Paraty – RJ

Antes de começar a escrever esse post, estava aqui me perguntando se afinal eu deveria escrever Paraty ou Parati… Então consultei nosso velho amigo Google e obtive uma verdadeira aula sobre a grafia correta , vejam toda a história aqui. Agora escrevo Paraty sem medo 😉

A cidade foi fundada em 1667, mas já existia povoação ali há muito tempo. A partir do seu porto escoavam riquezas provenientes de Minas Gerais, principalmente ouro, direto para Portugal. No século XVIII, a vila perdeu um pouco da sua importância, mas recuperou depois com o Ciclo do Café, no século XIX. Com a Abolição da Escravatura em 1888, houve um grande êxodo na região e Paraty ficou bastante “esvaziada” e muito isolada. Para se chegar lá era complicado, só mesmo de barco ou por péssimas estradas. Felizmente, isto ajudou a preservar bastante a arquitetura colonial da vila. Depois da construção da BR101, o turismo começou a crescer vertiginosamente na região, graças ao seu potencial, tanto histórico, quanto paisagístico. Sem sombra de dúvida, uma cidade muito especial, pra se guardar pra sempre na memória. Quem a conhece não a esquece, e quer voltar. Eu já fui pelo menos umas 5 vezes. A última, foi neste final de semana passado, levando minha mãe e minha sogra, 87 e 83 anos respectivamente. Nenhuma das duas conhecia aquela joia arquitetônica.

 

Ficamos hospedados na Pousada Aconchego, muito mais por sua localização estratégica que por outro motivo, pois além de ter estacionamento privativo, ficava dentro do Centro Histórico, justo no limite em que carros ainda podiam circular. Chegamos na sexta-feira à tarde, mas como estava chovendo sem parar, o que nos deixou bastante apreensivos, resolvemos ficar no hotel mesmo. Ele não possui restaurante (a cozinha só funciona para o café da manhã), mas há um restaurante “colado”, parede com parede, com acesso pelo pátio de estacionamento do hotel, super providencial rsrsrs. Jantamos ali mesmo, um vinho, linguiças artesanais, sopinha leve de baroa…

Sábado amanheceu um belo dia, para surpresa de todos. Tomamos um café reforçado e lá fomos nós, para a parte mais difícil: enfrentar as pedras das ruas do centro histórico, com nossas mães. Meu marido de mãos dadas com minha sogra, e eu com a minha mãe, a tiracolo. De pouquinho em pouquinho fomos descortinando a cidade, que ainda estava com suas ruas vazias e com a maior parte das lojas e restaurantes fechados. Era cedo ainda.

Passamos na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, na Casa da Cultura (que estava fechada). Entramos numa lojinha de artesanato, compramos bijuterias indígenas. Continuamos nossa peregrinação pelas lindas ruas da cidade, com suas casas coloniais bem preservadas, com janelas e portas coloridas. Cruzamos a cidade e fomos até o Largo Santa Rita, onde está a Igreja de Santa Rita de Cássia, que aparece em todas as fotos de Paraty que são tiradas a partir do mar. Igrejinha linda que abriga o Museu de Arte Sacra.

Igreja de Santa Rita de Cássia

Depois demos uma passada na Rua do Comércio, compramos cachaça (Paratiana – Gabriela, Cravo e Canela) e molhos de pimenta, não tinha como não comprar! Passamos no Largo do Rosário e por fim, para abrilhantar ainda mais nosso dia de sol inesperado, fizemos reserva no “Banana da Terra” e lá fomos, finalmente.

Falei “finalmente” porque há anos sonhava conhecer esse restaurante. Conheci a Chef Ana Bueno há muito tempo atrás, durante um festival gastronômico de Recife, no antigo e maravilhoso restaurante Chez George (que na verdade ficava em Olinda). Na época ela me marcou bastante, achei-a simpática e muito talentosa! A Chef apresenta uma cozinha com raízes “caiçaras”, ou seja, oriundas de toda aquela região próxima a Paraty, da serra ao mar.

De cara, pedi uma caipirinha feita com limão e capim-santo (ou capim-limão). Estava ótima!

Pedimos também o couvert, que estava uma delícia, com seus pãezinhos saídos do forno na hora. E ainda: caldinho de batata baroa com queijo gorgonzola, um bolinho frito de camarão e um peixe marinado empanado com coco.

Por sugestão da garçonete que nos atendeu, escolhi um “Polvo com páprica, tomate seco da casa, cebola pérola, pesto de azeitonas pretas, sobre purê de batata doce, com pedaços de alho assado“. Estava excelente! Polvo macio. O pesto em contraste com o purê adocicado, o alho assado… tudo em perfeita harmonia.

Meu marido pediu um camarão que fiquei encantada e me deu vontade de tentar fazer igual em casa: “Camarões levementes picantes com curry vermelho, flambados na Cachaça Labareda, com arroz negro e salada de manga“. Espetáculo. Além de saboroso, parecia uma obra de arte.

Minha mãe e minha sogra apostaram no “Camarão ao creme fresco e vinho do Porto com arroz de castanha de caju“, também muito bom, porém de sabor mais suave.

O restaurante é um belo casarão, há um jardim interno, bonita decoração. Achei ruim o fato do banheiro ser no primeiro andar, e só vi acesso por uma escadaria. Não sei se há elevador, não perguntei, mas não vi. Como eu estava com duas pessoas idosas, agradeci a Deus elas não terem precisado ir ao banheiro…

Ah! A sobremesa ficou na conta da sorveteria do outro lado da rua! 😀

Saímos felizes e satisfeitos, mas à noite, eu e Cláudio fomos matar as saudades de uma verdadeira “galette” francesa (crepe de trigo sarraceno), no “Oui Paraty“, que recomendo muuuuito!! O Chef (Patrick Louis) é um amor e a galette, bem como as crepes, estavam muito boas. Pedimos a “Galette Délice“, com presunto de parma e queijo brie. Tomamos um vinho tinto “Côtes-du-Rhône“, combinou perfeitamente. Ao final ainda degustamos uma crepe de banana com nutella. Recomendo este pequeno recanto francês em Paraty, na Rua Santa Rita, 190.

“A cozinha é a base da verdadeira felicidade” (Auguste Escoffier) – “Um bom prato, uma boa galette, um crepe legal, uma taça de vinho, a felicidade está no Oui Paraty” (Patrick Louis)

 

 

 

Jantar francês em Recife

No último sábado fui convidada para organizar (e executar) o menu do jantar de aniversário de minha irmã mais velha, Elisabeth. Uma tradição que completa agora 8 anos… Um acontecimento sempre único, pois nunca são os mesmos convidados, nem nunca repetimos o mesmo cardápio. São sempre 8 à mesa, contando com a anfitriã (e com a Chef aqui), mas em duas ocasiões tivemos 9 pessoas, incluindo este último jantar. Foi uma noite super divertida, e especialmente prazerosa pra mim, pois aconteceu em Recife, minha querida terra natal. Pude matar as saudades do sotaque de lá hehehe. E da alegria sempre contagiante dos recifenses!!

Já havíamos feito outros jantares temáticos em Brasília, onde ela morava anteriormente. Se vocês quiserem relembrar é só clicar em: jantar mexicano, noite espanhola, jantar tailandês.

Este ano o tema foi a França, mas nada a ver com o fato de ter sido a campeã da Copa!!! Havíamos combinado desde o ano passado fazermos um jantar francês por conta mesmo da fantástica gastronomia daquele país. Eu sou fã de carteirinha. Mas uma coisa é ser admiradora da cozinha francesa, outra coisa muito diferente é tentar reproduzir um prato típico francês, à altura. Muita responsabilidade genteeeee!!! Corri um risco enooooorme!!! Mas no final das contas a diversão ficou garantida e, modéstia à parte, tenho certeza que foi um jantar inesquecível 😉

Cardápio:

  1. Entrada – Coquilles Saint-Jacques
  2. Prato Principal – Côtelette d’agneau à la moutarde Dijon et romarim
  3. Sobremesa – Crêpe Suzette

Traduzindo….

As “coquilles Saint-Jacques” são vieiras servidas em sua concha (aquela que simboliza a “Shell”) com cogumelos e molho cremoso, gratinadas no forno. Dos deuses. Segui orientações de um livro de receitas que comprei na França, com 2.000 receitas. Não se preocupem que compartilharei esta entrada com vocês, logo mais!!

As “côtelettes d’agneau” nada mais são que costeletas de cordeiro na mostarda Dijon e alecrim, grelhadas. Servi com um “aligot” adaptado por mim (o verdadeiro é feito com batata comum e um queijo fresco francês, mas eu fiz com batata doce e mussarela de búfala). Trata-se de um purê meio puxa-puxa, por causa da elasticidade do queijo que é derretido dentro do purê. Uma das maravilhas gastronômicas francesas! O outro acompanhamento do cordeiro foi o que eles chamam de “piperade de poivrons doux”, uma espécie de “ratatouille” com pimentões vermelhos, cebola, tomate, alho, vinagre balsâmico, mel e azeite.

O “crêpe suzette” é mais famoso. Um crepe de massa doce com sabor laranja, com calda de laranja, com raspa de laranja, com licor de laranja, ou seja, tudo tudo tudo laranja. Outra maravilha dos deuses. Aprendi a fazer a partir de um vídeo-aula do Chef Laurent Suaudeau (da Escola de Arte Culinária Laurent Suaudeau em São Paulo) no Youtube. Procurem, façam e comprovem, pois a receita ficou perfeita e todos amaram (encontre o vídeo pesquisando por “Revista Menu – Aprenda a fazer o clássico crepe suzette”).

Vamos hoje então aprender a fazer a deliciosa entrada com um nome carregado de simbolismo, que na tradução literal para o português fica “Conchas São-Tiago”, em homenagem ao santo e aos peregrinos que caminham centenas de quilômetros até Santiago de Compostela. O Caminho tem como símbolo esta concha (“coquille”), pois é muito comum naquela região. E aliás, ano que vem estou me programando para fazer o “Caminho francês”, que sai da França (Pirineus) e atravessa toda a Espanha até Santiago de Compostela. Mas isto é assunto para outro momento, vamos à receita…

Coquilles Saint-Jacques

Ingredientes (4 porções):

  • 24 vieiras (se estiver muito pequena seria melhor aumentar a quantidade)
  • 125g de champignon de Paris
  • 150g de manteiga
  • 1 ovo
  • 1 copo de vinho branco seco (200ml)
  • 1 colher sopa de farinha de trigo
  • 1 bouquet garni (alho poró, tomilho, alecrim, louro, amarradas com um barbante formado um “bouquet”)
  • 1 cebola
  • 200g de creme de leite fresco
  • sal, pimenta do reino, sal grosso, farinha de rosca

Modo de preparo:

Preparar um “court-bouillon” (é um caldo feito com alguns condimentos a que se adiciona vinho ou vinagre, para depois cozinhar peixe ou mariscos) com 2 copos de água, o bouquet garni , a cebola fatiada, sal grosso e pimenta. Assim que começar a ferver, colocar o vinho. Quando levantar fervura outra vez, cozinhar as vieiras por 3min.

Retirar com uma escumadeira as vieiras e reservar, depois deixar reduzir o court-bouillon por 5 a 7min em fogo médio.

Durante esse tempo, limpar e fatiar os champignons (não é para lavá-los com água! passe uma escovinha ou papel para retirar alguma areia que esteja no cogumelo).  Saltear em 30g de manteiga. Juntar as vieiras cortadas ao meio. Refogar alguns instantes, botar sal e pimenta, desligar o fogo e reservar.

Numa panela, derreter 50g de manteiga e colocar farinha. Mexer bem com colher de pau antes de acrescentar o court-bouillon previamente peneirado. Em fogo baixo, deixar cozinhar até obter um molho untuoso, cremoso. Bater em separado uma gema com creme de leite fresco. Fora do fogo, incorporar ao molho.

Guarnecer pequenos ramequins individuais com as vieiras e champignons (eu usei coquilles mesmo, comprados por minha irmã em Santiago de Compostela, mas nunca vi pra vender aqui no Brasil). Cobrir com um pouco do molho, colocar por cima um pouco de farinha de rosca. Espalhar um pouco de manteiga derretida.

Gratinar por 10min (ou até dourar)  em forno quente, 220°.

Dica fundamental para quem for usar as coquilles como recipiente: Eu fiz um purê de batata comum, na verdade, cozinhei as batatas e depois passei no espremedor. Virou uma massa grossa, que foi a minha salvação para equilibrar as coquilles na assadeira. E depois, para servir num prato aos comensais, tive que usar o mesmo purê, para que elas não ficassem bambas. Ficou perfeito.

Servi as coquilles com um vinho rosé bem gelado. O prato principal com vinho tinto, uva Cabernet Sauvignon, e de sobremesa um vinho chileno “colheita tardia” da vinícola Tarapacá. Só esqueci de fotografar os vinhos… 😦

Olhem a felicidade estampada no nosso rosto após o jantar 😀 😀 😀

E adivinhem só!!!!!! Ganhei de presente as coquilles!!!! Minha irmã que fez aniversário e eu que fui a maior presenteada!!!! Fora as novas amizades que fiz, os momentos de alegria e confraternização. Foi o máximo!

E que venha o próximo jantar em julho do ano que vem, já combinamos, será tipicamente Pernambucano 😀 Vou começar a treinar desde já \o/ \o/ \o/.

 

Brasserie Le Nord – Lyon, França

OiêêêêÊ!!! De volta ao blog!! Desculpem a ausência, mas foi por um bom motivo. Estive na França e em Portugal, ao todo 5 semanas, sendo que 3 delas foram dedicadas ao estudo do francês. Eu e meu marido já havíamos feito alguns anos de Aliança Francesa e mais um tempo de aulas particulares, então achamos que estava na hora de fazermos um teste de sobrevivência “in loco”, ou seja, o plano seria passar um tempo na França, se possível entrar num curso de conversação e vivermos um pouco o dia-a-dia dos franceses, imergindo em sua cultura, língua, clima, etc. Foi o que fizemos 🙂 . E valeu muito a pena! Escolhi Lyon por esta cidade ter um viés gastronômico. Minha ideia era aproveitar minha estada lá e fazer algum curso de culinária e obviamente, aproveitar das infinitas opções de restaurantes maravilhosos da cidade. Foi a escolha certa, hehehe.

Este post de hoje é pra falar do restaurante “Brasserie Le Nord“, o único que conheci que pertencia ao grande Chef Paul Bocuse, considerado o “papa” da cozinha francesa, um dos criadores do movimento denominado “nouvelle cuisine“. Infelizmente, ele morreu em janeiro deste ano, aos 91, e não tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente 😦 . De qualquer forma, seria muito difícil conseguir ter acesso a ele. Seu restaurante mais tradicional e antigo é o “Auberge du Pont de Collonges” que ostenta 3 estrelas no Guia Michelin desde 1965. Não deu pra gente ir lá… além de muito caro era um pouco distante do centro da cidade. Por isso mesmo escolhi uma de suas Brasseries (são 4 no centro de Lyon, fora outros restaurantes) que possuem preços mais acessíveis. A Le Nord foi a primeira Brasserie aberta por Bocuse, em 1994. Seu cardápio é baseado em clássicos da gastronomia “lyonnaise”.

Fomos na hora do almoço, não estava lotado, chegamos relativamente cedo, dia de semana. Ambiente tradicionalíssimo de bistrô. Na entrada, um terraço charmoso, e dentro, um balcão belíssimo e mesas distribuídas por um salão não muito grande, mas elegante (um lindo vitral dava um colorido ao ambiente). Uma moça simpática veio nos atender, pedi uma cerveja imediatamente. Decidimos encarar o menu do dia (“menu du jour”) proposto por eles. Na verdade eles oferecem 2 ou mais opções diferentes e você escolhe entre elas a que mais lhe apetece. Pedimos um menu de 3 pratos (“formule 3 plats”): entrada (entrée), prato principal (plat du jour) e sobremesa (dessert).

Eu e meu marido optamos pela mesma entrada: “Saucisson chaud pistaché en brioche“, que é uma especialidade “lyonnaise”. Nada mais é que uma fatia grande de brioche (tipo de pão) recheado com uma espécie de salsichão que leva pistaches em sua composição. Acompanhado de uma salada verde simples. Não achamos nada demais. Meu marido até achou ruim. Eu não achei ruim, mas realmente foi um pouco frustrante, o prato é seco, diferente da ideia que temos de pratos franceses, sempre bem “molhados”, rsrs. Vinho da casa pra acompanhar…

Nossa escolha de prato principal também foi a mesma e dessa vez ambos adoramos: “Échine de cochon fermier rôtie à la broche“. Uma parte do lombo de porco (oriundo de fazenda) assado, acompanhado de purê de batatas e de “piperade de poivrons doux” uma espécie de “ratatouille” agridoce, feita com pimentões vermelhos. Achei delicioso!! O porco era inacreditavelmente macio, a consistência era bem diferente da que conhecemos dos porcos daqui, normalmente mais seca e fibrosa. A que comi lá parecia um filé mignon, mais macio ainda… incrível.

De sobremesa pedimos coisas diferentes, mas depois fiquei morrendo de inveja da dele, hahaha. Não que a minha estivesse ruim, mas a dele estava genial. A minha foi um “clafoutis aux cerises“, tipo um bolo baixinho, com cerejas (também especialidade da região). Cláudio pediu uma “délice de fromage blanc, compote e coulis de framboises“, tipo um pudim, ou flan, de queijo, com uma calda de framboesas, uma maravilha dos deuses!!!

Nossa conta total foi de 77 euros, condizente com a qualidade dos pratos, dos ingredientes, do atendimento super atencioso e do ambiente acolhedor. Uma foto do Bocuse e uma frase dele na parede me chamaram atenção na saída. Mesmo ele não estando mais ali, pude sentir através de suas palavras, o quão importante era para ele (e sei que é também para todos os franceses) o momento de sentar-se à mesa, com amigos, com família, para compartilhar uma boa refeição. Aaaahhh…. a França…. curto demais… perdoem-me os que torcem pelos croatas, mas não vou negar que estarei do lado dos “les bleus” no próximo domingo! \o/ \o/ \o/

“Na mesa com os amigos o tempo não conta” – Paul Bocuse

 

Pão de malte de cevada

Recebi na semana passada uma mensagem de whatsapp de um colega de trabalho: “Oi Luciana, fiz cerveja. Quer malte?”. Ele perguntou já prevendo a minha resposta: “Queroooooo 😀 😀 😀 “. Ter amigo cervejeiro é um privilégio, ne c’est pas?! E ele tem uma amiga “Chef” como ele costuma dizer. Mas essa história toda começou há muito tempo atrás:

Um belo dia ele me trouxe um pote de sorvete (mas sem sorvete, para minha surpresa e felicidade) cheio de bagaço de malte de cevada usada para a fabricação de sua cerveja. Ele me disse que sua mulher fazia pão com aquele bagaço, mas sobrava tanto que ele resolveu me dar um pouco para eu experimentar fazer pão também. A primeira receita que fiz foi a dele, ou melhor, da mulher dele, ou melhor, de um site de algum cervejeiro que ela havia encontrado na internet. Ficou muito legal o pão, mas achei meio pesado… Depois eu esqueci esse assunto, malte não é algo que a gente passe ali na padaria e compre né?… Mas na semana passada voltei a ser premiada com outro pote de sorvete cheio de bagaço do malte de cevada. Que mara!!!

Busquei outra receita na internet. Elegi uma que me pareceu bem legal. Fiz, pra variar, minhas pequenas alterações, mas se vocês quiserem conferir a original, acesse este link.

Deu suuuuuper certo e fiquei orgulhosa de meu pão. Fazer pão é algo que requer paciência e dedicação, além de um pouco de técnica e de um bom forno, rsrsrs. Segue a receita abaixo:

Pão de Malte de Cevada

Ingredientes:

  • 1kg de farinha de trigo
  • 500g de bagaço do malte de cevada
  • 1 colher sopa de sal
  • 2 colheres sopa de açúcar
  • 1 colher sopa de açúcar mascavo
  • 60g de manteiga
  • 250ml de leite morno
  • 2 ovos inteiros
  • 30g de fermento biológico fresco (usei fleischmann)
  • 1 ovo (opcional) para pincelar os pães antes de assá-los

Modo de preparo:

Primeiro fiz o seguinte: pesei todos os ingredientes que precisavam ser pesados e separei cada um.

Passei o malte de cevada num processador, mas não bati por muito tempo, para não virar uma pasta. Bati rapidamente, para diminuir os grãos. Botei numa bacia. Acrescentei o sal e os açúcares, misturei.

À parte, dissolvi o fermento em metade do leite morno e uma colher de chá de açúcar. Depois acrescentei tudo (fermento e leite) à mistura, além da manteiga. Os dois ovos, quebrei num pequeno pote, bati primeiro, depois juntei à massa. Misturei tudo muito bem. Por último acrescentei a farinha e comecei incorporando com ajuda de uma colher de pau (na verdade de silicone).

Trabalhei bastante a massa, hehehehe. Dei murro, joguei várias vezes com força dentro da bacia, sovei bastante, amassei, amassei e amassei. Depois fiz uma bola meio oval, cobri com um pano seco e limpo e coloquei a bacia dentro do forno (desligado!).

Deixei descansando lá por uma hora, exatamente. Ela havia crescido bastante.

Em uma fôrma de pão e em outra assadeira, pincelei um pouco de óleo. Peguei a massa, dividi mais ou menos em 4 partes, trabalhei novamente com as mãos, de forma mais delicada. Apenas amassei um pouco e modelei. Coloquei os pães nas fôrmas.

Esperei mais uns 30 min. A massa praticamente dobrou de tamanho!

Liguei o forno e deixei esquentar bem (220°). Nesse meio tempo, aproveitei para quebrar um ovo, bater levemente e pincelar os pães.

Deixei-os por 26 min no forno, ficaram bem dourados e a massa bem fofinha. O ideal é deixá-los esfriarem um pouquinho, se possível, fora da fôrma, em local ventilado.

Depois é só partir pro abraço!!

A única dificuldade que vocês terão para fazer a receita será arrumar um amigo cervejeiro que divida o bagaço da cevada com vocês!!! Vi também na internet que tem gente que vende, vai que rola! Tem também a possibilidade de vocês substituírem o malte da cevada por algum outro cereal, como por exemplo a aveia… Se não, o jeito vai ser comprar uma cervejeira, adquirir o malte, fazer a cerveja, retirar o bagaço, para então poder fazer o pão, e depois consumi-los ao mesmo tempo, que tal?! 😉

 

 

Risoto de camarão com nirá e açafrão-da-terra

Eu e minha mania de risotos 😀 😀 😀 . E de camarão, pra variar!! Mas é que é tãããão gostoso, tão prático, tão democrático, tão bonito, que não tem como dar errado, não tem como alguém não gostar!! A não ser que seja alguém alérgico a camarões… Aí é só substituir por tirinhas de frango 😀

Recebi alguns amigos no sábado e aí foi aquela coisa meio improvisada outra vez. O que é que eu tinha no freezer dando sopa?!! Camarão. E melhor: já descascado, e com as casquinhas reservadas, pra fazer o caldo. Este é o pulo do gato em matéria de risotos: o caldo. O ideal é que você o prepare em casa.

O açafrão que utilizei na receita é o “açafrão-da-terra“, também conhecido por cúrcuma (não é o açafrão utilizado na “paella”, que é extraído dos estigmas de flores). Trata-se de um pó amarelo, proveniente da raiz de uma planta da família do gengibre. Ele confere uma linda cor amarela aos pratos. É comum na culinária indiana. Pode ser usado em caldos, maioneses, sopas, peixes cozidos, feijões e ensopados de um modo geral. Estudos indicam que ele traz benefícios à saúde, principalmente no combate ao câncer e ao mal de Alzheimer. Tem poder anti-inflamatório. Maravilha então, podemos unir o útil ao agradável!!

Açafrão-da-terra ou cúrcuma (foto da Wikipédia)

Então vamos à receita improvisada que deu bem para 5 pessoas:

Risoto de Camarão com Nirá e Açafrão

Ingredientes:

  • 1,2 kg de camarão médio
  • 4 dentes de alho
  • sal e pimenta do reino a gosto
  • azeite para fritar os camarões
  • cascas dos camarões
  • 1 cenoura pequena
  • 2 cebolas
  • 1 folha de louro
  • 1 alho poró
  • 350g arroz arbóreo (próprio para risoto do tipo “italiano”)
  • 1 xícara de vinho branco seco
  • 1 colher sopa cheia de açafrão-da-terra (cúrcuma)
  • 1 maço de nirá (também chamado de alho japonês)
  • 2 colheres sopa de queijo parmesão
  • 100g de creme de leite
  • 50g de manteiga gelada

Modo de preparo:

Descascar e limpar os camarões. Depois temperar com dois dentes de alho amassados, sal e pimenta do reino a gosto. Reservar.

Em uma panela, colocar as cascas dos camarões, a cenoura fatiada, 1 cebola fatiada, o louro e folhas do alho poró picadas (parte mais verde). Se você quiser, pode acrescentar alguma erva aromática, como alecrim fresco, tomilho… Acrescentar bastante água (em torno de 1 litro) e deixa fervendo em fogo baixo por uns 30 min, para apurar o caldo. Coar e reservar.

Numa frigideira grande com azeite, grelhe rapidamente os camarões, deixe-os levemente dourados. Reserve.

Picar 1 cebola e 2 dentes de alho (finamente) para o arroz. Picar também o nirá, em pedaços de uns 2 ou 3 cm.

Numa panela funda (melhor que seja de fundo triplo) colocar azeite. Fritar primeiro o alho, deixando-o dourado e depois acrescentar a cebola. Refogar um pouco e depois incluir o arroz. Refogar mais um pouco e acrescentar o vinho branco.

Mexer até secar o vinho, depois juntar o nirá e o restante do alho poró em pequenas rodelas (parte mais branca, do caule). Misturar um pouco e começar a acrescentar aos poucos, com ajuda de uma concha, o caldo de camarão, que deve estar bem quente (deixar em fogo bem baixinho para manter a temperatura até o fim do cozimento do arroz). Neste momento, acrescentar também o açafrão.

Na metade do cozimento do arroz, juntar os camarões, raspando a frigideira, para entrar o caldo (e alho) que restou de sua fritura. Mexer com delicadeza e continuar acrescentando o caldo. De vez em quando experimente, para não deixar o arroz cozinhar demais, ele deve ficar al dente (levemente durinho).

Acrescentar o creme de leite e o queijo parmesão ralado quando estiver praticamente pronto. Misturar bem, colocar mais um pouquinho de caldo, deixar o arroz úmido e cremoso.

Ao desligar o fogo, acrescentar a manteiga e mexer delicadamente. Ele ficará num tom dourado e brilhoso.

Sirva imediatamente. Disponibilize na mesa um bom azeite, parmesão ralado e pimenta do reino.

Para harmonizar, seria excelente um vinho branco gelado, encorpado, de repente um bom Chardonnay. Eu adoro vinho verde também, neste dia estava tomando um Casal Garcia. Mas vinho é pessoal, cada um tem um gosto, portanto, combine com o que você preferir!

Ah! E se você é como eu e também adora nirá, segue outra receita que fiz recentemente com este ingrediente: Macarrão bifum com camarão e nirá.

 

 

 

 

 

 

Chapada dos Veadeiros (GO) e a “matula”

Jardim de Maytreia – Cartão postal da Chapada dos Veadeiros

Conhecem a Chapada dos Veadeiros?!!! Fiquei absolutamente apaixonada. Um paraíso para os amantes da natureza. Mas principalmente para aqueles que têm muita disposição e preparo físico, pois normalmente você precisa acordar cedo e saber que os acessos às melhores atrações não são fáceis e vão requerer uma certa resistência física. Ou seja, é a minha cara, hahaha. Nada como caminhar o dia inteiro com apenas água na mochila e alguns lanchinhos leves, ir à exaustão subindo, descendo trilhas, pedras, riachos e tomando banho de cachoeira, depois ficar louca de sede e fome e tomar uma cerveja estupidamente gelada e devorar um prato de comida como faria um tropeiro do século XVII depois de horas de viagem em cima de uma mula. Aaaaaaahhh, gente, a sensação é indescritível… alguém se identifica?!! 😀

Uma das Cachoeiras de “Loquinhas” – Alto Paraíso de Goiás

Havíamos pensado em ir à Chapada dos Veadeiros há muitas anos atrás, mas era aquela coisa de ficar adiando, adiando, adiando. Terminamos nos decidindo agora no último feriadão da semana santa.

Antes de viajarmos, lemos muitos blogs e guias de turismo para melhor escolhermos as nossas aventuras. Todas foram maravilhosas, umas mais marcantes que outras, mas tudo foi verdadeiramente surpreendente. Primeiro decidimos qual a Pousada que ficaríamos, e não nos arrependemos de jeito nenhum. Pousada Por do Sol, localizada na Vila de São Jorge, que fica na porta de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, foi bem estratégica e confortável pra gente. A maioria das pessoas opta por se hospedar em Alto Paraíso de Goiás, que é maior e tem mais infraestrutura. Eu preferi a vila mais rústica e calma de São Jorge.

Vale da Lua – atração imperdível próxima a São Jorge

Apenas para vocês terem uma ideia, pois não quero me estender em detalhes da nossa programação, tivemos 5 dias livres e mais a metade do 6º dia, que correspondeu ao período do domingo até a sexta-feira santa, quando então pegaríamos a estrada de volta pra Brasília e depois avião de volta para o Rio. Abaixo, nosso roteiro básico:

1º dia – Trilha dos Saltos do Rio Preto – dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – 11km ida e volta, com duas cachoeiras belíssimas (120m e 80m) e uma corredeira.

2º dia – Trilha do Mirante da Janela – por fora do Parque, mas com visual das Cachoeiras do Rio Preto – (8km ida e volta, com Cachoeira do Abismo e Mirante da Janela, que oferece vista espetacular das Cachoeiras do Rio Preto).

3º dia – Cachoeira Loquinhas (uma sequência lindíssima de poços e cachoeiras cristalinas, de fácil acesso) e Fazenda São Bento (trilha não muito longa para as Cachoeiras Almécegas I, Almécegas II e São Bento)

Acima – Loquinhas; abaixo: Almécegas I e Almécegas II

4º dia – Cachoeira Santa Bárbara (considerada a cachoeira mais bonita da região (e realmente é imperdível), requer longa viagem à Cavalcante e depois 27 km de estrada de terra, horrível por sinal) e Cachoeira da Capivara.

As duas primeiras fotos – Cachoeira Santa Bárbara; e a última – Capivara

Cachoeira Santa Bárbara e suas águas convidativas

5º dia – Vale da Lua (um lugar exótico, encantador, com banho ótimo e de fácil acesso) Fazenda Raizama (dois lugares pra banho, com cachoeira, muito tranquilos) e Águas Termais do Morro Vermelho (perfeito para descansar no final do dia, em água quentinha de 28 graus).

As duas primeiras fotos – Vale da Lua; e a última – Raizama

Fazenda Morada do Sol (nosso último passeio, com direito a cânion, cachoeira e um ótimo poço para banho).

Mas eu comecei todo esse post aqui porque queria falar da “matula“. O dicionário Aurélio on line traz o significado de “alforje pra viagem; farnel”. A “matula” nasceu com os tropeiros, que adentravam terras brasileiras, lá nos idos dos séculos XVII e XVIII levando suas mulas guarnecidas de alimentos para comercializar, nas regiões do Sul e Sudeste. Ela era a alimentação principal do tropeiro, que consistia normalmente em feijão ou tutu de feijão, temperado com açafrão, e mais: arroz, abóbora, linguiça, “carne de lata” ou carne de sol, aipim (macaxeira), farinha de mandioca…

Eu havia lido num blog que quem fosse ao interior de Goiás, precisava conhecer a “matula” que até hoje é preparada em vários lugares (lares e restaurantes), preservando a história da gastronomia daquela região. Na Chapada dos Veadeiros, depois de algumas pesquisas, descobri que a matula mais famosa é do Rancho do Waldomiro. Encaixei no meu roteiro, claro. No dia em que fomos à Cachoeira Loquinhas e Fazenda São Bento, aproveitamos para visitar o Rancho, pois fica perto de lá, já no caminho para São Jorge. Chegamos ao restaurante no final da tarde e tudo que eu mais desejava era “um prato de comida” (meu chefe usa essas palavras quando a fome aperta muito e o atendente do delivery pergunta ao telefone: – o que o senhor vai querer hoje?! rsrs).

O Rancho do Waldomiro não fica longe da Fazenda São Bento. São 9,5 km sentido Vila de São Jorge. É uma espécie de  cabana, com teto de palha, com camping ao lado. Estava vazio quando chegamos, até pensei que estava fechado. Uma moça muuuito simpática nos recebeu, ofereceu uma cachaça local, rsrs. Depois vi que é especialidade deles lá, muitos sabores diferentes. Uma pena que eu e Cláudio não sejamos adeptos de uma cachacinha…

Pedimos a matula sem nem olhar o cardápio. A mocinha só nos explicou que poderia ser servida num “prato feito”, ou em porções, com cada ingrediente separadinho. Pedimos 2 pratos feitos. Afinal, tropeiro não comia tudo arrumadinho em porções, comia tudo junto num prato só, nééé?!!

Não sei se foi a fome que estávamos, mas o prato estava delicioso!! O tutu com açafrão era tudo de bom. A “carne de lata” estava divina. Fiquei perguntando como faziam aquilo. Ela me falou que era uma forma antiga de preservar a carne: primeiro ela é cozida, depois frita e acondicionada em latas, em sua própria gordura, para conservação. Uma iguaria. Pode até engordar, mas que é boa é viu… Vieram ainda no prato: macaxeira frita, abóbora, farofa com carne seca (paçoca), arroz, tomate…

“Matula” – prato típico dos antigos tropeiros

Depois ela me ofereceu um docinho caseiro de abacaxi em calda, delicioso. Disse que “não custava nada não”. Fofa ela… Mas fiz questão de pagar 5 reais pelo doce.

Abaixo, algumas flores que encontrei ao longo das trilhas. São muito variadas e exóticas. E no próximo post, tem mais sobre a Chapada dos Veadeiros!

Flores do Cerrado – Chapada dos Veadeiros

 

 

 

 

Bacalhau de forno com creme de leite

Esta Páscoa passei em casa, tentando descansar da semana anterior, que como eu havia anunciado, passamos na Chapada dos Veadeiros em Goiás. Sim, foram 6 dias de aventura, entre trilhas, cachoeiras e trombas d’água, rsrs. Depois faço um post aqui contando os principais passeios que fizemos e da excelente experiência gastronômica que tivemos lá. Hoje vou trazer, tardiamente é verdade, mas que pode ser feita a qualquer tempo (não necessariamente na páscoa), uma receita de bacalhau de forno com creme de leite super fácil. Também fiz um pernil de cordeiro, mas como já postei aqui no blog uma receita de pernil há uns 2 anos atrás, não vou me repetir! Se quiserem conferir a receita, basta clicar aqui.

Bacalhau de forno com creme de leite

Ingredientes:

(Dá para 4 pessoas com fome!)

  • 1 kg de lombo de bacalhau dessalgado (caso compre salgado, serão necessárias pelo menos 48 horas para dessalgá-lo, com várias trocas de água)
  • 500 ou 600 ml de leite
  • 5 batatas médias
  • 1/2 pimentão vermelho
  • 1 cebola roxa
  • 5 dentes de alho
  • 10 unidades de azeitonas pretas
  • 500ml de creme de leite fresco (o sabor é muito superior ao de caixinha, mas se quiser usar o de caixinha…)
  • 50 g de queijo parmesão ralado
  • azeite q.b.
  • noz moscada q.b.
  • sal e pimenta do reino q.b.

Modo de preparo:

1. Corte os pedaços de lombo ao meio e coloque-os em uma panela funda, cobrindo-os com o leite. Leve ao fogo e deixe ferver. Aguarde uns 10 minutos, desligue o fogo e escorra. Deixe esfriar. Depois com as mãos retire pele, espinhas remanescentes, e parta-os em lascas grandes.

2. Descasque as batatas e corte-as em 8 partes (no sentido mais comprido, divida em 2 partes, depois em 2 partes outra vez, e por fim, em mais 2, o que dará 8 pedaços cada batata). Leve para cozinhar em água com sal e deixe-as “al dente” (não cozinhe totalmente, deixe um pouco durinha). Escorra e reserve.

3. Corte a cebola ao meio e depois corte em fatias finas. O pimentão em tiras, os dentes de alho em fatias finas também, e as azeitonas em pequenos gomos, retirando o caroço.

4. Numa panela, leve azeite e refogue a cebola, depois acrescente o pimentão vermelho e o alho. Refogue mais uns 5 min e desligue o fogo.

5. Misture num bowl o creme de leite com um pouco de sal, noz moscada e pimenta do reino.

6. Pré aqueça o forno a 200°.

7. Numa travessa tipo pirex, arrume as batatas e as lascas de bacalhau, depois o refogado de cebola, pimentão e alho, as fatias de azeitonas. Deixe mais ou menos tudo misturado e distribuído pela travessa. Por fim, acrescente o creme de leite, e o queijo parmesão por cima.

8. Leve ao forno e deixe uns 30 ou 40 min, suficiente para terminar de cozinhar as batatas e o sabor do refogado ser absorvido pelo molho e pelo bacalhau.

Sugestão de acompanhamento: farofa de banana ouro e arroz negro, que além de “causar” (é muito mais chique!), é super nutritivo, tendo em vista que é um arroz integral. Eu normalmente compro o nacional, da marca Ruzene. Mas também já usei da marca italiana La Pastina e também achei excelente. As instruções de preparo desse arroz, está na própria caixa. O ideal é cozinhá-lo na panela de pressão.

Só pra vcs terem uma ideia, no site www.saude.abril.com.br há uma matéria em que é questionado o que é melhor, se o arroz integral ou o arroz negro. Vejam a resposta: “O placar não mente: o arroz negro ganha de lavada. Eles têm mais potássio, cálcio e magnésio, além de um teor caprichado de fibras. “Essas substâncias tornam a absorção de nutrientes mais lenta, o que evita picos de glicose no sangue e aumenta a saciedade”, informa a nutricionista Elaine de Pádua, diretora da DNA Nutri, em São Paulo. Estudos ainda indicam que o arroz negro esbanja antocianinas. “Elas impedem o acúmulo de placas nas artérias, principal fator por trás de ataques cardíacos”, esclarece a especialista”.

Arroz negro é saboroso e nutritivo

E como se não bastasse, tem mais proteína também. E eu acho ele bem mais saboroso que o integral tradicional. Mas como tudo na vida, há os prós e os contras: ele é beeeeeem mais caro e demora muuuito mais pra ficar pronto. Média de preço do quilo no mercado é entre R$ 20,00 e R$ 40,00. No site da própria Ruzene, o pacote de 1kg está custando R$ 23,00, mas não sei quanto custa o frete.

Com arroz negro, também já fiz risoto de lulas, ficou maravilhoso. Ele cai super bem com frutos do mar, na minha opinião. Experimentem e me digam! Até a próxima!

 

 

 

 

Shitake Batayaki

Vou surfar hoje na mesma onda da semana passada: comida oriental! Afinal, teve gente que criou coragem e comprou um monte de ingredientes orientais pra fazer o Macarrão Bifum com Camarão e agora quer outras alternativas gastronômicas para usá-los!!! Hoje vou trazer uma receita light, bem legal pra fazer à noite, quando você não está com vontade de sujar muita coisa, nem de ter muito trabalho. Shitake Batayaki (receita típica da cozinha japonesa).

O Shitake é um cogumelo oriundo da Ásia, muito consumido na Coreia, China e Japão. A China é hoje a maior produtora e consumidora desse cogumelo. No Brasil, seu cultivo é relativamente recente (desde 1990) considerando que no Oriente ele é cultivado há mais de 1.000 anos. Na China, fazem uso medicinal do Shitake há mais de 6.000 anos!

Ele é nutritivo (possui várias vitaminas), rico em proteínas, antioxidantes e sais minerais. Para quem está querendo emagrecer, ele é recomendado, já que 100g do cogumelo fresco fornece apenas 34 calorias, muitas fibras e baixo índice glicêmico. Maravilha não? Engraçado é que apesar de ser um vegetal, ele tem uma textura e um sabor que lembra carne animal. E como se não bastasse, existem estudos que o apontam como um alimento auxiliar no combate ao câncer, além de controlar a pressão arterial e melhorar o sistema imunológico. Com tantas vantagens para a saúde, vamos comer mais cogumelos!! Existem outras variedades de cogumelos frescos disponíveis no mercado, como o Paris e o Shimeji.

Eu já postei aqui no Blog outras receitas que fiz com cogumelos, como o Penne al Funghi e Cocote de ovo com patê e cogumelos Paris.

Esta receita de Shitake Batayaki aprendi num curso de Cozinha Japonesa que fiz no SENAC há muito tempo atrás, aqui mesmo no Rio de Janeiro. Eu fiz, ao longo do tempo, algumas pequenas alterações. Dá pra duas pessoas.

Ingredientes:

  • 2 pacotes de shitake fresco (cada pacote tem 200g)
  • 4 colheres sopa de manteiga
  • pimenta do reino a gosto
  • 6 colheres sopa de shoyu (melhor utilizar o light, com menos sódio)
  • 3 colheres sopa de saquê culinário seco (se você já tem o Mirin, pode ser também, ele é mais adocicado um pouco)
  • 3 colheres sopa de açúcar
  • 1 envelope de hondashi (caldo de peixe japonês, que é vendido em pó). Se você não tiver em casa, pode ser feito sem ele.
  • 1 copo de agua
  • Opcional: um maço de nirá (picado em pedaços de uns 3cm)
  • Papel alumínio (2 folhas de uns 50 cm)

Modo de preparo:

Limpe os cogumelos com uma escovinha (não é legal lavar o cogumelo fresco com água, pois ele é esponjoso e absorve muito). Se não tiver uma escova, use uma toalha de papel, só para retirar eventuais resquícios de terra.

Corte-os em fatias finas (0,5 a 1 cm) e reserve.

Ligue o forno numa temperatura média (180°).

Em uma panela pequena, junte a água, o shoyu, o saquê, o açúcar e o hondashi. Leve ao fogo, mexa um pouco para dissolver o açúcar e ao ferver desligue.

Em uma grande frigideira, derreta a manteiga, coloque o shitake fatiado, tempere com pimenta do reino e o refogue até incorporar a manteiga e amolecer um pouco. Reserve.

Una as duas folhas de papel alumínio, uma do lado da outra, fazendo uma dobra na borda, de forma que se transforme em uma folha bem mais larga e que não deixe passar o líquido. Em uma assadeira pequena e funda, forre com esse papel alumínio, já formando um buraco central e levantando as bordas (veja a figura abaixo).

Coloque o shitake refogado, o molho, o nirá (se você optou por adicioná-lo) e feche o alumínio, juntando as bordas, de forma que fique bem vedado, pois o shitake será cozido no vapor. Esta técnica se chama na Itália de Cartoccio, ou Papillote na França. Ela permite que o alimento não perca seus nutrientes e fique bem macio.

Leve o “cartoccio” ao forno por uns 30 minutos (o shitake deve ficar al dente). Ao retirar do forno tenha muito cuidado. Dentro do cartoccio fica acumulado um vapor muito quente e ao abrir este vapor pode queimar a sua mão. Abra com a ajuda de um garfo longo.

Leve à mesa de imediato, e sirva com os hashis, ou com garfos, se não for muito hábil com eles, rsrs.

Você pode acompanhar esta delícia com um leve saquê gelado. Ou a bebida que preferir.

Uma vez reaproveitei este molho, no dia seguinte, para outra leva de cogumelos, ficou muito bom. Guardei-o em um pote de vidro na geladeira depois de frio.

Semana que vem vou viajar para a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e trarei dicas de lá. Experimentarei as guloseimas típicas do Cerrado. Me aguardem!!!

 

Macarrão bifum com camarão e nirá

Pegando carona no sucesso de meu post anterior (Frango à Espanhola), e no sucesso que a foto acima fez em meu facebook e instagram, trago hoje uma receita exótica/oriental com macarrão bifum. Já ouviram falar?! É aquele macarrão beeeeem fininho feito de arroz, muitíssimo utilizado na culinária chinesa, japonesa, tailandesa, enfim, em toda a cozinha oriental. A vantagem dele, para alguns, é que não tem glúten, já que não é feito com farinha de trigo. Para mim, o interessante é a consistência e o sabor neutro, permitindo que qualquer proteína, ou simplesmente legumes grelhados, combinem com ele perfeitamente. Usei este abaixo (que é nacional):Mas é que sábado passado baixou um espírito japonês em mim!! Quem me segue no Instagram (luhazin) viu as fotos, rsrsrs. Fui na feira da Paulo Barreto logo cedo e comprei um belo de um salmão fresquinho (a R$ 65,00 o kilo não podemos nos dar ao luxo de fazer isto todos os finais de semana….). Arregacei as mangas, peguei minha faca de cerâmica e fiz sashimi, sushi, hot roll (hot Philadelphia), guioza (que um amigo levou) e este macarrão que improvisei na hora (eu já tinha tomado todas, rsrsrs). Foi um verdadeiro festival. Ainda finalizei com um fondue de chocolate com licor de avelãs, mas isso já é oooooutra história…

Apesar da macarronada ter sido improvisada, bem que deu certo viu?!!! Segue abaixo o passo-a-passo, mas as quantidades não estão assim tãããão milimetricamente medidas… pois eu já tinha tomado pelo menos umas 5 cervejas e ao menos dois cálices de saquê, hahaha. Portanto, eu posso ter botado um pouquinho mais, ou um pouquinho menos, mas podem crer que o resultado final não vai ser muito diferente!!

Vamos lá… Ingredientes:

  • 1 pacote 500g de macarrão bifum (pode ser o nacional!!)
  • 1 kg de camarão
  • 2 dentes de alho
  • pimenta do reino a gosto
  • sal a gosto
  • 1 pimenda dedo-de-moça (eu não botei mas fez muita falta!!!)
  • azeite para refogar o camarão
  • 2 maços de nirá (também chamado de alho japonês, é da mesma família do alho e da cebola!)
  • 1 colher sobremesa de gengibre fresco ralado
  • Molho tonkatsu (1/2 xícara)
  • Molho shoyu (1/2 xícara)
  • Saquê licoroso Tozan Mirim (de 1/2 a 1 xícara)
  • 5 a 10 gotas de óleo de amendoim (tem que ser com parcimônia!!)

Obs: Esses produtos (bifum, tonkatsu, saquê Mirin) vocês podem encontrar em lojas que vendem produtos orientais, ou nas Casas Pedro aqui no Rio. Caso queiram se aventurar na cozinha japonesa, aproveitem e já comprem outros itens que valem a pena, como o arroz japonês para sushi, nori (folhas finas feitas com algas marinhas para fazer hot philadelphia e outros rolls), vinagre de arroz (para temperar o arroz), raiz forte em pasta, shoyu, e muito mais…. tem até guiozas prontos!

Modo de preparo:

Descasque, limpe e tempere os camarões com o alho amassado, pimenta do reino e sal. Reserve nesse tempero por pelo menos 20 min.

Lave o nirá e pique-o em pedaços de uns 3 cm. Lave a pimenta dedo de moça, retire as sementes e pique o mais fininho possível.

Leve uma panela grande com água para ferver.

Numa frigideira grande, coloque azeite, espere esquentar e coloque o camarão para grelhar. Logo depois, acrescente o gengibre ralado, a pimenta dedo de moça e o nirá. Refogue mais um pouco e desligue o fogo.

Quando a água estiver fervendo, acrescente sal, deixe levantar fervura novamente e acrescente o macarrão bifum. Mexa bem para ele não grudar.

Enquanto ele cozinha, prepare uma tigela com água gelada e pedras de gelo. Quando o macarrão estiver “al dente” (firme), escorrer e jogar dentro desta tigela com água e gelo. Deixar ele esfriar por completo e então escorrer outra vez.

Volte à frigideira. Ligue o fogo e acrescente os molhos tonkatsu e shoyu, bem como o saquê. E gotas do óleo de amendoim. Misture tudo, deixe ferver e acrescente o macarrão. Incorpore bem todos os ingredientes. Sirva em seguida.

O molho fica um pouco adocicado, devido ao Tonkatsu e ao saquê Mirin, em contraste com o shoyu que é bastante salgado.

Acompanhado de saquê gelado, ou um vinho branco, este prato ficará perfeito!!

 

 

 

 

Frango à Espanhola – Receita de família

Uma pausa na viagem do Canadá pra gente aprender uma receitinha nova (na verdade, velha conhecida minha). Trago hoje pra vocês uma sugestão para o final de semana, considerando que tenham planos de convidar amigos pra tomar um vinho, ou mesmo dar uma variada no cardápio da família! Eu mesma faço isso de vez em quando… (as duas coisas, rsrs). Trata-se de um Frango à Espanhola!

Esta receita era de minha mãe. Aliás, confesso que eu não tenho certeza disso, até acho que não. Desconfio que ela um dia a tenha visto em alguma revista, ou livro de receita e resolveu experimentar. Desde esse dia, não parou mais de fazê-la. Até porque todos nós (éramos 6!!!) ficamos fãs dela (da receita, pois da cozinheira já éramos!). Sempre aparecia como a estrela principal em dias de festa ou almoços especiais. Por isso acho justo que seja “receita de família“, pois ninguém, nem a pessoa que a inventou lá na Espanha, saberia executá-la de maneira mais perfeita que minha mãe. Para mim, ela ficou com “sabor de infância”. Lembro que até minha cadelinha na época (uma pinscher chamada Flor) adorava! kkk.

Então… eu resolvi hoje fazer o Frango à Espanhola, ficou muuuito bom, mas não cheguei à perfeição da minha mãe (até porque já fiz a receita alterando aqui e ali, hahaha). Precisarei repeti-lo algumas dezenas de vezes para sair tão bom quanto o meu “homus tahine“, “charuto de folha de uva“, “risoto cremoso de camarão com alho poró“, ou ainda minha “macarronada de camarão ao coco“, minhas maiores especialidades, hehe. Mas vou compartilhar com vocês mesmo assim, pois no fundo, nunca nenhuma receita sai igual à outra e vocês criarão as suas próprias versões de Frango à Espanhola!

Ingredientes:

  • 2 kg de frango em pedaços (usei coxas e sobrecoxas)
  • 4 dentes de alho esmagados
  • sal e pimenta do reino a gosto
  • 2 cebolas em rodelas
  • 4 tomates picados (sem pele)
  • 1 pimentão pequeno picado
  • 4 folhas de louro
  • cheiro verde picado
  • orégano a gosto
  • 4 tabletes de caldo de galinha esfarelados
  • meia garrafa de vinho tinto (usei Miolo Seleção)
  • 1/2 xícara de azeite
  • azeitonas pretas a gosto (opcional)

Modo de preparo:

Retire a pele, lave os pedaços de frango e passe um pouco de suco de limão, sal (pouquinho, pois ainda vão entrar os tabletes de caldo que já são salgados) e pimenta do reino. Reserve.

Faça a “mise en place” (expressão francesa que significa deixar todos os ingredientes lavados e picados prontos para uso).

Ligue o forno entre 180°-200°. Pegue uma travessa funda (usei minha panela wok pois sumiu a minha marinex grande…) e disponha primeiramente os pedaços de frango.

Vá juntando os outros ingredientes: o alho (esfregue no frango), as cebolas, tomates, pimentão, louro, cheiro verde, orégano, pimenta do reino, farelos do caldo de galinha, azeitonas.

Por último, acrescente o vinho e o azeite. O ideal é que a travessa seja do tamanho ideal para que os pedaços fiquem todos juntinhos e cobertos pelo vinho e azeite.

Coloque no forno com um papel alumínio por 1 hora, depois retire e deixe assar por mais 30 min.

Sirva com arroz branco, ou batatas cozidas. Como o prato já tem um sabor e um molho bem marcante, o ideal é que o acompanhamento seja de sabor mais neutro.

Servi com arroz integral, porque durante a semana nós somos super comportados lá em casa (final de semana a gente se vinga, kkk). Sugiro que vocês tentem fazer este prato no final de semana e sirvam acompanhado de um bom vinho espanhol. Garanto que fará o maior sucesso!

E se vocês têm simpatia pela gastronomia espanhola, vejam mais em Noite Espanhola um super evento que organizei por ocasião do aniversário de minha irmã, em Brasília. Um grande abraço e até breve!!