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Pão de malte de cevada

Recebi na semana passada uma mensagem de whatsapp de um colega de trabalho: “Oi Luciana, fiz cerveja. Quer malte?”. Ele perguntou já prevendo a minha resposta: “Queroooooo 😀 😀 😀 “. Ter amigo cervejeiro é um privilégio, ne c’est pas?! E ele tem uma amiga “Chef” como ele costuma dizer. Mas essa história toda começou há muito tempo atrás:

Um belo dia ele me trouxe um pote de sorvete (mas sem sorvete, para minha surpresa e felicidade) cheio de bagaço de malte de cevada usada para a fabricação de sua cerveja. Ele me disse que sua mulher fazia pão com aquele bagaço, mas sobrava tanto que ele resolveu me dar um pouco para eu experimentar fazer pão também. A primeira receita que fiz foi a dele, ou melhor, da mulher dele, ou melhor, de um site de algum cervejeiro que ela havia encontrado na internet. Ficou muito legal o pão, mas achei meio pesado… Depois eu esqueci esse assunto, malte não é algo que a gente passe ali na padaria e compre né?… Mas na semana passada voltei a ser premiada com outro pote de sorvete cheio de bagaço do malte de cevada. Que mara!!!

Busquei outra receita na internet. Elegi uma que me pareceu bem legal. Fiz, pra variar, minhas pequenas alterações, mas se vocês quiserem conferir a original, acesse este link.

Deu suuuuuper certo e fiquei orgulhosa de meu pão. Fazer pão é algo que requer paciência e dedicação, além de um pouco de técnica e de um bom forno, rsrsrs. Segue a receita abaixo:

Pão de Malte de Cevada

Ingredientes:

  • 1kg de farinha de trigo
  • 500g de bagaço do malte de cevada
  • 1 colher sopa de sal
  • 2 colheres sopa de açúcar
  • 1 colher sopa de açúcar mascavo
  • 60g de manteiga
  • 250ml de leite morno
  • 2 ovos inteiros
  • 30g de fermento biológico fresco (usei fleischmann)
  • 1 ovo (opcional) para pincelar os pães antes de assá-los

Modo de preparo:

Primeiro fiz o seguinte: pesei todos os ingredientes que precisavam ser pesados e separei cada um.

Passei o malte de cevada num processador, mas não bati por muito tempo, para não virar uma pasta. Bati rapidamente, para diminuir os grãos. Botei numa bacia. Acrescentei o sal e os açúcares, misturei.

À parte, dissolvi o fermento em metade do leite morno e uma colher de chá de açúcar. Depois acrescentei tudo (fermento e leite) à mistura, além da manteiga. Os dois ovos, quebrei num pequeno pote, bati primeiro, depois juntei à massa. Misturei tudo muito bem. Por último acrescentei a farinha e comecei incorporando com ajuda de uma colher de pau (na verdade de silicone).

Trabalhei bastante a massa, hehehehe. Dei murro, joguei várias vezes com força dentro da bacia, sovei bastante, amassei, amassei e amassei. Depois fiz uma bola meio oval, cobri com um pano seco e limpo e coloquei a bacia dentro do forno (desligado!).

Deixei descansando lá por uma hora, exatamente. Ela havia crescido bastante.

Em uma fôrma de pão e em outra assadeira, pincelei um pouco de óleo. Peguei a massa, dividi mais ou menos em 4 partes, trabalhei novamente com as mãos, de forma mais delicada. Apenas amassei um pouco e modelei. Coloquei os pães nas fôrmas.

Esperei mais uns 30 min. A massa praticamente dobrou de tamanho!

Liguei o forno e deixei esquentar bem (220°). Nesse meio tempo, aproveitei para quebrar um ovo, bater levemente e pincelar os pães.

Deixei-os por 26 min no forno, ficaram bem dourados e a massa bem fofinha. O ideal é deixá-los esfriarem um pouquinho, se possível, fora da fôrma, em local ventilado.

Depois é só partir pro abraço!!

A única dificuldade que vocês terão para fazer a receita será arrumar um amigo cervejeiro que divida o bagaço da cevada com vocês!!! Vi também na internet que tem gente que vende, vai que rola! Tem também a possibilidade de vocês substituírem o malte da cevada por algum outro cereal, como por exemplo a aveia… Se não, o jeito vai ser comprar uma cervejeira, adquirir o malte, fazer a cerveja, retirar o bagaço, para então poder fazer o pão, e depois consumi-los ao mesmo tempo, que tal?! 😉

 

 

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Risoto de camarão com nirá e açafrão-da-terra

Eu e minha mania de risotos 😀 😀 😀 . E de camarão, pra variar!! Mas é que é tãããão gostoso, tão prático, tão democrático, tão bonito, que não tem como dar errado, não tem como alguém não gostar!! A não ser que seja alguém alérgico a camarões… Aí é só substituir por tirinhas de frango 😀

Recebi alguns amigos no sábado e aí foi aquela coisa meio improvisada outra vez. O que é que eu tinha no freezer dando sopa?!! Camarão. E melhor: já descascado, e com as casquinhas reservadas, pra fazer o caldo. Este é o pulo do gato em matéria de risotos: o caldo. O ideal é que você o prepare em casa.

O açafrão que utilizei na receita é o “açafrão-da-terra“, também conhecido por cúrcuma (não é o açafrão utilizado na “paella”, que é extraído dos estigmas de flores). Trata-se de um pó amarelo, proveniente da raiz de uma planta da família do gengibre. Ele confere uma linda cor amarela aos pratos. É comum na culinária indiana. Pode ser usado em caldos, maioneses, sopas, peixes cozidos, feijões e ensopados de um modo geral. Estudos indicam que ele traz benefícios à saúde, principalmente no combate ao câncer e ao mal de Alzheimer. Tem poder anti-inflamatório. Maravilha então, podemos unir o útil ao agradável!!

Açafrão-da-terra ou cúrcuma (foto da Wikipédia)

Então vamos à receita improvisada que deu bem para 5 pessoas:

Risoto de Camarão com Nirá e Açafrão

Ingredientes:

  • 1,2 kg de camarão médio
  • 4 dentes de alho
  • sal e pimenta do reino a gosto
  • azeite para fritar os camarões
  • cascas dos camarões
  • 1 cenoura pequena
  • 2 cebolas
  • 1 folha de louro
  • 1 alho poró
  • 350g arroz arbóreo (próprio para risoto do tipo “italiano”)
  • 1 xícara de vinho branco seco
  • 1 colher sopa cheia de açafrão-da-terra (cúrcuma)
  • 1 maço de nirá (também chamado de alho japonês)
  • 2 colheres sopa de queijo parmesão
  • 100g de creme de leite
  • 50g de manteiga gelada

Modo de preparo:

Descascar e limpar os camarões. Depois temperar com dois dentes de alho amassados, sal e pimenta do reino a gosto. Reservar.

Em uma panela, colocar as cascas dos camarões, a cenoura fatiada, 1 cebola fatiada, o louro e folhas do alho poró picadas (parte mais verde). Se você quiser, pode acrescentar alguma erva aromática, como alecrim fresco, tomilho… Acrescentar bastante água (em torno de 1 litro) e deixa fervendo em fogo baixo por uns 30 min, para apurar o caldo. Coar e reservar.

Numa frigideira grande com azeite, grelhe rapidamente os camarões, deixe-os levemente dourados. Reserve.

Picar 1 cebola e 2 dentes de alho (finamente) para o arroz. Picar também o nirá, em pedaços de uns 2 ou 3 cm.

Numa panela funda (melhor que seja de fundo triplo) colocar azeite. Fritar primeiro o alho, deixando-o dourado e depois acrescentar a cebola. Refogar um pouco e depois incluir o arroz. Refogar mais um pouco e acrescentar o vinho branco.

Mexer até secar o vinho, depois juntar o nirá e o restante do alho poró em pequenas rodelas (parte mais branca, do caule). Misturar um pouco e começar a acrescentar aos poucos, com ajuda de uma concha, o caldo de camarão, que deve estar bem quente (deixar em fogo bem baixinho para manter a temperatura até o fim do cozimento do arroz). Neste momento, acrescentar também o açafrão.

Na metade do cozimento do arroz, juntar os camarões, raspando a frigideira, para entrar o caldo (e alho) que restou de sua fritura. Mexer com delicadeza e continuar acrescentando o caldo. De vez em quando experimente, para não deixar o arroz cozinhar demais, ele deve ficar al dente (levemente durinho).

Acrescentar o creme de leite e o queijo parmesão ralado quando estiver praticamente pronto. Misturar bem, colocar mais um pouquinho de caldo, deixar o arroz úmido e cremoso.

Ao desligar o fogo, acrescentar a manteiga e mexer delicadamente. Ele ficará num tom dourado e brilhoso.

Sirva imediatamente. Disponibilize na mesa um bom azeite, parmesão ralado e pimenta do reino.

Para harmonizar, seria excelente um vinho branco gelado, encorpado, de repente um bom Chardonnay. Eu adoro vinho verde também, neste dia estava tomando um Casal Garcia. Mas vinho é pessoal, cada um tem um gosto, portanto, combine com o que você preferir!

Ah! E se você é como eu e também adora nirá, segue outra receita que fiz recentemente com este ingrediente: Macarrão bifum com camarão e nirá.

 

 

 

 

 

 

Bacalhau de forno com creme de leite

Esta Páscoa passei em casa, tentando descansar da semana anterior, que como eu havia anunciado, passamos na Chapada dos Veadeiros em Goiás. Sim, foram 6 dias de aventura, entre trilhas, cachoeiras e trombas d’água, rsrs. Depois faço um post aqui contando os principais passeios que fizemos e da excelente experiência gastronômica que tivemos lá. Hoje vou trazer, tardiamente é verdade, mas que pode ser feita a qualquer tempo (não necessariamente na páscoa), uma receita de bacalhau de forno com creme de leite super fácil. Também fiz um pernil de cordeiro, mas como já postei aqui no blog uma receita de pernil há uns 2 anos atrás, não vou me repetir! Se quiserem conferir a receita, basta clicar aqui.

Bacalhau de forno com creme de leite

Ingredientes:

(Dá para 4 pessoas com fome!)

  • 1 kg de lombo de bacalhau dessalgado (caso compre salgado, serão necessárias pelo menos 48 horas para dessalgá-lo, com várias trocas de água)
  • 500 ou 600 ml de leite
  • 5 batatas médias
  • 1/2 pimentão vermelho
  • 1 cebola roxa
  • 5 dentes de alho
  • 10 unidades de azeitonas pretas
  • 500ml de creme de leite fresco (o sabor é muito superior ao de caixinha, mas se quiser usar o de caixinha…)
  • 50 g de queijo parmesão ralado
  • azeite q.b.
  • noz moscada q.b.
  • sal e pimenta do reino q.b.

Modo de preparo:

1. Corte os pedaços de lombo ao meio e coloque-os em uma panela funda, cobrindo-os com o leite. Leve ao fogo e deixe ferver. Aguarde uns 10 minutos, desligue o fogo e escorra. Deixe esfriar. Depois com as mãos retire pele, espinhas remanescentes, e parta-os em lascas grandes.

2. Descasque as batatas e corte-as em 8 partes (no sentido mais comprido, divida em 2 partes, depois em 2 partes outra vez, e por fim, em mais 2, o que dará 8 pedaços cada batata). Leve para cozinhar em água com sal e deixe-as “al dente” (não cozinhe totalmente, deixe um pouco durinha). Escorra e reserve.

3. Corte a cebola ao meio e depois corte em fatias finas. O pimentão em tiras, os dentes de alho em fatias finas também, e as azeitonas em pequenos gomos, retirando o caroço.

4. Numa panela, leve azeite e refogue a cebola, depois acrescente o pimentão vermelho e o alho. Refogue mais uns 5 min e desligue o fogo.

5. Misture num bowl o creme de leite com um pouco de sal, noz moscada e pimenta do reino.

6. Pré aqueça o forno a 200°.

7. Numa travessa tipo pirex, arrume as batatas e as lascas de bacalhau, depois o refogado de cebola, pimentão e alho, as fatias de azeitonas. Deixe mais ou menos tudo misturado e distribuído pela travessa. Por fim, acrescente o creme de leite, e o queijo parmesão por cima.

8. Leve ao forno e deixe uns 30 ou 40 min, suficiente para terminar de cozinhar as batatas e o sabor do refogado ser absorvido pelo molho e pelo bacalhau.

Sugestão de acompanhamento: farofa de banana ouro e arroz negro, que além de “causar” (é muito mais chique!), é super nutritivo, tendo em vista que é um arroz integral. Eu normalmente compro o nacional, da marca Ruzene. Mas também já usei da marca italiana La Pastina e também achei excelente. As instruções de preparo desse arroz, está na própria caixa. O ideal é cozinhá-lo na panela de pressão.

Só pra vcs terem uma ideia, no site www.saude.abril.com.br há uma matéria em que é questionado o que é melhor, se o arroz integral ou o arroz negro. Vejam a resposta: “O placar não mente: o arroz negro ganha de lavada. Eles têm mais potássio, cálcio e magnésio, além de um teor caprichado de fibras. “Essas substâncias tornam a absorção de nutrientes mais lenta, o que evita picos de glicose no sangue e aumenta a saciedade”, informa a nutricionista Elaine de Pádua, diretora da DNA Nutri, em São Paulo. Estudos ainda indicam que o arroz negro esbanja antocianinas. “Elas impedem o acúmulo de placas nas artérias, principal fator por trás de ataques cardíacos”, esclarece a especialista”.

Arroz negro é saboroso e nutritivo

E como se não bastasse, tem mais proteína também. E eu acho ele bem mais saboroso que o integral tradicional. Mas como tudo na vida, há os prós e os contras: ele é beeeeeem mais caro e demora muuuito mais pra ficar pronto. Média de preço do quilo no mercado é entre R$ 20,00 e R$ 40,00. No site da própria Ruzene, o pacote de 1kg está custando R$ 23,00, mas não sei quanto custa o frete.

Com arroz negro, também já fiz risoto de lulas, ficou maravilhoso. Ele cai super bem com frutos do mar, na minha opinião. Experimentem e me digam! Até a próxima!

 

 

 

 

Shitake Batayaki

Vou surfar hoje na mesma onda da semana passada: comida oriental! Afinal, teve gente que criou coragem e comprou um monte de ingredientes orientais pra fazer o Macarrão Bifum com Camarão e agora quer outras alternativas gastronômicas para usá-los!!! Hoje vou trazer uma receita light, bem legal pra fazer à noite, quando você não está com vontade de sujar muita coisa, nem de ter muito trabalho. Shitake Batayaki (receita típica da cozinha japonesa).

O Shitake é um cogumelo oriundo da Ásia, muito consumido na Coreia, China e Japão. A China é hoje a maior produtora e consumidora desse cogumelo. No Brasil, seu cultivo é relativamente recente (desde 1990) considerando que no Oriente ele é cultivado há mais de 1.000 anos. Na China, fazem uso medicinal do Shitake há mais de 6.000 anos!

Ele é nutritivo (possui várias vitaminas), rico em proteínas, antioxidantes e sais minerais. Para quem está querendo emagrecer, ele é recomendado, já que 100g do cogumelo fresco fornece apenas 34 calorias, muitas fibras e baixo índice glicêmico. Maravilha não? Engraçado é que apesar de ser um vegetal, ele tem uma textura e um sabor que lembra carne animal. E como se não bastasse, existem estudos que o apontam como um alimento auxiliar no combate ao câncer, além de controlar a pressão arterial e melhorar o sistema imunológico. Com tantas vantagens para a saúde, vamos comer mais cogumelos!! Existem outras variedades de cogumelos frescos disponíveis no mercado, como o Paris e o Shimeji.

Eu já postei aqui no Blog outras receitas que fiz com cogumelos, como o Penne al Funghi e Cocote de ovo com patê e cogumelos Paris.

Esta receita de Shitake Batayaki aprendi num curso de Cozinha Japonesa que fiz no SENAC há muito tempo atrás, aqui mesmo no Rio de Janeiro. Eu fiz, ao longo do tempo, algumas pequenas alterações. Dá pra duas pessoas.

Ingredientes:

  • 2 pacotes de shitake fresco (cada pacote tem 200g)
  • 4 colheres sopa de manteiga
  • pimenta do reino a gosto
  • 6 colheres sopa de shoyu (melhor utilizar o light, com menos sódio)
  • 3 colheres sopa de saquê culinário seco (se você já tem o Mirin, pode ser também, ele é mais adocicado um pouco)
  • 3 colheres sopa de açúcar
  • 1 envelope de hondashi (caldo de peixe japonês, que é vendido em pó). Se você não tiver em casa, pode ser feito sem ele.
  • 1 copo de agua
  • Opcional: um maço de nirá (picado em pedaços de uns 3cm)
  • Papel alumínio (2 folhas de uns 50 cm)

Modo de preparo:

Limpe os cogumelos com uma escovinha (não é legal lavar o cogumelo fresco com água, pois ele é esponjoso e absorve muito). Se não tiver uma escova, use uma toalha de papel, só para retirar eventuais resquícios de terra.

Corte-os em fatias finas (0,5 a 1 cm) e reserve.

Ligue o forno numa temperatura média (180°).

Em uma panela pequena, junte a água, o shoyu, o saquê, o açúcar e o hondashi. Leve ao fogo, mexa um pouco para dissolver o açúcar e ao ferver desligue.

Em uma grande frigideira, derreta a manteiga, coloque o shitake fatiado, tempere com pimenta do reino e o refogue até incorporar a manteiga e amolecer um pouco. Reserve.

Una as duas folhas de papel alumínio, uma do lado da outra, fazendo uma dobra na borda, de forma que se transforme em uma folha bem mais larga e que não deixe passar o líquido. Em uma assadeira pequena e funda, forre com esse papel alumínio, já formando um buraco central e levantando as bordas (veja a figura abaixo).

Coloque o shitake refogado, o molho, o nirá (se você optou por adicioná-lo) e feche o alumínio, juntando as bordas, de forma que fique bem vedado, pois o shitake será cozido no vapor. Esta técnica se chama na Itália de Cartoccio, ou Papillote na França. Ela permite que o alimento não perca seus nutrientes e fique bem macio.

Leve o “cartoccio” ao forno por uns 30 minutos (o shitake deve ficar al dente). Ao retirar do forno tenha muito cuidado. Dentro do cartoccio fica acumulado um vapor muito quente e ao abrir este vapor pode queimar a sua mão. Abra com a ajuda de um garfo longo.

Leve à mesa de imediato, e sirva com os hashis, ou com garfos, se não for muito hábil com eles, rsrs.

Você pode acompanhar esta delícia com um leve saquê gelado. Ou a bebida que preferir.

Uma vez reaproveitei este molho, no dia seguinte, para outra leva de cogumelos, ficou muito bom. Guardei-o em um pote de vidro na geladeira depois de frio.

Semana que vem vou viajar para a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e trarei dicas de lá. Experimentarei as guloseimas típicas do Cerrado. Me aguardem!!!

 

Macarrão bifum com camarão e nirá

Pegando carona no sucesso de meu post anterior (Frango à Espanhola), e no sucesso que a foto acima fez em meu facebook e instagram, trago hoje uma receita exótica/oriental com macarrão bifum. Já ouviram falar?! É aquele macarrão beeeeem fininho feito de arroz, muitíssimo utilizado na culinária chinesa, japonesa, tailandesa, enfim, em toda a cozinha oriental. A vantagem dele, para alguns, é que não tem glúten, já que não é feito com farinha de trigo. Para mim, o interessante é a consistência e o sabor neutro, permitindo que qualquer proteína, ou simplesmente legumes grelhados, combinem com ele perfeitamente. Usei este abaixo (que é nacional):Mas é que sábado passado baixou um espírito japonês em mim!! Quem me segue no Instagram (luhazin) viu as fotos, rsrsrs. Fui na feira da Paulo Barreto logo cedo e comprei um belo de um salmão fresquinho (a R$ 65,00 o kilo não podemos nos dar ao luxo de fazer isto todos os finais de semana….). Arregacei as mangas, peguei minha faca de cerâmica e fiz sashimi, sushi, hot roll (hot Philadelphia), guioza (que um amigo levou) e este macarrão que improvisei na hora (eu já tinha tomado todas, rsrsrs). Foi um verdadeiro festival. Ainda finalizei com um fondue de chocolate com licor de avelãs, mas isso já é oooooutra história…

Apesar da macarronada ter sido improvisada, bem que deu certo viu?!!! Segue abaixo o passo-a-passo, mas as quantidades não estão assim tãããão milimetricamente medidas… pois eu já tinha tomado pelo menos umas 5 cervejas e ao menos dois cálices de saquê, hahaha. Portanto, eu posso ter botado um pouquinho mais, ou um pouquinho menos, mas podem crer que o resultado final não vai ser muito diferente!!

Vamos lá… Ingredientes:

  • 1 pacote 500g de macarrão bifum (pode ser o nacional!!)
  • 1 kg de camarão
  • 2 dentes de alho
  • pimenta do reino a gosto
  • sal a gosto
  • 1 pimenda dedo-de-moça (eu não botei mas fez muita falta!!!)
  • azeite para refogar o camarão
  • 2 maços de nirá (também chamado de alho japonês, é da mesma família do alho e da cebola!)
  • 1 colher sobremesa de gengibre fresco ralado
  • Molho tonkatsu (1/2 xícara)
  • Molho shoyu (1/2 xícara)
  • Saquê licoroso Tozan Mirim (de 1/2 a 1 xícara)
  • 5 a 10 gotas de óleo de amendoim (tem que ser com parcimônia!!)

Obs: Esses produtos (bifum, tonkatsu, saquê Mirin) vocês podem encontrar em lojas que vendem produtos orientais, ou nas Casas Pedro aqui no Rio. Caso queiram se aventurar na cozinha japonesa, aproveitem e já comprem outros itens que valem a pena, como o arroz japonês para sushi, nori (folhas finas feitas com algas marinhas para fazer hot philadelphia e outros rolls), vinagre de arroz (para temperar o arroz), raiz forte em pasta, shoyu, e muito mais…. tem até guiozas prontos!

Modo de preparo:

Descasque, limpe e tempere os camarões com o alho amassado, pimenta do reino e sal. Reserve nesse tempero por pelo menos 20 min.

Lave o nirá e pique-o em pedaços de uns 3 cm. Lave a pimenta dedo de moça, retire as sementes e pique o mais fininho possível.

Leve uma panela grande com água para ferver.

Numa frigideira grande, coloque azeite, espere esquentar e coloque o camarão para grelhar. Logo depois, acrescente o gengibre ralado, a pimenta dedo de moça e o nirá. Refogue mais um pouco e desligue o fogo.

Quando a água estiver fervendo, acrescente sal, deixe levantar fervura novamente e acrescente o macarrão bifum. Mexa bem para ele não grudar.

Enquanto ele cozinha, prepare uma tigela com água gelada e pedras de gelo. Quando o macarrão estiver “al dente” (firme), escorrer e jogar dentro desta tigela com água e gelo. Deixar ele esfriar por completo e então escorrer outra vez.

Volte à frigideira. Ligue o fogo e acrescente os molhos tonkatsu e shoyu, bem como o saquê. E gotas do óleo de amendoim. Misture tudo, deixe ferver e acrescente o macarrão. Incorpore bem todos os ingredientes. Sirva em seguida.

O molho fica um pouco adocicado, devido ao Tonkatsu e ao saquê Mirin, em contraste com o shoyu que é bastante salgado.

Acompanhado de saquê gelado, ou um vinho branco, este prato ficará perfeito!!

 

 

 

 

Frango à Espanhola – Receita de família

Uma pausa na viagem do Canadá pra gente aprender uma receitinha nova (na verdade, velha conhecida minha). Trago hoje pra vocês uma sugestão para o final de semana, considerando que tenham planos de convidar amigos pra tomar um vinho, ou mesmo dar uma variada no cardápio da família! Eu mesma faço isso de vez em quando… (as duas coisas, rsrs). Trata-se de um Frango à Espanhola!

Esta receita era de minha mãe. Aliás, confesso que eu não tenho certeza disso, até acho que não. Desconfio que ela um dia a tenha visto em alguma revista, ou livro de receita e resolveu experimentar. Desde esse dia, não parou mais de fazê-la. Até porque todos nós (éramos 6!!!) ficamos fãs dela (da receita, pois da cozinheira já éramos!). Sempre aparecia como a estrela principal em dias de festa ou almoços especiais. Por isso acho justo que seja “receita de família“, pois ninguém, nem a pessoa que a inventou lá na Espanha, saberia executá-la de maneira mais perfeita que minha mãe. Para mim, ela ficou com “sabor de infância”. Lembro que até minha cadelinha na época (uma pinscher chamada Flor) adorava! kkk.

Então… eu resolvi hoje fazer o Frango à Espanhola, ficou muuuito bom, mas não cheguei à perfeição da minha mãe (até porque já fiz a receita alterando aqui e ali, hahaha). Precisarei repeti-lo algumas dezenas de vezes para sair tão bom quanto o meu “homus tahine“, “charuto de folha de uva“, “risoto cremoso de camarão com alho poró“, ou ainda minha “macarronada de camarão ao coco“, minhas maiores especialidades, hehe. Mas vou compartilhar com vocês mesmo assim, pois no fundo, nunca nenhuma receita sai igual à outra e vocês criarão as suas próprias versões de Frango à Espanhola!

Ingredientes:

  • 2 kg de frango em pedaços (usei coxas e sobrecoxas)
  • 4 dentes de alho esmagados
  • sal e pimenta do reino a gosto
  • 2 cebolas em rodelas
  • 4 tomates picados (sem pele)
  • 1 pimentão pequeno picado
  • 4 folhas de louro
  • cheiro verde picado
  • orégano a gosto
  • 4 tabletes de caldo de galinha esfarelados
  • meia garrafa de vinho tinto (usei Miolo Seleção)
  • 1/2 xícara de azeite
  • azeitonas pretas a gosto (opcional)

Modo de preparo:

Retire a pele, lave os pedaços de frango e passe um pouco de suco de limão, sal (pouquinho, pois ainda vão entrar os tabletes de caldo que já são salgados) e pimenta do reino. Reserve.

Faça a “mise en place” (expressão francesa que significa deixar todos os ingredientes lavados e picados prontos para uso).

Ligue o forno entre 180°-200°. Pegue uma travessa funda (usei minha panela wok pois sumiu a minha marinex grande…) e disponha primeiramente os pedaços de frango.

Vá juntando os outros ingredientes: o alho (esfregue no frango), as cebolas, tomates, pimentão, louro, cheiro verde, orégano, pimenta do reino, farelos do caldo de galinha, azeitonas.

Por último, acrescente o vinho e o azeite. O ideal é que a travessa seja do tamanho ideal para que os pedaços fiquem todos juntinhos e cobertos pelo vinho e azeite.

Coloque no forno com um papel alumínio por 1 hora, depois retire e deixe assar por mais 30 min.

Sirva com arroz branco, ou batatas cozidas. Como o prato já tem um sabor e um molho bem marcante, o ideal é que o acompanhamento seja de sabor mais neutro.

Servi com arroz integral, porque durante a semana nós somos super comportados lá em casa (final de semana a gente se vinga, kkk). Sugiro que vocês tentem fazer este prato no final de semana e sirvam acompanhado de um bom vinho espanhol. Garanto que fará o maior sucesso!

E se vocês têm simpatia pela gastronomia espanhola, vejam mais em Noite Espanhola um super evento que organizei por ocasião do aniversário de minha irmã, em Brasília. Um grande abraço e até breve!!

 

 

Feijão Tropeiro do Delícia

(Dando uma pausa no Canadá…). Acharam o título estranho?! rsrsrs. O “Delícia” é a forma carinhosa com que chamamos o Wagner, proprietário da Pousada Calçada São José, em Tiradentes. Já estivemos lá duas vezes, e até já fiz relato aqui no blog. Para relembrar o post, clique aqui.

Pousada Calçada São José em Tiradentes – MG

O casal Wagner e Du, são excelentes anfitriões e a pousada é daquelas que você se sente em casa. E que casa! Trata-se de uma imensa e bela propriedade, aos pés da Serra São José, muito espaço verde, pássaros, decoração rústica, café da manhã delicioso. Pelo menos uma vez por ano agora tô indo pra lá descansar… e comer, rsrsrs.

Naquela ocasião em que escrevi o post, não publiquei o fantástico Feijão Tropeiro do Delícia. Outros assuntos terminaram por atrapalhar os meus planos de passar a receita pra vocês. Mas desta vez, eu mesma quero “eternizá-la” aqui no blog. Porque vale a pena, porque é inesquecível e fantástica. Porque o Delícia prepara com todo carinho e dedicação que se pode esperar de um verdadeiro Chef!

Toda a “mise en place” é feita desde o dia anterior, de forma a não atropelar os trabalhos na hora de montar o prato. Todos os ingredientes são cuidadosamente encomendados e comprados com antecedência. A costela de porco (servida à parte) foi assada por 6 horas no forno, para ficar derretendo, literalmente, na boca…

Antes de descrever, já vou logo dizendo que não tenho as quantidades exatas da receita, mas assisti, com olhos atentíssimos, e gravei as partes mais importantes, para não esquecer nenhum detalhe. Então não posso afirmar que as quantidades estão exatamente iguais as que ele usou, mas estão bem próximas. O almoço que ele preparou domingo passado, foi para 15 pessoas.

Ingredientes:

  • 1,2 kg de feijão vermelho cozido (ele falou para calcular uns 80g por pessoa)
  • 8 cebolas picadas
  • 1 cabeça inteira de alho picado
  • 26 ovos
  • páprica doce e picante a gosto
  • 0,5 kg de lombinho de porco “confitado” (cozido bem lentamente)
  • linguiça de porco cortada em rodelas e fritas (uns 300 ou 400 g)
  • alho picado e tostado (para finalização)
  • couve mineira cortada bem fininha (umas 6 folhas grandes)
  • cebolinha picada (um maço)
  • torresmo (umas 2 xícaras)
  • 300 g (aproximadamente) de farofa de milho, torrada e temperada com alho e cebola (ele ensinou que de milho é melhor que de mandioca, nesse caso, para o prato não ficar ainda mais pesado)
  • azeite, sal e pimenta do reino a gosto

Vamos lá para o modo de preparar!!! Tem muito segredinho aqui…

Com tudo já preparado, picado, cozido, frito, etc, devemos “montar” o prato numa panela graaaande, tipo paellera (pode ser uma wok tb). Daí primeiro entra o alho no azeite, para dourar um pouco. Só depois entra a cebola.

Então vem a parte mais trabalhosa e delicada. Fogo tem que estar o tempo inteiro bem baixinho ok?!! Abrir os ovos, um por um, delicadamente (tentando não quebrar a gema), dentro de um potinho (para desprezar, caso o ovo esteja estragado), e ir distribuindo-os na panela inteira, com cuidado. Depois pode tampar um pouco para que eles cozinhem lentamente.

Depois que os ovos estão durinhos, e para dar um gostinho especial, ele acrescenta um molho consistente, retirado do assado do lombinho ou da costela, feita por fora, e que acompanha o tropeiro depois. Tempera com sal, pimenta do reino, páprica doce e picante. Isto feito, ele usa duas colheres de pau e corta os ovos em pedaços. Aliás, dica do Delícia: “não é pra colocar os ovos na panela e mexer como se fossem ovos mexidos não!! senão dá gosto de ovo no feijão!!”. Anotado?!!

Só depois de cortar os ovos fritos, você deve acrescentar o lombinho de porco, o feijão e a linguiça.

Então é hora de acrescentar a couve mineira. Depois que murchar, acrescentar a farofa de milho.

Para finalizar o prato, ele acrescenta a cebolinha fresca e tampa a panela. Na hora de ir pra mesa, não esquecer de acrescentar o alho frito e crocante, e os torresmos (este último pode ser deixado à parte, apenas para quem gosta, ou pode comer, rsrs).

De acompanhamento para o Tropeiro, ele preparou uma costela de porco assada e “pururucada” divinamente. Para quem não conhece o termo, pururucar é tostar a pele do porco de forma que fique crocante. O Delícia tem uma “arma infalível” e bem original. Um artefato movido à gás e que, segundo ele, atinge 700 graus!

Os outros acompanhamentos foram: o arroz de jiló (uma especialidade da casa), farofa de banana e molho de cebola roxa (tipo um vinagrete). Um espetáculo. Não há melhor Tropeiro na região, pelos motivos que falei lá em cima: este é feito com carinho, lentamente, num ritmo que combina com o lugar. É o que chamamos de “slow food”. Sua cozinha propriamente dita fica inclusive aberta, aprende quem quer. Eu fiquei ali do ladinho, gravando tudo, claro. Não perdi nenhum detalhe, eu acho…

Depois foi só abrir uma boa garrafa de vinho tinto e: estômago, pra quê te quero??!!!! 😛

Então, cariocas… Este é um programa maravilhoso para quem mora no Rio de Janeiro, pois a cidade de Tiradentes (Patrimônio Histórico Nacional) fica a apenas 370 km do Rio. Se você for passar um final de semana por lá, não deixe de visitar a Igreja Matriz, as lindas ruas de pedra do centro histórico com suas casas coloniais (observe as janelas coloridas), e vá a alguns de seus restaurantes maravilhosos (indico o Viradas do Largo). Ah! Se der tempo, aproveite para dar um pulinho em Bichinho, um pouquinho afastado do centro, mas com lojas de artesanatos e móveis bem diferenciados para a sua casa!

Tiradentes – MG e abaixo do lado direito, a “Casa Torta” em Bichinho

Em breve, mais posts do Canadá!!