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Região do Beaujolais – França

Região próxima a Oingt

No nosso primeiro final de semana em Lyon, decidimos alugar um carro e explorar a região vinícola da Borgonha, mais especificamente na área mais ao sul, onde são produzidos os famosos vinhos Beaujolais (feitos com a uva Gamay). O plano era subir o Rio Saône até próximo à Mâcon, onde pernoitaríamos em um mini “château”, comandado por um casal, onde ela é a Chef de cozinha e ele faz o papel de anfitrião e cuida da propriedade. Foi um final de semana realmente memorável, que conto agora.

No sábado logo cedo, alugamos um carro na Sixt, dentro da Gare Part-Dieu (a estação de trem de Lyon). Pegamos inicialmente uma estrada principal, mas assim que nos aproximamos das vinícolas, escolhemos as estradas secundárias, beeeeem secundárias mesmo, rsrs, a ponto de quase nos perdermos algumas vezes. Primeira parada foi na cidade graciosíssima de Oingt (difícil foi saber como pronunciar esse nome, pois nem mesmo os franceses se entenderam, hahaha). Vilinha medieval e extremamente bem conservada. Está entre as mais belas aldeias da França. Se situa no alto de uma colina, numa região rodeada de montanhas e plantações de uva. Super fotogênica.

Oingt – a vila estava deserta

Oingt de vários ângulos

Parreiras aos pés de Oingt

Depois seguimos até Villefranche-sur-Saône, muito maior que a primeira, porém menos graciosa. Andamos toda a rua principal, abarrotada de lojas, bares e restaurantes. Quando bateu a fome, elegemos a Brasserie La Chapelle, que achei simpática. O prédio era bonitinho, o ambiente aconchegante. A comida foi bem honesta, a garçonete um amor (eficiente e simpática). Escolhemos o “menu du jour”: bife (contra-filé, tava macio) com fritas e salada e sobremesa a sua escolha. A minha foi uma espécie de “pavê” de morangos, em taça, com biscoito, creme e chantilly. Chamava-se “Frisier”. Cláudio preferiu o clássico “crème brulée”. Ambas estavam ótimas. Tomei chopp Leff (ótimo!) e vinho Beaujolais Village. Conta honesta de 42 euros.

Villefranche-sur-Saône

Brasserie la Chapelle

A partir daí passamos em várias pequenas vilas de produção de vinhos, tais como: Vaux-en-Beaujolais, Beaujeau, Lantignié, Morgon e Villié-Morgon, Chiroubles, Fleurie. Nestas duas últimas, paramos para degustar vinhos. Em Chiroubles não curtimos muito, experimentamos um espumante e dois tintos diferentes. Seguimos então até Fleurie. Fizemos uma degustação maravilhosa com 7 vinhos diferentes! Inicialmente subimos uma montanha até uma pequena igreja de onde se tinha uma linda vista da pequena vila. Na descida, entramos na vinícola chamada Domaine de La Madone, e um rapaz muito simpático nos convenceu a degustar todos esses vinhos. Terminamos comprando uma garrafa do vinho que achamos mais saboroso, por 12 euros.

Fleurie

Passamos depois pelo Château de Corcelles, mas só tiramos fotos do lado de fora, muito bonito, rodeado de parreirais. Pelo que pudemos ver, ele realiza eventos no local, tipo casamentos e festas.

Château de Corcelles

Por fim chegamos em nossa pousada, “Les Clos de Flacé“. Muito queridos os proprietários. Ficaram felizes de saber que éramos brasileiros. Eles já tinham vindo ao Brasil e haviam adorado. O quarto que nos deram era ótimo, com duas camas de casal e um banheiro com varanda (uma novidade pra mim, rsrsrs). Tudo arrumadinho e de bom gosto. Pegamos com eles uma dica de supermercado próximo (um Carrefour fantástico) e trouxemos para o hotel o nosso “jantar”, pois não havíamos avisado antes e o hotel já estava com um jantar reservado para outros hóspedes que estavam lá aquela noite. Fizemos nossa refeição no jardim da pousada, com um gatinho de olhar pidão nos fazendo companhia. Consistiu em baguete, queijo local Saint Marcellin (muito bom!!) e “bloc de foie gras”. Para nós, tudo divino. Tomamos o vinho que havíamos comprado na vinícola de Fleurie.

Les Clos de Flacé – estada deliciosa

Dia seguinte (domingo) seguimos cedo primeiramente para conhecer as ruínas de uma antiga abadia: Abbaye de Cluny. Sugestão do nosso casal anfitrião. Valeu a pena, mas o que resta da Abadia é muito pouco, ficamos um pouquinho frustrados. Ela foi praticamente toda destruída. Ainda demos uma pequena caminhada pelo centrinho da cidade e até comprei uma faca do tipo canivete da Opinel, uma marca tradicional de cutelaria francesa. Ela foi super útil pra mim em Lyon, pois as facas que tinham em nosso apartamento não eram lá muito católicas…

Abbaye de Cluny

Centrinho de Cluny

Seguimos então para Bourg-en-Bresse, que eu queria de todo jeito almoçar, por causa da sua tão falada “Poulet de Bresse“, uma galinha especialíssima, com selo AOC (Appellation d’Origine Contrôlée), do tipo caipira (ou capoeira), ou seja, criada solta, livre de hormônios e etc. Pelas informações que li, elas só comem minhoca e … leite!!!! 😀 😀 😀

Difícil foi conseguir uma vaga em algum restaurante, pois estavam todos lotados. Depois descobrimos que eles estavam comemorando o dia das mães naquele domingo (era o último do mês de maio). Felizmente encontramos uma mesa no Restaurante L’Abbaye, em frente a uma linda Abadia, ou Monastério. Sentamos na área externa do restaurante, um grande jardim super arborizado. Ficamos embaixo das copas das árvores, que estavam verdíssimas. Deu um clima legal. Pedimos então o afamado “Poulet de Bresse” que acompanha batatas fritas e salada básica. Eu particularmente achei muuuito bom! A carne da galinha era super macia mesmo, eu diria cremosa, se desmanchava na boca. Nunca comi igual. Ela vem até com um selo em metal, pra que o cliente tenha certeza de que é verdadeira. Existe um controle muito grande dos produtores que são autorizados a produzi-las e comercializá-las. Eles têm que seguir regras rígidas. O mesmo que acontece com os vinhos DOC (Denominação de Origem Controlada) em Portugal.

Monastério em Bourg-en-Bresse e a Poulet de Bresse

Por fim, fomos à Perouges. Uma pérola medieval que fica a apenas 40km de Lyon. O único porém é justamente o fato dela ser muito turística, visto sua proximidade com Lyon. Obviamente que é imperdível, como são tantas outras pequenas vilas altamente turísticas da Europa, a exemplo de Óbidos em Portugal, Bruges na Bélgica ou Siena na Itália. Todas são maravilhosas. Pérouges é bem pequena e preservada. Suas ruas são de pedra, carros não entram. Muito fotogênica. Existem lá famosas “galettes” que não são os crepes de trigo sarraceno, mas uma espécie de pizza. Tem doce e salgada. Pedi a “galette pralinée” pra experimentar, feita com um creme de amêndoas cor-de-rosa (depois vou falar em detalhes desse creme, que foi uma doce e incrível descoberta que fiz em Lyon, muito melhor que esta que comi aqui em Pérouges).

Pérouges – vila medieval a 40km de Lyon

Pracinha central em Pérouges

Voltamos para “nossa casa” exaustos, após largarmos o carro na Gare. Dia seguinte era dia de branco, tínhamos que dormir cedo. Dia de branco na França é très chic não?! hehehe. Em breve tem mais!!! Au revoir!!!

 

 

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Borgonha – França

Minha ficha ainda está caindo, mas já estou no Brasil, em casa, voltando aos poucos à minha rotina. Tenho frequentado as aulas da faculdade, mas não voltei ainda ao trabalho, o que me dá um pouco mais de tempo para me readaptar ao meu dia-a-dia. Tenho até o dia 02/11 para “descansar” da viagem. Isto mesmo, descansar e … “cair na real”. Não é fácil voltar depois de tantos dias maravilhosos na Europa, principalmente quando seu último destino foi a França. Fico sempre com uma sensação esquisita e contraditória. Feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz de rever meu lar, meus filhos, Lean (minha whippet), de dormir em minha cama outra vez… Porém, é intraduzível a opressora sensação de acordar de um sonho fantástico, daqueles que você gostaria que se prolongasse por muito mais, muuuuuuuito mais tempo. No entanto, esta viagem me serviu para determinar um objetivo em minha vida (e eu costumo cumprir meus objetivos, ainda que a longuíssimo prazo). Eu e Cláudio iremos morar por um ano na França, depois que eu me aposentar, claro, não posso largar tudo e ir embora assim, sem quê nem mais. Será preciso muito planejamento até lá. Mas a França que nos aguarde!

Parreiral do Château du Clos de Vougeot - um dos mais famosos da Borgonha

Château du Clos de Vougeot – um dos mais famosos da Borgonha

Uva Pinot Noir - um dos poucos cachos que ficaram pós-colheita

Uva Pinot Noir – um dos poucos cachos que ficaram pós-colheita

Vou falar um pouquinho hoje da terra mais gostosa (literalmente) que conheci na França até hoje: a Borgonha, ou melhor, Bourgogne (segundo a minha professora de francês da Unirio, a Beth Rocha, não deve-se traduzir nomes de cidades ou regiões francesas). Esta região se localiza na França Central, abaixo da Champagne, e é muito rica – histórica, cultural, econômica e gastronomicamente. Sua capital é Dijon (lembram da mostarda?!) cuja cultura e gastronomia são fora de série. A cidade floresceu com o Ducado de Bourgogne, importante estado da Europa Medieval. Mas não fiquei hospedada lá, pois meu objetivo era conhecer mais de perto uma outra faceta da região: seus famosos vinhos de uva Pinot Noir, uma uva de difícil cultura e vinificação, mas que produz alguns dos melhores vinhos e dos mais caros do mundo (a exemplo do Romanée Conti). Dizem os especialistas que o “terroir” se expressa muito bem nesta região, onde cada detalhe reflete no sabor do vinho: o solo em que foi plantada a videira, o sol que ela recebe durante o dia, a altitude, o vento, o clima, o momento ideal de colheita…

Fiquei num simpático hotel, o Le Clos de la Vouge, em Vougeot, bem na Côte d’Or, entre as cidades de Dijon e Beaune. O pedacinho de terra mais importante, conhecido e valorizado pelos especialistas, pois é onde está a maioria dos Grand Crus (mais elevada designação que um vinhedo pode receber na Bourgogne). Não poderia ter escolhido local melhor! Em meio a infinitas plantações de uva, castelos (châteaux) e caves de degustação. Pena que só tivemos um dia inteiro para explorar a região, e ainda assim, choveu durante a manhã inteira. Apesar do contratempo, visitamos algumas caves, fizemos algumas degustações e compramos dois vinhos Grand Crus para trazermos para o Brasil. E comemos muito bem!!!!! Nooooossa, como comemos!!!

Pequena cave para degustação próxima a Beaune

Pequena cave para degustação próxima a Beaune

Mousse de chévre

Mousse de chévre

O restaurante que escolhemos para almoçar foi o L’Alambic (nome bem sugestivo….), que vcs podem entrar no link e ver como ele é lindo. O amuse-bouche nos encantou logo: uma mousse de queijo chévre (cabra) produzido na região.

Cláudio foi no menu dégustation e eu resolvi pedir apenas os famosos escargots a bourguignonne e uma l’assiete de queijos (quatro tipos diferentes para degustação).  Os escargots estavam deliciosos, em forminhas de louça, imitando as conchinhas deles, uma graça.

Escargots a bourguignonne

Escargots a bourguignonne

 

Para Cláudio, uma deliciosa mousseline de peixe com legumes e molho de camarão. Depois chegou minha “l’assiete”, contendo os queijos regionais Époisses, Comté e Brie (o Époisses é divino! tem uma crosta dourada e por dentro é super cremoso, com um sabor forte, do jeito que eu gosto). Tomamos o vinho da casa, fabricado ali mesmo, Pinot Noir, claro.

Mousseline de peixe com molho de camarões

Mousseline de peixe com molho de camarões

Queijo Époisses da Bourgogne - incrível

Queijo Époisses da Bourgogne – incrível

À noite, tivemos um outro banquete memorável, no restaurant Chez Guy, em Gevrey-Chambertin. De entrada, pedi uns escargots com molho pesto (éééé pessoal, lá na Bourgogne também rola essa história de comida contemporânea e releituras de clássicos da cozinha francesa!!).

Escargots e cogumelos ao molho pesto

Escargots e cogumelos ao molho pesto

Depois comi o que encontrei de mais típico no reduzido cardápio: uma lebre cozida durante 12 horas em vinho tinto. Derretia na boca… Eu não preciso dizer mais nada, preciso??!!

 

Lebre cozida no vinho tinto com legumes

Lebre cozida no vinho tinto com legumes

Vinho Bourgogne - Domaine de Mercey

Vinho Bourgogne – Domaine de Mercey