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Viagem ao Canadá – Cidade de Quebec – 1º dia

Deixamos Ottawa numa segunda-feira muito chuvosa. Na estrada para Quebec, a chuva ficou ainda mais forte. Depois melhorou um pouco, e ao chegarmos em Trois-Rivières – onde havíamos programado de almoçar – a chuva tinha finalmente dado uma trégua. A cidade estava meio “fantasma”, talvez por causa do mau tempo ou por ser uma segunda-feira, não sei…

Rue des Forges, centro de Trois-Rivières

Trois Rivières (que significa Três-Rios) fica às margens do Rio São Lourenço. A “Rue des Forges” no centro da cidade, é cheia de bares e restaurantes. Escolhemos O’ Centro, um restaurante-pub, justamente pelo fato de estar cheio de gente, rsrsrs. Só poderia ser bom né?! Além disso, vi uma placa na frente que dizia ter uma promoção de “Pichet” por 12$. Achei que fosse uma meia-garrafa de vinho (na França ééé!!!) e fui logo pedindo, assim que sentei na mesa. Deixa que não era vinho hahaha. Era uma jarra imeeeeensa de cerveja, de 1,5 litros. Aí era tarde, já estava na mesa. Mas confesso que eu neeeeeem queria!!!! 😀

“Pichet” de cerveja no pub O’Centro

Então comi meu segundo salmão da viagem, tão inesquecível quanto o primeiro. Era um “saumon à l’érable”, grelhado com o xarope extraído do plátano (maple syrup), produto típico canadense. De sabor adocicado por conta do syrup, vinha acompanhado de arroz e legumes grelhados. Excelente! Cláudio preferiu um frango ao molho de mostarda e batatas gratinadas. Muito bom também! E quanto à cerveja… nem consegui terminar, pois tínhamos que seguir viagem… muito triste por ter que desperdiçá-la, juro que isto não é do meu feitio 😥

Ao entrarmos em Quebec fiquei encantada com as lindas casas ao longo do caminho até nosso hotel. Ah, um detalhe, não confundam Ville de Québec (ou Quebec City, em inglês), com a província de Quebec, à qual a cidade pertence. É como o Estado do Rio de Janeiro e a cidade homônima. Quebec é a cidade mais antiga do país (fundada em 1608 pelo francês Samuel de Champlain), também localiza-se nas margens do Rio São Lourenço. A história dela é bem confusa. Era colônia francesa, depois passou a ser inglesa. Já foi atacada pelos americanos. Hoje o Canadá é um país independente e Quebec sonha em ser também um país independente, rsrs. A maior parte de seus habitantes é francesa, ou descendente de franceses. A língua falada também é o francês. Fora da província de Quebec a língua falada é o inglês.

Ville de Québec

Nossa pousada ficava na parte fortificada e mais antiga da cidade: o Bed & Breakfast Chez Marie Claire. Nosso anfitrião, M. Pascal, nos aguardava. E falando um francês de Marseille, nos deu muitas dicas gastronômicas e de passeios. Nos forneceu mapas e nos apresentou toda a pousada, que recomendo muito. Além de bem localizada, nosso quarto era enorme e maravilhoso, com duas camas de casal. Não tinha frigobar, mas havia um disponível para os hóspedes no salão compartilhado, bem em frente ao nosso quarto no 2º piso. No térreo, uma grande mesa comunitária para o café da manhã, que aliás, é servido de forma individual. Alguns itens ficam na mesa e disponíveis para todos, mas há sempre algum quitute típico preparado na hora para o hóspede.

B&B Chez Marie-Claire

Nesta tarde, andamos pelo “Terrasse Dufferin“, um largo calçadão, construído em frente ao “Le Château Frontenac“, um grande e centenário hotel, na posição mais privilegiada da cidade alta. Muitas vistas legais lá de cima! Tiramos algumas fotos e seguimos caminhando por ali por perto, observando praças, casas, pessoas…

Ville de Québec (Place d’Armes, Château Frontenac e vistas)

Para fechar o dia, optamos por uma pizza no Polina Pizzeria (44 Rue Saint Louis), queijo, tomate e peperoni. No estilo fininha e crocante. Acompanhei com uma taça de vinho italiano. Perdoem-me a falta da foto. Fomos dormir bem felizes neste dia 🙂

No próximo post, muitas dicas imperdíveis da cidade, não percam!!

 

Viagem ao Canadá – Ottawa

Algonquin Provincial Park – Canadá

Antes de chegarmos em Ottawa, declarada capital do Canadá em 1867, passamos 3 dias no Algonquin Provincial Park, curtindo natureza total, fazendo trilhas e explorando lagoas de canoa. Eu estava precisando de umas atividades desse tipo, pra desopilar. Ficamos num hotel (Lakewoods Cottage Resort), na beira de um lago (Oxtongue Lake), que oferecia ótimas cabanas, com bastante conforto, quarto, sala, banheiro e cozinha completa! Aproveitei pra cozinhar um pouquinho… ah vai… só pra relaxar… camarões gigantes, um vinho do lado… 🙂

Lakewoods Cottage Resort e passeio de canoa no Algonquin Park

Ao longo da estrada até Ottawa há diversas pequenas cidades. Paramos em uma delas para almoçar (Angsville) e foi meu primeiro e inesquecível salmão. Se há algo que irei lembrar pro resto da vida em termos de gastronomia no Canadá é o tal do salmão. O verdadeiro. De sabor completamente diferente do nosso. Delicioso. Imperdível… Comi outros durante a viagem, tão bons quanto este primeiro.

Pegamos um trânsito terrível para entrar na cidade de Ottawa. E era um sábado!! Havia diversas obras nas ruas e a cidade estava lotada de turistas, não sabíamos bem a razão, até que depois entendemos… Era véspera da Maratona de Ottawa, os kits estavam sendo entregues, já havia acontecido mais cedo as corridas de 10K e 5K, e como estávamos entrando pelo centro da cidade, tivemos que enfrentar estes probleminhas…

Alugamos um quarto, em uma casa, via Airbnb. O nosso anfitrião era bem simpático, apesar de nem estar lá para nos receber. Um vizinho nos ajudou. Depois ele apareceu e veio conversar conosco, chamava-se Mathieu Dupont, mas não era francês, nem ao menos falava francês. Nos deu indicações de restaurantes e mercados próximos. Nos deu toda liberdade de ir e vir. Para entrar na casa dele era só digitar uma senha na porta. Casa hiper bem localizada, no centro mesmo, próximo a tudo que precisávamos e queríamos ver. Isto foi uma mão na roda. Mas em casa com banheiro compartilhado eu não fico nunca mais…

Em frente à casa onde nos hospedamos, na Sussex Dr

Acordamos cedo no dia seguinte, domingo, dia de maratona, dia de corrida pra gente também. Fomos até o Rideau Canal (Patrimônio Mundial da Unesco) e corremos 10K. Em determinado momento, os corredores de elite passaram ao nosso lado numa velocidade absurda!! Nos sentimos umas tartarugas, kkkk. Mas este sentimento foi motivante!!

Maratona de Ottawa e o Rideau Canal

Depois do café saímos para visitar o centro da cidade: Parliament Hill, arredores do Rideau Canal, Catedral Notre-Dame, National Galery e o ByWard Market, que são as principais atrações. A cidade é bonita e acolhedora. Cercada por rios, com parques bem arborizados, convida o turista a passear de bicicleta, correr, caminhar… O Rideau Canal, quando congela no inverno, vira a maior pista de patinação do mundo. A região do ByWard Market é ótima, cheia de bares e restaurantes, além de uma feirinha pela manhã, com frutas e verduras frescas.

E ao invés de sairmos pra jantar, terminamos optando por almoçar em um dos restaurantes indicados pelo nosso anfitrião: o Chez Lucien, que com nome francês me fez fazer altas expectativas, achando que era um bistrô com comidinhas francesas… Não sei se foi porque era horário de almoço, mas nos deram um menu que só tinha sanduíches e omeletes… Terminei morrendo num sanduíche de salmão grelhado, que pelo menos estava surpreendentemente saboroso 😉  Claudinho pediu um hambúrguer de carne com bacon e cogumelos (achou que veio muito passado). Cerveja Molson Canadian pra acompanhar, que acho que é a Brahma/Skol/Antártica canadense, rsrs, mas valeu!

No fim do dia, entramos na Catedral Notre-Dame, achei bem bonita até. Quis visitar também a National Galery, mas os principais pintores canadenses não estavam com exposição lá, de forma que desistimos. Uma pena…

Dia seguinte viajamos para a Cidade de Quebec, onde passamos deliciosos 3 dias. Em breve!!!

Veja os posts anteriores sobre Toronto e Niagara Falls.

 

 

Viagem ao Canadá – Cataratas do Niágara

O Rio Niágara nasce em um Lago (Erie) e desemboca em outro (Ontario) e demarca fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos naquele trecho. Num certo ponto, o rio se bifurca (na Goat Island) e cai em duas enormes cascatas, uma do “lado canadense”, formando as famosas e impressionantes “Niagara Falls” e a outra do lado norte-americano, bem menores, as “American Falls“. Do centro de Toronto até lá são 140km, o que nos permitiu fazer um bate-volta e de quebra ainda conhecer a pequena cidade pitoresca de Niagara-on-the-Lake.

Nesta panorâmica, vemos em primeiro plano as Niagara Falls e ao fundo as American Falls

Deixamos Toronto cedo, o dia estava lindo, para nossa sorte. Chegamos rapidamente em Niagara Falls, sem engarrafamentos. A cidade é bem turística, tem inclusive Hard Rock, lojas e muitos hotéis. O estacionamento para visitantes estava bastante vazio ainda. Deixamos o carro e fomos ver a cachoeira. É impressionante o volume de água… As informações que encontrei na internet são controversas, mas segundo o Google, o volume é de 2.400 m³/seg, vocês têm noção? É o mesmo que 2 milhões e 400 mil litros de água por segundo!! Este volume é alterado conforme a época do ano.

Niagara Falls

American Falls

As águas do Niágara são cristalinas, mas geladas, rsrs. Ficamos bastante tempo ali, curtindo a paisagem. Depois resolvemos fazer a Journey Behind the Falls, que consiste num labirinto de túneis escavados na rocha, por trás das cachoeiras. É bem interessante. Há um local, saindo de um dos túneis, que você fica ao lado da catarata, de forma que dá pra sentir toda a energia e a força da natureza. É bem legal.

Depois encaramos o Hornblower Niagara Cruise, um barco que sobe o rio contra a corrente e nos leva até bem pertinho da cachoeira. É bem emocionante! Eles te dão uma capa plástica para se proteger do inevitável vapor de água, mas sair molhado faz parte dessa aventura. Só toma cuidado com a máquina fotográfica ou celular…

Hornblower Niagara Cruise

Depois de tanta aventura, hora de comeeeeer!!! \0/ \0/. Eu já havia decidido antes de ir para Niagara Falls onde iríamos almoçar. Mas confesso que foi mais pelo visual, que pela comida, rsrsrs. É que lá também não iríamos encontrar coisa muito melhor mesmo. Fomos ao Elements on the Falls, um restaurante imenso, com uma enooorme janela de vidro com vista para as cataratas. Um encanto almoçar olhando aquela beleza toda. Pedi um hambúrguer e uma cerveja local. Nada mais típico, rsrs. Eu queria na verdade comer um hambúrguer de bisão (uma espécie de búfalo), mas eles tinham retirado este item do cardápio 😦 .

Depois do almoço, pegamos o carro e fomos na cidade Niagara-on-the-Lake, muito charmosa, situada no encontro do Rio Niagara com o Lago Ontário, preserva em sua arquitetura seu passado colonial inglês. Uma fofura. As casas, os jardins bem cuidados, as charretes, os pubs e diversas lojinhas, docerias, restaurantes. Ao longo do caminho até lá, passamos por muitas vinícolas.

Niagara-on-the-Lake

A região é famosa pela produção de vinhos, em especial, do “ice wine”, vinho produzido a partir de uvas congeladas, próprio para acompanhar sobremesas. São vinhos caros porque rendem muito pouco (maior parte da água contida na uva fica de fora, por estar congelada). Resulta num vinho muito doce e ácido. DE-LI-CI-O-SO. Vá por mim. Vale a pena cada gotinha. Tanto é que na volta, no free shopping de Toronto, compramos 3 garrafinhas pra trazer pro Brasil. E só vou tomá-los numa ocasião muito especial. Eu já havia experimentado uma vez na Alemanha (onde esse tipo de vinho começou a ser produzido) na viagem que fizemos pelo Rio Reno. Até trouxe uma garrafa de lá (que até hoje está na minha adega e não tive coragem de abrir, rsrsrs). Dá uma pena de tomar…. O Canadá ocupa hoje o lugar de maior produtor mundial de ice wines.

Loja vende ice wines em Niagara-on-the-Lake

Na simpática cidade de Niagara-on-the-Lake, comi apenas uma deliciosa tartelete de nozes. E comprei a minha garrafa de vinho, além de pão, queijo e presunto para garantir nosso jantar no apartamento de Toronto. Ah, levei uma mini garrafinha de ice wine para acompanhar nossa sobremesa: biscoitos feitos com “maple syrup” (ou “sirop d’érable” em francês), famoso xarope extraído da seiva da árvore conhecida aqui no Brasil como plátano (aquela da folha-símbolo do Canadá, que está em sua bandeira nacional). Combinação delícia!!

Tartelete de nozes, biscoitos de “maple syrup” e ice wine

Se você ainda não leu meu primeiro post sobre Toronto, veja aqui. E no próximo post, não perca as dicas da impecável capital do Canadá: Ottawa!!

Viagem ao Canadá – Toronto

Meu primeiro post é dedicado a Toronto, primeira cidade que conheci no Canadá. Muita gente pensa que, por ser a maior cidade do país e a mais badalada, é sua capital. Mas na verdade a capital é Ottawa. Toronto tem em torno de 3 milhões de habitantes, todos muito bem “espalhados”, hehehe, como todas as grandes cidades canadenses. Espaço lá é que o não falta!!

Chegando em Toronto (o centro da cidade está debaixo da ponta da asa)

Quando chegamos em Toronto, fomos direto para nosso apartamento (alugado através do Airbnb), relativamente bem localizado, pois dava pra ir andando até o centro, mas era uma boa caminhada, uns 20 min. Nosso apartamento era bem legal, quarto, sala e cozinha conjugados, mais um banheiro e varanda. Engraçado que nossa anfitriã chamava-se “Azin” hahahaha, certamente de origem árabe, como eu. Nos deu todas as dicas e um mapa e lá fomos nós rodar o centro da cidade. A pé, claro!

Apto que alugamos em Toronto, cozinha em frente à cama

Seguimos beirando o Lago Ontario, pela ciclovia, que aliás é ótima, e passando pelo porto. Vimos a famosa CN Tower, mas não tivemos vontade de subir, apesar de ser a maior atração turística da cidade. Estávamos mais afim de andar pelo centro, ver o movimento, sentir o “clima”.

Lago Ontario e CN Tower

Passamos pela prefeitura (a moderna e a antiga), depois shopping. Precisei comprar um novo celular, já que o meu havia sido roubado num ônibus aqui no Rio 😡 . Depois andamos boa parte da Yonge St, rua basicamente de comércio.

Em frente à moderna prefeitura de Toronto

Na hora que bateu a fome, estávamos passando pela Dundas St. Então bati o olho num pub tipicamente inglês e simpatizei na hora. Foi uma boa escolha! Chamava-se The Queen and Beaver Public House. Uma casa com ambiente bonito e agradável, com janelinhas dando para a rua. Sentamos numa mesinha na janela e fomos servidos por um garçom adivinhem de onde!!!! Fortaleza, hahaha.

The Queen and Beaver Public House, nosso restaurante em Toronto

Comi uma torta de pato, previamente marinado em cidra (“cider corned duck & potato pie”), bem saborosa, acompanhada de uma salada de folhas fresquinhas. Claudio escolheu um burger qualquer, aliás, foi só o primeiro de uma série, rsrsrs. A cerveja local estava deliciosa.

Então seguimos para o Kensignton Market, que foi o lugar de que mais gostei em Toronto. Uma rua em estilo bem antigo, com casas de madeira, todas transformadas em locais alternativos para venda de artesanatos, roupas, temperos ou transformados em bares e restaurantes, também super transadinhos!

Kensington Market

Ao passarmos por uma lanchonete que servia waffles, não resisti!! Pedi um waffle com banana e nutella, cobertura de chantily e calda de chocolate. Meu Deus… tava maravilhoso! Não comi mais nenhum waffle tão bom como este até o fim da viagem…

Depois da sobremesa, fomos conhecer a Casa Loma. Optamos por ir de metrô, pois fica meio distante do centro. Trata-se de um “castelo-museu”. Na verdade, é uma ex-residência de um ricaço (Henry Mill Pellatt), construído entre 1911 e 1914. Era a maior residência da América do Norte naquela época (segundo o Wikipédia). Fica no alto de uma colina, de forma que subindo até uma das torres do castelo dá pra ter uma boa vista da cidade. Os jardins também são bonitos e os ambientes luxuosos.

Casa Loma

Vista de Toronto a partir da Casa Loma

Voltamos pra casa cansados de tanto andar, e ao passarmos por um mercado para nossa tradicional compra de pão, queijos e vinhos, eis que sou surpreendida de forma negativíssima! Até hoje não me conformo com esta primeira noite no Canadá… Não se vendem bebidas alcoólicas nos mercados, e como era feriado, não havia nenhuma loja de vinhos aberta por perto. Daí imaginem… tive que ir pra casa sem uma garrafa de vinho, que tristeza… Mas eu nunca mais iria deixar isso acontecer outra vez!!

Viagem ao Canadá – Apresentação

Canoe Lake – Algonquin Provincial Park

Inauguro, a partir de hoje, a série “Viagem ao Canadá”, que trará muitas histórias, dicas, fotos, e impressões obtidas durante toda a nossa viagem, que durou ao todo 27 dias (de 21/5 a 18/6). Apesar de todo o roteiro ter sido feito com antecedência, após muitas pesquisas na internet, nos livros e revistas, o país conseguiu nos surpreender de forma positiva e tivemos uma das viagens mais incríveis de nossas vidas. Difícil será alguma outra superar esta. Mas digo logo: a superação não foi, de forma alguma, no quesito “gastronomia” e sim, no quesito “belezas naturais”. Outras características marcantes que observamos no Canadá foram: a educação dos canadenses, em todos os âmbitos; o espírito esportivo, presente em todas as cidades e lugares que fomos; e o senso de respeito aos animais e à natureza selvagem, na região das Montanhas Rochosas.

Bighorn Sheep próximo ao Lake Two jack

Nossa viagem foi dividida em duas partes bem diferentes, foi quase como duas viagens numa só. Na primeira metade, exploramos o lado leste do país que incluiu as cidades de Toronto, Niagara, Ottawa, Québec e Montreal, além do Algonquin Provincial Park. A segunda metade abordou o lado oeste, incluindo Calgary, as Montanhas Rochosas (Banff, Lake Louise, Field, Jasper) e Edmonton (esta última, só para pernoite). Veja o Roteiro Completo para o Canadá.

Cidade de Ottawa, capital do Canadá

A temperatura nesta época do ano é muito boa no Canadá pelo fato de ser final da primavera, já bem próxima do verão (o que garante também locais não muito cheios e preços razoáveis). Nas cidades do leste, pegamos quase um calor carioca! Já nas Montanhas Rochosas a temperatura média era mais amena, e para nossa surpresa, uma neve linda, fora de época, caiu enquanto estávamos no hotel de Lake Louise, um local romântico, rodeado de montanhas e pinheiros, um momento pra se guardar pra sempre na memória. Naquela região, a temperatura variava entre 5 e 20°. Em contrapartida, achei o tempo bastante instável, principalmente nas montanhas, mudando de forma sempre repentina.

Neve em Lake Louise

Descobri hoje que no próximo dia 01 de julho o Canadá completará 150 anos e muitas festas estão rolando e ainda vão rolar por lá, conforme já testemunhamos em algumas das cidades que visitamos. Ottawa por exemplo, está com diversas programações culturais.

Em falar em aniversário, só pra ter um pouquinho de noção de história… No Canadá, viviam aborígenes (indígenas, habitantes originais do lugar) quando, há uns mil anos atrás, chegaram os primeiros estrangeiros: os Vikings. Depois, em 1497, um navegador italiano, a serviço da Coroa Britânica, chegou lá e já foi reivindicando o domínio europeu. Pouco depois chegaram os franceses, que também resolveram se fixar e colonizar a região. Vocês podem imaginar quanta guerra essa disputa rendeu… O governo britânico foi controlando cada vez mais… Só em 01 de julho de 1867 as diversas regiões do Canadá com domínios diversos, se uniram para exigir que todo o território fosse politicamente independente e chamado de Domínio do Canadá. Mas essa história toda é bastante complicada, e até agora, eu mesma não entendi tudo, pois ainda rende… Québec quer se separar politicamente do resto do Canadá, por se identificar mais com a cultura francesa, mas até hoje continua tudo junto. E o resultado é um país meio inglês, meio francês, onde duas línguas coexistem (a inglesa e a francesa), e onde a cultura também é fruto de uma mistura de culturas, pois há hoje em dia uma grande quantidade de imigrantes do mundo inteiro. O país é acolhedor e criou diversos programas que recebem estudantes e trabalhadores de toda parte, demonstrando, diferentemente de muitos países por aí (inclusive seu vizinho) que não tem qualquer tipo de preconceito ou rejeição à presença de estrangeiros.

Lake Agnes, a mais de 2.000m de altitude

Enfim… foram 27 dias incríveis, tiramos mais de 3500 fotos, praticamente todas impecáveis e será complicado fazer uma seleção para o blog! Foto não vai faltar!  Vou tentar publicar os posts em ordem cronológica, seguindo mais ou menos o roteiro que fizemos. Qualquer dúvida, a qualquer momento, por favor, sintam-se à vontade para me escrever!!!

Mont Saint-Michel

Ir ao Mont Saint-Michel sempre foi um dos meus maiores sonhos, apesar de que se eu for listar todos os lugares que sonho em conhecer… seria uma lista interminável. Mas o Mont tinha um valor especial pra mim, pois sempre achei-o mágico, não só por sua posição geográfica, mas também por sua curiosa geometria, que, de longe, parece um cone gigantesco. Isto sem falar de sua história, pois sou fascinada por construções antigas, da era medieval, tais como catedrais, abadias, muralhas, torres e castelos. Enfim, topei fazer esta viagem desde o princípio só por causa dele, do Mont…

O imponente Mont Saint-Michel

Como já falei no primeiro post sobre essa viagem, o Mont Saint-Michel é uma ilhota, e um monte também claro, onde foi construída uma abadia e santuário em homenagem ao Arcanjo São Miguel.

Essa história começa lá em 708, quando um bispo francês (de Avranches) mandou construir um santuário em honra a São Miguel, após ter sonhado com ele 3 vezes. Depois, já no século 10, monges beneditinos se instalaram por lá e foi quando, aos poucos, uma vila foi se formando na base do monte. Muitos peregrinos iam até lá, em busca de espiritualidade. No século 13 foi construída a muralha, que fortifica todo o monte. Resistiu a muitas guerras e tentativas de destruição. Depois da Revolução Francesa virou um presídio, até 1863. Hoje em dia é Patrimônio Mundial da Unesco (desde 1979). Imagine então, quanta história já se desenrolou dentro de suas muralhas…

Vistas das suas muralhas

Outra coisa interessantíssima em relação ao Mont é que ele era uma ilha conectada ao continente por um istmo, acessível apenas nas marés baixas. Com o tempo, as imensas planícies que ficavam alagadas em seu entorno, foram sendo transformadas em grandes pastagens e por isso hoje o Mont está mais próximo do continente. O rio que passa ali também foi canalizado de forma que diminuiu bastante a quantidade de água em torno da ilha. Hoje em dia há um passarela construída por sobre o seu istmo que permite que as águas passem por baixo e possibilitando acessar o Mont a qualquer hora do dia, mesmo nas marés altas. Ele recebe em torno de 3,5 milhões de visitantes por ano. Incrível não?! Há grandes estacionamentos e ônibus que levam os turistas até a porta do Mont. Quem quiser pode ir caminhando a partir do estacionamento (são 3km), ou de charrete.

Passarela que liga o Mont Saint-Michel ao continente e charrete que leva turistas

Enfim, saímos de Saint-Malo bem cedo para chegarmos cedo ao Mont Saint-Michel, queríamos aproveitar ao máximo. Levamos apenas 1 hora de carro. Adentramos suas muralhas ainda com relativamente poucos turistas, dava pra caminhar com facilidade pela vilinha que fica a seus pés. Fomos caminhando bem devagar, curtindo o momento, olhando as lojinhas e subindo, subindo, subindo…

Vila aos pés da Abadia do Mont Saint-Michel

Chegamos enfim aos pés da Abadia, onde há uma grande escadaria. Você então é levado a um grande salão de recepção, onde compramos ingressos (10 euros por pessoa). Há opção de aluguel de audio-guia. Veja todas as informações turísticas aqui.

Então continua-se subindo até o ponto mais alto, onde está a igreja, que fica no topo. Confesso que achei que a subida era mais “pesada”, achei tranquilíssima. No terraço em frente à igreja tem-se uma bela vista do entorno do Mont. Curioso observar grupos que caminhavam juntos nas areias ao redor da ilha (a maré estava vazia nesta hora, claro). Acredito que eram grupos guiados, pois pelo que soube, há trechos em que a areia é movediça…

Estava acontecendo uma missa na Igreja, assisti por alguns instantes, um coro de vozes belíssimo. Depois fomos descendo e conhecendo os salões da Abadia por dentro. O Claustro estava em reforma, infelizmente, pois pelo que vi em fotos na internet ele é bem bonito.

Depois do tour, estávamos todos famintos. Tentamos o La Mère Poulard, famoso restaurante em que são servidas omeletes do tipo “soufflée“, bem aeradas. Os ovos são batidos por muito tempo, até chegar no ponto certo. Diz-se que os comensais podem observar os cozinheiros batendo os ovos e que é interessante o barulho que eles fazem. Mas enfim, encontramos um outro restaurante, o La Vieille Auberge, que também servia omeletes (que segundo eles, era igualzinha a do La Mère), além de várias outras opções no cardápio. Ficamos num terraço externo e sofri um pouco com o frio, estava ventando. Mesmo assim pedi cerveja :).

Então, claro, que optei pela omelete soufflée, eu não ia deixar o Mont sem conhecê-la. Cláudio apostou nos “moules” (mexilhões) com fritas, já que estávamos à beira-mar. Achei minha omelete meio decepcionante… Ela era bem feitinha e tal, fofinha, por dentro o ovo não fica totalmente cozido, (sim, fica um pouco de ovo cru), mas não tem recheio nenhum, nem queijo, nem nada. Ou seja, é uma espuma macia e frita, com gosto de ovo, :|. Os mexilhões também não estavam fantásticos, já comemos melhores, mas tava melhor que minha omelete. Mas pelo menos as batatas fritas estavam saborosas!! E a cerveja super gelada!! Temos que ser justos, rsrsrs.

“Omelette soufflée” e “moules frites”

Depois voltamos a Saint-Malo e mais tarde, rodamos o centro histórico em busca de um restaurante. Encontramos uma “crêperie”, estávamos com frio e fome, resolvemos entrar logo para não perdermos tanto tempo rodando. Pedimos “galettes” (crepes feitos com trigo sarraceno) e mais uma vez, fiquei um pouco decepcionada… A de Paris estava infinitamente melhor. Esta estava engordurada demais (não sei porque tantas batatas de acompanhamento) a massa não estava tão crocante, a cebola crua e ácida… Enfim, achei-a grosseira. De qualquer forma curti o momento, tomamos vinho, relaxamos e voltamos felizes para o hotel.

Em falar em hotel, recomendo este de Saint-Malo! O La Villefromoy, a 2,5km do centro histórico, quarto muito confortável, café da manhã é pago por fora, você pode pedir no quarto, como fizemos, mas pode-se optar pelo buffet. O hotel fica a uma quadra da beira-mar (onde aproveitamos para dar uma corridinha, hehe).

Hotel Villefromoy em Saint Malo e beira-mar uma quadra adiante

No próximo post: Honfleur! Se você não está acompanhando a viagem desde o início, então acesse os posts: Férias à vista!, Paris, Château de BlavouDinan e Saint Malo.

E uma novidade!!! Estou viajando com meu marido pelo Canadá!! Ficaremos até dia 18/06, portanto até lá não farei publicações. Mas quando voltar, terei muitas dicas!! Aguardem!! Abaixo, mais uma foto do grupo com o Mont…

Dinan e Saint-Malo

Você já ouviu falar em Dinan?! Eu nunca tinha ouvido falar, até fazer esta viagem para a França. Depois do Château de Blavou, por sugestão de uma amiga francesa de meu primo, fomos conhecer Dinan, uma pequena cidade medieval, já nas proximidades de Saint-Malo, na região da Bretanha. Seria lá em Saint-malo, cidade beira-mar, que iríamos dormir duas noites.

Começamos nossa visita pelo Château de Dinan, na entrada sul da cidade, construído no final do século 16. Parte de sua muralha está bem preservada. Do terraço, no alto da torre, podemos tirar boas fotos da cidade.

Château de Dinan e vistas de sua muralha

Depois caminhamos pelo seu centrinho histórico, com casas antigas, algumas em estilo “enxaimel” (técnica de construção que utiliza hastes de madeira em posições variadas, e entre elas o espaço é preenchido por tijolos, pedras, etc). Fomos até o outro lado da cidade, onde mais uma parte da muralha que a rodeia está intacta. Fizemos lanche rápido na cidade, do tipo sanduíches de queijo, mas nem registrei…

Centro Histórico de Dinan, na Bretanha

Seguimos então para Saint-Malo, direto para nosso hotel onde deixamos nossas malas. Ele ficava a 2,5km do centro histórico, daí pegamos o carro outra vez e fomos apressados pra lá, antes que o sol desaparecesse. Subimos pela muralha e demos quase uma volta completa nela. Vistas lindas pro mar. Tem até umas prainhas convidativas, mas eu só conseguiria encarar se estivesse uns 30 graus a mais, hehehe.

Saint-Malo, centro histórico. Fotos tiradas de suas muralhas.

O centro histórico é bem legal, seus prédios são na maior parte lojas e restaurantes. No hotel haviam nos dado algumas sugestões de onde comer. Escolhemos um dos recomendados (o L’Absinthe) e fomos até lá. Já gostei da plaquinha em cima da porta com uma frase (que eu concordo plenamente!) do Alexandre Dumas:”Le vin est la partie intellectuelle d’un repas. Les viandes et les légumes n’en sont que la partie matérielle“. Tradução: “O vinho é a parte intelectual de uma refeição. As carnes e legumes são apenas a parte material”. 😉

Fachada do restaurante L’Absinthe

Entramos e curti, logo na entrada, o bar e a cozinha aberta. Descemos para o subsolo, para um salão não muito grande, mas bem aconchegante. A atendente era muito simpática (Lena, parisiense) e até conversamos um pouco. Ela nutre sonhos de vir ao Brasil qualquer dia, disse que me escreveria para obter dicas.

Alguns escolheram o menu completo que termina saindo mais em conta. Você escolhe a entrada, prato principal e sobremesa dentre algumas opções do cardápio, mas eu preferi pedir por fora, apenas uma entrada e um prato principal. Sobremesa nunca foi o meu forte… mas claro que dou uma bicadinha na do meu marido que ninguém é de ferro né?!!!

De cortesia nos serviram primeiramente, como “amuse-bouche” (diversão para as bocas, rsrs), um creme de tomate com mexilhões, bem gostoso.

Depois chegaram as entradas. A que Claudio havia pedido era uma salada fria com “crab” (tipo de caranguejo). Experimentei também, gostamos. Minha entrada de camarão eu nem toquei, rsrsrs. Troquei com meu primo, pois ele não gostou da “cara” do dele, com ostras frescas, camarões cozidos (com casca) e alguns “búzios”, rsrs. Era algum tipo de molusco do mar, ou caramujo, sei lá, preparados com nada, apenas cozidos, e você que se virasse para tirar a “lesma” lá de dentro com o garfo, rsrsrs. Vinha com um molhinho pra vc passar no bicho. No fim até que curti! As ostras estavam ótimas. Não gostei tanto dos moluscos… achei meio sem graça. Nem se comparam com os escargots que comi em Colmar!

Entradas do L’Absinthe

Vai uma lesminha aí?! rsrs

A partir desse ponto a coisa começou a complicar, rsrsrs. O peixe (que a princípio era linguado) que era o prato principal de meu marido, veio completamente cheio de espinhas, de forma que ele nem conseguiu degustá-lo direito (dá até pra perceber na foto abaixo). Estava horrível. Isto porque este prato, sozinho, não era nem um pouco barato (32 euros!).

O meu peixe estava muito bom, pois era uma parte do lombo (sem espinhas), grelhado, com linguiça defumada (isso mesmo!) e repolho. A combinação inusitada deu certo!

A sobremesa estava muito bonita e super saborosa, chamada “passion chocolatée“, uma mousse de chocolate branco, com creme de chocolate ao leite, calda de chocolate amargo e pimenta madagascar. Acompanhada de sorvete de maracujá. Show demais não?!

Passion chocolatée, de se apaixonar mesmo

No dia seguinte visitamos o Mont Saint-Michel, mas detalhes ficarão para o próximo post!! Se você ainda não leu os posts anteriores, acesse: Paris (o início da viagem) e o Château de Blavou.