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Heidelberg e Ludwigsburg

Heidelberg - Alemanha

Heidelberg – Alemanha

Heidelberg é uma cidade cheia de encantos, esta. Uma das mais belas que conheci nesta viagem. Ficamos hospedados num pequeno apartamento, com um janelão ao lado da nossa cama, uma mini-cozinha toda equipada e banheiro bem espaçoso (Boarding House Heidelberg). O único porém é que por distração minha, aluguei um apartamento em que não havia wi-fi, a internet era a cabo… Mas pra compensar, a localização era boa, pois nem precisávamos pegar transporte para chegarmos ao centro da cidade. Quinze minutos de caminhada e já estávamos em plena Hauptstrasse, a principal rua de compras e badalações. Não é uma cidade sofisticada como Frankfurt, ela guarda um certo ar de cidadezinha de interior, até porque não deve ter mais que 150 mil habitantes. Caminhamos pelo centro e atravessamos a “Alte Brücke” (ponte erguida no final do séc 18) até a outra margem do rio Neckar, de onde tínhamos uma bela vista do Castelo de Heidelberg no alto da montanha. Aí não deu outra, o estômago começou a reclamar.

Voltamos para o centro, e nas cercanias da Catedral encontramos um pequeno restaurante, o “Café Knösel”, duas moças simpáticas serviam as mesas. Escolhemos o mesmo prato, medalhões de carne de porco fritos, com molho encorpado de champignons e acompanhado de “spätzle”, famosa massa caseira alemã, imperdível para quem visitar o país. A cerveja de trigo que tomei de entrada foi perfeita para refrescar e abrir ainda mais meu apetite (como se precisasse!).

Cerveja de trigo em Heidelberg

Porco ao molho de cogumelos com spätzle

De sobremesa, não resisti: “apfelstrudel”, pela qual me apaixonei desde a primeira garfada, lá no começo da viagem, em Rüdesheim (leia mais aqui). Esta sobremesa foi servida com sorvete de baunilha (de baunilha mesmo, a fava) e uma calda de hortelã, fugindo um pouco da tradicional com chantilly. Ficou perfeita!!!

Apfelstrudel com sorvete de baunilha

Apfelstrudel com sorvete de baunilha

Em Heidelberg, não se pode deixar de visitar seu castelo. Construído no período medieval, foi ampliado diversas vezes, entre os séculos XIII e XVII, às margens do rio Neckar. Ele tem uma longa história de destruições e reconstruções, sofreu incêndios e ataques com bombas. Hoje em dia possui uma mistura arquitetônica interessante e oferece ótimas vistas da cidade.

Ah, se você for visitá-la e quiser dicas úteis, dá uma olhada no post que um amigo escreveu em seu blog “O Marco da Viagem“.

Gravura antiga que ilustra o Castelo de Heidelberg

Gravura antiga que ilustra o Castelo de Heidelberg

Antes de chegarmos aqui, dormimos uma noite em Ludwigsburg, próxima a Stuttgart. A intenção era conhecermos o famoso Palácio de Ludwig (Eberhard Ludwig, 10º Duque de Wurttemberg, que reinou entre os séculos 17 e 18), cuja construção foi iniciada em 1704, inicialmente como uma base para caçadas, e depois foi sendo aumentado até que tornou-se um palácio super complexo e gigante. Ele tem um imenso jardim. Felizmente, este palácio não foi destruído durante a 2ª GM, como quase tudo na Alemanha…

Palácio de Ludwigsburg

Palácio de Ludwigsburg

Nesta cidade tivemos um almoço com sabor de comidinha do interior: cordeiro cozido com batatas, minha opção, e fígado de boi, do Cláudio. A dona do bistrô era uma senhora muito simpática, que falava muito pouco inglês, mas ficou surpresa quando descobriu que éramos brasileiros. Um senhor que estava na mesa ao lado, também ficou surpreso e disse que gostava muito do Brasil.

Cordeiro cozido com batatas

Cordeiro cozido com batatas

Fomos bem tratados em todos os lugares por onde andamos nesta viagem, na Alemanha, na França ou Suíça. Nem sempre encontrávamos quem falasse inglês, mas a maioria se esforçou à beça, rsrs. Em Ludwigsburg uma portuguesa foi nossa salvação no hotel que ficamos!

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Frankfurt am Main – Com chave de ouro

Vou começar a contar a minha viagem pelo fim…

Foram 29 dias de puro deleite, para todos os meus 5 sentidos. O roteiro que montei ao longo de 1 ano foi bem pensado e planejado para melhor aproveitarmos a região do Reno (Alemanha), Mosel (Alemanha), Floresta Negra (Alemanha), Alsácia (França), Suíça  e até o principado de Liechtenstein.

Do que dependeu de mim, saiu tudo perfeito, mas do que dependeu de São Pedro, aí ele falhou em alguns momentos cruciais!!! Mas enfim, nada, mas nada mesmo, é completamente perfeito. Faz parte de qualquer viagem, alguns contratempos…

Römerberg - Praça na cidade antiga de Frankfurt

Römerberg – Praça na cidade antiga de Frankfurt

Mas então… Depois de 27 dias sem parar, visitando em torno de 30 cidades, chegamos ao nosso ponto final: Frankfurt, na Alemanha, de onde começamos. Teríamos 3 dias e duas noites lá, um dos mais importantes centros culturais e econômicos da Alemanha, onde estão as sedes dos principais bancos e jornais. Neste momento, só queríamos mesmo dar uma relaxada e fazermos umas “comprinhas”. Maior parte das minhas compras foram itens para a minha cozinha (inclusive alimentícios), as demais compras limitaram-se a algumas roupas para meus filhos e coisinhas de farmácia (a DM é simplesmente magnífica, tem de tudo!), como demaquilantes, escovas de cabelo, hidratantes e cosméticos em geral…

Dentre os itens culinários que comprei: ralador de pimenta Peugeot (sim, a mesma que fabrica os carros), raladores diversos para o dia-a-dia, frigideira de cerâmica italiana, facas, descascador de tomate (da Vitorinox, genial!), maçarico para crème brulée, arroz para paella, açafrão, fava de baunilha, pimenta verde seca, biscoitos amanteigados escoceses (fiquei fã, desde que experimentei ano passado em Edinburgh), um icewein do Mosel (vinho feito com uva congelada, muito doce, delicioso), chocolates.

Restaurant Français, em Frankfurt

Restaurant Français, em Frankfurt

Mas compras à parte, preciso contar o EXCELENTE restaurante que fui em Frankfurt. Queríamos fechar a viagem com chave de ouro. Para isso, pesquisei no Guia Michelin e encontrei um restaurante 1 estrela próximo ao nosso hotel. Era nosso último dia na Europa, já estávamos inclusive prontos para ir pro aeroporto, só iríamos passar no hotel para buscarmos nossa mala. Eu estava de tênis, meu marido de jeans… O restaurante era dentro de um hotel luxuoso, mas encaramos. A mocinha logo na entrada: “Vocês sabem que este restaurante é gourmet, não é?”. Hahahaha. Não havia muita gente. Ele tem ambiente externo e interno. Ficamos dentro. Chama-se “Français”. Como o nome já diz, cozinha francesa. Mas não tinha nada de clássica.

Vieram, como de costume, os “amuse-bouches”. Um deles muito bom, temperado com raiz forte, os outros nem tanto. Sabores neutros demais. Foi servido também pão fresco da casa (diversas opções), com 4 tipos de manteiga à sua escolha.

Amuse-bouche do menu degustação do Français

Amuse-bouche do menu degustação do Français

Primeira entrada: caranguejo desfiado, levemente apimentado, com um sorbet de manga, combinação ótima. Segunda entrada: Ostras frescas. Estavam realmente muito frescas e saborosas, servidas com limão siciliano. Mas o amuse-bouche que acompanhou o prato não combinava, eram uma espécie de mini sanduíches de queijo.

Caranguejo e sorbet de manga do Français

Caranguejo e sorbet de manga do Français

Ostras frescas deliciosas de entrada

Ostras frescas deliciosas de entrada

Prato principal: bacalhau fresco, com um molho delicadíssimo de cogumelos, acompanhado de aspargos e um purê de agrião. Estava fantástico. De comer de joelhos. Não íamos pedir sobremesa, mas por indicação da garçonete, terminamos por aceitá-la.

Bacalhau fresco, cogumelos, aspargos do Français

Bacalhau fresco, cogumelos, aspargos do Français

Antes dela nos trouxeram um delicioso iogurte caseiro com morangos e mousse de chocolate, servido num simpático frasquinho de vidro, com vedação em alumínio, como um iogurte de supermercado. A sobremesa principal era um sorvete de limão, bem refrescante, diversos detalhes não anotados por mim, mas no geral não foi das minhas preferidas.

Iogurte com morango e mousse de chocolate

Iogurte com morango e mousse de chocolate

Ao final ainda nos ofereceram docinhos diversos e trufas. Comi uma tartelete de amoras, deliciosamente delicada. Café e a conta: 175 euros, muito bem pagos. E ainda tivemos direito a uma entrevista com uma repórter de uma rádio local, querendo saber o que tínhamos achado do almoço, hahahaha.

Sobremesa Mousse de limão do Français

Sobremesa Mousse de limão do Français

Não posso deixar de registrar aqui o serviço excepcional do restaurante. A única coisa que faltou foi parabenizar o Chef pessoalmente, o Patrick Bittner, há 12 anos na casa.

Vinho do Reno que tomamos, Riesling, servido gelado, muito bom

Vinho do Reno que tomamos, Riesling, servido gelado, muito bom

Patrick Bittner, chef estrelado do Français (foto exposta na vitrine do restaurante)

Patrick Bittner, chef estrelado do Français (foto exposta na vitrine do restaurante)

Também esqueci de fotografar o cardápio, de forma que ficam faltando detalhes importantes dos ingredientes. Independente de qualquer coisa, o que é mais importante é a experiência como um todo, as surpresas no paladar. Este restaurante eu indico e voltarei, se um dia voltar a Frankfurt. Não há muito o que ver aqui, além da praça Römerberg e a Catedral, considerando que esta cidade foi duramente destruída durante a 2ª Guerra Mundial, mas há uma ótima rua de compras, a Zeil, com um shopping de arquitetura moderníssima (My Zeil) que possui uma enorme loja de eletrônicos (Saturn) para os aficcionados. Prefiro gastar meu precioso tempo com os setores gourmets das grandes lojas de departamentos Karstadt e Kaufhof…