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Jantar francês em Recife

No último sábado fui convidada para organizar (e executar) o menu do jantar de aniversário de minha irmã mais velha, Elisabeth. Uma tradição que completa agora 8 anos… Um acontecimento sempre único, pois nunca são os mesmos convidados, nem nunca repetimos o mesmo cardápio. São sempre 8 à mesa, contando com a anfitriã (e com a Chef aqui), mas em duas ocasiões tivemos 9 pessoas, incluindo este último jantar. Foi uma noite super divertida, e especialmente prazerosa pra mim, pois aconteceu em Recife, minha querida terra natal. Pude matar as saudades do sotaque de lá hehehe. E da alegria sempre contagiante dos recifenses!!

Já havíamos feito outros jantares temáticos em Brasília, onde ela morava anteriormente. Se vocês quiserem relembrar é só clicar em: jantar mexicano, noite espanhola, jantar tailandês.

Este ano o tema foi a França, mas nada a ver com o fato de ter sido a campeã da Copa!!! Havíamos combinado desde o ano passado fazermos um jantar francês por conta mesmo da fantástica gastronomia daquele país. Eu sou fã de carteirinha. Mas uma coisa é ser admiradora da cozinha francesa, outra coisa muito diferente é tentar reproduzir um prato típico francês, à altura. Muita responsabilidade genteeeee!!! Corri um risco enooooorme!!! Mas no final das contas a diversão ficou garantida e, modéstia à parte, tenho certeza que foi um jantar inesquecível 😉

Cardápio:

  1. Entrada – Coquilles Saint-Jacques
  2. Prato Principal – Côtelette d’agneau à la moutarde Dijon et romarim
  3. Sobremesa – Crêpe Suzette

Traduzindo….

As “coquilles Saint-Jacques” são vieiras servidas em sua concha (aquela que simboliza a “Shell”) com cogumelos e molho cremoso, gratinadas no forno. Dos deuses. Segui orientações de um livro de receitas que comprei na França, com 2.000 receitas. Não se preocupem que compartilharei esta entrada com vocês, logo mais!!

As “côtelettes d’agneau” nada mais são que costeletas de cordeiro na mostarda Dijon e alecrim, grelhadas. Servi com um “aligot” adaptado por mim (o verdadeiro é feito com batata comum e um queijo fresco francês, mas eu fiz com batata doce e mussarela de búfala). Trata-se de um purê meio puxa-puxa, por causa da elasticidade do queijo que é derretido dentro do purê. Uma das maravilhas gastronômicas francesas! O outro acompanhamento do cordeiro foi o que eles chamam de “piperade de poivrons doux”, uma espécie de “ratatouille” com pimentões vermelhos, cebola, tomate, alho, vinagre balsâmico, mel e azeite.

O “crêpe suzette” é mais famoso. Um crepe de massa doce com sabor laranja, com calda de laranja, com raspa de laranja, com licor de laranja, ou seja, tudo tudo tudo laranja. Outra maravilha dos deuses. Aprendi a fazer a partir de um vídeo-aula do Chef Laurent Suaudeau (da Escola de Arte Culinária Laurent Suaudeau em São Paulo) no Youtube. Procurem, façam e comprovem, pois a receita ficou perfeita e todos amaram (encontre o vídeo pesquisando por “Revista Menu – Aprenda a fazer o clássico crepe suzette”).

Vamos hoje então aprender a fazer a deliciosa entrada com um nome carregado de simbolismo, que na tradução literal para o português fica “Conchas São-Tiago”, em homenagem ao santo e aos peregrinos que caminham centenas de quilômetros até Santiago de Compostela. O Caminho tem como símbolo esta concha (“coquille”), pois é muito comum naquela região. E aliás, ano que vem estou me programando para fazer o “Caminho francês”, que sai da França (Pirineus) e atravessa toda a Espanha até Santiago de Compostela. Mas isto é assunto para outro momento, vamos à receita…

Coquilles Saint-Jacques

Ingredientes (4 porções):

  • 24 vieiras (se estiver muito pequena seria melhor aumentar a quantidade)
  • 125g de champignon de Paris
  • 150g de manteiga
  • 1 ovo
  • 1 copo de vinho branco seco (200ml)
  • 1 colher sopa de farinha de trigo
  • 1 bouquet garni (alho poró, tomilho, alecrim, louro, amarradas com um barbante formado um “bouquet”)
  • 1 cebola
  • 200g de creme de leite fresco
  • sal, pimenta do reino, sal grosso, farinha de rosca

Modo de preparo:

Preparar um “court-bouillon” (é um caldo feito com alguns condimentos a que se adiciona vinho ou vinagre, para depois cozinhar peixe ou mariscos) com 2 copos de água, o bouquet garni , a cebola fatiada, sal grosso e pimenta. Assim que começar a ferver, colocar o vinho. Quando levantar fervura outra vez, cozinhar as vieiras por 3min.

Retirar com uma escumadeira as vieiras e reservar, depois deixar reduzir o court-bouillon por 5 a 7min em fogo médio.

Durante esse tempo, limpar e fatiar os champignons (não é para lavá-los com água! passe uma escovinha ou papel para retirar alguma areia que esteja no cogumelo).  Saltear em 30g de manteiga. Juntar as vieiras cortadas ao meio. Refogar alguns instantes, botar sal e pimenta, desligar o fogo e reservar.

Numa panela, derreter 50g de manteiga e colocar farinha. Mexer bem com colher de pau antes de acrescentar o court-bouillon previamente peneirado. Em fogo baixo, deixar cozinhar até obter um molho untuoso, cremoso. Bater em separado uma gema com creme de leite fresco. Fora do fogo, incorporar ao molho.

Guarnecer pequenos ramequins individuais com as vieiras e champignons (eu usei coquilles mesmo, comprados por minha irmã em Santiago de Compostela, mas nunca vi pra vender aqui no Brasil). Cobrir com um pouco do molho, colocar por cima um pouco de farinha de rosca. Espalhar um pouco de manteiga derretida.

Gratinar por 10min (ou até dourar)  em forno quente, 220°.

Dica fundamental para quem for usar as coquilles como recipiente: Eu fiz um purê de batata comum, na verdade, cozinhei as batatas e depois passei no espremedor. Virou uma massa grossa, que foi a minha salvação para equilibrar as coquilles na assadeira. E depois, para servir num prato aos comensais, tive que usar o mesmo purê, para que elas não ficassem bambas. Ficou perfeito.

Servi as coquilles com um vinho rosé bem gelado. O prato principal com vinho tinto, uva Cabernet Sauvignon, e de sobremesa um vinho chileno “colheita tardia” da vinícola Tarapacá. Só esqueci de fotografar os vinhos… 😦

Olhem a felicidade estampada no nosso rosto após o jantar 😀 😀 😀

E adivinhem só!!!!!! Ganhei de presente as coquilles!!!! Minha irmã que fez aniversário e eu que fui a maior presenteada!!!! Fora as novas amizades que fiz, os momentos de alegria e confraternização. Foi o máximo!

E que venha o próximo jantar em julho do ano que vem, já combinamos, será tipicamente Pernambucano 😀 Vou começar a treinar desde já \o/ \o/ \o/.

 

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Viagem ao Reino Unido e Irlanda parte 4

Do lado de fora do Reino Unido, na República da Irlanda, ou simplesmente Irlanda, tudo me pareceu mais ou menos no mesmo nível (do Reino Unido) em termos de qualidade de vida, de educação, de transporte, de economia, de organização. Tudo funciona. Os preços são mais ou menos os mesmos, nos hotéis, restaurantes e transportes públicos. A diferença, é que aqui a moeda é o Euro, enquanto que no Reino Unido é a Libra Esterlina (Pound).

Newgrange

Newgrange

Nossa primeira parada na Irlanda foi num monumento pré-histórico muito famoso (embora, antes de viajar pra Irlanda eu nunca tenha ouvido falar dele…), construído antes mesmo das pirâmides do Egito, entre 3.300 e 2.900 A.C. Trata-se de uma tumba, que tem sua câmara central iluminada por um raio de sol, ao amanhecer, apenas no dia do solstício de inverno… é realmente surpreendente, como algo tão antigo já tem tanta sofisticação matemática. Estava muito frio nesse dia. De lá partimos para Dublin, cidade que me conquistou de primeira, e que eu poderia voltar muitas outras vezes. Ficamos apenas duas noites…

Temple Bar

Temple Bar

Visita obrigatória em Dublin: Temple Bar. São duas coisas na verdade. A primeira, trata-se de uma região de bares e restaurantes, muito simpática e animada. E a outra, é o The Temple Bar, um pub antigo (1840) e tradicionalíssimo, que se destaca na região de mesmo nome. Tem uma fachada vermelha, fica de esquina, e está sempre lotado. Entramos para tomar uma Guiness com ostras (tradição local) e olharmos o movimento, pois estava rolando uma música bem irlandesa, ao vivo. Imperdível pra quem visita Dublin. A combinação de Guiness com as ostras frescas é sensacional!!

Ostras frescas com Guiness, genial

Ostras frescas com Guiness, genial

Após os aperitivos, almoçamos num restaurante situado perto do pub, o “The Shack” , onde comemos um patê de fígado de galinha de entrada e depois um contra-filé muito saboroso, embora não chegue aos pés dos argentinos…

Contra-filé do The Shack

Contra-filé do The Shack

No dia seguinte, caminhamos ao longo da famosa “Grafton Street”, a mais popular avenida de compras, passamos pelo Trinity College, cuja biblioteca é indiscutivelmente a mais impressionante que já vi, e por fim, após tirarmos fotos com a Molly Malone, almoçamos num pequeno bistrô francês, o “The Green Hen“, onde comi um “ombro” de carneiro com purê de batatas. Estava delicioso sim!

Ombro de cordeiro com purê de batatas

Ombro de cordeiro com purê de batatas

Da Irlanda, ainda conhecemos a pitoresca Kilkenny, com um lindo castelo e ruas que guardam uma atmosfera medieval; Kinsale, à beira mar, cidade de veraneio, de pesca, de bons restaurantes de frutos do mar; e Waterford, que possui uma famosa e fantástica fábrica de cristais, onde vimos verdadeiras obras de arte em cristal (nem queiram imaginar o preço!!!).  Lá, depois de muito rodar debaixo de chuva (era tarde, muitos restaurantes estavam fechados!) almoçamos num restaurante italiano, o “Emiliano’s”, com staff muito simpático, onde meu marido teve a feliz idéia de pedir vieiras, com molho rosé, ao champagne, que estava muito bom.

 

Vieiras ao molho de champagne

Vieiras ao molho de champagne

 

No próximo Post, País de Gales e Londres.

O País de Gales possui mais castelos por metro quadrado do mundo! Faz parte do Reino Unido, embora tenha um parlamento autônomo em relação à Coroa Britânica.