Arquivo de Tag | cozinha contemporânea

Lasai – para ir com fome e com tempo!

Em comemoração aos nossos aniversários (meu e do meu marido) que aconteceram recentemente, fomos jantar no Restaurante Lasai. Segundo pesquisa que fiz, este nome significa “tranquilo” na língua dos bascos – povo que habita a região nordeste da Espanha, justamente onde fica o Mugaritz, restaurante espanhol (eleito este ano o 6º melhor do mundo, pela revista britânica Restaurant, e que atualmente tem 2 estrelas Michelin) onde o Chef Rafa Costa e Silva trabalhou por 5 anos. Ele é novo, formado em Nova York, trabalhou em vários restaurantes mundo afora e agora está de volta ao Rio (ele é carioca) onde abriu seu Lasai. E olhem, o melhor de tudo, é que ele escolheu um belo sobrado em Botafogo!!!! Melhor lugar não tem no Rio de Janeiro ;-).

Salão do Lasai e decoração de nossa mesa (um tipo de nabo)

Salão do Lasai e decoração de nossa mesa (um tipo de nabo colhido na horta do Chef)

Vinho francês, Côtes du Rhône que tomamos durante o jantar

Vinho francês, Côtes du Rhône que tomamos durante o jantar

Fizemos reserva e chegamos pontualmente às 20h. Sentamos no salão da frente, que é o principal, numa mesinha para dois, próximo a adega. Há ainda um lounge e um mezanino no andar superior. A cozinha fica num nível intermediário, toda aberta para quem quiser bisbilhotar, e para minha sorte, o Chef estava lá. Ao final do jantar, aproveitei para tietar um pouquinho, rsrs.

Eu não vou me estender muito em conversas, pois o “menu confiance”, chamado “Festival”, conta com 15 mini-pratos (13 salgados e 2 doces), de forma que se eu ficar me estendendo muito aqui, este post vai ficar imeeeeenso. Vou publicar as fotos abaixo, com as informações principais de cada prato, do jeito que nos foi informado (e que graças a Deus eu tive a ideia de ir anotando, pois seria impossível decorar!), mas não entrarei em muitos detalhes, até porque não dava pra saber tudo né?! Só tendo uma looonga conversa com o Rafa…

Ao lado da descrição do prato, vou dar a minha nota pessoal (de 7 a 10, porque nenhum foi abaixo disso, rsrs). Não deixem de observar também, as louças (e outros utensílios) em que os pratos foram servidos…

1) Crocante de aipim com pastinha de grão-de-bico e pepino. 9

Lasai

2) Neste prato, havia três comidinhas diferentes:

Abobrinha com praliné de castanha (doce, tipo um caramelo, com castanha-de-caju picadinha) e crema ácida (tipo sour cream, ou creme azedo). 10

Banana frita com tartar de peixe branco, molho de ostra e gengibre. 9

Couve-flor (meio descontruída): talo cozido com uma crocantezinho por cima, feito com doce de leite das flores e folhas desidratadas. 8

Lasai

3) Blinis de beterraba (mini-crepes) recheados com ricota de ovelha e nabo. 8

Lasai

4) Tempurá de acelga e cebolinha fresca, com molho cítrico. 10

Lasai

5) Brandade de pargo (creme de batata e peixe pargo) com chips de batata roxa (nunca tinha visto, adorei!). 10

Lasai

6) Folha de alface romana em infusão de hortelã (alface com sabor de hortelã, interessante…) recheada com porco crocante. 7

Lasai

7) Arroz com embutidos (frito, em forma de hóstia) crocante, com língua e aioli (molho francês com alho, azeite e gemas). 9

Lasai

8) Mini-tapioca de rabada (o recheio era rabada desfiada, bem macia, simplesmente sensacional). 10

Lasai

9) Beterrabas diversas em cubinhos (4 tipos), alho-poró na brasa, rúcula, creme de leite de ovelha. 7

Lasai

10) Gema caipira cozida lentamente (fica cremosa), e em volta, creme de inhame com leite de coco, crispy de carne seca (fantástico) e pão caseiro com grãos, tostado na chapa. Esse foi o prato que mais amei. 10

Lasai

11) Vieiras, tutano de boi, mini batatas (fofas!), feijão (me pareceu do vermelho), redução de caldo de porco. A princípio, a mistura parece estranha, mas não é que ficou bom?!!! 10

Lasai

12) Robalo, creme de nabo e cebola assada (este era prato principal, a porção era um pouco maior). 8

Lasai

13) Vazio (tipo de corte da fraldinha) com batata-laranja (cor alaranjada e sabor doce, deliciosa), caldo da própria carne. Muito bom, apesar de que a carne não era tão macia. E confesso que não consegui comer tudo, eu já não aguentava mais nada nesse momento. 9

Lasai

14) Ufa!! um doce!! Bolinho de fubá, super gostoso, macio por dentro e crocante por cima, acompanhado de sorvete de erva-doce (não tinha combinação melhor) e um biscoito crocante de fubá. Infelizmente esqueci de fotografar este prato!! 10. 😦

15) Espuma de gim, sorvete de melão e melão (a fruta in natura). Para refrescar o paladar. 7

Lasai

 

Depois desse banquete, fui tirar fotos da cozinha e dar os parabéns ao Chef Rafa.

Grande presente este que nos demos de aniversário! Quem sabe no próximo ano encaramos novamente. Da próxima vez, vou fazer greve de fome nos dois dias que antecederem ao jantar, kkkk.

Eu e o Chef Rafa Costa e Silva e a sua cozinha no Lasai

 

 

Felipe Bronze é ORO!!!

Em 2011 estive no restaurante ORO do Felipe Bronze, o mago da cozinha (não há termo mais apropriado!), vocês podem conferir o post que escrevi na época aqui. Ontem, a convite de meu marido, fomos jantar lá outra vez, juntamente com meu enteado e sua esposa. Era pra ser mesmo uma noite muito especial, pois estávamos comemorando a visita da cegonha ao nosso clã!!!

E foi realmente tudo perfeito. Esse cara é genial. Para mim, seus pratos vão muito além de invencionices modernas de cozinha contemporânea. São uma provocação aos nossos sentidos! Além de visuais fantásticos, são criativos e muito saborosos. Um verdadeiro artista, esse Felipe…

Éramos 4 e todos optamos pelo menu “confiance” de 7 cursos (6 pratos salgados e 1 sobremesa). Pedimos vinho a parte, mas é possível pedir os pratos já harmonizados, e neste caso, vem uma taça de vinho para cada um, inclusive para a sobremesa.

O primeiro curso era uma variedade incrível de “amuse-bouches” (termo francês que designa pequenos tira-gostos que precedem uma refeição). Um deles, era um caldinho de feijão com espuma de couve, acompanhado de um torresmo, que não era de “verdade”, daqueles feitos com pele de porco, mas tinha o mesmo sabor e mesmo visual do verdadeiro. Na minha concepção, parecia feito de mandiopan. Ótimo! Também tinham outras delícias, como as bolinhas que estouravam na boca com sabor de alho, bolinhas de cebola e o castiçal cheio de falsas “velinhas”, que na verdade eram cones delicados de milho, com recheio de queijo catupiry e pó de pipoca por cima. Um barato! Ah, e não posso esquecer das mini barriguinhas de porco que eram de se comer ajoelhado, agradecendo a Deus…

"Amouse-bouches" do ORO

“Amouse-bouches” do ORO

Depois dessas surpresinhas todas, veio o segundo prato: vieiras (molusco que mora naquela concha em forma de leque, símbolo da Shell) grelhadas, com uma espuma de castanhas cruas e finíssimas fatias de picles de maxixe. Muito delicado.

Terceiro prato e o melhor de todos a meu ver: um ovo frito “fake”, rsrsrs. Na verdade era uma gema cozida lentamente, o que a deixou macia, como um creme, sem cozinhar. Em volta, um purê de batatas e por baixo dela, couve mineira e pequenos croutons sabor bacon. Show de bola!

Vieiras grelhadas com espuma de castanha

Vieiras grelhadas com creme de castanha e fatias finas de maxixe

Ovo frito "fake", com purê de batata e couve mineira

Ovo frito “fake”, com purê de batata e couve mineira (que está por baixo)

O quarto prato eu já havia comido da outra vez que estive lá (mas na ocasião ele utilizou lagostins): Cavaquinhas grelhadas, com crispy de pupunha (espécie de palmito) e creme de pistache. Super saboroso.

Já o quinto prato, também bem delicado, um “black cod”, que pelo que pesquisei, é um peixe que vive em águas profundas do Alaska, e que é muitas vezes chamado de “bacalhau-preto”, mas não é da família do bacalhau. Ele vinha acompanhado de uma folha de capuchinha (planta que possui flores e folhas comestíveis), pupunha fermentada e um caldo de galinha tostado. Parece estranho, mas tava bem interessante, com um sabor suave, para não brigar com o peixe que tinha uma carne branca e macia.

Cavaquinha com creme de pistache e crispy de pupunha

Cavaquinha com creme de pistache e crispy de pupunha

"Black cod" com folha de capuchinha

“Black cod” com folha de capuchinha

 

Para finalização dos pratos salgados, veio um porquinho de leite cozido em baixa temperatura, acompanhado de nhoques de canjiquinha e queijo mineiro, incrivelmente macios, com caldo que era uma redução do próprio assado do porco. Deeeliiiiiiiciiiiiioso.

Porquinho de leite e nhoque de canjiquinha e queijo

Porquinho de leite e nhoque de canjiquinha e queijo

E pra fechar com chave de ORO (o trocadilho foi inevitável, haha) a sobremesa era um conjunto de diversas porçõezinhas de doces caseiros com sabor de infância! O tema era “Brasilidades”, sugerindo a exploração de ingredientes tipicamente brasileiros. Pipoca caramelada com sal de cumaru (árvore da família das leguminosas, nativa do Brasil e outros países da América do Sul), pudim de leite com amburana (árvore típica do sertão nordestino, cujas sementes podem ser utilizadas na gastronomia e na perfumaria) , brigadeiros super macios e crocantes por fora (com farelos de biscoito de casquinho de sorvete, segundo fomos informados, o que achei uma excelente dica), doce de leite com chocolate e pimenta, chocolates do tipo “twix” na versão do chef, castanhas-do-pará açucaradas, pequenos flans de queijo com goiabada cascão, popularmente conhecidos por “romeus-e-julietas”, lindos, e mini-tortinhas de limão e tapioca. E não acabou por aí!!!!! Trouxeram uma espuma de coco que foi “congelada” na hora, em nitrogênio líquido, deixando-a bem crocante por fora e macia por dentro. Geeeente, o que era aquilo…

Espuma de coco é finalizada na mesa, com nitrogênio líquido

Na sobremesa: espuma de coco é finalizada na mesa, com nitrogênio líquido

Ao final de tudo, quando já não conseguíamos mas nem respirar, lá vem a nossa simpática garçonete com mais um pratinho de brigadeiros, porque tinha escutado a gente comentar que estavam deliciosos! E nós fizemos o sacrifício de comê-los, claro, não poderíamos fazer feio né?!!!

Eu também não poderia deixar de mencionar o perfeito serviço prestado pelos garçons, garçonetes e maître. Todo o ritual estava muito bem cadenciado. Talheres sempre trocados, tempo bem calculado entre um prato e outro, louças lindas e decorativas, além de muita atenção e simpatia de todos os funcionários. O Chef Felipe Bronze está de parabéns. Como eu mencionei no título, ele é ORO!