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Feijão Tropeiro do Delícia

(Dando uma pausa no Canadá…). Acharam o título estranho?! rsrsrs. O “Delícia” é a forma carinhosa com que chamamos o Wagner, proprietário da Pousada Calçada São José, em Tiradentes. Já estivemos lá duas vezes, e até já fiz relato aqui no blog. Para relembrar o post, clique aqui.

Pousada Calçada São José em Tiradentes – MG

O casal Wagner e Du, são excelentes anfitriões e a pousada é daquelas que você se sente em casa. E que casa! Trata-se de uma imensa e bela propriedade, aos pés da Serra São José, muito espaço verde, pássaros, decoração rústica, café da manhã delicioso. Pelo menos uma vez por ano agora tô indo pra lá descansar… e comer, rsrsrs.

Naquela ocasião em que escrevi o post, não publiquei o fantástico Feijão Tropeiro do Delícia. Outros assuntos terminaram por atrapalhar os meus planos de passar a receita pra vocês. Mas desta vez, eu mesma quero “eternizá-la” aqui no blog. Porque vale a pena, porque é inesquecível e fantástica. Porque o Delícia prepara com todo carinho e dedicação que se pode esperar de um verdadeiro Chef!

Toda a “mise en place” é feita desde o dia anterior, de forma a não atropelar os trabalhos na hora de montar o prato. Todos os ingredientes são cuidadosamente encomendados e comprados com antecedência. A costela de porco (servida à parte) foi assada por 6 horas no forno, para ficar derretendo, literalmente, na boca…

Antes de descrever, já vou logo dizendo que não tenho as quantidades exatas da receita, mas assisti, com olhos atentíssimos, e gravei as partes mais importantes, para não esquecer nenhum detalhe. Então não posso afirmar que as quantidades estão exatamente iguais as que ele usou, mas estão bem próximas. O almoço que ele preparou domingo passado, foi para 15 pessoas.

Ingredientes:

  • 1,2 kg de feijão vermelho cozido (ele falou para calcular uns 80g por pessoa)
  • 8 cebolas picadas
  • 1 cabeça inteira de alho picado
  • 26 ovos
  • páprica doce e picante a gosto
  • 0,5 kg de lombinho de porco “confitado” (cozido bem lentamente)
  • linguiça de porco cortada em rodelas e fritas (uns 300 ou 400 g)
  • alho picado e tostado (para finalização)
  • couve mineira cortada bem fininha (umas 6 folhas grandes)
  • cebolinha picada (um maço)
  • torresmo (umas 2 xícaras)
  • 300 g (aproximadamente) de farofa de milho, torrada e temperada com alho e cebola (ele ensinou que de milho é melhor que de mandioca, nesse caso, para o prato não ficar ainda mais pesado)
  • azeite, sal e pimenta do reino a gosto

Vamos lá para o modo de preparar!!! Tem muito segredinho aqui…

Com tudo já preparado, picado, cozido, frito, etc, devemos “montar” o prato numa panela graaaande, tipo paellera (pode ser uma wok tb). Daí primeiro entra o alho no azeite, para dourar um pouco. Só depois entra a cebola.

Então vem a parte mais trabalhosa e delicada. Fogo tem que estar o tempo inteiro bem baixinho ok?!! Abrir os ovos, um por um, delicadamente (tentando não quebrar a gema), dentro de um potinho (para desprezar, caso o ovo esteja estragado), e ir distribuindo-os na panela inteira, com cuidado. Depois pode tampar um pouco para que eles cozinhem lentamente.

Depois que os ovos estão durinhos, e para dar um gostinho especial, ele acrescenta um molho consistente, retirado do assado do lombinho ou da costela, feita por fora, e que acompanha o tropeiro depois. Tempera com sal, pimenta do reino, páprica doce e picante. Isto feito, ele usa duas colheres de pau e corta os ovos em pedaços. Aliás, dica do Delícia: “não é pra colocar os ovos na panela e mexer como se fossem ovos mexidos não!! senão dá gosto de ovo no feijão!!”. Anotado?!!

Só depois de cortar os ovos fritos, você deve acrescentar o lombinho de porco, o feijão e a linguiça.

Então é hora de acrescentar a couve mineira. Depois que murchar, acrescentar a farofa de milho.

Para finalizar o prato, ele acrescenta a cebolinha fresca e tampa a panela. Na hora de ir pra mesa, não esquecer de acrescentar o alho frito e crocante, e os torresmos (este último pode ser deixado à parte, apenas para quem gosta, ou pode comer, rsrs).

De acompanhamento para o Tropeiro, ele preparou uma costela de porco assada e “pururucada” divinamente. Para quem não conhece o termo, pururucar é tostar a pele do porco de forma que fique crocante. O Delícia tem uma “arma infalível” e bem original. Um artefato movido à gás e que, segundo ele, atinge 700 graus!

Os outros acompanhamentos foram: o arroz de jiló (uma especialidade da casa), farofa de banana e molho de cebola roxa (tipo um vinagrete). Um espetáculo. Não há melhor Tropeiro na região, pelos motivos que falei lá em cima: este é feito com carinho, lentamente, num ritmo que combina com o lugar. É o que chamamos de “slow food”. Sua cozinha propriamente dita fica inclusive aberta, aprende quem quer. Eu fiquei ali do ladinho, gravando tudo, claro. Não perdi nenhum detalhe, eu acho…

Depois foi só abrir uma boa garrafa de vinho tinto e: estômago, pra quê te quero??!!!! 😛

Então, cariocas… Este é um programa maravilhoso para quem mora no Rio de Janeiro, pois a cidade de Tiradentes (Patrimônio Histórico Nacional) fica a apenas 370 km do Rio. Se você for passar um final de semana por lá, não deixe de visitar a Igreja Matriz, as lindas ruas de pedra do centro histórico com suas casas coloniais (observe as janelas coloridas), e vá a alguns de seus restaurantes maravilhosos (indico o Viradas do Largo). Ah! Se der tempo, aproveite para dar um pulinho em Bichinho, um pouquinho afastado do centro, mas com lojas de artesanatos e móveis bem diferenciados para a sua casa!

Tiradentes – MG e abaixo do lado direito, a “Casa Torta” em Bichinho

Em breve, mais posts do Canadá!!

Caponata

O nome pode ser desconhecido da maioria das pessoas, mas provavelmente quase todo mundo já comeu uma caponata. Tem origem italiana, mais especificamente da Sicília. Trata-se de um tipo de conserva feita com berinjelas, cebola, alho, pimentões, alcaparra, vinagre, açúcar e azeite, basicamente. Na Sicília (em Palermo principalmente) eles costumam acrescentar peixes ou mariscos. A caponata é servida normalmente como antepasto (entrada), ou como acompanhamento. Pode ser comparada à “ratatouille” francesa.

Eu prefiro a caponata mais simples possível, é a minha proposta de hoje. Mas outros ingredientes podem ser acrescentados, ficando a critério de cada um. Existem muitos de tipos de caponatas na internet e a que posto hoje é apenas uma das diversas que eu mesma já fiz. Eu sempre vario, dependendo dos ingredientes que tenho disponíveis na geladeira :).

É uma receita super simples. A única coisa que ela requer é um pouco de habilidade com a faca, pois você vai precisar cortar e picar bastante. Se não tiver muita experiência, faça sem pressa e com cuidado!!

Eu gosto de servir para visitas inesperadas, por isso sempre tenho um potinho na geladeira com caponata pronta.

As quantidades dos ingredientes não são muito precisas, pois não vão alterar muito o resultado final, portanto, não se preocupe tanto com isso.

Caponata

Ingredientes

  • 3 berinjelas de tamanho médio
  • 1 pimentão vermelho médio
  • 1 pimentão amarelo médio
  • 1 cebola média
  • 6 dentes de alho
  • 15 unidades de azeitonas pretas (ou verdes)
  • alguns ramos de tomilho fresco
  • 1 colher sopa de orégano (seco mesmo)
  • azeite (muuuuuito, usei praticamente 1 garrafa de 500ml)
  • sal e pimenta-do-reino
  • 2 colheres sopa de folhas de manjericão fresco

Modo de preparo:

1-Lavar e cortar as berinjelas em bastões finos e curtos (você pode também picar em pequenos cubos, aí vai da preferência de cada um).

2- Salgar os bastões de berinjela (2 colheres de chá rasas de sal será suficiente), misturar bem o sal com as mãos e deixá-los num escorredor. Eles vão desidratar um pouco e soltar um líquido escuro. Este procedimento serve para retirar um pouco do amargor próprio da berinjela.

3-Picar, também em tirinhas (julienne), os pimentões e a cebola.

4-Picar finamente os dentes de alho, ou passar no espremedor (você também pode fazer fatias bem finas).

5-Fatiar as azeitonas com a ajuda de uma faquinha, desprezando os caroços.

6-Em uma grande assadeira, espalhar a berinjela e depois todos os outros ingredientes, misturando todos eles com as mãos. Acrescente sal, pimenta do reino, tomilho, orégano. Derrame bastante azeite (uma xícara bem cheia mais ou menos) e misture bem, de forma que fique tudo bem untado.

7-Levar ao forno pré aquecido a 200 graus. Deixar por 30 a 35 minutos, a depender do seu forno. No meio desse tempo, dê uma misturada com uma colher nos ingredientes, para não grudarem no fundo da assadeira.

8-Retirar do forno, acrescentar o manjericão fresco e misture tudo muito bem, com delicadeza.

9-Depois colocar essa mistura em potes de vidro pré lavados e esterilizados (para isto basta colocar água fervente dentro do pote, deixar por alguns minutos, desprezar a água e deixar secar no escorredor). Acrescentar azeite dentro do pote, em quantidade suficiente para cobrir a caponata. Depois que esfriar, tampe bem e guarde na geladeira. Ela fica melhor depois de 24h. E dura bastante!

10-Sirva a caponata acompanhada de torradinhas. Cai bem com uma cervejinha gelada ou vinhos!

Dica: você pode também acrescentar outros ingredientes para variar sua caponata! Seguem algumas sugestões: tomate, alcaparra, pimentão verde, abobrinha, aipo, uva passa, louro, ervas aromáticas diversas (salsinha, alecrim, manjerona, etc). E até salame em tirinhas!

 

 

Polvo ao vinagrete

Final de semana passado fui convidada para almoçar na casa de uma prima e, pra não chegar de mãos vazias, lá fui eu pra feira!! Comprei um polvo (adoooooro), estava fresquinho e com um preço razoável. Como íamos pra piscina, tive a ideia de fazer um polvo ao vinagrete, tira-gosto pra se comer frio, acompanhado de torradinhas e um vinho branco geladinho ;).

Sei que muita gente não gosta de polvo, o que eu sinceramente acho lamentável, rsrsrs. Vivi toda a minha vida em cidade beira-mar, de forma que polvo sempre foi um alimento corriqueiro em minha mesa. Na praia de Porto de Galinhas e Maracaípe, em Pernambuco, comíamos sempre caldinho de polvo (ou polvo ao coco) com bastante limão e pimenta. Aaaaiiiii….. muito bom! Saudade que não tem fim…

O polvo é um molusco, tem um corpo todo mole, não possui espinhas ou ossos e tem oito tentáculos cheios de ventosas. Para quem não sabe, ele também solta tinta em situações de perigo (como as lulas) e muda de cor para se camuflar. Não é lindo??!! Muito fã, hahaha.

Polvo ao vinagrete

Rendimento: 1 porção para tira-gosto, serve umas 4 pessoas. Tempo de preparo: 30 min.

Ingredientes:

  • 1 polvo de aproximadamente 1kg (depois que cozinhar ele vai reduzir para 200g!)
  • 1 cebola comum grande
  • 1/2 cebola roxa (pode ser com a branca)
  • 1 tomate pequeno sem sementes
  • 1 pimenta dedo-de-moça bem picada
  • 2 colheres sopa cebolinha picada
  • 2 colheres sopa de salsinha picada
  • 80 ml de vinagre de maçã (ou outro de sua preferência)
  • 100 ml de azeite de boa qualidade

Modo de preparo:

1-Lave o polvo e coloque-o em uma panela de pressão com uma cebola grande cortada em quatro partes, dois copos de água e um pouco de sal.

2-Depois que pegar pressão, deixe de 7 a 9 min, dependendo do tamanho do bichinho e se você prefere ele com uma consistência mais firme (al dente) ou mais macio. Eu deixei 9 min para um polvo de 1kg, mas achei que poderia ter ficado um pouco menos (ele ficou macio). Escorra e passe na água fria apenas para que ele não continue cozinhando (ou mergulhe-o em um recipiente com água e gelo).

3-Corte em rodelinhas de 1 cm no máximo. Eu aproveitei apenas os tentáculos do polvo. Reserve.

4-Pique bem todas as verduras. Quando for cortar a pimenta, despreze as sementes (a não ser que você goste muito de pimenta ardida!).

5-Junte as verduras picadas e o polvo num recipiente. Acrescente sal, o vinagre e o azeite.

6-Coloque em um recipiente limpo, tampe e leve à geladeira, por pelo menos duas horas.

7-Quando for servir, disponha o vinagrete de polvo em um pequeno bowl, enfeite com salsinha e sirva acompanhado de torradinhas.

Aaaaah! Não esqueça de abrir um bom vinho branco gelado (ou um espumante, ou um rosé). Vai fazer sucesso!

Semana que vem, tem mais!!

 

 

Camarão ao molho de manga e purê de wasabi

Este post ia ser de um “camarão com molho de tangerina”, mas não deu certo… :(. Segui a receita que encontrei numa de minhas antigas revistas Gula, da época que eu colecionava. Terminou indo pro lixo 9 tangerinas fresquinhas compradas na feira. Talvez eu tente outro dia, extraindo o suco de outra maneira (eu retirei a casca externa, os caroços e bati no liquidificador). O problema foi que ficou amargo demais. Tentei acrescentar açúcar mascavo, mas a coisa ficou ainda pior… rsrsrs.

Mas vamos à nossa aula de hoje! Faremos um camarão ao molho de manga e pimenta dedo-de-moça (a pimenta é opcional mas garanto que não arde muito e dá um toque pra lá de especial) acompanhado de purê de wasabi (raiz-forte).  Purê de quê?? Wasabi é um tempero japonês, vendido em pasta, muito utilizado na culinária japonesa, proveniente das raízes de uma planta. É aquela pastinha verde que eles servem junto com sushis e sashimis e que provoca uma sensação bem intensa, você sente uma ardência forte, mas passageira. Eu particularmente, adoro! Já experimentei até queijo feito com wasabi, numa viagem que fiz à Alemanha (numa feira livre em Mainz). Já vi pra vender aqui no Brasil também.

Wasabi ou raiz-forte

Camarão ao molho de manga com purê de wasabi

Rendimento: 4 porções. Tempo de preparo: 1 hora.

Ingredientes para o camarão:

  • 1 kg de camarão cinza, descascado e limpo
  • suco de 1 limão
  • pimenta do reino
  • 1 cebola
  • 1 pimenta dedo-de-moça bem picadinha (se não quiser que fique ardendo muito, não coloque as sementes!)
  • 1 manga grande e madura, mas firme! (usei a palmer, que acho mais saborosa) descascada e cortada em cubos
  • 1 colher de sopa cheia de folhas frescas de manjericão (e mais algumas para decorar)
  • azeite para refogar
  • sal e pimenta do reino

Ingredientes para o purê de wasabi:

  • 750g de batatas inglesas
  • pasta wasabi (comprei nas Casas Pedro, mas já vi no Pão de Açúcar e em lojas de produtos orientais)
  • 100g de creme de leite
  • 100g de manteiga
  • sal a gosto

Modo de preparo…:

PURÊ DE WASABI:

1-Cozinhe as batatas com a casca, para não ficarem muito “aguadas”. Depois escorra, deixe esfriar um pouco e retire a casca com a ajuda de uma faca. Ela sai facilmente.

2-Passe num processador juntamente com a pasta de wasabi, a manteiga, creme de leite e sal. A quantidade de wasabi fica a critério de cada um, pois ela tem um sabor forte. Eu coloquei em torno de 2 colheres de sopa. Se estiver em dúvida, coloque uma só e experimente, antes de colocar a segunda colher. Depois passe o purê para a panela novamente e reserve.

Obs: se você não tem um processador, passe as batatas no espremedor comum de batatas e depois misture bem com o restante dos ingredientes.

CAMARÕES AO MOLHO DE MANGA:

1-Descasque, limpe bem e tempere os camarões com suco de limão, pimenta do reino e sal. Reserve.

2-Descasque a manga e pique em cubos de 1 a 2 cm. Depois deixe de molho em água com um pouco de sal.

3-Pique a cebola e a pimenta dedo-de-moça sem sementes (se quiser mais picante, inclua algumas sementes).

4-Pique a cebola.

5-Escorra a manga.

6-Numa frigideira, coloque azeite e refogue um pouco a cebola. Acrescente os camarões. Fogo deve estar alto para grelhar os camarões. Junte a pimenta dedo-de-moça picada.

7-Assim que estiverem um pouco dourados, acrescente a manga e mantenha o fogo alto. Grelhe mais um pouco e acerte o sal. Depois que desligar o fogo, acrescente as folhas de manjericão.

Está pronto!!! É ou não é fácil??!! Sirva o camarão com o purê de wasabi e, caso queira, uma porção de arroz simples para compor o prato. Você vai sentir um contraste entre o sabor doce da manga e o wasabi, muito interessante!

Decore com folhas de manjericão.

Servi este prato com um vinho tinto, por falta de um branco, mas como era um “Chianti”, um vinho relativamente leve, casou muito bem!

Cocotte de ovo com patê e cogumelos

Cocotte de ovo??? O que é isso???!!!

“La cocotte” é uma pequena panelinha muito utilizada na cozinha francesa (de ferro ou cerâmica). A “cocotte de ovo” ou “ovo cocotte” é um preparo bem popular, que pode ser visto em diversas versões diferentes, e que traz o ovo como ingrediente principal.

Essas são as “cocottes” francesas

Hoje vamos aprender a fazer uma cocotte de ovo com patê de fígado e cogumelos, uma receita que vi no Le Monde, jornal francês, e que me inspirou a fazer esta adaptação. Na receita original, a Chef utiliza foie gras (patê de fígado de ganso ou pato), mas eu não tenho mais coragem (nem dindim, rsrsrs) pra comprar essa iguaria, por isso usei um patê nacional, apesar de que hoje em dia nem sei se ele tem tanta credibilidade assim, rsrs. Quem não curte patê de fígado, substitui por patê de presunto, ou qualquer outro de sua preferência. Você pode usar sua imaginação para substituir ingredientes!

Caso você não possua uma cocotte, não tem problema, substitua, como eu fiz, por um ramequim (tigelinha de cerâmica, individual).

Vamos lá!!

Cocotte de ovo com patê de fígado e cogumelos

Rendimento: 2 porções. Tempo de preparo: 40 min.

Ingredientes:

  • 2 ovos
  • 60g de patê de fígado de aves, ou de presunto (da marca que você preferir)
  • 80g de creme de leite (se possível, do fresco)
  • 100g de cogumelo Paris – 4 unidades grandes (na falta, dá pra substituir por champignon em conserva, embora não tenha o mesmo sabor)
  • 4 échalotes (aquelas cebolas bem pequenininhas, mas na falta, use uma cebola normal pequena)
  • 1 dente de alho (inteiro)
  • 1 ramo de tomilho fresco ou orégano (1 colher de chá cheia de folhinhas)
  • Tiras de pão de fôrma
  • Sal e pimenta do reino
  • 1 colher de sopa de azeite
  • Ramos de ciboulette (cebolinha francesa, aquela beeeeem fininha) ou salsa para enfeitar

Modo de preparo:

  1. Limpe os cogumelos com uma escovinha, ou papel, e depois fatie e corte em pequenos pedaços (1 a 2 cm).

2. Descasque e fatie as échalotes grosseiramente.

3. Misture o creme de leite com o patê de fígado, até formar um creme homogêneo.

4. Leve uma frigideira ao fogo médio, refogue a cebola primeiro, por um minuto e acrescente o alho (inteiro mesmo), por mais um minuto.

5. Junte os cogumelos, um pouco de sal e pimenta do reino, folhinhas de tomilho e refogue por uns 5 min, sempre mexendo. Os cogumelos ficarão bem macios. Desligue o fogo e retire o dente de alho.

6. Em dois ramequins, distribua o cogumelo refogado.

7. Coloque um ovo em cada ramequin (quebre a casca com cuidado para que a gema fique inteira).

8. Acrescente duas colheres de sopa do creme de patê (deixe um restinho para fazer as torradas) em cada ramequin e coloque um pouquinho de pimenta do reino por cima. Disponha-os em uma assadeira.

9. Passe um pouco de manteiga e do creme de patê nas tiras de pão e disponha-as em outra assadeira.

10. Leve tudo ao forno médio (160º) por mais ou menos 15 min. É importante que a gema se mantenha mole (e as claras já estejam praticamente cozidas). Se precisar, deixe as torradas mais um pouco de tempo para que fiquem mais crocantes.

11. Sirva o ramequin num prato, acompanhado das torradinhas. Salpique a ciboulette ou salsinha fresca.

Experimente comer com ajuda das torradinhas, ou use uma colher. É simplesmente delicioso.

Não perca na próxima semana, um camarão que deu errado…  só que não! Na hora de servir dei uma improvisada, troquei alguns ingredientes por outros, e não é que deu tudo certo?!!! \o/.

Você experimentou a penne al funghi que disponibilizei na semana passada?! Se não, vai lá e confere a receita!

Até a semana que vem!!

Penne al funghi

Dando início ao meu ciclo de aulas de gastronomia, hoje pretendo ensiná-los a preparar um pratinho fácil e saborosíssimo, muito popular na Italia: a penne al funghi.

A “penne” é um tipo de massa que lembra uma caneta com ponta de pena (tipo aquelas canetas-tinteiro lindas). Ela é curta e oca por dentro, o que a torna excelente para pratos italianos que levam bastante molho, pois ele penetra no interior da massa deixando-a suculenta. Eu gosto de usar a massa de grano duro (feita com um trigo especial que lhe confere uma consistência mais firme permitindo que a massa fique “al dente”).

A massa do tipo penne

O funghi de que falo nessa receita é o “funghi secchi“, ou seja: cogumelo seco (desidratado). Você encontra facilmente em supermercados. Existem diversos tipos de cogumelos secos, mas para este prato o ideal seria o “Porcini“, que tem um sabor mais intenso (usado para risotos também). Mas é necessário hidratá-lo antes.

Bom, vamos então partir para nossa receita! Não esqueça de fazer a mise en place (“Mise en place” é uma expressão francesa, que ao pé da letra seria “posta no lugar”, ou seja, deixar antecipadamente todos os ingredientes separados, pesados, cortados e prontos para que você execute a sua receita de forma mais fácil e eficiente. Utilizar a técnica da mise en place é o primeiro passo para uma receita dar certo!):

Penne al Funghi

Porção para 4 pessoas. Tempo de preparo: aproximadamente 45 min

  • 60g de funghi secchi tipo Porcini
  • 250g de penne grano duro
  • 2 caixinhas de 200g de creme de leite, ou 400g de creme de leite fresco (melhor ainda!)
  • 1 cebola bem picada
  • 2 dentes de alho bem picado
  • 1 copo 250 ml de vinho branco seco
  • azeite q.b. (quanto baste) para refogar a cebola/alho
  • sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo:

  1. Colocar em um pequeno bowl (tigela) o cogumelo seco e o vinho, para que ele vá se hidratando (deixe uns 30 min).

2. Pique a cebola e o alho bem picadinhos. Quando você ouvir dizer “pique em brunoise” – que se pronuncia “brunoase” – significa que é para picar em cubinhos muito muito muito pequenos. Gosto de picar assim os dentes de alho, mas requer uma certa prática :).

3. Em uma frigideira, leve a cebola para refogar em 2 colheres de sopa de azeite, aproximadamente. Acrescente o alho.

4. Escorra o funghi (não despreze o líquido, deixe-o reservado para o caso de precisar) e junte ao refogado. Mexa e refogue mais um pouco.

5. Acrescente o creme de leite e mantenha o fogo baixo. Misture bem e cozinhe mais um pouco (uns 5 min). Se achar que o molho está muito denso, coloque um pouco do vinho que estava hidratando o funghi. Eu particularmente gosto do molho mais líquido e sempre acrescento um pouco do vinho, uns 100ml.

6. Tempere com pimenta do reino (se possível moída na hora, que dá muito mais sabor) e sal a gosto.

7. Enquanto isso, cozinhe a penne em água fervente, deixando-a “al dente” (consistência firme). Escorra, volte a massa pra panela e acrescente o molho de funghi. Ele tem que estar bem quente!

8. Misture bem e sirva imediatamente. Se quiser, decore com salsinha fresca picada e queijo parmesão ralado.

Penne al Funghi

Na próxima semana tem mais novidade por aqui!!

 

Pausa para reflexão…

Este post será para fazermos uma pequena reflexão…

Resolvi ter uma “DR” com vocês hoje, acho que estou em crise… Precisamos “amadurecer a relação”, hehehe.

Desde 2011 (mais de 5 anos gente!!) escrevo neste blog. É dessa forma que alimento um pouquinho a minha alma. Dou vazão aos meus desejos de viver única e exclusivamente dedicada à gastronomia. Infelizmente, isto é um sonho muito distante… Trabalhar é preciso, e pagar as contas também. Não dá pra largar o emprego e me lançar em algum negócio incerto. Como vocês já observaram, amo viajar até o meu último fio de cabelo. Como poderia eu viver sem viajar? Me reciclo a cada viagem que faço. Volto outra pessoa. E ninguém viaja de graça, rsrs. Portanto, para me “alimentar” de gastronomia, eu cozinho nos finais de semana, vou a restaurantes (o que tem sido mais raro ultimamente) e experimento comidas diferentes quando viajo por aí. Depois escrevo tudo no blog. Assim, fico relativamente “saciada”, rsrs.

Mas voltemos ao que interessa… meu blog não teve e nunca terá fins lucrativos, mas de uns tempos pra cá, tenho me perguntado: qual o propósito dele além de me saciar a fome de escrever sobre viagens e comidas? Não é um livro de receitas, não é um site voltado para viajantes, nem ensina nutrição ou alimentação saudável. Não há metas específicas nem objetivos pré-determinados. Qual o papel dele afinal?

Aqueles que me seguem há algum tempo, foram testemunhas de que ora estou contando uma viagem (em mil partes, é verdade, rsrsrs), ora criticando um restaurante, ora fazendo um prato ou ensinando uma receita de família. Já escrevi inclusive sobre eventos que organizei, jantares, almoços comemorativos e até aulas que dei. Mas, por que seria importante para meu leitor saber se eu gostei ou não do camarão ao curry vermelho que comi em Phi Phi? Tava uma delíííícia, é verdade, mas… será útil?! Só se ele for a Phi Phi, experimentar também, rsrs. Enfim… acho que nossa “relação” tem que dar alguma guinada… pessoalmente, eu anseio por alguma mudança…

E se eu pudesse colocar em prática o que aprendi em meu curso superior de licenciatura (junto com a experiência adquirida em 10 anos de ensino) para repassar o que mais gosto de fazer e mais entendo? Não me formei em gastronomia para ser a única a usufruir dos conhecimentos que adquiri! Hoje reúno aprendizados diversos tanto em técnicas culinárias, como em variedade de pratos, inclusive de culturas diferentes. Sim… eu realmente adoraria dar aulas de gastronomia para que vocês aprendessem o que sei. Mas aí me falta o principal, hahaha, espaço. Minha cozinha não é adequada pra isto. E pra fazer uma reforma, ou alugar um espaço, eu teria que ganhar na megasena,o que definitivamente não está no meu destino!!

Mas quem não tem cão caça com gato, certo?!! Posso usar o meu blog pra satisfazer este meu mais novo objeto de desejo: dar aulas de gastronomia. Este vai ser agora meu objetivo principal, minha ênfase, minha meta mais importante. Vou encarar umas receitas diferentes (o que não falta lá em casa é livro de receita de tudo que vocês possam imaginar!!). Nem falta plateia pra avaliar minhas receitas: marido, filho, sobrinhos, primos, enteados, sogra, etc. Aqui contarei o que ficou bom, o que ficou ruim, o que pode ser mudado. E vou fotografar o passo a passo.

Não tenho pretensão de publicar receitas impossíveis, muito pelo contrário. Gostaria que qualquer pessoa, mesmo inexperiente, pudesse preparar em casa os pratos propostos aqui. Algumas poderão ser mais difíceis que outras, ou mais dispendiosas, mas a grande maioria deverá ser bem acessível. Tenho receitas familiares que adoro! Algumas, inclusive, já estão aqui, outras acrescentarei. É o caso da receita mais emblemática da família: a “orelha de gato“, publicada em 2012.

Chich Barak, ou “orelha de gato” – receita de família

Vez por outra, vou continuar publicando algumas críticas gastronômicas, afinal, é importante alertar meus leitores para as boas novidades da cidade (e as más!). E nem pensem que se livrarão dos meus relatos de viagem, afinal, alguns são fundamentais e servem de dica para quem vai viajar. Só não serão prioridade agora…

O próximo post, trará a minha mais recente empreitada na cozinha. Seja ela qual for (ainda não decidi). Vou alternar receitas básicas com preparos mais complexos. Salgadas, doces, apimentadas, agridoces, etc, todas terão espaço aqui.

Dentre as receitas que já publiquei, algumas são campeãs de público. Trago abaixo uma lista com as “top 10”, para vocês já se anteciparem e começarem a testar, mas fiquem à vontade para procurar outras no meu menu de “Receitas“.

Ah!! Não esqueça de deixar aqui sua mensagem sobre o que achou de minha nova proposta! Preciso de um feedback! Afinal, isto aqui é uma DR, e preciso saber o que o outro lado tem a dizer :).

Top 10

  1. Uma sobremesa mexicana surpreendente (2014)
  2. Hambúrguer de costela bovina (2014)
  3. Bolo de macaxeira (2012)
  4. Cartola – uma sobremesa tipicamente pernambucana (2014)
  5. Almoço de domingo (Strogonoff) (2011)
  6. Receita de casquinho de caranguejo (2012)
  7. Risoto cremoso de camarão com alho-poró (2015)
  8. Charuto de folha de uva (comida árabe) (2012)
  9. Orelha de gato (comida árabe) (2012)
  10. Pernil de porco com mango chutney (2014)