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Babaganoush

Babaganoush, um clássico da cozinha árabe

Babaganoush, um clássico da cozinha árabe

Mais um prato da culinária árabe! O babaganoush é versátil, pode ser servido como entrada, com pão árabe ou torradinhas. Pode também ser servido como acompanhamentos de carnes. É saudável, relativamente fácil de fazer e você sai da mesmice das pastinhas tradicionais. Eu a preparei no mês passado, num almoço árabe que organizei (veja detalhes desse evento). Mas vamos à receita!!

Tahine que utilizo normalmente

Tahine que utilizo normalmente

Ingredientes:

2 berinjelas médias

2 dentes de alho

suco de 1/2 limão

2 colheres (sopa) de tahine (pasta de gergelim)

1 colher (sopa) de maionese

1 colher (sopa) de azeite

1 colher (sopa) de salsinha picada

pimenta do reino e sal a gosto

Modo de preparo:

Para obter o típico sabor de defumado nessa pastinha (tradicionalmente a berinjela é assada na brasa), lave as berinjelas, retire o talo e enfie um garfo (só para ajudar a girar, mas é opcional). Asse toda sua casca diretamente na chama (baixa) do fogão, girando a berinjela à medida que for tostando a casca (tome cuidado para não queimar).

Berinjela vai à chama do fogão e depois para o forno

Berinjela vai à chama do fogão e depois para o forno

Depois coloque-as em uma assadeira, cubra com papel alumínio e deixe no forno médio (180°), previamente aquecido, por mais uns 20 min, ou até que esteja bem macia por dentro. Corte ao meio as berinjelas e com uma colher retire sua polpa.

Retire a polpa da berinjela, depois de assada

Retire a polpa da berinjela, depois de assada

Junte essa polpa e todos os outros ingredientes em um processador (pode ser liquidificador, mas use o pulsar, para não ficar tão cremosa). Bata ligeiramente (as sementes das berinjelas devem ficar íntegras).

Num processador, junte todos os ingredientes

Num processador, junte todos os ingredientes

Coloque a pastinha num recipiente, jogue um fio de azeite e um ramo de salsinha para enfeitar. Sirva em temperatura ambiente, com o pão árabe ou torradas.

Babaganoush deve ser servido com torradas ou pão árabe

Babaganoush deve ser servido com torradas ou pão árabe

Se você curte cozinha árabe, veja também:

Homus Tahine (pasta de grão de bico)

Falafel (bolinhos fritos de fava)

Charutos de folha de uva (folha de uva recheada com arroz e carne moída)

Chich barak ou “Orelha de Gato”(espécie de capeletti de carne com molho de tahine)

Orelha de Gato

Chich Barak, ou "orelha de gato"

Chich Barak, ou “orelha de gato”

Em diversos posts anteriores comentei sobre um prato árabe que aprendi com minha mãe (que aprendeu com minha avó paterna, proveniente da Palestina), chamado Chich-Barak, mas que foi apelidado pela família de “Orelha de Gato”, (por causa do formato da massa, não sei porque cargas d’água, alguém achou parecido com orelhinhas de gato…).

Este prato tem um significado muito forte na minha família, porque era a “estrela” nas comemorações mais importantes. Sempre foi, na minha infância (e até hoje!), o meu prato predileto. Não só por seu sabor único, como por seu significado de “agregador” da família. Minha mãe nos pedia para estarmos cedo em torno da mesa para ajudarmos a preparar as “orelhas”, que nada mais é que massa recheada com carne moída. Mas como sempre era um evento importante, e minha família é numerosa, a quantidade de massa ficava na casa dos 2, 3, 4 e até 5kg! E antigamente, até os meus 20 e poucos anos, fazíamos manualmente, cada orelhinha, sem ajuda ao menos de um rolo para esticar a massa. Depois que tive meu restaurante italiano, nos idos de 1996, em que eu fabricava a própria massa, tive a feliz idéia de usar o rolo cilíndrico de abrir massas (e um cortador circular para raviólis) no preparo das orelhas de gato, o que facilitou muito. Ainda assim, é preciso que todos colaborem, pois senão acaba-se a nossa famosa tradição, que diz: “se não fizer, não come”!!!!

Nostalgias à parte, vamos ao que interessa. Não há receita escrita por ninguém da família, mas há nosso “olhômetro” na hora de preparar este prato. Por conta disso, nunca nenhum sai igual ao outro e aí ao experimentá-lo, também é tradição dizermos: “essa foi a melhor orelha que já fizemos”. Mas resolvi tentar passar aqui mais ou menos como se faz. Em 15/09/11 postei uma aula de cozinha árabe que tive na UNIRIO quando preparamos uma Chich-Barak com molho de coalhada (confira aqui). Mas aquela não é a que minha vó nos ensinou. Na “nossa” orelha de gato o molho é diferente, é feito com ‘tahine’, uma pasta de gergelim usada para preparar o homus tahine (pasta de grão de bico).

Orelha de Gato
Ingredientes do recheio: 1kg de carne moída de primeira, 1 cebola grande picada, sal e pimenta do reino a gosto (se quiser acrescente um pouco de hortelã picadinha).
Ingredientes da massa: 1kg de farinha de trigo, água e sal.
Ingredientes da sopa: 1,5kg de costela de boi em pedaços pequenos, 10 dentes de alho picado, 2 cebolas picadas, 1 pimentão pequeno picado, cheiro verde picado, sal e pimenta do reino a gosto, azeite, 4 ou 5 limões, 1 lata de tahine (500g).

Modo de preparo:

Primeiro é preciso fazer a massa. Pegue um recipiente fundo e grande, tipo uma bacia. Coloque a farinha de trigo no recipiente e vá acrescentando, aos poucos, água misturada com um pouco de sal, incorporando com as mãos. Até que fique numa consistência bem macia, desgrudando das mãos. Cubra a massa com um pano limpo e levemente umedecido e deixe descansar por pelo menos uma hora.

Faça a sopa. Coloque azeite numa panela grande e funda (caldeirão) e leve ao fogo alto. Inclua as cebolas e metade do alho, deixe dourar levemente. Acrescente as costelas temperadas com sal e pimenta do reino e deixe refogar bastante. Pode baixar o fogo. Coloque o pimentão e o cheiro verde, refogue mais um pouco, acrescente bastante água fria (eu diria uns 3 litros). Deixe cozinhando em fogo baixo até que a costela esteja macia. É necessário repor água de vez em quando, para não secar muito. Tem que ficar com bastante caldo.

Recheio de carne moída com cebola

Recheio de carne moída com cebola

Prepare o recheio das orelhas, colocando toda a carne moída em uma panela, com sal e pimenta do reino. Deixe em fogo baixo cozinhando até secar toda a água. Depois desligue o fogo e acrescente a cebola picada e a hortelã (opcional).

Agora vem a parte mais trabalhosa. Abra a massa com ajuda do cilindro, ou de um rolo, numa mesa limpa e polvilhada com farinha de trigo. Faça os círculos com um cortador circular ou com um aro, ou mesmo um copo. Recheie como capeletis, dando o formato de orelhas (primeiro dobra ao meio, como um pastel e depois une as pontinhas, veja as fotos abaixo). Vá colocando-as em cima de um pano polvilhado de farinha de trigo. Deixe-as secando até a hora de mergulhá-las na sopa.

Abrindo e recheando a massa do chich barak

Abrindo e recheando a massa do chich barak

Agora faça o creme de tahine no liquidificador, misturando o tahine com o suco dos limões, sal, um pouco de alho e água. Bata bem e incorpore à sopa. Ao levantar fervura, aumente o fogo e acrescente com cuidado todas as orelhas dentro do caldeirão.

Caldeirão já com o molho de tahine e as orelhas

Caldeirão já com o molho de tahine e as orelhas

Quando ferver novamente, baixe o fogo e deixe cozinhar. Por ser uma massa muito fresca, não demora muito (em torno de 20 min). Desligue o fogo e frite todo o alho restante com azeite numa frigideira. Acrescente à sopa, mexa delicadamente, acerte o sal, tampe a panela e deixe descansar por uns 10 min pelo menos. Sirva como prato único. Na mesa, deixe à disposição limão, azeite, pimenta, sal.

Dica: faça este prato em dias mais frios, ou num ambiente com ar condicionado, porque ele provoca um suadouro que vou dizer….

Outra dica: você pode servir um vinho mais encorpado com este prato, pois ele não é nada leve! Da última vez que fizemos, nós harmonizamos com o Gavanza, da Rioja (espanhol), uva Tempranillo, safra 2006.

Chich Barak, ou "orelha de gato"

Chich Barak, ou “orelha de gato”