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Château de Blavou

Como você imagina que seria se hospedar em um castelo “de verdade”?! Nós mulheres temos um pouco desse sonho glamouroso de vivermos um dia como “rainhas”, rsrsrs. Quando topei fazer esta viagem para conhecer o Mont Saint-Michel eu não sabia que já estava definido no roteiro, duas noites no Château de Blavou, um pequeno castelo no interiorzão da França, num Parque Natural (Parc Naturel Régional du Perche). Dentro do parque há algumas vilas bem pequenas e algumas pequenas fazendas de criação de gado e caprinos. Ou seja, o castelo ficava no meio do “nada”. Fiquei empolgadíssima com essa ideia quando soube.

Jardins do Château de Blavou e arredores


Nós seis, companheiros de viagem, próximo ao Château de Blavou

O castelinho fica a 160km de Paris. Sábado de manhã partimos para o aeroporto Charles de Gaule, para recebermos o terceiro casal que viajaria conosco, e aproveitamos para pegar o carro (imenso! para até 8 pessoas) alugado na Europcar. Pegamos então a estrada e nos mandamos para o Château. Só demos uma paradinha no caminho para comermos algo, estávamos famintos. Num posto de gasolina comum, com loja de conveniência. Algumas comidinhas prontas pra vender resolveram nossa situação. Comi um sanduíche misto simples. Morri de rir com uma plaquinha em cima da porta da lanchonete (que não estava em funcionamento neste dia): “Les boissons alcoolisées ne seront servies qu’avec un plat chaud et garni…” Tradução: “Bebidas alcoólicas só serão servidas com um prato quente e guarnecido”. Achei isso original, hahahaha.

Chegamos ao Château e fomos imediatamente recebidos por Pascal, figuraça, dono e Chef de cozinha do castelo (trabalhou em restaurantes renomados em Paris e ele mesmo antigo proprietário de 2 restaurantes parisienses, além de ser professor de gastronomia). Antes mesmo de se apresentar, já foi logo contando a história do Château, sua construção (que começou no séc XV), acréscimos feitos (séc. XIX), reformas realizadas e em seguida, foi nos levando pra conhecer os cômodos todos. Dois lindos cães labradores, um branco e um preto, também nos receberam alegres. Sua esposa, Isabela, o ajuda em todos os afazeres. Eles criam ainda 3 lindos cavalos, de raça típica da região chamada “percheron”, normalmente usados para tração.

Chef Pascal com seus “Pecherons” e seus labradores

O castelo não é muuuito grande e a meu ver não está completamente “pronto” para receber hóspedes… Falando de maneira franca, a impressão que deu é que ele – o proprietário Pascal – fez uma “reforma básica” que permitisse tocar o negócio. Deve estar neste primeiro momento juntando uma grana para terminar todas as obras necessárias. O porão está vazio, há planos de se construir uma adega… as salas de estar e jantar, no andar térreo até que estão bem arrumadas (tem até piano!). A cozinha, no mesmo piso, está bem simpática também. É onde ele passa a maior parte do tempo. Aliás, nessa hora dava pra sentir o aroma maravilhoso que vinha de lá, pois ele já estava preparando o nosso jantar…

Em sentido horário: salão estar principal, porão, sala de jantar/café e cozinha

No segundo piso, ficam 5 quartos e um outro grande salão de estar com piano e poucos móveis. Os quartos são bem grandes, mas acho que deixaram um pouco a desejar em relação ao conforto. Achei minha cama pequena para tanto espaço. O edredom era curto, tive que disputar por um pedacinho dele, durante a noite, com meu marido… humpf… Ao menos nosso banheiro era legal, o banho bom. Mas no quarto de um dos casais que estava conosco, apesar do banheiro enorme, não havia cortinas nem vidro de proteção na banheira, e nem mesmo um lugar para prender a ducha. Ou seja, a pessoa tinha que necessariamente tomar banho deitado. E com relação à calefação do ambiente, aí foi mais complicado… O quarto estava sempre gelado. Enquanto lá fora fazia 5 graus, dentro deveria estar uns 10 graus! O aquecedor era daqueles antigos, tubulares, por onde passa água quente, mas nunca passava… 😐

Minha cama, minha janela, salão de estar 2º piso

Mas ele, o Chef, aaaahhhh, iria nos recompensar…  Depois de conhecermos as redondezas (passamos em Le Pin-La-Garenne, vilinha próxima com menos de 1.000 habitantes, rsrs), comprarmos uns queijos locais, um embutido tipo salame feito com nozes, vinhos rosés e baguetes. Um doce tipo “mil folhas” recheado de creme, maravilhoso. Lanchamos no salão do 1º andar do Château, no final da tarde. E mais tarde, Pascal nos serviu um jantar de primeiríssima.

E foi assim. Pontualmente, às 20h, conforme combinado, estávamos todos sentados à linda mesa. Ele nos trouxe uma cidra (bebida fermentada de suco de maçã) de aperitivo. Depois nos serviu um pão feito na casa (ele é especialista em pães) e um vinho tinto (Bordeaux) que nos acompanharia todo o jantar.

De entrada, um prato delicioso. Para mim, o melhor de todos. Uma espécie de pastel folhado, de forno, recheado com queijo (pont l’éveque, local), bacon e maçãs. Saladinha pra acompanhar, de rúcula fresca. De-li-ci-o-so.

Nosso prato principal também estava muito bom, mas não tinha a genialidade do primeiro. Um filé mignon, com um molho reduzido muito saboroso com um tempero especial: alecrim fresquinho da horta. Eles chamam alecrim de “romarin”. Acompanhado de risoto de açafrão.

Sobremesa: um “crème pâtissière” (creme de confeiteiro) com morangos, base de biscoito. Muito saborosa também! E delicadíssima.

Durante a noite passei frio, não consegui dormir muito bem. E acordamos (eu e Cláudio) cedinho, para correr 12 km (nossa mais nova mania, hehe). Fazia 3 graus! O sol estava nascendo e havia uma bruma branca por cima do gramado, onde estavam os cavalos brincando. Uma imagem linda, parecia um sonho. Pena não termos tirado fotos. Reunimos coragem, saímos e cumprimos a nossa meta. Nos divertimos com as vaquinhas que, ao longo do caminho, nos olhavam espantadas. Acho que nunca tinham visto “bicho homem” aquela hora da manhã, muito menos correndo pela estrada deserta, hahahaha.

E para coroar nossa vitória, um maravilhoso café da manhã, com pãezinhos especiais feitos pelo Chef Pascal, geleias de frutas caseiras, queijos da região, suco de maçã, chocolate quente…. ai…. este sim foi um sonho realizado…

No próximo post, você vai conhecer uma linda cidade medieval, chamada Dinan, na região da Bretanha. E em seguida, Saint-Malo, na beira-mar, cujo centro histórico é rodeado por uma linda muralha medieval bem preservada.

 

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Férias à vista!!!

Meu último post foi do dia 06/04, estou em falta com vocês, mas estou no clima dos últimos preparativos para uma viagem de férias que começa hoje à noite, para minha grande felicidade \o/. Nada é melhor do que viajar, concordam?!! É para mim uma experiência tão rica, tão fantástica, tão revolucionária eu diria, que nada, nada, pode se comparar. Todas que fiz até hoje, operaram alguma mudança dentro de mim. Volto diferente cada vez que me ausento de casa, da rotina, do trabalho, do dia-a-dia. E o melhor: é irreversível. Nunca mais volto a ser exatamente a mesma pessoa. Ter contato com outras culturas é fascinante!!

Minha próxima viagem será para a França. Já fui algumas vezes lá, cada uma com um roteiro diferente, um momento especial. Mas desta vez será uma viagem rápida, de 10 dias, com o objetivo maior de conhecer o Mont Saint-Michel (Patrimônio Mundial da Unesco), na Normandia, norte do país. E não iremos apenas eu e meu marido. Vamos com mais dois casais, o que pra nós também será algo novo.

Trata-se de uma pequena ilha (e um pequeno monte também) onde foi construída uma abadia (com mais de 1000 anos!!) que os franceses apelidaram de “la merveille” (a maravilha). Na pontinha da torre da Abadia encontra-se uma imagem do Arcanjo São Miguel, daí a origem do nome deste lindo santuário.

O que fascina a todos nesse lugar, é que em alguns dias do ano, na lua cheia, a maré sobe tanto e tão rapidamente, que o que antes era um grande areal em seu entorno, torna-se água. As planícies próximas ao mar, terminam ficando cheias de sal e a grama que cresce fica “temperada”. Por isso, dizem, a Normandia produz os melhores queijos do mundo (inclusive o camembert!). É que as ovelhas, vacas e cabras se alimentam desta grama salgadinha… Vou lá conferir esses queijos, rsrs.

À noite, o Mont Saint-Michel iluminado é algo inesquecível de se ver, pelo menos é o que ouço falar. Ele fica todo iluminado.

Pretendo explorar ao máximo o que a região tem de melhor, em termos gastronômicos, considerando que teremos tão pouco tempo. Tanto a Normandia quanto a Bretanha, onde também passaremos alguns dias, têm uma gastronomia bem peculiar.

Nosso roteiro: Paris (2 dias) – Château de Blavou (2 dias) – Dinan (cidade medieval) – Saint-Malo (2 dias) – Utah Beach (uma das praias do Desembarque Americano na 2ª Guerra Mundial – o famoso dia D) – Honfleur (1 dia) – Jumièges – Rouen – Paris (mais 2 dias). Obviamente que como estaremos de carro, alterações podem ser feitas a todo momento. Na volta, faço um relato mais detalhado!

Enfim, esse post foi mais para avisá-los de minha breve e necessária ausência, hehehe. Em maio estarei de volta, com muitas novidades!!! Aguardem os relatos sobre minhas experiências gastronômicas!!