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Restaurante ODE – Porto Wine House

 

Largo do Terreiro - Ribeira, Porto

Largo do Terreiro – Ribeira, Porto

Quando fiz a reserva de meu apartamento em Porto (Ribeira Apartments), a proprietária Anabela me enviou um email, dando-me as boas vindas, dicas, vídeos, fotos e orientações diversas. O que aliás, foi muito útil e simpático da parte dela!! Entre outras coisas, pedi sugestão de um bom restaurante contemporâneo. Ela me indicou o ODE Porto Wine House (Largo do Terreiro, nº7, Ribeira), dizendo que era o melhor da cidade. Pedi que fizesse reserva em meu nome, o que ela fez prontamente.

Entradinhas...

Entradinhas…

Depois de um dia cultural bem corrido e almoço em Matosinhos, seguido de um passeio de barco pelo rio Douro, chegamos lá no Ode um pouco atrasados, mas graças a Deus não perdemos a mesa, apesar da “reprimenda” que levamos, rsrsrs. O dono e Chef da casa, o Cristóvão, nos recebeu pessoalmente e nos levou ao primeiro andar, onde havia um pequeno e aconchegante salão, com umas 5 ou 6 mesas. Nos colocou de frente pra janela, de onde eu podia ver o Douro, e… a lua cheia!!!!!!

De entrada, nos serviu vários “pedacinhos” de Portugal. Manteiga da Ilha Terceira, Azeitonas e azeite de Freixo de Numão, um queijinho de ovelha de Évora, um salpicão de porco bísaro (nome da raça) de Melgaço, e pão de Bragança e Avintes. Para acompanhar, escolhi um bom vinho do Douro, claro.

Bacalhau fresco da Islândia

Bacalhau fresco da Islândia

De principal um soberbo bacalhau fresco da Islândia. Macio, saborosíssimo. Feito no forno com batatas assadas e grelos (folhas…). Cláudio pediu um polvo do Algarve que tive que chamar o chef pra perguntar como ele havia conseguido uma consistência tão esplendidamente macia. Ele me contou que cozinhava a 80 graus, por 2 horas. Seu fogão é elétrico, dá pra botar na temperatura que quiser. Pensei em fazer isto, mas teria que ser no meu forno, não sei se daria certo. Um dia experimento!

 

Polvo do Algarve e batatas ao murro

Polvo do Algarve e batatas ao murro

De sobremesa, pedi um pudim que estava no cardápio assim: “pudim de minha avó Dulce”. Não podia dar errado!! Claudio escolheu “vulcão de chocolate com ártico de tangerina”!!!! Ah, e obviamente, um vinho do Porto Reserva Tawny pra acompanhar. Aliás, o Chef foi muito generoso com o vinho, pois o que seria uma taça apenas, foram três, rsrsrsrs (quem mandou deixar a garrafa na minha mesa!!!!!).

"Pudim da minha avó Dulce"

“Pudim da minha avó Dulce”

Ao final do jantar, ele concordou em tirar fotos com a gente, e de quebra ainda me deu um autógrafo em sua carta de boas vindas. Que gentil!!!

Recomendo com ênfase, a quem for ao Porto, ir ao Ode, sem esquecer de reservar antes, e chegar na hora!!!

Ora pois!!

Vulcão de chocolate com ártico de tangerina

Vulcão de chocolate com ártico de tangerina

Eu, Cláudio e o Chef Cristóvão

Eu, Cláudio e o Chef Cristóvão

 

Aveiro – Portugal

Canal Central de Aveiro

Acho que este será o último post relativo a nossa viagem para França e Portugal em 2018. Mas não esquentem!! Tem muita viagem ainda pela frente: estamos indo para Portugal outra vez no final desta semana (quando visitaremos Coimbra, Tomar, Alcobaça, Batalha e Nazaré), Atacama em junho e o Caminho de Santiago de Compostela em setembro/outubro. Já perceberam né?! Quando não estou viajando… é porque estou programando minha próxima viagem!!! 😉

Aveiro conhecemos de passagem, mas vale um relato aqui. Foi na volta de Salamanca, e depois de passarmos pela maravilhosa Serra da Estrela. A grande vantagem é que tudo é perto ali em Portugal. Num mesmo dia dá pra conhecer mais de uma cidade, quiçá duas ou três, se você se programar direitinho.

Os “moliceiros” (barcos) no Canal Central

Há pouco tempo escrevi aqui um post sobre Annecy, conhecida como a “Veneza dos Alpes”. Agora é a vez da Veneza portuguesa. Aveiro é completamente dominada e rodeada pela “Ria de Aveiro”, que é como eles chamam a Foz do Rio Vouga (rio este que nasce em Viseu). Pelo que pesquisei em sites portugueses, a Ria de Aveiro foi um acidente geográfico que formou-se a partir do século XVI por causa do recuo do mar. Originou assim lagunas e canais que foram se ramificando nas terras baixas e formando diversas ilhas e ilhotas. Vista de cima (pude ver do avião) é imensa!! As salinas que se formaram naturalmente permitiram uma grande produção e comercialização de sal, garantindo o sustento e desenvolvimento da região há séculos.

Chegamos à tarde em Aveiro, hora propícia para degustarmos seus famosos doces e pasteis feitos com ovos, mais precisamente os “ovos moles“, tradição dos conventos femininos de Aveiro. Uma fina massa de hóstia envolve o creme interno feito basicamente de gemas e açúcar. Não comê-los seria um pecado!! Paramos em uma das diversas pastelarias da Rua João Mendonça, beira-canal. Experimentamos dos ovos moles e do pastel de nata, mas existia uma infinidade de doces diferentes. Estava excelente! 😛 Impossível comer um só. Tem gente que não gosta desses doces portugueses, eu amo todos.

Doces de Aveiro

Depois demos uma caminhada ao longo do Canal Central, onde embarcações que pareciam “gôndolas” (chamadas de “moliceiros”) ficam aguardando turistas para passeios românticos. Não entramos na Catedral que fica do outro lado do canal, mas andamos pelo centrinho todo, passando por um largo cheio de lojinhas de souvenirs e pela Igreja de Vera Cruz, pequenininha e simpática. Comprei numa lojinha ali perto uma toalha de mesa com estampa que imita azulejos portugueses, daqueles típicos azuis e brancos.

Igreja de Vera Cruz e arredores

Cruzamos diversas ruelas que lembravam o período medieval, bem estreitas. Fotografei alguns dos antigos azulejos das fachadas, muito bonitos.

Terminamos nosso dia em Labruge, praia que fica ao norte da Cidade do Porto onde moram meu irmão e cunhada.

Percorremos algo em torno de 460km, desde Salamanca, na Espanha, passando pelo topo da Serra da Estrela, depois Aveiro na costa e terminando em Labruge, no litoral norte, tudo num dia só. Magnífico.

No dia seguinte em Labruge, nosso último dia de viagem, fizemos uma caminhada de 10km pela beira-mar, passando por diversas praias próximas, num dia espetacular de sol e mar azul. Deixo abaixo alguns dos registros que fizemos e até a próxima!!

Labruge – Litoral Norte

 

Serra da Estrela – Portugal

Ainda sobre a viagem que fizemos em maio/junho de 2018, na volta de Salamanca para a Cidade do Porto resolvemos dar uma esticadinha até a Serra da Estrela. Mas eu não queria passar ao largo dela, eu queria explorá-la ao máximo e ir até o topo onde há a Torre, que marca o ponto mais alto da Serra (1993m de altitude), e que é o segundo ponto mais elevado de Portugal. Meu plano era subir a serra por um lado e descer pelo outro.

Entramos no Parque Natural da Serra da Estrela pelo lado leste, de quem vem da fronteira espanhola, passando pelo município de Guarda e depois Famalicão. Fui guiando meu irmão que estava dirigindo, com ajuda do GPS no celular, para passarmos pelo Poço do Inferno, uma cachoeira que eu havia visto em fotos na internet. Erramos o caminho inicialmente, mas com perseverança e insistência, como bons “Hazins” que somos, conseguimos encontrá-la. Era linda!! Água cristalina, da cor de esmeralda. A vontade que dava era de mergulhar, mas vocês podem imaginar qual era a temperatura da água proveniente de neve derretida (e olha que estávamos em junho)…

Poço do Inferno – Serra da Estrela

Seguimos então nossa subida por estradinhas estreitas quando de repente cruzamos com ovelhinhas na estrada, guiadas por um pastor e vigiadas por um Cão da Serra. Estavam fazendo o maior escarcéu com seus sininhos no pescoço. foi uma cena realmente pitoresca!!

Ovelhas na estrada – Serra da Estrela

Em seguida atravessamos um vale maravilhoso, por uma estradinha que beirava o abismo. Era simplesmente fantástica. Imensas montanhas, ainda com pequenos pontos de neve em seus picos e o vale verde lá embaixo… Paramos algumas vezes para tirarmos fotos.

Vales e montanhas da Serra da Estrela

Quando já estávamos bem próximos do topo, passamos por um local de “interesse geológico” (era o que dizia numa placa), devido a algumas formações rochosas que formavam colunas de pedras. No local, foi esculpida uma imagem de Nossa Senhora numa rocha, chamada de Nossa Senhora da Boa Estrela. Vale a pena dar uma parada nesse ponto para apreciar as formações, a escultura de Nossa Senhora, fazer uma prece e apreciar a vista!

Nossa Senhora da Boa Estrela – Serra da Estrela

Por fim atingimos o topo!! O dia estava lindo, o céu azul dava um contraste fantástico. Um lago azul profundo de águas congelantes com neve nas bordas foi nosso cenário perfeito para as fotos. Era 12 de junho, dia dos namorados, melhor lugar não poderíamos estar ❤ ❤ ❤

Compramos o famoso Queijo da Serra da Estrela numa loja que fica ao lado da Torre. Achávamos que lá seria o local mais caro para comprar, mas depois constatamos que o preço estava igual em outros lugares que vimos na descida da serra, ou seja, uma média de 8,50 euros a peça, que deveria ter na faixa de uns 500g. No Rio de Janeiro uma peça deste tamanho custa na faixa de R$ 150,00. Ele é feito tradicionalmente apenas com leite de ovelha, embora tenhamos visto alguns produzidos com leites de ovelha e vaca misturados, mas não são os “autênticos”!! Existe um outro detalhe que é o tempo de cura do queijo. Alguns mais curados são mais endurecidos, mas eu prefiro os menos curados, cuja massa interna é mais mole. Alguns são tão cremosos que temos que comer de colher! Bom DE-MAIS!! Mas isso vai do gosto de cada um…

Torre e Queijos da Serra da Estrela

Descemos por fim pelo outro lado da Serra e fomos conhecendo outros pequenos vilarejos pelo caminho. Em um recanto simpático encontramos um restaurante simples onde almoçamos um “borrego” (carneiro novinho) na brasa e cabra cozida. Estava tudo ótimo. Comemos sobremesas também, umas “bombinhas” recheadas tipo profiterolis e um doce feito com amêndoas servido em uma taça que não me recordo mais o nome. Tudo regado a um bom vinho produzido na região, algo que não poderia faltar.

Descemos mais um pouco até um vilarejo chamado Sabugueiro, onde compramos mais um Queijo da Serra e onde me encantei com os Cães da Serra ainda filhotes que estavam num canil em frente à loja. Todos à venda. Tirei fotos no canil ao lado de cães adultos, eles são grandes, mas dóceis. Que criaturas magníficas! Queria muito ter ficado com um, mas impossível trazer pro Brasil, muito menos criá-lo em um apartamento. Um dia, quem sabe, moro em Portugal, numa casa com jardim e crio um cão desses…

Cães da Serra da Estrela

Até a próxima!! Vocês conhecerão Aveiro e seus “ovos moles” no próximo post 😀

 

 

Salamanca – Espanha

Símbolo do Caminho de Santiago em Salamanca

Ao fim do nosso curso de francês em Lyon, fomos passar as “férias” na Cidade do Porto, 😀 . Na verdade, em Labruge, onde meu irmão e cunhada moram. Labruge é uma vila de praia a 20km do centro do Porto. Passamos 8 dias deliciosos, regados a muito vinho e comidinhas típicas portuguesas. Mas fizemos um intervalo nas orgias gastronômicas em Portugal e fomos fazê-las na Espanha 😛

Escolhemos Salamanca pela proximidade com a fronteira portuguesa (do Porto a Salamanca são “apenas” 350km) e porque no caminho de volta eu queria passar na Serra da Estrela, onde pretendia comprar uns queijos de ovelha, os famosos queijos da Serra da Estrela (para mim, um dos melhores queijos do mundo).

Salamanca é uma cidade bem antiga (existe desde antes de Cristo!), bonita, histórica, é passagem de peregrinos que vão à Santiago de Compostela (vindos de Sevilha pela “Vía de La Plata”) e lotada de estudantes, pois tem uma das mais conceituadas universidades da Espanha (fundada no século XIII).

Plaza de los Bandos – Salamanca

Chegamos na cidade por volta de umas 14h, deixamos o carro em nosso hotel (Gran Hotel Corona Sol, 4 estrelas excelente, barato e bem localizado!) e fomos caminhando em direção ao centro, procurando desesperadamente por um restaurante ainda aberto para almoçarmos. Para nossa sorte encontramos o Azogue Viejo, de “vinos y Tapas”, na simpática Plaza de la Libertad. O proprietário era também uma simpatia. E foi graças a ele que tivemos uma das experiências gastronômicas mais incríveis de nossas vidas, falando sério… não posso esquecer jamais do torresmo que comemos. Isso mesmo, torresmo! Sensacional. Com pedacinho de carne macia por baixo e casquinha absolutamente crocante e saborosa por cima. Não sei como ele conseguia aquele resultado. Nos arrependemos de não termos comido mais! Pedimos também uma porção de bolinhos de bacalhau, que ficou completamente “apagado” em comparação ao torresmo, e umas “croquetas” gostosinhas, que também tiveram seu brilho obscurecido, hehehe. Cerveja 100% gelada!!!

O mais incrível torresmo que já comi…

Bolinhos de bacalhau e “croquetas” regados a muitas cervejas geladas!

Seguimos então para a Plaza Mayor, considerada uma das mais bonitas da Espanha, do século XVIII. Monocromática, hoje me aparece na lembrança toda dourada… linda. Aliás, toda a cidade parece ter a mesma cor, de pedra local, cor de barro dourado claro.

Plaza Mayor de Salamanca

Outro prédio digno de atenção e muito bonito é a Casa das Conchas. São mais de 300 conchas de vieiras (símbolo do Caminho de Santiago) esculpidas em sua fachada externa. A entrada é grátis e vale a pena dar uma olhada em seu pequeno claustro no interior.  Há uma biblioteca funcionando no local, mas não é acessível a turistas, que eu me lembre…

Casa das Conchas – Salamanca

Continuamos nosso tour visitando a Catedral de Salamanca, belíssima. Imponente. Aliás, na verdade são duas catedrais juntas, a Nova e a Velha. Entramos pela Nova, maior e mais impressionante, e através de uma porta passamos para a Velha. Na Catedral Nova, destaque para a cúpula e para o “coro” todo talhado em madeira. Na Velha, destaque para o Claustro.

Catedral de Salamanca

Nave lateral, cúpula e coro da Catedral de Salamanca

Ao sairmos de lá nos dirigimos até a Ponte Romana, antiquíssima, do século I d.C. Um lugar bem agradável, com gramado, árvores, flores. Bom pra tomar um fôlego antes de continuar o tour.

Ponte Romana – Salamanca

Seguimos depois até a Universidade de Salamanca, onde em sua fachada existe um sapo esculpido (e escondido) e que todo estudante que entra na Universidade deve antes encontrá-lo, pois caso contrário, diz a lenda, não será aprovado, hahaha. Obviamente que junta um monte de turistas curiosos e ansiosos procurando a “rana” (sapo em espanhol). Conosco não foi diferente!!! Ficamos o maior tempão lá!!! Mas quem não quiser perder tempo, pode ter certeza que vai ter alguém lá cobrando uns eurinhos em troca da revelação do esconderijo hehehe.

Universidade de Salamanca – onde está a “rana”?!

Caminhando de volta para o hotel, entramos num bar de tapas outra vez e não resistimos a umas taças de vinho, cervejas e algumas (tá, vai… foram muitas 😉 ) tapinhas… a que pedi de “foie gras” estava deliciosa, depois até senti remorso… ^^’ Comemos ainda de queijo de ovelha, de camarão, de salmão… estavam ótimas, bem como as azeitonas, sempre muito saborosas na Espanha.

À noite não saímos, mas fizemos uma grande farra no quarto, apesar do hotel não fornecer saca-rolhas (a gente deu um jeito, claro)… Anexo ao prédio do hotel, tem um “Mercadona”, rede de supermercados famosa na Espanha. Tem de tudo! E barato!!!. Compramos vinhos, queijos, presuntos, pistaches e mais um monte de tira-gostos que nem lembro mais. Lembro apenas que compramos um vinho Pata Negra Reserva, um vinho que adoro, por apenas 2,80 euros!! No Brasil seria mais de R$ 50,00. Inacreditável… Fomos dormir ao som de fogos que vinham da Plaza Mayor. Foi quando descobri que era 11/06, véspera do dia de San Juan de Sahagun, padroeiro de Salamanca. Perdemos a festa… 😕

Aguardem, pois vem mais coisa aqui no blog em breve: a incrível Serra da Estrela com seu Queijo da Serra, com seu Cão da Serra e muito mais!!

 

 

 

Crumble de maçãs

Estive no Jalapão semana passada (vai ter muito assunto aqui por esses dias sobre este lugar encantador!!!) e experimentei um “crumble” de maçãs no Hotel Fazenda Ecológica, lugar agradabilíssimo e com uma verdadeira comida caseira, a chamada “confort food”. O verbo “to crumble” em inglês significa despedaçar, desintegrar, fracionar ou quebrar em pequenos pedaços. Isto é exatamente o que fazemos com as maçãs antes de usá-las na receita, a gente fraciona em pequenos pedacinhos, tempera, faz uma cobertura e assa. O resultado é surpreendente! A origem da receita é britânica.

Procurei pela internet alguma receita que eu “sentisse” que poderia confiar. Eu tenho uma certa intuição se a coisa vai dar certo ou não. Achei uma que me deixou confiante no site “Na cozinha da Helô” e resolvi arriscar. Foi aprovadíssima. Por mim, por meu sempre exigente e crítico marido e por mais alguns comensais de minha inteira confiança, hehehe. Todos acharam-na deliciosa. Segue portanto a receita nas quantidades que utilizei, já que fiz em quantidade maior do que a que está no site da Helô.

Ingredientes

(serve bem 10 pessoas)

Para a Base do crumble:

  • 6 maçãs tipo Gala (pode ser outro tipo que vc preferir, mas a Gala acho mais macia e adocicada) – depois de descascadas e picadas deu uns 850g
  • suco de 1 limão tahiti
  • 2 colheres sopa de uva passa branca sem caroço (opcional, pois tem gente que detesta passa, rsrsrs…)
  • 2 colheres sopa de açúcar mascavo
  • 15g de manteiga com sal derretida
  • 25g de maisena
  • 1 colher de chá cheia de gengibre em pó
  • 1 boa pitada de noz-moscada moída na hora

Para a Cobertura do crumble:

  • 90g de farinha de trigo
  • 25g de açúcar refinado
  • 1 pitada de sal
  • 1 boa pitada de canela em pó
  • 75g de manteiga gelada e picada
  • 100g de nozes picadas grosseiramente (também acho que ficará muito bom com amêndoas)

Modo de preparo da Base:

Descasque, retire os talos e sementes das maçãs e pique-as em pequenos pedacinhos, de uns 2cm no máximo. Coloque num bowl e misture com o suco de limão, o açúcar mascavo, as passas, o gengibre, a noz-moscada, a manteiga e por último a maisena. Misture bem todos os ingredientes com as mãos.

Numa travessa refratária previamente untada com manteiga, coloque a Base pronta de maçãs, de forma nivelada. Reserve.

Ligue o forno a 200°. Agora faça a cobertura…

Modo de preparo da Cobertura:

Misture num bowl a farinha, o açúcar, a canela, as nozes e o sal, depois junte a manteiga e vá misturando tudo com as pontas dos dedos, amassando os pedacinhos de manteiga, esfarelando, até ficar como uma farofa molhada.

Espalhe de forma homogênea sobre a camada de maçãs.

Asse por uns 35 ou 40min, até que a crosta esteja bem dourada e crocante.

Sirva quente, morno ou em temperatura ambiente, com sorvete. Eu servi com sorvete de canela, da Sorveteria Italia, ficou divino, mas pode ser de creme, tapioca, ou outro de sua preferência.

Viu como é fácil?!!!! A grande vantagem dessa sobremesa é que é rápida, nutritiva, saborosa e não sai caro. Dá pra fazer até pra ceia natalina, fica a dica 😉 Até breve!

 

 

 

Lyon, França – Parte 3

Em nossa segunda semana em Lyon, já nos sentíamos “em casa”. Após nossa viagem no primeiro final de semana para a Região do Beaujolais, voltamos à rotina de aulas de francês e comidinhas em casa, regadas a vinhos locais e cervejas especiais. Tudo mil maravilhas.

Cada dia a gente escolhia um lugar diferente para explorar no final do dia, já que as aulas acabavam por volta das 15h. Num desses dias fomos até o encontro dos Rios Saône e Rhône, chamado de “Confluence”. Um bairro interessante, bem moderno, com shopping e um Museu (Museu de La Confluence) ultra moderno. Não entramos, mas curtimos bastante o seu “design”.

“La Confluence”, onde os Rios Saône e Rhône se encontram (embaixo à direita, Museu de La Confluence)

De lá, voltamos caminhando pela Rue Victor Hugo toda de comércio (mais em conta que a Rue de La Republique) até a Place Bellecour, que aliás é importante saber que é a terceira maior praça da França e uma das maiores da Europa. Estava fazendo sol neste dia e ela estava deslumbrante. Perto dali, tem uma rua repleta de restaurantes, a “Rue des Marronniers” (Marronnier é o nome da árvore cujo fruto é a castanha-da-índia). Seguimos a indicação de um amigo de uma prima minha, que é lyonnais, e fomos ao “La Mère Jean“.

Rue Victor Hugo e Place Bellecour e vista da Basilique Notre Dame de Fourvière

A dica era experimentar um prato típico de Lyon, chamado “Quenelle“. Trata-se de uma massa em formato oval, tipo um nhoque gigante, feito de farinha, leite e ovos. O molho tradicional é de peixe (Lúcio, que se encontra ali no Rio Saône), mas alguns levam lagosta também. O nosso era assim, molho cremoso sabor lagosta. Gratinado. Demorou um pouco, mas avisaram antes que era feito na hora e tal, tínhamos que ter paciência… Pedi uma porção de pão pra enganar a forme e a garçonete disse que não ia trazer, acreditam??!! Disse que eu tinha que esperar pois o prato já era muito calórico, hahahaha. O vizinho da mesa ao lado ficou com pena de mim e me deu parte da porção de pão que estava em sua mesa. Rimos muito com isso.

Meu marido não gostou muito da tal da “Quenelle”. Eu que curto massa até que gostei. E gostei mais ainda do molho, bem saboroso. Um prato realmente calórico. E como se não bastasse ainda servem batatas fritas pra acompanhar, o que eu achei completamente desnecessário. Dividimos uma Quenelle para nós dois e foi mais que suficiente, rsrsrs.

Restaurante La Mère Jean e a “Quenelle”

A melhor parte foi a da sobremesa, também típica de Lyon: “Tarte aux Pralines”. Uma espécie de quiche doce. O recheio é feito com as “pralines roses” que são amêndoas cobertas de açúcar (caramelizadas), com algum corante “rosa-chock”, hahaha. Eu não estava levando fé nenhuma, mas como sou curiosa, resolvi experimentar. Gostei tanto que comi outras vezes depois, como por exemplo, na popular casa de chá e restaurante “Paul”, a mais saborosa “tarte aux pralines” que comi em Lyon. Dos deuses.

“Tarte aux Pralines” do La Mère Jean

“Tarte aux Pralines” do Paul

Noutro dia voltamos lá no “La Mère Jean” para experimentar mais uma das iguarias de Lyon: “les tripes” (tripas!). Aliás, tem muito prato típico à base de miúdos e tripas nos “Bouchons” (bistrôs típicos de Lyon). Esse prato era parecido com nossa dobradinha, porém, sem o feijão branco, ou seja, só mesmo o “bucho” cozido. Na Cidade do Porto comemos tripas muuuuuito mais saborosas que estas (vai ter post no futuro, aguardem!).

“Les tripes”

Outra especialidade lyonnaise servida nos Bouchons  é o “Tête de Veau” (cabeça de vitelo). No nosso último dia em Lyon, despedida da cidade, elegemos o “Bouchon Colette“, na popular Rue Mercière. Aliás, turistada toda vai lá porque é uma infinidade de restaurantes, um colado no outro, pra todos os gostos. Os moradores locais nem gostam muito de indicar restaurantes de lá, dizem que não são tão pitorescos, mas estávamos sem muito tempo pra pesquisar outro neste dia.

Cláudio, corajoso, enfrentou o “Tête de Veau”. Vieram uns pedaços de carne cozida da cabeça do vitelo, que deduzimos ser da bochecha, testa, língua… acompanhava batata cozida e um molho tipo tártaro. Eu pedi um outro prato também típico chamado “L’Andouillete“. Uma espécie de salsicha, recheada com carne de porco, tripas e outros miúdos,  cortada em pedaços e gratinada. Era meio esquisita… tinha um sabor bem marcante. Não estava ruim, mas também não adorei, rsrsrs. A cerveja estava excelente!

“Bouchon Colette” na Rue Mercière, 62

Penso que quando a gente viaja, tem que experimentar de tudo!! Tem coisas que você ama, outras nem tanto, mas como entender a cultura local sem conhecer o que as pessoas comem?!! E claro que não é só comida né, tem que procurar também saber um pouco da história da cidade, do país, suas raízes culturais (danças, músicas, roupas, hábitos, enfim…) senão será uma viagem incompleta.

No próximo post, contarei aqui nossa viagem à Grenoble, Annecy e outras surpresinhas mais!!! 😀

 

Região do Beaujolais – França

Região próxima a Oingt

No nosso primeiro final de semana em Lyon, decidimos alugar um carro e explorar a região vinícola da Borgonha, mais especificamente na área mais ao sul, onde são produzidos os famosos vinhos Beaujolais (feitos com a uva Gamay). O plano era subir o Rio Saône até próximo à Mâcon, onde pernoitaríamos em um mini “château”, comandado por um casal, onde ela é a Chef de cozinha e ele faz o papel de anfitrião e cuida da propriedade. Foi um final de semana realmente memorável, que conto agora.

No sábado logo cedo, alugamos um carro na Sixt, dentro da Gare Part-Dieu (a estação de trem de Lyon). Pegamos inicialmente uma estrada principal, mas assim que nos aproximamos das vinícolas, escolhemos as estradas secundárias, beeeeem secundárias mesmo, rsrs, a ponto de quase nos perdermos algumas vezes. Primeira parada foi na cidade graciosíssima de Oingt (difícil foi saber como pronunciar esse nome, pois nem mesmo os franceses se entenderam, hahaha). Vilinha medieval e extremamente bem conservada. Está entre as mais belas aldeias da França. Se situa no alto de uma colina, numa região rodeada de montanhas e plantações de uva. Super fotogênica.

Oingt – a vila estava deserta

Oingt de vários ângulos

Parreiras aos pés de Oingt

Depois seguimos até Villefranche-sur-Saône, muito maior que a primeira, porém menos graciosa. Andamos toda a rua principal, abarrotada de lojas, bares e restaurantes. Quando bateu a fome, elegemos a Brasserie La Chapelle, que achei simpática. O prédio era bonitinho, o ambiente aconchegante. A comida foi bem honesta, a garçonete um amor (eficiente e simpática). Escolhemos o “menu du jour”: bife (contra-filé, tava macio) com fritas e salada e sobremesa a sua escolha. A minha foi uma espécie de “pavê” de morangos, em taça, com biscoito, creme e chantilly. Chamava-se “Frisier”. Cláudio preferiu o clássico “crème brulée”. Ambas estavam ótimas. Tomei chopp Leff (ótimo!) e vinho Beaujolais Village. Conta honesta de 42 euros.

Villefranche-sur-Saône

Brasserie la Chapelle

A partir daí passamos em várias pequenas vilas de produção de vinhos, tais como: Vaux-en-Beaujolais, Beaujeau, Lantignié, Morgon e Villié-Morgon, Chiroubles, Fleurie. Nestas duas últimas, paramos para degustar vinhos. Em Chiroubles não curtimos muito, experimentamos um espumante e dois tintos diferentes. Seguimos então até Fleurie. Fizemos uma degustação maravilhosa com 7 vinhos diferentes! Inicialmente subimos uma montanha até uma pequena igreja de onde se tinha uma linda vista da pequena vila. Na descida, entramos na vinícola chamada Domaine de La Madone, e um rapaz muito simpático nos convenceu a degustar todos esses vinhos. Terminamos comprando uma garrafa do vinho que achamos mais saboroso, por 12 euros.

Fleurie

Passamos depois pelo Château de Corcelles, mas só tiramos fotos do lado de fora, muito bonito, rodeado de parreirais. Pelo que pudemos ver, ele realiza eventos no local, tipo casamentos e festas.

Château de Corcelles

Por fim chegamos em nossa pousada, “Les Clos de Flacé“. Muito queridos os proprietários. Ficaram felizes de saber que éramos brasileiros. Eles já tinham vindo ao Brasil e haviam adorado. O quarto que nos deram era ótimo, com duas camas de casal e um banheiro com varanda (uma novidade pra mim, rsrsrs). Tudo arrumadinho e de bom gosto. Pegamos com eles uma dica de supermercado próximo (um Carrefour fantástico) e trouxemos para o hotel o nosso “jantar”, pois não havíamos avisado antes e o hotel já estava com um jantar reservado para outros hóspedes que estavam lá aquela noite. Fizemos nossa refeição no jardim da pousada, com um gatinho de olhar pidão nos fazendo companhia. Consistiu em baguete, queijo local Saint Marcellin (muito bom!!) e “bloc de foie gras”. Para nós, tudo divino. Tomamos o vinho que havíamos comprado na vinícola de Fleurie.

Les Clos de Flacé – estada deliciosa

Dia seguinte (domingo) seguimos cedo primeiramente para conhecer as ruínas de uma antiga abadia: Abbaye de Cluny. Sugestão do nosso casal anfitrião. Valeu a pena, mas o que resta da Abadia é muito pouco, ficamos um pouquinho frustrados. Ela foi praticamente toda destruída. Ainda demos uma pequena caminhada pelo centrinho da cidade e até comprei uma faca do tipo canivete da Opinel, uma marca tradicional de cutelaria francesa. Ela foi super útil pra mim em Lyon, pois as facas que tinham em nosso apartamento não eram lá muito católicas…

Abbaye de Cluny

Centrinho de Cluny

Seguimos então para Bourg-en-Bresse, que eu queria de todo jeito almoçar, por causa da sua tão falada “Poulet de Bresse“, uma galinha especialíssima, com selo AOC (Appellation d’Origine Contrôlée), do tipo caipira (ou capoeira), ou seja, criada solta, livre de hormônios e etc. Pelas informações que li, elas só comem minhoca e … leite!!!! 😀 😀 😀

Difícil foi conseguir uma vaga em algum restaurante, pois estavam todos lotados. Depois descobrimos que eles estavam comemorando o dia das mães naquele domingo (era o último do mês de maio). Felizmente encontramos uma mesa no Restaurante L’Abbaye, em frente a uma linda Abadia, ou Monastério. Sentamos na área externa do restaurante, um grande jardim super arborizado. Ficamos embaixo das copas das árvores, que estavam verdíssimas. Deu um clima legal. Pedimos então o afamado “Poulet de Bresse” que acompanha batatas fritas e salada básica. Eu particularmente achei muuuito bom! A carne da galinha era super macia mesmo, eu diria cremosa, se desmanchava na boca. Nunca comi igual. Ela vem até com um selo em metal, pra que o cliente tenha certeza de que é verdadeira. Existe um controle muito grande dos produtores que são autorizados a produzi-las e comercializá-las. Eles têm que seguir regras rígidas. O mesmo que acontece com os vinhos DOC (Denominação de Origem Controlada) em Portugal.

Monastério em Bourg-en-Bresse e a Poulet de Bresse

Por fim, fomos à Perouges. Uma pérola medieval que fica a apenas 40km de Lyon. O único porém é justamente o fato dela ser muito turística, visto sua proximidade com Lyon. Obviamente que é imperdível, como são tantas outras pequenas vilas altamente turísticas da Europa, a exemplo de Óbidos em Portugal, Bruges na Bélgica ou Siena na Itália. Todas são maravilhosas. Pérouges é bem pequena e preservada. Suas ruas são de pedra, carros não entram. Muito fotogênica. Existem lá famosas “galettes” que não são os crepes de trigo sarraceno, mas uma espécie de pizza. Tem doce e salgada. Pedi a “galette pralinée” pra experimentar, feita com um creme de amêndoas cor-de-rosa (depois vou falar em detalhes desse creme, que foi uma doce e incrível descoberta que fiz em Lyon, muito melhor que esta que comi aqui em Pérouges).

Pérouges – vila medieval a 40km de Lyon

Pracinha central em Pérouges

Voltamos para “nossa casa” exaustos, após largarmos o carro na Gare. Dia seguinte era dia de branco, tínhamos que dormir cedo. Dia de branco na França é très chic não?! hehehe. Em breve tem mais!!! Au revoir!!!

 

 

Lyon – França – Parte 2

Cada dia em Lyon era uma nova descoberta. Íamos descortinando a cidade aos poucos, já que tínhamos 3 semanas inteiras para degustar. Cada dia uma rua diferente, um restaurante novo na hora do almoço, um mercado diferente para fazer compras. Assistíamos aula pela manhã e à tarde no Inflexyon, curso ao qual nos matriculamos e que oferecia um sistema de aulas de conversação bem interessante, permitindo uma intensa troca cultural. Em nossa turma, havia alunos oriundos dos quatro cantos do mundo (Finlândia, Taiwan, China, Japão, EUA, Colômbia, Omã, Brasil, entre outros). Era extremamente rico e divertido debater alguns assuntos polêmicos com todas aquelas pessoas!!!

Vista do rio Rhône do alto da Pont Morand, em Lyon

Ao final da aula, em nosso quarto dia na cidade, resolvemos dar uma esticada até o “Parc de La Tête d’Or” (Parque da Cabeça de Ouro), o maior parque urbano da França. Constitui uma área imensa (117 hectares) muito arborizada, com lagos cheios de patinhos, um zoo, estufas com plantas exóticas, velódromo, cafés, etc. Excelente para praticar esportes, com muitas alternativas de pistas, justamente o que queríamos para nossa corrida matinal 😀

Parc de la Tête d’Or – Lyon

Próximo ao nosso apartamento, na rua de trás (Rue du Sergent Blandan), havíamos descoberto por acaso um restaurante tailandês, o Bangkok Royal e fiquei com água na boca. Lembrei da minha viagem à Tailândia e os diversos pratos deliciosos que tive oportunidade de conhecer. Fiz vários posts aqui sobre essa viagem à Ásia, vocês podem dar uma explorada aqui.

Resolvemos jantar lá neste dia, ao sairmos do parque. Foi maravilhoso. Talvez a melhor comida que eu tenha comido em toda a minha estada em Lyon… por incrível que possa parecer. É até uma heresia. Mas enfim…

Cartão de visita do Restaurante Bangkok Royal

De entrada pedimos um camarão empanado, com massa super leve e crocante de arroz (Kung Tod). O molho que acompanhava era ótimo, com gengibre, visualmente parecido com um que aprendi a fazer em uma aula de gastronomia no Vietnã. Veja receita que postei aqui. Nosso prato principal foi um pato, cozido e grelhado, com molho apimentado (Ped Pad Nam) e folhas de manjericão. Muuuuito bom mesmo!! Pedimos uma taça de vinho tinto (servido em temperatura ambiente, achei que poderia estar mais resfriado). Pagamos felizes apenas 38 euros (mais ou menos R$ 183,00 hoje).

Restaurante Bangkok Royal em Lyon

No dia seguinte, depois das aulas, fomos visitar o “Les Halles de Lyon – Paul Bocuse“, do outro lado do Rio Rhône, mercado incrível de produtos frescos e artesanais da região. Há embutidos, pães, frutas e legumes, peixarias, açougues, temperos, vinhos, etc. É um mercado fino, fechado e climatizado. Há restaurantes e lanchonetes também. São ao todo 48 boxes. Qualquer pessoa que tenha interesse em gastronomia não deve deixar de visitá-lo. Lá você encontra tudo o que tem de melhor na região (pena que é tudo tão caro, rsrsrs).

Les Halles de Lyon – Paul Bocuse

Se quiserem uma dica de um bom restaurante em Lyon, já escrevi uma crítica aqui, vejam no link Brasserie Le Nord.

Em breve tem mais de Lyon!!

Lyon – França – Parte 1

Place des Terreaux – Lyon (Prédio da Prefeitura)

No ano passado, eu e meu marido decidimos que neste ano de 2018 faríamos um curso de conversação na França. Estávamos no nível B2.2 de francês da Aliança Francesa no segundo semestre de 2017, mas não chegamos a terminá-lo. Preferimos contratar uma professora particular e começamos a priorizar a parte mais difícil do aprendizado de uma nova língua: falar. Claro que já tínhamos uma boa noção. Os anos na Aliança nos deram uma base bem sólida. E a partir de então alimentamos essa ideia de escolher uma cidade na França para estudarmos. Excluímos Paris de cara, pois além de já conhecermos bastante, seria uma opção muito cara. Somado a isso, tenho grande atração por cidades do interior. Então comecei a considerar a cidade de Lyon.

Place Bellecour – No coração de Lyon

Terminamos decidindo mesmo estudar em Lyon, devido também à grande ligação dessa cidade com a gastronomia. Há grandes restaurantes, grandes Chefs, mas principalmente, ótimas escolas e cursos para quem quer aprender um pouco da culinária local e clássica. Eu poderia unir o útil ao agradável 😉 Vejam minha resenha sobre a Brasserie Le Nord, fundada pelo Chef Paul Bocuse, que tivemos o prazer de conhecer, em Lyon.

Chegamos à cidade num domingo ensolarado de maio, vindos de trem de Paris, e fomos direto para “nossa casa”, um apartamento que alugamos no Airbnb, na Rue de la Martinière, centro da cidade. Muito legal por sinal. Super bem localizado, a 600m de nosso curso, com mercados próximos, além de muitas opções de restaurantes, bares, padarias e comércio variado. Uma delícia! Foi a experiência mais próxima de “morar fora” que tive em minha vida. E a mais saborosa, literalmente. Ao lado do meu apartamento tinha um mercado de orgânicos, que cogumelos eram aqueles???!!!! Sempre frescos e apetitosos. Por este motivo, muitas vezes preferimos jantar em casa mesmo, pois cozinhar com ingredientes de primeira é sucesso garantido!!! Qualquer coisa que eu inventasse dava certo, fosse pelo clima europeu, pelo vinho nacional barato e maravilhoso, por estarmos de férias, enfim, por eu também ter algum talento, hehehe, cada experiência foi memorável.

Place des Jacobins – Lyon

Difícil contar aqui tudo o que vivemos em 3 semanas, serão necessários muitos posts. Mas vou escolher um pedacinho de Lyon de cada vez, contar o que eu lembrar, para que eu mesma nunca mais esqueça.

De manhã cedo, 3 vezes por semana, saíamos muito cedo para correr na beira do Rio Saône, um dos dois rios que cortam a cidade. O outro chama-se Rhône, que nasce nos Alpes Suíços, cruza a Suíça e vem se juntar ao Saône em Lyon. De suas margens nascem os emblemáticos vinhos “Côtes-du-Rhône“, muito bons. Depois o rio prossegue até o Mediterrâneo onde deságua.

Encontro dos Rios Rhône e Saône

Ciclovia e pista para corrida na margem do rio Rhône

A margem dos dois rios são fantásticas pra correr, protegidas por um muro alto, não dava pra ouvir o barulho dos carros que passavam. O rio é verde escuro e suficientemente transparente para se ver os peixes. Sempre tinha alguém pescando pela manhã. O Rhône é ainda mais transparente. Na outra margem do rio Saône, a cidade antiga, a “Vieux Lyon“, que nos dava ainda mais inspiração pra correr, com seu casario antigo e colorido que enchia nossos olhos e nosso imaginário. Terminávamos a corrida e íamos na “boulangerie” (padaria) da esquina e comprávamos uma baguete “cereales“, ainda morna, para comermos com manteiga (deliciosa, com cristais de sal), queijo brie ou camembert em nosso apartamento. Posso até sentir o sabor…

Beira do Rio Saône – Lyon – Onde corríamos de manhã cedo

Rio Saône – Vieux Lyon

No dia mesmo em que chegamos, fomos à Vieux Lyon, a parte mais antiga da cidade. Demos uma caminhada pela Rue Saint-Jean, a principal, cheia de lojas e restaurantes, com prédios antigos. Como sempre, a parte mais pitoresca e simpática de qualquer cidade europeia.

Vieux Lyon – Rue Saint-Jean

Estávamos famintos, procuramos um lugar que nos chamasse alguma atenção, mas vocês sabem, quando a gente tá com fome e com pressa, não sabemos tomar a melhor decisão. O restaurante chamava-se “Petit Glouton“, e arrisquei um carneiro grelhado. Cláudio, meu marido, preferiu um joelho de porco. Os bistrôs de Lyon (“Bouchons’) são famosos por sua comida caseira, porém nem um pouco light, 😛 . Não achamos nada de especial. As batatas vieram gratinadas, acompanhadas de tomates recheados e salada básica.

Joelho de porco e Cordeiro grelhado, no Petit Glouton

Nesse mesmo dia à noite, fizemos compras e improvisei um espaguete orgânico (feito com trigo, quinoa, alho e salsa), com um molho preparado com cogumelos frescos, brócolis, alho, cebola, azeite, manteiga (na França, é imprescindível, hoje não deixo de acrescentá-la em meus pratos), vinho branco e creme de leite fresco, que você encontra de infinitos tipos, com consistências diferentes. Uma maravilha. Cervejinha do lado pra inspirar, e depois um bom vinho francês pra acompanhar o prato!!! Chef Lu Hazin arregaçando as mangas 😆

Macarronada vegetariana improvisada

 

Tem mais de Lyon em breve!

 

Nhoque de batata

Acordei ontem com vontade de comer nhoque (ou “gnocchi” em italiano), do tradicional mesmo, caseiro, feito com batata comum. Lembrei que eu tinha anotado num caderno antigo de receitas o nhoque que minha mãe fazia em casa, pra acompanhar filé mignon, que ela fazia normalmente com molho de tomate.  A princípio eu queria fazer com queijo gorgonzola, mas quem não tem caça com gato. Fiz um bechamel com queijo minas meia cura, e ficou ótimo. Vou compartilhar aqui porque é uma receita fácil de fazer, mas só se for pra pouca gente… Para muita gente não indico não, haja paciência pra ficar fazendo tantos nhoques 😀 . A não ser que vc não tenha mesmo pressa e seja paciente, hehe. Uma ideia que considero melhor, para um número superior a 8 pessoas, é um strogonoff !

Nhoques de batata

Ingredientes (6 porções)

  • 600g de batata inglesa (4 unidades grandes)
  • 2 ovos inteiros
  • 120g de farinha de trigo (para uma textura beeem macia)
  • Mais um pouco de farinha de trigo para polvilhar
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • sal qb

Molho bechamel com queijo

Ingredientes:

  • 200g de queijo minas meia cura ralado
  • 1 cebola grande picada
  • 2 colheres sopa cheias de manteiga
  • 2 colheres sopa de farinha de trigo
  • leite o quanto baste (em torno de 500 ou 600ml, dependendo da textura desejada)
  • Noz moscada e sal q.b.

Modo de preparo do nhoque:

Cozinhe as batatas com casca, até que fiquem macias. Retire a pele e passe no espremedor para fazer um purê. Coloque manteiga e sal, misture. Deixe esfriar. Acrescente dois ovos inteiros e a farinha de trigo. Misture bem.

Em uma tábua, polvilhe farinha de trigo. Com ajuda de uma colher, ponha um pouco da massa na tábua, polvilhe farinha de trigo na massa também. Com as mãos espalmadas, vá rolando a massa pra cima e pra baixo para formar uma “cobra” (como fazíamos quando crianças com massa de modelar). Quando estiver na espessura ideal, vá cortando em fatias com a ajuda de uma faca fina, e formando nhoques de 1,5cm mais ou menos. Há quem goste maior um pouco, há quem prefira menor. Eu não sou tão exigente e vou cortando no olho, não precisa ficar tudo milimetricamente calculado. Afinal, o nhoque é artesanal 🙂 .

Enquanto vai fazendo este trabalho, coloque água pra ferver numa panela funda. E vá fazendo as bolinhas…

Quando a água ferver, coloque sal e espere levantar fervura novamente, e continue fazendo os nhoques…

Agora que você já terminou de fazer todos os nhoques, vá jogando na água fervente, aos poucos, em porções (de uns 15 ou 20). Ao começarem a boiar, vá retirando com uma escumadeira e colocando dentro de um pirex que possa ser levado ao forno. Coloque um pouco de manteiga à medida que eles forem se avolumando no pirex, para não ficarem colados. Reserve.

Modo de preparo do molho:

Facílimo. Primeiro ligue o forno em 220°.

Numa panela, frite a cebola com um pouco de azeite. Quando estiver dourada, acrescente a manteiga e deixe derreter. Em fogo baixo, coloque a farinha de trigo e vá mexendo sem parar. Deixa dourar um tempinho, pelo menos um minuto. Acrescente o leite e misture sempre, para não embolotar.

Junte o queijo ralado, deixando um pouco para colocar por cima. Tempere com sal e noz moscada.

Depois que o queijo derreter e o molho estiver na consistência correta (se precisar coloque mais leite, ele deve ficar um líquido cremoso, não muito espesso). Derrame o molho dentro do pirex onde estão os nhoques. Dê uma balançada com delicadeza, para o molho penetrar entre os nhoques. Polvilhe com o resto do queijo e coloque no forno. Basta ficar uns 5 a 10 min, para garantir que está quentinho e o queijo derretido. Servir com o filé.

E o filé mignon

O filé mignon você pode fazer do jeito que preferir. O meu é assim: retiro cordão e pele, tempero com alho, sal, pimenta do reino e mostarda “à l’ancienne” (aquela que vem em grãos). Deixo marinar um pouco e depois frito em uma grande frigideira com um pouco de óleo. Retiro a carne ainda mal passada, e na mesma frigideira, frito uma cebola em fatias. Quando está dourada, polvilho um pouco de farinha de trigo, ponho um pouco de manteiga, douro mais um pouco e depois entro com o vinho tinto, um pouco de água e metade de um tablete de caldo de carne. Deixo apurar um pouco. Depois retorno a carne para a frigideira e só deixo ali mais uns minutinhos, virando de um lado e de outro, para ela pegar o gostinho do molho… Tá pronto 😉

Sucesso garantido!! Agora abra um vinho tinto e sirva aos convidados!!!