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Paraty – RJ

Antes de começar a escrever esse post, estava aqui me perguntando se afinal eu deveria escrever Paraty ou Parati… Então consultei nosso velho amigo Google e obtive uma verdadeira aula sobre a grafia correta , vejam toda a história aqui. Agora escrevo Paraty sem medo 😉

A cidade foi fundada em 1667, mas já existia povoação ali há muito tempo. A partir do seu porto escoavam riquezas provenientes de Minas Gerais, principalmente ouro, direto para Portugal. No século XVIII, a vila perdeu um pouco da sua importância, mas recuperou depois com o Ciclo do Café, no século XIX. Com a Abolição da Escravatura em 1888, houve um grande êxodo na região e Paraty ficou bastante “esvaziada” e muito isolada. Para se chegar lá era complicado, só mesmo de barco ou por péssimas estradas. Felizmente, isto ajudou a preservar bastante a arquitetura colonial da vila. Depois da construção da BR101, o turismo começou a crescer vertiginosamente na região, graças ao seu potencial, tanto histórico, quanto paisagístico. Sem sombra de dúvida, uma cidade muito especial, pra se guardar pra sempre na memória. Quem a conhece não a esquece, e quer voltar. Eu já fui pelo menos umas 5 vezes. A última, foi neste final de semana passado, levando minha mãe e minha sogra, 87 e 83 anos respectivamente. Nenhuma das duas conhecia aquela joia arquitetônica.

 

Ficamos hospedados na Pousada Aconchego, muito mais por sua localização estratégica que por outro motivo, pois além de ter estacionamento privativo, ficava dentro do Centro Histórico, justo no limite em que carros ainda podiam circular. Chegamos na sexta-feira à tarde, mas como estava chovendo sem parar, o que nos deixou bastante apreensivos, resolvemos ficar no hotel mesmo. Ele não possui restaurante (a cozinha só funciona para o café da manhã), mas há um restaurante “colado”, parede com parede, com acesso pelo pátio de estacionamento do hotel, super providencial rsrsrs. Jantamos ali mesmo, um vinho, linguiças artesanais, sopinha leve de baroa…

Sábado amanheceu um belo dia, para surpresa de todos. Tomamos um café reforçado e lá fomos nós, para a parte mais difícil: enfrentar as pedras das ruas do centro histórico, com nossas mães. Meu marido de mãos dadas com minha sogra, e eu com a minha mãe, a tiracolo. De pouquinho em pouquinho fomos descortinando a cidade, que ainda estava com suas ruas vazias e com a maior parte das lojas e restaurantes fechados. Era cedo ainda.

Passamos na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, na Casa da Cultura (que estava fechada). Entramos numa lojinha de artesanato, compramos bijuterias indígenas. Continuamos nossa peregrinação pelas lindas ruas da cidade, com suas casas coloniais bem preservadas, com janelas e portas coloridas. Cruzamos a cidade e fomos até o Largo Santa Rita, onde está a Igreja de Santa Rita de Cássia, que aparece em todas as fotos de Paraty que são tiradas a partir do mar. Igrejinha linda que abriga o Museu de Arte Sacra.

Igreja de Santa Rita de Cássia

Depois demos uma passada na Rua do Comércio, compramos cachaça (Paratiana – Gabriela, Cravo e Canela) e molhos de pimenta, não tinha como não comprar! Passamos no Largo do Rosário e por fim, para abrilhantar ainda mais nosso dia de sol inesperado, fizemos reserva no “Banana da Terra” e lá fomos, finalmente.

Falei “finalmente” porque há anos sonhava conhecer esse restaurante. Conheci a Chef Ana Bueno há muito tempo atrás, durante um festival gastronômico de Recife, no antigo e maravilhoso restaurante Chez George (que na verdade ficava em Olinda). Na época ela me marcou bastante, achei-a simpática e muito talentosa! A Chef apresenta uma cozinha com raízes “caiçaras”, ou seja, oriundas de toda aquela região próxima a Paraty, da serra ao mar.

De cara, pedi uma caipirinha feita com limão e capim-santo (ou capim-limão). Estava ótima!

Pedimos também o couvert, que estava uma delícia, com seus pãezinhos saídos do forno na hora. E ainda: caldinho de batata baroa com queijo gorgonzola, um bolinho frito de camarão e um peixe marinado empanado com coco.

Por sugestão da garçonete que nos atendeu, escolhi um “Polvo com páprica, tomate seco da casa, cebola pérola, pesto de azeitonas pretas, sobre purê de batata doce, com pedaços de alho assado“. Estava excelente! Polvo macio. O pesto em contraste com o purê adocicado, o alho assado… tudo em perfeita harmonia.

Meu marido pediu um camarão que fiquei encantada e me deu vontade de tentar fazer igual em casa: “Camarões levementes picantes com curry vermelho, flambados na Cachaça Labareda, com arroz negro e salada de manga“. Espetáculo. Além de saboroso, parecia uma obra de arte.

Minha mãe e minha sogra apostaram no “Camarão ao creme fresco e vinho do Porto com arroz de castanha de caju“, também muito bom, porém de sabor mais suave.

O restaurante é um belo casarão, há um jardim interno, bonita decoração. Achei ruim o fato do banheiro ser no primeiro andar, e só vi acesso por uma escadaria. Não sei se há elevador, não perguntei, mas não vi. Como eu estava com duas pessoas idosas, agradeci a Deus elas não terem precisado ir ao banheiro…

Ah! A sobremesa ficou na conta da sorveteria do outro lado da rua! 😀

Saímos felizes e satisfeitos, mas à noite, eu e Cláudio fomos matar as saudades de uma verdadeira “galette” francesa (crepe de trigo sarraceno), no “Oui Paraty“, que recomendo muuuuito!! O Chef (Patrick Louis) é um amor e a galette, bem como as crepes, estavam muito boas. Pedimos a “Galette Délice“, com presunto de parma e queijo brie. Tomamos um vinho tinto “Côtes-du-Rhône“, combinou perfeitamente. Ao final ainda degustamos uma crepe de banana com nutella. Recomendo este pequeno recanto francês em Paraty, na Rua Santa Rita, 190.

“A cozinha é a base da verdadeira felicidade” (Auguste Escoffier) – “Um bom prato, uma boa galette, um crepe legal, uma taça de vinho, a felicidade está no Oui Paraty” (Patrick Louis)

 

 

 

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Chapada dos Veadeiros (GO) e a “matula”

Jardim de Maytreia – Cartão postal da Chapada dos Veadeiros

Conhecem a Chapada dos Veadeiros?!!! Fiquei absolutamente apaixonada. Um paraíso para os amantes da natureza. Mas principalmente para aqueles que têm muita disposição e preparo físico, pois normalmente você precisa acordar cedo e saber que os acessos às melhores atrações não são fáceis e vão requerer uma certa resistência física. Ou seja, é a minha cara, hahaha. Nada como caminhar o dia inteiro com apenas água na mochila e alguns lanchinhos leves, ir à exaustão subindo, descendo trilhas, pedras, riachos e tomando banho de cachoeira, depois ficar louca de sede e fome e tomar uma cerveja estupidamente gelada e devorar um prato de comida como faria um tropeiro do século XVII depois de horas de viagem em cima de uma mula. Aaaaaaahhh, gente, a sensação é indescritível… alguém se identifica?!! 😀

Uma das Cachoeiras de “Loquinhas” – Alto Paraíso de Goiás

Havíamos pensado em ir à Chapada dos Veadeiros há muitas anos atrás, mas era aquela coisa de ficar adiando, adiando, adiando. Terminamos nos decidindo agora no último feriadão da semana santa.

Antes de viajarmos, lemos muitos blogs e guias de turismo para melhor escolhermos as nossas aventuras. Todas foram maravilhosas, umas mais marcantes que outras, mas tudo foi verdadeiramente surpreendente. Primeiro decidimos qual a Pousada que ficaríamos, e não nos arrependemos de jeito nenhum. Pousada Por do Sol, localizada na Vila de São Jorge, que fica na porta de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, foi bem estratégica e confortável pra gente. A maioria das pessoas opta por se hospedar em Alto Paraíso de Goiás, que é maior e tem mais infraestrutura. Eu preferi a vila mais rústica e calma de São Jorge.

Vale da Lua – atração imperdível próxima a São Jorge

Apenas para vocês terem uma ideia, pois não quero me estender em detalhes da nossa programação, tivemos 5 dias livres e mais a metade do 6º dia, que correspondeu ao período do domingo até a sexta-feira santa, quando então pegaríamos a estrada de volta pra Brasília e depois avião de volta para o Rio. Abaixo, nosso roteiro básico:

1º dia – Trilha dos Saltos do Rio Preto – dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – 11km ida e volta, com duas cachoeiras belíssimas (120m e 80m) e uma corredeira.

2º dia – Trilha do Mirante da Janela – por fora do Parque, mas com visual das Cachoeiras do Rio Preto – (8km ida e volta, com Cachoeira do Abismo e Mirante da Janela, que oferece vista espetacular das Cachoeiras do Rio Preto).

3º dia – Cachoeira Loquinhas (uma sequência lindíssima de poços e cachoeiras cristalinas, de fácil acesso) e Fazenda São Bento (trilha não muito longa para as Cachoeiras Almécegas I, Almécegas II e São Bento)

Acima – Loquinhas; abaixo: Almécegas I e Almécegas II

4º dia – Cachoeira Santa Bárbara (considerada a cachoeira mais bonita da região (e realmente é imperdível), requer longa viagem à Cavalcante e depois 27 km de estrada de terra, horrível por sinal) e Cachoeira da Capivara.

As duas primeiras fotos – Cachoeira Santa Bárbara; e a última – Capivara

Cachoeira Santa Bárbara e suas águas convidativas

5º dia – Vale da Lua (um lugar exótico, encantador, com banho ótimo e de fácil acesso) Fazenda Raizama (dois lugares pra banho, com cachoeira, muito tranquilos) e Águas Termais do Morro Vermelho (perfeito para descansar no final do dia, em água quentinha de 28 graus).

As duas primeiras fotos – Vale da Lua; e a última – Raizama

Fazenda Morada do Sol (nosso último passeio, com direito a cânion, cachoeira e um ótimo poço para banho).

Mas eu comecei todo esse post aqui porque queria falar da “matula“. O dicionário Aurélio on line traz o significado de “alforje pra viagem; farnel”. A “matula” nasceu com os tropeiros, que adentravam terras brasileiras, lá nos idos dos séculos XVII e XVIII levando suas mulas guarnecidas de alimentos para comercializar, nas regiões do Sul e Sudeste. Ela era a alimentação principal do tropeiro, que consistia normalmente em feijão ou tutu de feijão, temperado com açafrão, e mais: arroz, abóbora, linguiça, “carne de lata” ou carne de sol, aipim (macaxeira), farinha de mandioca…

Eu havia lido num blog que quem fosse ao interior de Goiás, precisava conhecer a “matula” que até hoje é preparada em vários lugares (lares e restaurantes), preservando a história da gastronomia daquela região. Na Chapada dos Veadeiros, depois de algumas pesquisas, descobri que a matula mais famosa é do Rancho do Waldomiro. Encaixei no meu roteiro, claro. No dia em que fomos à Cachoeira Loquinhas e Fazenda São Bento, aproveitamos para visitar o Rancho, pois fica perto de lá, já no caminho para São Jorge. Chegamos ao restaurante no final da tarde e tudo que eu mais desejava era “um prato de comida” (meu chefe usa essas palavras quando a fome aperta muito e o atendente do delivery pergunta ao telefone: – o que o senhor vai querer hoje?! rsrs).

O Rancho do Waldomiro não fica longe da Fazenda São Bento. São 9,5 km sentido Vila de São Jorge. É uma espécie de  cabana, com teto de palha, com camping ao lado. Estava vazio quando chegamos, até pensei que estava fechado. Uma moça muuuito simpática nos recebeu, ofereceu uma cachaça local, rsrs. Depois vi que é especialidade deles lá, muitos sabores diferentes. Uma pena que eu e Cláudio não sejamos adeptos de uma cachacinha…

Pedimos a matula sem nem olhar o cardápio. A mocinha só nos explicou que poderia ser servida num “prato feito”, ou em porções, com cada ingrediente separadinho. Pedimos 2 pratos feitos. Afinal, tropeiro não comia tudo arrumadinho em porções, comia tudo junto num prato só, nééé?!!

Não sei se foi a fome que estávamos, mas o prato estava delicioso!! O tutu com açafrão era tudo de bom. A “carne de lata” estava divina. Fiquei perguntando como faziam aquilo. Ela me falou que era uma forma antiga de preservar a carne: primeiro ela é cozida, depois frita e acondicionada em latas, em sua própria gordura, para conservação. Uma iguaria. Pode até engordar, mas que é boa é viu… Vieram ainda no prato: macaxeira frita, abóbora, farofa com carne seca (paçoca), arroz, tomate…

“Matula” – prato típico dos antigos tropeiros

Depois ela me ofereceu um docinho caseiro de abacaxi em calda, delicioso. Disse que “não custava nada não”. Fofa ela… Mas fiz questão de pagar 5 reais pelo doce.

Abaixo, algumas flores que encontrei ao longo das trilhas. São muito variadas e exóticas. E no próximo post, tem mais sobre a Chapada dos Veadeiros!

Flores do Cerrado – Chapada dos Veadeiros

 

 

 

 

Viagem ao Canadá – Banff – 2º dia

Pense num dia fantástico!! Perfeito!! O melhor de Banff está aqui. Atenção vocês que ainda vão conhecê-la: as dicas que darei neste post são obrigatóóóóórias para quem visita a cidade, ok?!! Vamos lá…

Marido saiu pra correr sozinho de manhã cedo (para quem não estava acompanhando minha viagem desde o início, informo que não fui com ele por causa de uma tendinite braba!!! não foi preguiça não, juro…). Voltou esbaforido, contando que havia sido “atacado” por um “elk” (espécie de veado típico do Canadá, bem grandinho por sinal). Custei a acreditar, hahaha. Mas ele estava tão ofegante e contando com tantos detalhes que terminei por me considerar uma mulher de sorte por não ter perdido o marido “morto pisoteado por um veado em Banff, ao fazer o cooper matinal…”. Brincadeiras à parte, tive mesmo medo disto, imaginem?! O que vocês fariam numa situação dessas?! Quero nem pensar…

“Elk” que flagramos na beira da estrada, próximo a Banff

Depois do café da manhã no hotel, fomos de carro até o ponto onde você toma a Gondola para subir a Sulphur Mountain, com 2.451m de altura, de onde se avista a cidade de Banff e todas as montanhas em volta. É simplesmente estonteante!!! Ao chegar lá, vc compra o bilhete para a gondola ($65=R$166,00, por pessoa), que lhe dá direito a subir, permanecer um tempinho lá, tipo 1 hora ou 1:30h, e depois descer. Vale cada centavo!! Uau, sem palavras. E o dia estava magnífico. As fotos abaixo falam por si sós.

Esta é a estação das gondolas, no alto da Sulphur Mountain

Este paraíso a perder de vista está dentro do que eles chamam de Banff National Park, que foi criado em 1885, sendo o mais antigo do Canadá e abrange mais de 6 mil m². É um terreno muito montanhoso, repleto de rios, lagos, florestas, cachoeiras, picos nevados e muitas trilhas a serem exploradas pelos visitantes. O Parque é considerado Patrimônio Mundial da Unesco. E faz parte das Montanhas Rochosas Canadenses.

Descemos então a Sulphur Mountain e seguimos de carro até a “Bow Falls”, uma grande corredeira do Bow River, aos pés da montanha onde estávamos, e bem pertinho do local onde meu marido havia sido “atacado” pelo elk, rsrsrs. Daí pude ouvir uma nova versão, dessa vez dentro do cenário real e com uma interpretação ainda mais convincente e assustadora, hahaha. As corredeiras terminaram ficando em segundo plano com a emoção da história toda, mas é um local muito bonito e agradável!! Vale a visita. Tem estacionamento no local.

Depois disso estávamos famintos. Ali perto eu havia visto um grande restaurante chinês. Gosto de restaurantes chineses fora do Brasil, pois a comida é bem mais autêntica, normalmente os proprietários são chineses “de verdade”, hehehehe. O nome dele era “Silver Dragon – Superb Chinese Cuisine” (ô povo pra gostar de dragão né?!…).

Pra beber, pedi uma cerveja típica, sabor framboesa, bem diferente! Para comer, fui de sopa de Wonton (eu tomava quando criança num restaurante em Recife, adorava). Trata-se de uma massa muito muito fina, recheada de carne, que pode ser feita frita, no vapor ou cozida em caldos de carne ou legumes. A sopa estava muito boa. Depois pedi uma carne com brócolis e arroz branco. Cláudio preferiu rolinho primavera e depois camarão empanado com arroz e brócolis de prato principal. A nota final que demos à comida: 7,0. Mas justiça seja feita, ela poderia não ser tão maravilhosa, mas o atendimento foi excelente e o ambiente era muito bonito. Além do mais, foi barato, pois com gorjeta e tudo pagamos $42,60 (R$ 108,00).

Ao sairmos do restaurante, fomos direto ao Lago Minnewanka, nas proximidades de Banff (uns 10 km). Nossa…. adoramos… muito bonito!!! Cheio de locais deliciosos para piquenique. Ficamos um bom tempo lá, dando uma explorada. Deixei meu pé na água gelada por uns minutos, pra ver se aliviava a dor… rsrsrs.

Num dado momento surgiram uns carneiros selvagens, que eles chamam de “bighorn sheeps“, próximos ao lago. Ficamos observando-os. Depois eles começaram a se movimentar, na cara-de-pau mesmo, perto de onde estávamos, andavam todos juntos, foram pela beira do lago e terminaram invadindo a estrada, onde passavam os carros. Todos paravam para tirar foto, inclusive nós, obviamente. Muito lindos! Muito legal ver animais assim soltos, selvagens.

Passamos depois num outro lago bem próximo, o “Two Jack“, bonito também, mas o Minnewanka dá de 10 a 0.Tiramos umas fotos do mirante, não descemos até o lago. Havia um “bighorn sheep” na floresta próxima, do outro lado da estrada, o maior e mais imponente que vimos na viagem.

Voltamos para a cidade, compramos um rosé e fomos para nossa varanda ver o dia “morrer” aos poucos, lindo, inesquecível…

 

Viagem ao Canadá – Banff – 1º dia

 

Banff Ave

Um dos nossos maiores sonhos era conhecer as Montanhas Rochosas. Mas não pensamos que iríamos nos surpreender tanto!! Foi muito mais e melhor do que imaginamos. Deixamos Calgary às 9:30h depois de um reforçado café da manhã no hotel. Chegamos em Banff rapidinho, em 1h30m. Passamos no Centro de Informações Turísticas e pegamos toda sorte de mapas. Comprei um enorme, de toda a região das Rochosas. Se tem uma coisa que eu adoro é mapa.

Chegamos no hotel (A Good Nite’s Rest Bad & Breakfast) ansiosos para largarmos as malas, mas para nossa decepção, uma senhorinha chinesa que nos atendeu disse (num sofrível inglês) que o quarto não estava pronto… Deixamos o carro estacionado com as malas e fomos dar uma volta pela avenida principal.  O hotel era super bem localizado, dava pra andar a cidade toda a pé. Na Banff Ave muitas lojas (caras, rsrs) e restaurantes (caros também!), mas as belas vistas do Mont Girouard nos rendeu dúzias de fotos!!

Foto tirada da ponte que cruza o rio Bow, na Banff Ave

Entramos em algumas lojinhas, compramos um ímã para nossa coleção e quando bateu a fome escolhemos, dentre as opções mais acessíveis, um restaurante grego, com decoração bem simpática, chamado Balkan – The Greek Restaurant. Comi pão pita (aquele pão árabe, ou sírio, redondo, lembram?) com carneiro e salada, estava bom. Claudio preferiu um “gyros” de porco (aquele famoso e imenso espeto de carne que fica assando durante horas, que tem em todo restaurante grego que se preze) com fritas, mas disse que os que ele comia na Alemanha (há séculos atrás, diga-se de passagem, rsrs) eram muito melhores. Com cerveja e refri, conta total ficou em $53,50 (uns R$ 140,00).

Saímos de lá e voltamos até a ponte que cruzava o Bow River, lugar muito bonito, estávamos começando a nos apaixonar… Tiramos diversas fotos.

Voltamos para o hotel e ficamos impressionados com o nosso quarto. Era enooooorme!! Com duas camas de casal, muito espaçoso (frigobar, microondas, cafeteira, ar condicionado), banheiro imenso, varanda imensa. Era o melhor quarto de hotel até o momento, sem dúvida. Mas não perdemos muito tempo, tínhamos uma programação a cumprir!

Pegamos o carro e fomos até a entrada da “Tunnel Mountain Trail“, uma trilha que fica no centro mesmo de Banff, tem pouco mais de 2km de extensão e sobe até 1.690m de altitude (Banff está a 1.383m). A subida oferece vistas espetaculares. Recomendo muito!! Ficamos encantados. Dá pra ver toda a cidade, o vale em volta e as montanhas no entorno. Tivemos sorte com o tempo que estava ideal para uma trilha (sem calor, sem chuva).

Nosso primeiro dia nas Rochosas foi assim, inesquecível. Voltamos felizes para o hotel, depois de passarmos no supermercado. Fomos dormir cedo para aproveitarmos melhor o dia seguinte. Que foi ainda mais incrível..

Viagem ao Canadá – Calgary

Chegamos em Calgary (maior cidade da província de Alberta) um pouco antes das 11h, do dia 04 de junho. Fazia calor. No aeroporto mesmo, pegamos o carro previamente alugado na Hertz e fomos direto para nosso hotel, o Best Western Plus Suites Downtown, a algumas quadras do centro da cidade. Por dentro, quarto espaçoso, com mini cozinha, banheiro grande e completo, gostei bastante. Está bem localizado, para quem não está com tendinite no pé… mas para mim, naquele dia tudo parecia distaaaaaaante demais, rsrsrs.

Vista da janela de nosso hotel

Nós decidimos dormir uma noite em Calgary apenas para descansar de viagem (são umas 4 ou 5 horas de voo de Montreal até lá), pois seguiríamos depois para Banff, nas Montanhas Rochosas, que fica a 125km de carro. Tudo isso no mesmo dia, ficaria meio pesado. A cidade de Calgary foi fundada em 1875 e é um importante centro financeiro e comercial. Ela tem uma excelente infra-estrutura e tem as ruas organizadas como em Nova York, por números, como as 7th e 8th Ave.

Cruzamento entre a 5ª Ave e 2ª St em Calgary

Quando chegamos no hotel, estávamos famintos (pra variar, rsrsrs), pois para nós, que vínhamos de Montreal, com duas horas a mais de diferença, já passava das 14h. Nem precisamos andar muito, pois encontramos um restaurante vietnamita logo na segunda esquina (o Balô). Resolvemos matar a saudade!! Caso não saibam, fizemos uma incrível viagem à Tailândia, Camboja e Vietnã, que está toda aqui no blog, vocês podem explorar depois através do menu “Viagem e Gastronomia / Asia“.

O Balô visto por dentro

Pedi um “Stir frie tiger prawn” (camarões gigantes fritos) e Claudinho preferiu um “Pad Thai“, o prato mais emblemático da Tailândia: uma espécie de “macarronada” com legumes, ovos, camarões (ou outra carne qualquer) e um molho apimentado. Não sei se foi a fome mas meu prato estava ótimo! Bem servido e camarões de primeira!

Então saímos caminhando até o Central Memorial Park, na 4th Street, pois próximo a ele estava acontecendo uma feira gastronômica, mas estava lotada demais. Música ao vivo, muita gente jovem, calor. Fugimos, hehehe. Queríamos algo mais tranquilo. Seguimos pela Stephen Ave Walk, uma rua de pedestres, com lojinhas e restaurantes, mas nada que se comparasse à Rue Sainte-Catherine, em Montreal.

Stephen Ave Walk

Então resolvemos andar mais um pouco até o Eau Claire Market, que segundo o guia da Folha, é um “mercado gourmet”, mas também não achei nada muito especial, comparado aos mercados gourmets que já conheci pela Europa ou mesmo na Califórnia. Tinha uma casa especializada em vinagres, o que achei até interessante, e só. Perto dali, há o Prince’s Island Park, uma ilha no meio do Bow River. Muitas famílias se divertiam, crianças pintavam o chão com giz colorido, cachorros e patos, muitos patos.

Prince’s Ilsand Park

Depois de um tempo, voltamos para o hotel, minha tendinite não dava trégua. Só passamos antes no mercado para comprar nosso “jantar”, um vinho, e alguns apetrechos para nossas aventuras que iriam começar em breve, em Banff, nosso próximo destino!

 

 

Viagem ao Canadá – Montreal – 3º dia

Peço desculpas a quem está me seguindo por aqui! Estive bastante atarefada neste final de ano, dedicada a uma ação solidária à qual me dedico todos os anos, em Recife. Além disso, desde que voltei para o Rio no reveillon, o trabalho ficou muito intenso no Tribunal. Com chefe de férias, sabe como é… Mas hoje decidi voltar ao blog, deu saudade! Pretendo terminar a minha viagem ao Canadá, porque o melhor ainda está por vir!! Vamos ao 3º e último dia em Montreal…

Oratório Saint-Joseph

Este foi um dia cheio de “altos e baixos”, literalmente, rsrsrs. Depois do maravilhoso café do Dominic em nosso Aubergell, tomamos o metrô, depois o ônibus, até o Oratório Saint-Joseph (L’Oratoire Saint-Joseph du Mont Royal), que fica um pouco distante do centro da cidade, mas vale a pena uma visita. Até porque é a maior igreja de todo o país. Começou como uma capela, lá nos idos de 1904, e hoje é uma Basílica, com um domo impressionante. O Irmão André, fundador da capela inicial, foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 1982, pelos milagres de cura que ele realizou. São muitos os peregrinos que visitam a igreja, e cumprem promessas, e sobem intermináveis escadas de joelhos…

Oratório Saint-Joseph

Voltamos para o centro da cidade e procuramos um restaurante francês considerado um dos melhores de Montreal (Restaurant Europea), infelizmente, ele só abriria à noite. Nas redondezas, encontramos um argentino autêntico: “l’Atelier d’Argentine“. Gostei do cardápio executivo, que estava saindo a 16$ (uns 40 reais). Entramos, restaurante vazio, acho que era meio cedo. Com um conceito moderno e interessante, decidimos ficar.

L’Atelier d’Argentine

De entrada tomamos uma “gazpacho“, sopa fria de tomates grelhados, temperada com bastante alho e pimenta. Servida com uma torrada. Achei deliciosa, exótica. Sei que é uma sopa muito popular na Espanha.

De principal, pedimos um hambúrguer de cordeiro, com queijo de cabra, tomate, rúcula. Batatas fritas de acompanhamento. Bem gostoso. Precisávamos mesmo de algo bem energético, pois depois do almoço começaria nosso calvário, haha.

A nossa subida pareceu interminável até o “Chalet du Mont Royal“, construído em 1932. Foram “apenas” 260 degraus… só de lembrar me canso! E eu estava com uma tendinite no pé! Mas é o mirante mais famoso de Montreal, simplesmente imperdível. Lá de cima temos uma visão praticamente completa da cidade. Ele fica dentro de um Parque (Parc du Mont Royal) inaugurado em 1876. O paisagista foi o mesmo do Central Park, em New York.

Depois que descemos do mirante, meu pé estava incomodando muuuuito. De tal forma que nem pudemos continuar nossa peregrinação pela cidade. Passamos apenas num mercado para comprarmos vinho, pães e queijos e lá fomos nós para nossa varandinha na pousada. O Mario até me trouxe uma compressa quente (elétrica) para pôr no meu pé. E depois nos deu um pouco do “ragu” que o Dominic havia feito naquele dia para o almoço. Demais!

Dia seguinte saímos muito cedo para o aeroporto. Iria começar a parte mais emocionante de nossa viagem e que eu estou empolgadíssima para começar a contar aqui… Não percam os próximos capítulos!!

 

Viagem ao Canadá – Montreal – 1º e 2º dias

Christ Church Cathedral – Centro de Montreal

Na sequência, deixamos Quebec, passamos pela bela Cachoeira de Montmorency e fomos para Montreal, onde entregamos o carro que havíamos alugado em Toronto. Ficamos 3 dias lá e foi o suficiente para conhecermos o que há de melhor e mais interessante na cidade. E digo pra vocês, sem dúvida alguma, o que mais me marcou em Montreal foram nossos queridos anfitriões Mario e Dominic, donos da pousada “Aubergell“, do tipo Bed & Breakfast. Em seu site, o albergue é assim apresentado: “Affordable and cozy, Aubergell Bed & Breakfast, formerly known as Auberge l’un et l’autre, is a renowned part of the heritage of the gay village of Montreal since 1990”. Nosso quarto era bem pequeno, até porque escolhemos pela internet o quarto mais em conta, porém muito bem equipado e de muuuito bom gosto. O Mario cuidava de cada detalhe. Até da trilha sonora!! 😉

Nossos anfitriões: Mario e Dominic

Nosso hotel (Aubergell) em Montreal era encantador

E o Dominic era um espetáculo na cozinha! Aaaahhh não esqueço nunca mais!! Primeiro café da manhã, servido na sala do apartamento onde eles moram (no andar abaixo do nosso quarto) foi um espetáculo e eu não me perdoei por não ter levado a minha câmera: taça de iogurte com frutas vermelhas, suco de laranja, muffins, chocolate quente e um sanduíche feito na hora, com presunto, ovos, salada. Demais! Fora que o apartamento deles é super bem decorado e a gente se sente em casa. No segundo dia, levei câmera para o café da manhã, claro, e avisei pra eles que iria colocar no meu blog, rsrsrs. Dominic nos serviu uma torrada especial e caseira, com iogurte e frutas vermelhas, chocolate quente, e um lindo prato de omelete com cogumelos frescos. E o prato era de se comer com os olhos!!!

Café da manhã delicioso do Aubergell

Mas vamos à Montreal, hehehe. Fizemos uma primeira caminhada pela Rue Sainte-Catherine, que corta toda a cidade, de leste a oeste, mas nesse primeiro momento não fomos muito além das proximidades de nosso hotel, queríamos fazer um reconhecimento, ver onde estavam os supermercados, restaurantes, etc. Ficou óbvio que estávamos realmente em área voltada ao público gay, pela decoração da rua e os diversos tipos de publicidade. Fizemos um tour, curtimos o “ar festivo”, descontraído e cheio de restaurantes e bares. Como já era final do dia, terminamos tomando um chopp e comendo uma pizza na “Piazzeta“, indicado inclusive pelos nossos anfitriões. Pizza bem fininha, com queijo blue, pinoles, linguiça e cebola caramelizada….

As diversas cores da Rue Sainte-Catherine, Montreal

Dia seguinte fomos conhecer a imperdível, realmente imperdível, Basilique de Notre-Dame, do séc. XVII, na “Vieux-Montreal”, parte mais antiga da cidade. Absolutamente linda. Por fora ninguém diz nada, mas por dentro… 😯 É mágica. Seu altar principal é belíssimo. O órgão, no alto, com o azul das paredes e do teto por trás, era maravilhoso. Recomendo demais.

Basilique de Notre-Dame

Caminhamos até Chinatown, bairro chinês. Costumo sempre dar uma xeretada nesses lugares, sempre vemos coisas incríveis. Entro naquelas lojas de bugigangas e sabe como é… tem sempre algo criativo pra levar pra casa. Mas o que nos chamou mais atenção foi uma “vitrine” de um restaurante, onde um chinês preparava na hora uns macarrões, em segundos, só usando as mãos, esticando, dobrando, esticando, dobrando, e depois cortando e tchum! dentro da panela fervente. Impressionante. Parecia desses ilusionistas que vemos na tv hehehe. Depois de muito andar pra lá e pra cá, escolhemos um restaurante que servisse pato laqueado (Restaurant Ethan), mas devido ao preço alto do prato, optamos por um mais simples, o “canard rôti” (pato assado) e uma entrada de rolinhos fritos de legumes. Nada excepcional.

Portal de entrada do bairro chinês e Restaurante Ethan

Por fim fomos conhecer a cidade subterrânea de Montreal, que eles chamam de “Réso” ou “La Ville Souterraine”, um verdadeiro labirinto de corredores, com muitas lojas e praças de alimentação. São mais de 30km de túneis, mais de 1.200 lojas e mais de 200 restaurantes, conectados também a outros prédios, como bancos, universidades, escritórios, etc. Uma cidade embaixo da outra. No inverno, mais de 500 mil pessoas circulam por lá diariamente. Incrível não é?!!

De volta pra casa, paradinha para comer um crepe “fantastique” de banana com Nutella. Fiquei assistindo o cara fazer, babando…. muito bom!

Depois foi só passar no supermercado e comprar nosso jantar: pão, queijo, salame, vinho, coca cola. Corremos pra varandinha de nossa pousada, ao lado de nosso quarto, reservada só pra gente, friozinho de 12°, não queríamos mais nada…

Nossa varandinha “particular” no Aubergell

Próximo post, 3º e último dia em Montreal! E depois, você vai se encantar com a impressionante região das Montanhas Rochosas!

Ah, e quem ainda não leu as minhas dicas do Canadá, explorem os posts anteriores nos links abaixo: