Região do Beaujolais – França

Região próxima a Oingt

No nosso primeiro final de semana em Lyon, decidimos alugar um carro e explorar a região vinícola da Borgonha, mais especificamente na área mais ao sul, onde são produzidos os famosos vinhos Beaujolais (feitos com a uva Gamay). O plano era subir o Rio Saône até próximo à Mâcon, onde pernoitaríamos em um mini “château”, comandado por um casal, onde ela é a Chef de cozinha e ele faz o papel de anfitrião e cuida da propriedade. Foi um final de semana realmente memorável, que conto agora.

No sábado logo cedo, alugamos um carro na Sixt, dentro da Gare Part-Dieu (a estação de trem de Lyon). Pegamos inicialmente uma estrada principal, mas assim que nos aproximamos das vinícolas, escolhemos as estradas secundárias, beeeeem secundárias mesmo, rsrs, a ponto de quase nos perdermos algumas vezes. Primeira parada foi na cidade graciosíssima de Oingt (difícil foi saber como pronunciar esse nome, pois nem mesmo os franceses se entenderam, hahaha). Vilinha medieval e extremamente bem conservada. Está entre as mais belas aldeias da França. Se situa no alto de uma colina, numa região rodeada de montanhas e plantações de uva. Super fotogênica.

Oingt – a vila estava deserta

Oingt de vários ângulos

Parreiras aos pés de Oingt

Depois seguimos até Villefranche-sur-Saône, muito maior que a primeira, porém menos graciosa. Andamos toda a rua principal, abarrotada de lojas, bares e restaurantes. Quando bateu a fome, elegemos a Brasserie La Chapelle, que achei simpática. O prédio era bonitinho, o ambiente aconchegante. A comida foi bem honesta, a garçonete um amor (eficiente e simpática). Escolhemos o “menu du jour”: bife (contra-filé, tava macio) com fritas e salada e sobremesa a sua escolha. A minha foi uma espécie de “pavê” de morangos, em taça, com biscoito, creme e chantilly. Chamava-se “Frisier”. Cláudio preferiu o clássico “crème brulée”. Ambas estavam ótimas. Tomei chopp Leff (ótimo!) e vinho Beaujolais Village. Conta honesta de 42 euros.

Villefranche-sur-Saône

Brasserie la Chapelle

A partir daí passamos em várias pequenas vilas de produção de vinhos, tais como: Vaux-en-Beaujolais, Beaujeau, Lantignié, Morgon e Villié-Morgon, Chiroubles, Fleurie. Nestas duas últimas, paramos para degustar vinhos. Em Chiroubles não curtimos muito, experimentamos um espumante e dois tintos diferentes. Seguimos então até Fleurie. Fizemos uma degustação maravilhosa com 7 vinhos diferentes! Inicialmente subimos uma montanha até uma pequena igreja de onde se tinha uma linda vista da pequena vila. Na descida, entramos na vinícola chamada Domaine de La Madone, e um rapaz muito simpático nos convenceu a degustar todos esses vinhos. Terminamos comprando uma garrafa do vinho que achamos mais saboroso, por 12 euros.

Fleurie

Passamos depois pelo Château de Corcelles, mas só tiramos fotos do lado de fora, muito bonito, rodeado de parreirais. Pelo que pudemos ver, ele realiza eventos no local, tipo casamentos e festas.

Château de Corcelles

Por fim chegamos em nossa pousada, “Les Clos de Flacé“. Muito queridos os proprietários. Ficaram felizes de saber que éramos brasileiros. Eles já tinham vindo ao Brasil e haviam adorado. O quarto que nos deram era ótimo, com duas camas de casal e um banheiro com varanda (uma novidade pra mim, rsrsrs). Tudo arrumadinho e de bom gosto. Pegamos com eles uma dica de supermercado próximo (um Carrefour fantástico) e trouxemos para o hotel o nosso “jantar”, pois não havíamos avisado antes e o hotel já estava com um jantar reservado para outros hóspedes que estavam lá aquela noite. Fizemos nossa refeição no jardim da pousada, com um gatinho de olhar pidão nos fazendo companhia. Consistiu em baguete, queijo local Saint Marcellin (muito bom!!) e “bloc de foie gras”. Para nós, tudo divino. Tomamos o vinho que havíamos comprado na vinícola de Fleurie.

Les Clos de Flacé – estada deliciosa

Dia seguinte (domingo) seguimos cedo primeiramente para conhecer as ruínas de uma antiga abadia: Abbaye de Cluny. Sugestão do nosso casal anfitrião. Valeu a pena, mas o que resta da Abadia é muito pouco, ficamos um pouquinho frustrados. Ela foi praticamente toda destruída. Ainda demos uma pequena caminhada pelo centrinho da cidade e até comprei uma faca do tipo canivete da Opinel, uma marca tradicional de cutelaria francesa. Ela foi super útil pra mim em Lyon, pois as facas que tinham em nosso apartamento não eram lá muito católicas…

Abbaye de Cluny

Centrinho de Cluny

Seguimos então para Bourg-en-Bresse, que eu queria de todo jeito almoçar, por causa da sua tão falada “Poulet de Bresse“, uma galinha especialíssima, com selo AOC (Appellation d’Origine Contrôlée), do tipo caipira (ou capoeira), ou seja, criada solta, livre de hormônios e etc. Pelas informações que li, elas só comem minhoca e … leite!!!! 😀 😀 😀

Difícil foi conseguir uma vaga em algum restaurante, pois estavam todos lotados. Depois descobrimos que eles estavam comemorando o dia das mães naquele domingo (era o último do mês de maio). Felizmente encontramos uma mesa no Restaurante L’Abbaye, em frente a uma linda Abadia, ou Monastério. Sentamos na área externa do restaurante, um grande jardim super arborizado. Ficamos embaixo das copas das árvores, que estavam verdíssimas. Deu um clima legal. Pedimos então o afamado “Poulet de Bresse” que acompanha batatas fritas e salada básica. Eu particularmente achei muuuito bom! A carne da galinha era super macia mesmo, eu diria cremosa, se desmanchava na boca. Nunca comi igual. Ela vem até com um selo em metal, pra que o cliente tenha certeza de que é verdadeira. Existe um controle muito grande dos produtores que são autorizados a produzi-las e comercializá-las. Eles têm que seguir regras rígidas. O mesmo que acontece com os vinhos DOC (Denominação de Origem Controlada) em Portugal.

Monastério em Bourg-en-Bresse e a Poulet de Bresse

Por fim, fomos à Perouges. Uma pérola medieval que fica a apenas 40km de Lyon. O único porém é justamente o fato dela ser muito turística, visto sua proximidade com Lyon. Obviamente que é imperdível, como são tantas outras pequenas vilas altamente turísticas da Europa, a exemplo de Óbidos em Portugal, Bruges na Bélgica ou Siena na Itália. Todas são maravilhosas. Pérouges é bem pequena e preservada. Suas ruas são de pedra, carros não entram. Muito fotogênica. Existem lá famosas “galettes” que não são os crepes de trigo sarraceno, mas uma espécie de pizza. Tem doce e salgada. Pedi a “galette pralinée” pra experimentar, feita com um creme de amêndoas cor-de-rosa (depois vou falar em detalhes desse creme, que foi uma doce e incrível descoberta que fiz em Lyon, muito melhor que esta que comi aqui em Pérouges).

Pérouges – vila medieval a 40km de Lyon

Pracinha central em Pérouges

Voltamos para “nossa casa” exaustos, após largarmos o carro na Gare. Dia seguinte era dia de branco, tínhamos que dormir cedo. Dia de branco na França é très chic não?! hehehe. Em breve tem mais!!! Au revoir!!!

 

 

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Lyon – França – Parte 2

Cada dia em Lyon era uma nova descoberta. Íamos descortinando a cidade aos poucos, já que tínhamos 3 semanas inteiras para degustar. Cada dia uma rua diferente, um restaurante novo na hora do almoço, um mercado diferente para fazer compras. Assistíamos aula pela manhã e à tarde no Inflexyon, curso ao qual nos matriculamos e que oferecia um sistema de aulas de conversação bem interessante, permitindo uma intensa troca cultural. Em nossa turma, havia alunos oriundos dos quatro cantos do mundo (Finlândia, Taiwan, China, Japão, EUA, Colômbia, Omã, Brasil, entre outros). Era extremamente rico e divertido debater alguns assuntos polêmicos com todas aquelas pessoas!!!

Vista do rio Rhône do alto da Pont Morand, em Lyon

Ao final da aula, em nosso quarto dia na cidade, resolvemos dar uma esticada até o “Parc de La Tête d’Or” (Parque da Cabeça de Ouro), o maior parque urbano da França. Constitui uma área imensa (117 hectares) muito arborizada, com lagos cheios de patinhos, um zoo, estufas com plantas exóticas, velódromo, cafés, etc. Excelente para praticar esportes, com muitas alternativas de pistas, justamente o que queríamos para nossa corrida matinal 😀

Parc de la Tête d’Or – Lyon

Próximo ao nosso apartamento, na rua de trás (Rue du Sergent Blandan), havíamos descoberto por acaso um restaurante tailandês, o Bangkok Royal e fiquei com água na boca. Lembrei da minha viagem à Tailândia e os diversos pratos deliciosos que tive oportunidade de conhecer. Fiz vários posts aqui sobre essa viagem à Ásia, vocês podem dar uma explorada aqui.

Resolvemos jantar lá neste dia, ao sairmos do parque. Foi maravilhoso. Talvez a melhor comida que eu tenha comido em toda a minha estada em Lyon… por incrível que possa parecer. É até uma heresia. Mas enfim…

Cartão de visita do Restaurante Bangkok Royal

De entrada pedimos um camarão empanado, com massa super leve e crocante de arroz (Kung Tod). O molho que acompanhava era ótimo, com gengibre, visualmente parecido com um que aprendi a fazer em uma aula de gastronomia no Vietnã. Veja receita que postei aqui. Nosso prato principal foi um pato, cozido e grelhado, com molho apimentado (Ped Pad Nam) e folhas de manjericão. Muuuuito bom mesmo!! Pedimos uma taça de vinho tinto (servido em temperatura ambiente, achei que poderia estar mais resfriado). Pagamos felizes apenas 38 euros (mais ou menos R$ 183,00 hoje).

Restaurante Bangkok Royal em Lyon

No dia seguinte, depois das aulas, fomos visitar o “Les Halles de Lyon – Paul Bocuse“, do outro lado do Rio Rhône, mercado incrível de produtos frescos e artesanais da região. Há embutidos, pães, frutas e legumes, peixarias, açougues, temperos, vinhos, etc. É um mercado fino, fechado e climatizado. Há restaurantes e lanchonetes também. São ao todo 48 boxes. Qualquer pessoa que tenha interesse em gastronomia não deve deixar de visitá-lo. Lá você encontra tudo o que tem de melhor na região (pena que é tudo tão caro, rsrsrs).

Les Halles de Lyon – Paul Bocuse

Se quiserem uma dica de um bom restaurante em Lyon, já escrevi uma crítica aqui, vejam no link Brasserie Le Nord.

Em breve tem mais de Lyon!!

Lyon – França – Parte 1

Place des Terreaux – Lyon (Prédio da Prefeitura)

No ano passado, eu e meu marido decidimos que neste ano de 2018 faríamos um curso de conversação na França. Estávamos no nível B2.2 de francês da Aliança Francesa no segundo semestre de 2017, mas não chegamos a terminá-lo. Preferimos contratar uma professora particular e começamos a priorizar a parte mais difícil do aprendizado de uma nova língua: falar. Claro que já tínhamos uma boa noção. Os anos na Aliança nos deram uma base bem sólida. E a partir de então alimentamos essa ideia de escolher uma cidade na França para estudarmos. Excluímos Paris de cara, pois além de já conhecermos bastante, seria uma opção muito cara. Somado a isso, tenho grande atração por cidades do interior. Então comecei a considerar a cidade de Lyon.

Place Bellecour – No coração de Lyon

Terminamos decidindo mesmo estudar em Lyon, devido também à grande ligação dessa cidade com a gastronomia. Há grandes restaurantes, grandes Chefs, mas principalmente, ótimas escolas e cursos para quem quer aprender um pouco da culinária local e clássica. Eu poderia unir o útil ao agradável 😉 Vejam minha resenha sobre a Brasserie Le Nord, fundada pelo Chef Paul Bocuse, que tivemos o prazer de conhecer, em Lyon.

Chegamos à cidade num domingo ensolarado de maio, vindos de trem de Paris, e fomos direto para “nossa casa”, um apartamento que alugamos no Airbnb, na Rue de la Martinière, centro da cidade. Muito legal por sinal. Super bem localizado, a 600m de nosso curso, com mercados próximos, além de muitas opções de restaurantes, bares, padarias e comércio variado. Uma delícia! Foi a experiência mais próxima de “morar fora” que tive em minha vida. E a mais saborosa, literalmente. Ao lado do meu apartamento tinha um mercado de orgânicos, que cogumelos eram aqueles???!!!! Sempre frescos e apetitosos. Por este motivo, muitas vezes preferimos jantar em casa mesmo, pois cozinhar com ingredientes de primeira é sucesso garantido!!! Qualquer coisa que eu inventasse dava certo, fosse pelo clima europeu, pelo vinho nacional barato e maravilhoso, por estarmos de férias, enfim, por eu também ter algum talento, hehehe, cada experiência foi memorável.

Place des Jacobins – Lyon

Difícil contar aqui tudo o que vivemos em 3 semanas, serão necessários muitos posts. Mas vou escolher um pedacinho de Lyon de cada vez, contar o que eu lembrar, para que eu mesma nunca mais esqueça.

De manhã cedo, 3 vezes por semana, saíamos muito cedo para correr na beira do Rio Saône, um dos dois rios que cortam a cidade. O outro chama-se Rhône, que nasce nos Alpes Suíços, cruza a Suíça e vem se juntar ao Saône em Lyon. De suas margens nascem os emblemáticos vinhos “Côtes-du-Rhône“, muito bons. Depois o rio prossegue até o Mediterrâneo onde deságua.

Encontro dos Rios Rhône e Saône

Ciclovia e pista para corrida na margem do rio Rhône

A margem dos dois rios são fantásticas pra correr, protegidas por um muro alto, não dava pra ouvir o barulho dos carros que passavam. O rio é verde escuro e suficientemente transparente para se ver os peixes. Sempre tinha alguém pescando pela manhã. O Rhône é ainda mais transparente. Na outra margem do rio Saône, a cidade antiga, a “Vieux Lyon“, que nos dava ainda mais inspiração pra correr, com seu casario antigo e colorido que enchia nossos olhos e nosso imaginário. Terminávamos a corrida e íamos na “boulangerie” (padaria) da esquina e comprávamos uma baguete “cereales“, ainda morna, para comermos com manteiga (deliciosa, com cristais de sal), queijo brie ou camembert em nosso apartamento. Posso até sentir o sabor…

Beira do Rio Saône – Lyon – Onde corríamos de manhã cedo

Rio Saône – Vieux Lyon

No dia mesmo em que chegamos, fomos à Vieux Lyon, a parte mais antiga da cidade. Demos uma caminhada pela Rue Saint-Jean, a principal, cheia de lojas e restaurantes, com prédios antigos. Como sempre, a parte mais pitoresca e simpática de qualquer cidade europeia.

Vieux Lyon – Rue Saint-Jean

Estávamos famintos, procuramos um lugar que nos chamasse alguma atenção, mas vocês sabem, quando a gente tá com fome e com pressa, não sabemos tomar a melhor decisão. O restaurante chamava-se “Petit Glouton“, e arrisquei um carneiro grelhado. Cláudio, meu marido, preferiu um joelho de porco. Os bistrôs de Lyon (“Bouchons’) são famosos por sua comida caseira, porém nem um pouco light, 😛 . Não achamos nada de especial. As batatas vieram gratinadas, acompanhadas de tomates recheados e salada básica.

Joelho de porco e Cordeiro grelhado, no Petit Glouton

Nesse mesmo dia à noite, fizemos compras e improvisei um espaguete orgânico (feito com trigo, quinoa, alho e salsa), com um molho preparado com cogumelos frescos, brócolis, alho, cebola, azeite, manteiga (na França, é imprescindível, hoje não deixo de acrescentá-la em meus pratos), vinho branco e creme de leite fresco, que você encontra de infinitos tipos, com consistências diferentes. Uma maravilha. Cervejinha do lado pra inspirar, e depois um bom vinho francês pra acompanhar o prato!!! Chef Lu Hazin arregaçando as mangas 😆

Macarronada vegetariana improvisada

 

Tem mais de Lyon em breve!

 

Nhoque de batata

Acordei ontem com vontade de comer nhoque (ou “gnocchi” em italiano), do tradicional mesmo, caseiro, feito com batata comum. Lembrei que eu tinha anotado num caderno antigo de receitas o nhoque que minha mãe fazia em casa, pra acompanhar filé mignon, que ela fazia normalmente com molho de tomate.  A princípio eu queria fazer com queijo gorgonzola, mas quem não tem caça com gato. Fiz um bechamel com queijo minas meia cura, e ficou ótimo. Vou compartilhar aqui porque é uma receita fácil de fazer, mas só se for pra pouca gente… Para muita gente não indico não, haja paciência pra ficar fazendo tantos nhoques 😀 . A não ser que vc não tenha mesmo pressa e seja paciente, hehe. Uma ideia que considero melhor, para um número superior a 8 pessoas, é um strogonoff !

Nhoques de batata

Ingredientes (6 porções)

  • 600g de batata inglesa (4 unidades grandes)
  • 2 ovos inteiros
  • 120g de farinha de trigo (para uma textura beeem macia)
  • Mais um pouco de farinha de trigo para polvilhar
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • sal qb

Molho bechamel com queijo

Ingredientes:

  • 200g de queijo minas meia cura ralado
  • 1 cebola grande picada
  • 2 colheres sopa cheias de manteiga
  • 2 colheres sopa de farinha de trigo
  • leite o quanto baste (em torno de 500 ou 600ml, dependendo da textura desejada)
  • Noz moscada e sal q.b.

Modo de preparo do nhoque:

Cozinhe as batatas com casca, até que fiquem macias. Retire a pele e passe no espremedor para fazer um purê. Coloque manteiga e sal, misture. Deixe esfriar. Acrescente dois ovos inteiros e a farinha de trigo. Misture bem.

Em uma tábua, polvilhe farinha de trigo. Com ajuda de uma colher, ponha um pouco da massa na tábua, polvilhe farinha de trigo na massa também. Com as mãos espalmadas, vá rolando a massa pra cima e pra baixo para formar uma “cobra” (como fazíamos quando crianças com massa de modelar). Quando estiver na espessura ideal, vá cortando em fatias com a ajuda de uma faca fina, e formando nhoques de 1,5cm mais ou menos. Há quem goste maior um pouco, há quem prefira menor. Eu não sou tão exigente e vou cortando no olho, não precisa ficar tudo milimetricamente calculado. Afinal, o nhoque é artesanal 🙂 .

Enquanto vai fazendo este trabalho, coloque água pra ferver numa panela funda. E vá fazendo as bolinhas…

Quando a água ferver, coloque sal e espere levantar fervura novamente, e continue fazendo os nhoques…

Agora que você já terminou de fazer todos os nhoques, vá jogando na água fervente, aos poucos, em porções (de uns 15 ou 20). Ao começarem a boiar, vá retirando com uma escumadeira e colocando dentro de um pirex que possa ser levado ao forno. Coloque um pouco de manteiga à medida que eles forem se avolumando no pirex, para não ficarem colados. Reserve.

Modo de preparo do molho:

Facílimo. Primeiro ligue o forno em 220°.

Numa panela, frite a cebola com um pouco de azeite. Quando estiver dourada, acrescente a manteiga e deixe derreter. Em fogo baixo, coloque a farinha de trigo e vá mexendo sem parar. Deixa dourar um tempinho, pelo menos um minuto. Acrescente o leite e misture sempre, para não embolotar.

Junte o queijo ralado, deixando um pouco para colocar por cima. Tempere com sal e noz moscada.

Depois que o queijo derreter e o molho estiver na consistência correta (se precisar coloque mais leite, ele deve ficar um líquido cremoso, não muito espesso). Derrame o molho dentro do pirex onde estão os nhoques. Dê uma balançada com delicadeza, para o molho penetrar entre os nhoques. Polvilhe com o resto do queijo e coloque no forno. Basta ficar uns 5 a 10 min, para garantir que está quentinho e o queijo derretido. Servir com o filé.

E o filé mignon

O filé mignon você pode fazer do jeito que preferir. O meu é assim: retiro cordão e pele, tempero com alho, sal, pimenta do reino e mostarda “à l’ancienne” (aquela que vem em grãos). Deixo marinar um pouco e depois frito em uma grande frigideira com um pouco de óleo. Retiro a carne ainda mal passada, e na mesma frigideira, frito uma cebola em fatias. Quando está dourada, polvilho um pouco de farinha de trigo, ponho um pouco de manteiga, douro mais um pouco e depois entro com o vinho tinto, um pouco de água e metade de um tablete de caldo de carne. Deixo apurar um pouco. Depois retorno a carne para a frigideira e só deixo ali mais uns minutinhos, virando de um lado e de outro, para ela pegar o gostinho do molho… Tá pronto 😉

Sucesso garantido!! Agora abra um vinho tinto e sirva aos convidados!!!

Paraty – RJ

Antes de começar a escrever esse post, estava aqui me perguntando se afinal eu deveria escrever Paraty ou Parati… Então consultei nosso velho amigo Google e obtive uma verdadeira aula sobre a grafia correta , vejam toda a história aqui. Agora escrevo Paraty sem medo 😉

A cidade foi fundada em 1667, mas já existia povoação ali há muito tempo. A partir do seu porto escoavam riquezas provenientes de Minas Gerais, principalmente ouro, direto para Portugal. No século XVIII, a vila perdeu um pouco da sua importância, mas recuperou depois com o Ciclo do Café, no século XIX. Com a Abolição da Escravatura em 1888, houve um grande êxodo na região e Paraty ficou bastante “esvaziada” e muito isolada. Para se chegar lá era complicado, só mesmo de barco ou por péssimas estradas. Felizmente, isto ajudou a preservar bastante a arquitetura colonial da vila. Depois da construção da BR101, o turismo começou a crescer vertiginosamente na região, graças ao seu potencial, tanto histórico, quanto paisagístico. Sem sombra de dúvida, uma cidade muito especial, pra se guardar pra sempre na memória. Quem a conhece não a esquece, e quer voltar. Eu já fui pelo menos umas 5 vezes. A última, foi neste final de semana passado, levando minha mãe e minha sogra, 87 e 83 anos respectivamente. Nenhuma das duas conhecia aquela joia arquitetônica.

 

Ficamos hospedados na Pousada Aconchego, muito mais por sua localização estratégica que por outro motivo, pois além de ter estacionamento privativo, ficava dentro do Centro Histórico, justo no limite em que carros ainda podiam circular. Chegamos na sexta-feira à tarde, mas como estava chovendo sem parar, o que nos deixou bastante apreensivos, resolvemos ficar no hotel mesmo. Ele não possui restaurante (a cozinha só funciona para o café da manhã), mas há um restaurante “colado”, parede com parede, com acesso pelo pátio de estacionamento do hotel, super providencial rsrsrs. Jantamos ali mesmo, um vinho, linguiças artesanais, sopinha leve de baroa…

Sábado amanheceu um belo dia, para surpresa de todos. Tomamos um café reforçado e lá fomos nós, para a parte mais difícil: enfrentar as pedras das ruas do centro histórico, com nossas mães. Meu marido de mãos dadas com minha sogra, e eu com a minha mãe, a tiracolo. De pouquinho em pouquinho fomos descortinando a cidade, que ainda estava com suas ruas vazias e com a maior parte das lojas e restaurantes fechados. Era cedo ainda.

Passamos na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, na Casa da Cultura (que estava fechada). Entramos numa lojinha de artesanato, compramos bijuterias indígenas. Continuamos nossa peregrinação pelas lindas ruas da cidade, com suas casas coloniais bem preservadas, com janelas e portas coloridas. Cruzamos a cidade e fomos até o Largo Santa Rita, onde está a Igreja de Santa Rita de Cássia, que aparece em todas as fotos de Paraty que são tiradas a partir do mar. Igrejinha linda que abriga o Museu de Arte Sacra.

Igreja de Santa Rita de Cássia

Depois demos uma passada na Rua do Comércio, compramos cachaça (Paratiana – Gabriela, Cravo e Canela) e molhos de pimenta, não tinha como não comprar! Passamos no Largo do Rosário e por fim, para abrilhantar ainda mais nosso dia de sol inesperado, fizemos reserva no “Banana da Terra” e lá fomos, finalmente.

Falei “finalmente” porque há anos sonhava conhecer esse restaurante. Conheci a Chef Ana Bueno há muito tempo atrás, durante um festival gastronômico de Recife, no antigo e maravilhoso restaurante Chez George (que na verdade ficava em Olinda). Na época ela me marcou bastante, achei-a simpática e muito talentosa! A Chef apresenta uma cozinha com raízes “caiçaras”, ou seja, oriundas de toda aquela região próxima a Paraty, da serra ao mar.

De cara, pedi uma caipirinha feita com limão e capim-santo (ou capim-limão). Estava ótima!

Pedimos também o couvert, que estava uma delícia, com seus pãezinhos saídos do forno na hora. E ainda: caldinho de batata baroa com queijo gorgonzola, um bolinho frito de camarão e um peixe marinado empanado com coco.

Por sugestão da garçonete que nos atendeu, escolhi um “Polvo com páprica, tomate seco da casa, cebola pérola, pesto de azeitonas pretas, sobre purê de batata doce, com pedaços de alho assado“. Estava excelente! Polvo macio. O pesto em contraste com o purê adocicado, o alho assado… tudo em perfeita harmonia.

Meu marido pediu um camarão que fiquei encantada e me deu vontade de tentar fazer igual em casa: “Camarões levementes picantes com curry vermelho, flambados na Cachaça Labareda, com arroz negro e salada de manga“. Espetáculo. Além de saboroso, parecia uma obra de arte.

Minha mãe e minha sogra apostaram no “Camarão ao creme fresco e vinho do Porto com arroz de castanha de caju“, também muito bom, porém de sabor mais suave.

O restaurante é um belo casarão, há um jardim interno, bonita decoração. Achei ruim o fato do banheiro ser no primeiro andar, e só vi acesso por uma escadaria. Não sei se há elevador, não perguntei, mas não vi. Como eu estava com duas pessoas idosas, agradeci a Deus elas não terem precisado ir ao banheiro…

Ah! A sobremesa ficou na conta da sorveteria do outro lado da rua! 😀

Saímos felizes e satisfeitos, mas à noite, eu e Cláudio fomos matar as saudades de uma verdadeira “galette” francesa (crepe de trigo sarraceno), no “Oui Paraty“, que recomendo muuuuito!! O Chef (Patrick Louis) é um amor e a galette, bem como as crepes, estavam muito boas. Pedimos a “Galette Délice“, com presunto de parma e queijo brie. Tomamos um vinho tinto “Côtes-du-Rhône“, combinou perfeitamente. Ao final ainda degustamos uma crepe de banana com nutella. Recomendo este pequeno recanto francês em Paraty, na Rua Santa Rita, 190.

“A cozinha é a base da verdadeira felicidade” (Auguste Escoffier) – “Um bom prato, uma boa galette, um crepe legal, uma taça de vinho, a felicidade está no Oui Paraty” (Patrick Louis)

 

 

 

Jantar francês em Recife

No último sábado fui convidada para organizar (e executar) o menu do jantar de aniversário de minha irmã mais velha, Elisabeth. Uma tradição que completa agora 8 anos… Um acontecimento sempre único, pois nunca são os mesmos convidados, nem nunca repetimos o mesmo cardápio. São sempre 8 à mesa, contando com a anfitriã (e com a Chef aqui), mas em duas ocasiões tivemos 9 pessoas, incluindo este último jantar. Foi uma noite super divertida, e especialmente prazerosa pra mim, pois aconteceu em Recife, minha querida terra natal. Pude matar as saudades do sotaque de lá hehehe. E da alegria sempre contagiante dos recifenses!!

Já havíamos feito outros jantares temáticos em Brasília, onde ela morava anteriormente. Se vocês quiserem relembrar é só clicar em: jantar mexicano, noite espanhola, jantar tailandês.

Este ano o tema foi a França, mas nada a ver com o fato de ter sido a campeã da Copa!!! Havíamos combinado desde o ano passado fazermos um jantar francês por conta mesmo da fantástica gastronomia daquele país. Eu sou fã de carteirinha. Mas uma coisa é ser admiradora da cozinha francesa, outra coisa muito diferente é tentar reproduzir um prato típico francês, à altura. Muita responsabilidade genteeeee!!! Corri um risco enooooorme!!! Mas no final das contas a diversão ficou garantida e, modéstia à parte, tenho certeza que foi um jantar inesquecível 😉

Cardápio:

  1. Entrada – Coquilles Saint-Jacques
  2. Prato Principal – Côtelette d’agneau à la moutarde Dijon et romarim
  3. Sobremesa – Crêpe Suzette

Traduzindo….

As “coquilles Saint-Jacques” são vieiras servidas em sua concha (aquela que simboliza a “Shell”) com cogumelos e molho cremoso, gratinadas no forno. Dos deuses. Segui orientações de um livro de receitas que comprei na França, com 2.000 receitas. Não se preocupem que compartilharei esta entrada com vocês, logo mais!!

As “côtelettes d’agneau” nada mais são que costeletas de cordeiro na mostarda Dijon e alecrim, grelhadas. Servi com um “aligot” adaptado por mim (o verdadeiro é feito com batata comum e um queijo fresco francês, mas eu fiz com batata doce e mussarela de búfala). Trata-se de um purê meio puxa-puxa, por causa da elasticidade do queijo que é derretido dentro do purê. Uma das maravilhas gastronômicas francesas! O outro acompanhamento do cordeiro foi o que eles chamam de “piperade de poivrons doux”, uma espécie de “ratatouille” com pimentões vermelhos, cebola, tomate, alho, vinagre balsâmico, mel e azeite.

O “crêpe suzette” é mais famoso. Um crepe de massa doce com sabor laranja, com calda de laranja, com raspa de laranja, com licor de laranja, ou seja, tudo tudo tudo laranja. Outra maravilha dos deuses. Aprendi a fazer a partir de um vídeo-aula do Chef Laurent Suaudeau (da Escola de Arte Culinária Laurent Suaudeau em São Paulo) no Youtube. Procurem, façam e comprovem, pois a receita ficou perfeita e todos amaram (encontre o vídeo pesquisando por “Revista Menu – Aprenda a fazer o clássico crepe suzette”).

Vamos hoje então aprender a fazer a deliciosa entrada com um nome carregado de simbolismo, que na tradução literal para o português fica “Conchas São-Tiago”, em homenagem ao santo e aos peregrinos que caminham centenas de quilômetros até Santiago de Compostela. O Caminho tem como símbolo esta concha (“coquille”), pois é muito comum naquela região. E aliás, ano que vem estou me programando para fazer o “Caminho francês”, que sai da França (Pirineus) e atravessa toda a Espanha até Santiago de Compostela. Mas isto é assunto para outro momento, vamos à receita…

Coquilles Saint-Jacques

Ingredientes (4 porções):

  • 24 vieiras (se estiver muito pequena seria melhor aumentar a quantidade)
  • 125g de champignon de Paris
  • 150g de manteiga
  • 1 ovo
  • 1 copo de vinho branco seco (200ml)
  • 1 colher sopa de farinha de trigo
  • 1 bouquet garni (alho poró, tomilho, alecrim, louro, amarradas com um barbante formado um “bouquet”)
  • 1 cebola
  • 200g de creme de leite fresco
  • sal, pimenta do reino, sal grosso, farinha de rosca

Modo de preparo:

Preparar um “court-bouillon” (é um caldo feito com alguns condimentos a que se adiciona vinho ou vinagre, para depois cozinhar peixe ou mariscos) com 2 copos de água, o bouquet garni , a cebola fatiada, sal grosso e pimenta. Assim que começar a ferver, colocar o vinho. Quando levantar fervura outra vez, cozinhar as vieiras por 3min.

Retirar com uma escumadeira as vieiras e reservar, depois deixar reduzir o court-bouillon por 5 a 7min em fogo médio.

Durante esse tempo, limpar e fatiar os champignons (não é para lavá-los com água! passe uma escovinha ou papel para retirar alguma areia que esteja no cogumelo).  Saltear em 30g de manteiga. Juntar as vieiras cortadas ao meio. Refogar alguns instantes, botar sal e pimenta, desligar o fogo e reservar.

Numa panela, derreter 50g de manteiga e colocar farinha. Mexer bem com colher de pau antes de acrescentar o court-bouillon previamente peneirado. Em fogo baixo, deixar cozinhar até obter um molho untuoso, cremoso. Bater em separado uma gema com creme de leite fresco. Fora do fogo, incorporar ao molho.

Guarnecer pequenos ramequins individuais com as vieiras e champignons (eu usei coquilles mesmo, comprados por minha irmã em Santiago de Compostela, mas nunca vi pra vender aqui no Brasil). Cobrir com um pouco do molho, colocar por cima um pouco de farinha de rosca. Espalhar um pouco de manteiga derretida.

Gratinar por 10min (ou até dourar)  em forno quente, 220°.

Dica fundamental para quem for usar as coquilles como recipiente: Eu fiz um purê de batata comum, na verdade, cozinhei as batatas e depois passei no espremedor. Virou uma massa grossa, que foi a minha salvação para equilibrar as coquilles na assadeira. E depois, para servir num prato aos comensais, tive que usar o mesmo purê, para que elas não ficassem bambas. Ficou perfeito.

Servi as coquilles com um vinho rosé bem gelado. O prato principal com vinho tinto, uva Cabernet Sauvignon, e de sobremesa um vinho chileno “colheita tardia” da vinícola Tarapacá. Só esqueci de fotografar os vinhos… 😦

Olhem a felicidade estampada no nosso rosto após o jantar 😀 😀 😀

E adivinhem só!!!!!! Ganhei de presente as coquilles!!!! Minha irmã que fez aniversário e eu que fui a maior presenteada!!!! Fora as novas amizades que fiz, os momentos de alegria e confraternização. Foi o máximo!

E que venha o próximo jantar em julho do ano que vem, já combinamos, será tipicamente Pernambucano 😀 Vou começar a treinar desde já \o/ \o/ \o/.

 

Brasserie Le Nord – Lyon, França

OiêêêêÊ!!! De volta ao blog!! Desculpem a ausência, mas foi por um bom motivo. Estive na França e em Portugal, ao todo 5 semanas, sendo que 3 delas foram dedicadas ao estudo do francês. Eu e meu marido já havíamos feito alguns anos de Aliança Francesa e mais um tempo de aulas particulares, então achamos que estava na hora de fazermos um teste de sobrevivência “in loco”, ou seja, o plano seria passar um tempo na França, se possível entrar num curso de conversação e vivermos um pouco o dia-a-dia dos franceses, imergindo em sua cultura, língua, clima, etc. Foi o que fizemos 🙂 . E valeu muito a pena! Escolhi Lyon por esta cidade ter um viés gastronômico. Minha ideia era aproveitar minha estada lá e fazer algum curso de culinária e obviamente, aproveitar das infinitas opções de restaurantes maravilhosos da cidade. Foi a escolha certa, hehehe.

Este post de hoje é pra falar do restaurante “Brasserie Le Nord“, o único que conheci que pertencia ao grande Chef Paul Bocuse, considerado o “papa” da cozinha francesa, um dos criadores do movimento denominado “nouvelle cuisine“. Infelizmente, ele morreu em janeiro deste ano, aos 91, e não tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente 😦 . De qualquer forma, seria muito difícil conseguir ter acesso a ele. Seu restaurante mais tradicional e antigo é o “Auberge du Pont de Collonges” que ostenta 3 estrelas no Guia Michelin desde 1965. Não deu pra gente ir lá… além de muito caro era um pouco distante do centro da cidade. Por isso mesmo escolhi uma de suas Brasseries (são 4 no centro de Lyon, fora outros restaurantes) que possuem preços mais acessíveis. A Le Nord foi a primeira Brasserie aberta por Bocuse, em 1994. Seu cardápio é baseado em clássicos da gastronomia “lyonnaise”.

Fomos na hora do almoço, não estava lotado, chegamos relativamente cedo, dia de semana. Ambiente tradicionalíssimo de bistrô. Na entrada, um terraço charmoso, e dentro, um balcão belíssimo e mesas distribuídas por um salão não muito grande, mas elegante (um lindo vitral dava um colorido ao ambiente). Uma moça simpática veio nos atender, pedi uma cerveja imediatamente. Decidimos encarar o menu do dia (“menu du jour”) proposto por eles. Na verdade eles oferecem 2 ou mais opções diferentes e você escolhe entre elas a que mais lhe apetece. Pedimos um menu de 3 pratos (“formule 3 plats”): entrada (entrée), prato principal (plat du jour) e sobremesa (dessert).

Eu e meu marido optamos pela mesma entrada: “Saucisson chaud pistaché en brioche“, que é uma especialidade “lyonnaise”. Nada mais é que uma fatia grande de brioche (tipo de pão) recheado com uma espécie de salsichão que leva pistaches em sua composição. Acompanhado de uma salada verde simples. Não achamos nada demais. Meu marido até achou ruim. Eu não achei ruim, mas realmente foi um pouco frustrante, o prato é seco, diferente da ideia que temos de pratos franceses, sempre bem “molhados”, rsrs. Vinho da casa pra acompanhar…

Nossa escolha de prato principal também foi a mesma e dessa vez ambos adoramos: “Échine de cochon fermier rôtie à la broche“. Uma parte do lombo de porco (oriundo de fazenda) assado, acompanhado de purê de batatas e de “piperade de poivrons doux” uma espécie de “ratatouille” agridoce, feita com pimentões vermelhos. Achei delicioso!! O porco era inacreditavelmente macio, a consistência era bem diferente da que conhecemos dos porcos daqui, normalmente mais seca e fibrosa. A que comi lá parecia um filé mignon, mais macio ainda… incrível.

De sobremesa pedimos coisas diferentes, mas depois fiquei morrendo de inveja da dele, hahaha. Não que a minha estivesse ruim, mas a dele estava genial. A minha foi um “clafoutis aux cerises“, tipo um bolo baixinho, com cerejas (também especialidade da região). Cláudio pediu uma “délice de fromage blanc, compote e coulis de framboises“, tipo um pudim, ou flan, de queijo, com uma calda de framboesas, uma maravilha dos deuses!!!

Nossa conta total foi de 77 euros, condizente com a qualidade dos pratos, dos ingredientes, do atendimento super atencioso e do ambiente acolhedor. Uma foto do Bocuse e uma frase dele na parede me chamaram atenção na saída. Mesmo ele não estando mais ali, pude sentir através de suas palavras, o quão importante era para ele (e sei que é também para todos os franceses) o momento de sentar-se à mesa, com amigos, com família, para compartilhar uma boa refeição. Aaaahhh…. a França…. curto demais… perdoem-me os que torcem pelos croatas, mas não vou negar que estarei do lado dos “les bleus” no próximo domingo! \o/ \o/ \o/

“Na mesa com os amigos o tempo não conta” – Paul Bocuse