nunca mais volto a ser exatamente a mesma pessoa. Ter contato com outras culturas é fascinante!!

Minha próxima viagem será para a França. Já fui algumas vezes lá, cada uma com um roteiro diferente, um momento especial. Mas desta vez será uma viagem rápida, de 10 dias, com o objetivo maior de conhecer o Mont Saint-Michel (Patrimônio Mundial da Unesco), na Normandia, norte do país. E não iremos apenas eu e meu marido. Vamos com mais dois casais, o que pra nós também será algo novo.

Trata-se de uma pequena ilha (e um pequeno monte também) onde foi construída uma abadia (com mais de 1000 anos!!) que os franceses apelidaram de “la merveille” (a maravilha). Na pontinha da torre da Abadia encontra-se uma imagem do Arcanjo São Miguel, daí a origem do nome deste lindo santuário.

O que fascina a todos nesse lugar, é que em alguns dias do ano, na lua cheia, a maré sobe tanto e tão rapidamente, que o que antes era um grande areal em seu entorno, torna-se água. As planícies próximas ao mar, terminam ficando cheias de sal e a grama que cresce fica “temperada”. Por isso, dizem, a Normandia produz os melhores queijos do mundo (inclusive o camembert!). É que as ovelhas, vacas e cabras se alimentam desta grama salgadinha… Vou lá conferir esses queijos, rsrs.

À noite, o Mont Saint-Michel iluminado é algo inesquecível de se ver, pelo menos é o que ouço falar. Ele fica todo iluminado.

Pretendo explorar ao máximo o que a região tem de melhor, em termos gastronômicos, considerando que teremos tão pouco tempo. Tanto a Normandia quanto a Bretanha, onde também passaremos alguns dias, têm uma gastronomia bem peculiar.

Nosso roteiro: Paris (2 dias) – Château de Blavou (2 dias) – Dinan (cidade medieval) – Saint-Malo (2 dias) – Utah Beach (uma das praias do Desembarque Americano na 2ª Guerra Mundial – o famoso dia D) – Honfleur (1 dia) – Jumièges – Rouen – Paris (mais 2 dias). Obviamente que como estaremos de carro, alterações podem ser feitas a todo momento. Na volta, faço um relato mais detalhado!

Enfim, esse post foi mais para avisá-los de minha breve e necessária ausência, hehehe. Em maio estarei de volta, com muitas novidades!!! Aguardem os relatos sobre minhas experiências gastronômicas!!

Liechtenstein – uma inesperada surpresa

Viagem de Zürich a Liechtenstein

Viagem de Zürich a Liechtenstein – 120km

Na última viagem que fiz em maio, para Alemanha, França e Suíça, decidi incluir no roteiro o pequeno principado de Liechtenstein, nos Alpes, entre a Áustria e a Suíça. Segundo a Wikipédia, há pouco mais do que 34 mil habitantes, em seus 160 km². Apesar de pequeno, é um dos países mais ricos do mundo e onde a prática de lavagem de dinheiro é comum. A língua oficial é o alemão.

O céu nublado é uma constante por lá e os invernos são muito rigorosos. Felizmente, em maio o frio não estava tão grande. Às 18h da tarde, conferi o termômetro e estava marcando suportáveis 7 graus, rsrs.

No dia 16 de maio saímos de Zürich de manhã cedo, de carro, e seguimos para o principado, passando por lagos e belas montanhas, até o pequeno povoado de Triesenberg, onde ficava nosso Hotel Kulm  e que veio a ser uma das nossas grandes surpresas da viagem. Primeiro por causa da vista surpreendente da nossa janela: imensas montanhas nevadas por todos os lados e um extenso vale lá embaixo. E depois, por conta de nossa memorável experiência gastronômica.

Vista da janela do nosso quarto no Hotel Kulm

Vista da janela do nosso quarto no Hotel Kulm

O restaurante do hotel tinha um terraço de vidro, debruçado também sobre aquela linda paisagem. Como calhamos de chegar lá bem na hora do almoço e sentimos um cheiro delicioso que vinha da cozinha, resolvemos almoçar lá mesmo, embora normalmente prefiramos sair para restaurantes locais ao invés de comermos no hotel. A comida estava maravilhosa! A vista era de tirar o fôlego!

Dispensei as entradas e pedi um peixe acompanhado de arroz negro com um toque cítrico de limão, brócolis e amêndoas, que estava simplesmente divino. Meu marido pediu um porco empanado com gergelim, crocante, que também estava muito bom.

Restaurante panorâmico no Hotel Kulm em Triesenberg-Liechtenstein

Restaurante panorâmico no Hotel Kulm em Triesenberg-Liechtenstein

Peixe grelhado com arroz negro e brócolis

Peixe grelhado com arroz negro e brócolis

Porco empanado

Porco empanado com gergelim

De sobremesa, optamos pela “mousse” (palavra francesa que significa “espuma”) de chocolate que tinha uma maciez que nunca vi. Também! Com chocolates daquela qualidade, é covardia! Algumas frutas frescas e uma calda de manga complementavam a mousse.

Mousse de chocolate com frutas frescas

Mousse de chocolate com frutas frescas

Depois do almoço, fomos de carro até Vaduz, capital do principado, onde há um pequeno centro. No alto, a gente não pode deixar de notar o castelo dos príncipes de Liechtenstein, família que comanda o pequeno país desde o século XV. O Castelo de Vaduz, como é conhecido, foi construído no século XIII, está muito bem conservado, mas até onde fiquei sabendo, não está aberto ao público para visitação. Além do castelo, há o Kunstmuseum,  de artes moderna e contemporânea, famoso na região. O prédio é moderno e imponente, destaca-se no pequeno centro da cidade.

Castelo de Liechtenstein

Castelo de Vaduz no alto da montanha visto do centro da cidade

 

 

Há cultivo de diversos cereais no país, além da produção de vinhos. As pastagens ocupam 38% da sua superfície e bastou nos afastarmos alguns metros das ruas centrais de Vaduz para darmos de cara com alguns simpáticos bovinos que tentavam se aquecer ao sol, hehehe.

Bois descansam em pasto de Vaduz

Bois descansam em pasto de Vaduz

Em pouco tempo conhecemos toda a cidade, entramos em algumas lojinhas, compramos souvenirs, tiramos várias fotos das montanhas em volta e retornamos ansiosos para nosso charmoso hotel. Ainda nos sobrou tempo para degustarmos uma leve e saborosa sopa de aspargos!!

Sopa de aspargos do Hotel Kulm

Sopa de aspargos do Hotel Kulm

Rüdesheim am Rhein e Mainz (Vale do Reno)

Beco Drosselgasse

Beco Drosselgasse

Quando meu marido me propôs viajarmos pelo Vale do rio Reno e do rio Mosel, na Alemanha, comprei a aventura na hora. Já imaginei o roteiro completo: além dos vales dos dois rios, iríamos até a Alsácia (França) e a Suíça, vizinhas da Alemanha. Saindo de Frankfurt e voltando para o mesmo ponto de onde partimos. Seria uma viagem circular. Escolhi cuidadosamente todas as cidades por onde passaríamos. E acho que fiz um roteiro perfeito. Já postei aqui diversos trechos dessa viagem, mas não contei ainda como e onde tudo começou.

Saímos do Rio no dia 23/04, feriado de São Jorge, direto para Frankfurt. Pegamos um carro previamente alugado no aeroporto e seguimos para o nosso primeiro destino: Rüdesheim. Nem tentem pronunciar o nome dessa cidade. Eu e meu marido tentamos, mas ninguém nos entendeu. Tivemos que mostrar no papel, o nome escrito… E olhem que meu marido morou na Alemanha! kkk.

Então, chegamos na Alemanha num horário ótimo, à tarde, ainda ensolarada. Fomos direto para nosso hotel, o Gasthaus Rose Rüdesheim. A dona não falava nada em inglês, mas era tão simpática, tão simpática que conseguimos travar um bom papo, com o pouco que meu marido arranhava em alemão – mais um monte de mímicas – antes de subirmos para o quarto.

Licores em loja de Rüdesheim

Licores em loja de Rüdesheim

Saímos para explorar a graciosa cidade. Ela fica na beira do Rio Reno e é Patrimônio da Humanidade. Por isto, é uma cidade bem turística, por suas construções históricas, museus e, claro, seus vinhos. Há também uma incrível produção de licores caseiros. Uma loja linda no centro histórico oferece uma imensa variedade de licores, em que você escolhe a sua garrafinha (há dezenas de modelos e tamanhos) e o sabor, no estilo “self service”.

O famoso “Beco Drosselgasse” é uma delícia, com belas casas medievais. Muitos restaurantes, todos bem típicos. Depois de andarmos bastante, escolhemos o “Breuer’s Rüdesheim Schloss“, indicado pelo Michelin e ao mesmo tempo, hotel e restaurante.

Sentamos no terraço externo, onde um homem tocava órgão e até acordeão (ouvir Sting nesse instrumento foi inédito!).

Terraço do

Vinho no terraço do Breuer’s Rüdesheim Schloss

Fomos de truta, eu e ele. A minha era defumada, com salada e raiz forte. A dele era frita, com molho de manteiga e amêndoas. O vinho foi um branco local, o GB Sauvage, Riesling, gelado, delicioso, com acidez acentuada e muito frescor.

Truta frita do Breuer's Rüdesheim Schloss

Truta frita do Breuer’s Rüdesheim Schloss

Truta defumada do Breuer's Rüdesheim Schloss

Truta defumada do Breuer’s Rüdesheim Schloss

No dia seguinte visitamos a bela cidade de Mainz, também no Reno (um pouco mais ao sul). A melhor atração foi sua feira livre, na Praça do Mercado. Aspargos e mais aspargos, de todos os tamanhos, nunca os tinha visto assim, frescos, enormes.  Descobri que era o auge da safra e já fiquei de água na boca. Voltamos à tarde para Rüdesheim, para pegarmos o teleférico que nos levou até o Niederwald, um belo monumento no alto de uma montanha de onde se tem belíssimas vistas da cidade e do Rio Reno. Imperdível.

Feira livre no centro de Mainz

Feira livre no centro de Mainz

Aspargos frescos na feira de Mainz

Aspargos frescos na feira de Mainz

À noite, partimos para mais uma experiência gastronômica, no restaurante “Winzerkeller“, uma casa linda, do século XVII, onde degustei, adivinhem… os arpargos! E pedi na forma mais simples possível, para que seu sabor não fosse mascarado: só no “beurre blanc” (molho à base de vinho branco e manteiga)… Cláudio pediu uma linguiça do tipo chouriço, feita com o sangue do porco, um prato bem leve, rsrs. Pra rebater, uma apfelstrudel inesquecível, porque foi uma das melhores que comi na Alemanha (a outra foi em Heidelberg).

Linguiça tipo chouriço

Linguiça tipo chouriço

Aspargos frescos

Aspargos frescos

Apfelstrudel no

Apfelstrudel no Winzerkeller

 

A partir do dia seguinte, partimos para conhecer um dos lugares mais lindos da Europa, o Vale do Reno e seus castelos… E depois dele, o Vale do Mosel…